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A Igreja e o reino de Deus

Por PC@maral
Qual é o relacionamento entre a igreja e o reino de Deus? As diferenças foram bem resumidas por George E. Ladd: "O reino é primeiramente o governo dinâmico ou o domínio real de Deus e, derivando dessa idéia, a esfera na qual o domínio é experimentado. Na linguagem bíblica, o reino não é identificado com os seus súditos. Eles são o povo do domínio de Deus que adentram o reino, nele vivem, e por ele são governados. A igreja é a comunidade do reino, mas nunca o reino em si. Os discípulos de Jesus pertencem ao reino assim como o reino pertence a eles; todavia, eles não são o reino. O reino é o domínio de Deus; a igreja é uma sociedade de homens".
Ladd prossegue até resumir cinco aspectos específicos do relacionamento entre o reino e a igreja:

1) A igreja não é o reino (pois Jesus e os primeiros cristãos pregaram que o reino de Deus estava próximo e não que a igreja estava próxima; eles pregaram as boas novas do reino e não as boas novas da igreja: At 8.12; 19.8; 20.25; 28.23, 31).

2) O reino cria a igreja (porque quando as pessoas entram no reino de Deus elas unem-se a uma comunhão humana da igreja).

3) A igreja testemunha do reino (pois Jesus disse: “E será pregado esse evangelho do reino por todo o mundo”, Mt 24.14).

4) A igreja é o instrumento do reino (porque o Espírito Santo, manifestando o poder do reino, age por meio dos discípulos para curar os enfermos e expulsar demônios, conforme fez no ministério de Jesus: Mt 10.8; Lc 10.17).

5) A igreja é a guardiã do reino (porque à igreja foram dadas as chaves do reino dos céus: Mt 16.19).

Existem igrejas verdadeiras e falsas igrejas:

O que faz de uma igreja uma igreja verdadeira? O que é necessário para existir uma igreja? Pode um grupo que se diz cristão tornar-se tão diferente do que deve ser uma igreja que tal grupo não deva mais ser chamado igreja?
Nos primeiros séculos da igreja cristã, houve pouca polêmica sobre o que era uma verdadeira igreja. Havia apenas uma igreja em todo o mundo, a igreja “visível” espalhada em todo o mundo, que era, naturalmente, a verdadeira igreja. Essa igreja tinha bispos, clérigos locais e templos que todos podiam ver. Qualquer herege que fosse achado em algum sério erro doutrinário era simplesmente excluído da igreja. Mas hoje, como podemos discernir uma igreja verdadeira de uma falsa igreja? Pelas doutrinas que pregam.
Em vista da questão proposta durante a Reforma, o que dizer da Igreja Católica Romana hoje? É uma verdadeira igreja? Aqui parece que não podemos simplesmente tomar uma decisão com respeito à Igreja Católica Romana como um todo, pelo fato de sua grande diversidade. Por exemplo, perguntar se a Igreja Católica Romana é uma igreja verdadeira ou falsa hoje é como perguntar se as igrejas protestantes de hoje são falsas ou verdadeiras. Há uma grande variedade delas. Algumas paróquias certamente não possuem as duas características: não há pregação pura da Palavra, e a mensagem de salvação somente pela fé em Cristo não é conhecida nem recebida pelo povo na paróquia. A participação nos sacramentos é vista como uma “obra” que pode alcançar mérito para com Deus. Um grupo como esse não é uma verdadeira igreja cristã. Uma igreja que não crê na Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, que não crê na salvação pela graça de Jesus Cristo mediante a fé, que não crê na trindade, ou seja, no Pai, e Filho e Espírito Santo conforme a Bíblia, não crê que a obediência faz parte da vida do cristão, que a igreja aguarda a glorificação dos santos com último estágio da redenção é uma igreja biblicamente falsa.

O Propósito da Igreja:

Podemos entender os propósitos da igreja em termos de ministério com relação a Deus, aos cristãos e ao mundo.

Ministério com relação a Deus: adorar:

No relacionamento com Deus o propósito da igreja é adorá-lo. Paulo ordena à igreja de Colossos que louve a Deus “com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão no coração” (Cl 3.16). Deus nos destinou e nos escolheu em Cristo “para sermos para louvor da sua glória” (Ef 1.12). A adoração na igreja não é simplesmente uma preparação para algo mais. Ela está em si mesma cumprindo o principal propósito da igreja com referência ao seu Senhor. Essa é a razão por que Paulo, depois de nos advertir de que devemos “remir o tempo”, acrescenta o mandamento de sermos cheios do Espírito e de estarmos “entoando e louvando de coração ao Senhor” (Ef 5.16-19). A adoração genuína é a adoração “em espírito” (Jo 4.23-24; Fp 3.3), que provavelmente significa adoração que se dá na esfera espiritual (não meramente o ato físico de participar do culto, ou de cantar hinos). Quando penetramos na esfera espiritual e ministramos ao Senhor em oração, Deus também ministra a nós. Assim, por exemplo, na igreja de Antioquia, enquanto estavam “servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Quando adoramos a Deus somos assistidos por Ele, pois é Deus quem nos observa no ato da adoração. A adoração teve início na eternidade, está presente na história do ser humano na terra e continuará na eternidade. A adoração sempre existirá. Antes da existência humana não existiam ímpios no céu, no entanto, havia adoração ao Deus triúno; em nossa caminhada na terra, existe ímpio, e há também a adoração ao Deus eterno, no céu não haverá ímpios, mas a adoração ao nosso Deus continuará. A adoração existe desde que Deus criou os anjos e existirá para sempre.

