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A Oração Sacerdotal de Jesus. (João 17:1-26)


No evangelho de João, capítulo quinze Jesus ensinou que é somente estando e permanecendo nele que o cristão pode frutificar de forma que agrade a Deus. Em João capitulo dezesseis ele prometeu a vinda do Consolador que chegaria para auxiliar os discípulos, na tarefa de permanecer nele. E, João, capítulo dezessete encontramos Jesus um pouco antes de concluir sua missão salvadora, através de sua morte na cruz. Ele intercede, não somente por seus discípulos, mas por todos os salvos; inclusive eu e você.

Os quatro evangelhos da Bíblia mostram Jesus orando muitas vezes, de muitas maneiras e por muitos motivos. Mas, em João 17, encontramos a oração mais emocionante e marcante feita pelo Filho de Deus. Sua missão estava por ser concluída e se aproximava a hora da sua crucificação. Antes, porém, Jesus passaria momentos dolorosos no Getsêmani, onde “em agonia” (Lc 22:44), suaria sangue. Foi com a imagem do Getsêmani, da via dolorosa, da indigna cruz, da morte atroz na mente, que Jesus deixou escapar de seus lábios esta maravilhosa oração. A poucas horas da morte, ele intercede por si próprio, por seus discípulos e por sua igreja.

Não peço que os tire do mundo, e sim que os guarde do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. (João 17:15-17)

Jesus estava se despedindo de seus discípulos, quando disse: “No mundo, tereis aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16:25-33). Cristo deixa claro que o propósito de Deus havia sido alcançado por ele e teria continuidade e conclusão pela ação poderosa do Espírito Santo, que usaria os discípulos e a igreja. (Jo 16:1-24). Para que assim fosse feito, Jesus levantou seus olhos para o céu e começou a interceder, primeiramente por si: “Pai é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti” (v.1). É uma conversa íntima com seu Pai, até o versículo cinco, Jesus pede a glória mútua, dele e do Pai; “glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (v.5).

Por que Jesus pede a glorificação? Porque ele completou, na terra, a obra que o Pai lhe confiou! O Filho recebeu autoridade para dar a vida eterna a todos os que o Pai lhe deu, e, por causa disso, estes conheceriam o Pai e o Filho (v.3). Na verdade, tudo isso seria concretizado na terrível cruz e na gloriosa ressurreição, mas Cristo fala como se tudo já fosse fato consumado, uma vez que enfrentaria o ódio, a corrupção, a traição, o abandono, a afronta, a ignomínia, a impiedade, enfim, tudo e todos, e iria fazê-lo sem recuar, por amor aos homens pecadores. Por isso, pede ao Pai que lhe dê a glória que tinha “antes que houvesse mundo”.

Que significado tem essa glória? Ele está afirmando que seu Pai é o Deus eterno e que ele, por ser seu Filho, é preexistente, é eterno, é divino, uma verdade que João já declarara no início de seu evangelho, quando afirma que o Filho é antes de todas as coisas e que todas as coisas foram feitas por ele (Jo 1:1-14). Portanto, as naturezas, divina e humana de Jesus, bem como sua obra expiatória e tudo o que ele fez, estavam na mente de Deus, desde a fundação do mundo, e, por isso, chegara o momento em que tudo seria consumado no Filho. E porque todas as ações do Filho produziriam grande glória a seu Pai, em sua volta para casa ele seria entronizado e glorificado.

A intercessão continua agora pelos discípulos (Jo 17:6-19). Jesus conversa com o Pai sobre eles. Fitava os seus discípulos e comovia-se por deixá-los, preocupando-se com o que aconteceria com eles após a sua morte. Nesse clima, ele dialoga com seu Pai. Seu profundo afeto por eles não era de então; ele já havia revelado o Pai a eles (v.6-7) e entregue as palavras do Pai (v.8-14), orado por eles (v.9-10), já os havia protegido (v.12), já havia se santificado para a santificação deles (v.19) e já os havia enviado ao mundo (v.18). Ele sempre demonstrou preocupação com a vida e com a história dos discípulos.

Repare que cena comovente: Jesus está perto de passar pela experiência mais cruel de toda a história humana e ainda assim, encontra forças para amar e cuidar de seus discípulos. Assim como o Pai deu-lhe um ministério vigoroso e vitorioso, Jesus quer que o Pai dê aos discípulos um ministério frutífero e alegre, que expresse a continuidade do seu (v.13). Por isso ele pede ao Pai que os uma (v.11), que o Pai os conceda paz (v.13), que o Pai os proteja (v.15-16) e que o Pai os santifique (v.17). A chave da intercessão de Jesus por eles é a perseverança.

“O fato de Ele orar por perseverança sugere que isso não é algo automático para os crentes; depende deles continuarem crendo em Jesus e guardando sua palavra, e, sobretudo, em última instância, do poder de Deus.”

Jesus iria voltar para casa, mas queria que os discípulos entendessem que seu Pai não é um Deus distante, um ser intocável, insensível, mas um Deus presente. Ao rogar que seu Pai não os tire do mundo, ele não “lhes prometeu uma vida utópica, uma vida sem problemas e contrariedades. Pelo contrário, almejava que os percalços da existência pudessem lapidá-los. Sabia que o oásis é mais belo quando construído no deserto, e não nas florestas”. Desta forma, Jesus não queria “tirar do caminho as pedras que perturbavam as trajetórias de seus discípulos, mas desejava que elas se tornassem tijolos para desenvolver neles uma humanidade elevada”. Por tudo isso, Jesus roga que seu Pai cuide deles, especialmente nos dias maus.

Por último, Jesus intercede por aqueles que vão crer na mensagem pregada pelos discípulos (Jo 17:20-26). Ele vê antecipadamente a conversão de milhões ou bilhões de pessoas (v.20). A evangelização do mundo não fracassaria! A intercessão de Cristo tem dois grandes alvos:

1) que os salvos, ao longo da história, sejam um, unidos num só propósito espiritual.
2) que a Igreja esteja sempre unida a Cristo a ao Pai, na forma como estes estão unidos eternamente (v.21).

Com isso, Jesus ora por uma unidade mundial (cf Ap 7:9-10) e revela seu desejo de preservar a pureza da Igreja até que ele volte.

O Senhor da Igreja faz cinco pedidos ao Pai em favor dela. Ele pede que o Pai:

1) a unifique (v.20-22),
2) que a Igreja honre o Filho (v.21b),
3) que demonstre o amor de Cristo (v.23),
4) que desfrute do amor de Deus (v.25-26)
5) e que desfrute a glória de Cristo nos céus para sempre (v.24)

Jesus deseja que sua unidade com seu Pai contagie os discípulos e se espalhe por toda a Igreja em todos os tempos (v.21). Não é a unidade organizacional, denominacional, institucional, mas orgânica, a unidade do corpo vivo de Cristo.

Jesus termina sua intercessão afirmando que o mundo não conheceu ao Pai, mas os discípulos o conheceram, através do Filho (v.25). Ele declara que ainda vai revelar o Pai com mais intensidade aos discípulos, e, por extensão, ao mundo, em seu último e decisivo ato messiânico na cruz (v.26). Seu desejo final e mais relevante é que o amor de Deus esteja nos discípulos e em todos os que nele crerem. Antes de exigir dos salvos obediência às suas próprias regras, leis, estatutos e juízos, ele quer que seu amor transborde neles para que possam “cumprir espontânea e prazerosamente todos os seus preceitos”.

A parte que nos cabe, então, é seguir o exemplo dado por Jesus e aplicar esta lição à nossa vida intercedendo pela verdade e pela santidade, pela missão evangelizadora e pela unidade espiritual da Igreja de Cristo.

De fato, é impressionante a oração feita por Jesus em João capitulo dezessete. Momentos antes da pior hora, a hora do gemido, da dor, da morte, ele deixa sair do fundo de sua alma, palavras profundas, emocionantes, vibrantes, que enchem nossos corações de esperança.

Sua íntima comunhão com o Pai é manifestada como o modelo para a nossa comunhão uns com os outros e com eles.

Sua eterna unidade com o Pai é revelada como o molde da nossa comunhão com os salvos e com eles.

Sua misericordiosa compaixão para com os ainda não salvos é a inspiração para o nosso mover em direção a estes, repartindo-lhes o Pai e o Filho.

Que as profundas e ricas palavras de Jesus nessa extraordinária oração entrem profundamente em nossos corações e transformem nossa vida substancialmente.

Amém!


Paulo cesar Amaral


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