Podemos definir adoração como a atividade de glorificar a Deus em sua presença com nossa voz e com nosso coração. Nessa definição podemos observar que adorar é um ato que glorifica a Deus. Apesar de se esperar que todos os aspectos de nossa vida glorifiquem a Deus, essa definição especifica que adoração é algo que fazemos especialmente quando entramos na presença de Deus, quando estamos conscientes que o cultuamos de coração e quando o louvamos com a voz e dele falamos para que outros o ouçam. Paulo incentiva os cristãos de Colossos, dizendo: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16). As conseqüências da verdadeira adoração são:
Alegramo-nos em Deus:

Deus criou-nos não somente para glorificá-lo, mas também para alegrar-nos nele e regozijar-nos em sua grandeza. Nós provavelmente experimentamos alegria em Deus mais plenamente na adoração do que em qualquer outra atividade na vida. Davi confessa que “uma coisa” ele buscou acima de tudo foi, conforme disse: “que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4). Ele também afirma: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11).

Deus alegra-se em nós.

O que Deus faz quando o adoramos? A impressionante verdade das Escrituras é que enquanto a criação glorifica a Deus, ele também se alegra nela. Quando Deus fez o universo, no princípio, contemplou tudo com alegria e viu que “era muito bom” (Gn 1.31). Deus tem alegria especial nos seres humanos aos quais ele criou e remiu.

Aproximamo-nos de Deus:

A maravilhosa realidade invisível da adoração na nova aliança é aproximar-se de Deus. Na antiga aliança era possível aproximar-se de Deus só de maneira limitada através das cerimônias do templo; na verdade, a maior parte do povo de Israel não podia entrar no próprio templo, mas tinha de permanecer no pátio. Até mesmo os sacerdotes podiam adentrar apenas o átrio externo do templo, o “Lugar Santo”, quando estavam designados para tal tarefa. Mas no recinto mais interior do templo, no “Santo dos Santos”, ninguém podia entrar exceto o sumo sacerdote, que o fazia apenas uma vez por ano (Hb 9.1-7).

Deus aproxima-se de nós:

Tiago diz-nos: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tg 4.8). Esse tem sido o padrão com que Deus trata o seu povo em toda a Bíblia, e devemos estar confiantes que isso também é verdade hoje.

Deus ministra a nós:

Embora o propósito principal da adoração seja glorificar a Deus, as Escrituras Sagradas ensinam que também acontece algo conosco na adoração: nós mesmos somos edificados. Até certo ponto, isso acontece, naturalmente, quando aprendemos dos ensinos bíblicos ministrados ou das palavras de incentivo dirigidas a nós; Paulo afirma: “Seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26), e diz “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (Cl 3.16), e também “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19; cf. Hb 10.24-25).

Os descrentes sabem que estão na presença de Deus:

Ainda que as Escrituras Sagradas não enfatizem a evangelização como propósito principal quando a igreja se reúne para adorar, Paulo ordena aos coríntios que se preocupem com os descrentes e com os de fora que comparecem aos cultos, para que eles tenham certeza de que os cristãos falam de maneira que se pode entender (1Co 14.23). Ele também lhes diz que se o dom de profecia estiver sendo usado adequadamente, os descrentes terão eventualmente os segredos do seu coração descobertos, e se prostrarão sobre o rosto e “adorarão a Deus, testemunhando que, Deus está, de fato, no meio de vós” (1Co 14.25; cf. At 2.11).
Ministério com relação aos cristãos – edificar:

De acordo com as Escrituras, a igreja tem a obrigação de nutrir aqueles que já são cristãos e edificá-los até que cheguem à maturidade na fé. Paulo disse que seu próprio alvo não era apenas levar pessoas à fé salvífica inicial, mas sim “apresentar todo homem perfeito (maduro) em Cristo” (Cl 1.28). E ele escreveu à igreja de Éfeso que Deus havia concedido à igreja pessoas com dons “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.12-13). É evidentemente contrário ao modelo do Novo Testamento pensar que o nosso único alvo para com as pessoas é levá-las à fé salvífica inicial. Nosso alvo como igreja deve ser apresentar a Deus todo cristão “perfeito (maduro) em Cristo” (Cl 1.28).

Ministério com relação ao mundo - evangelização e misericórdia:

Jesus disse aos seus seguidores que eles deveriam “fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). Essa obra evangelística de declarar o evangelho é o ministério principal da igreja com relação ao mundo.

O crente em Jesus Cristo pode evangelizar de três maneiras: Pela intercessão, pelo exemplo e pela proclamação da palavra de Deus, e pode fazer missões orando, contribuindo e indo.

Todavia, acompanhando a obra de evangelização há também o ministério de misericórdia, que inclui cuidado dos pobres e dos necessitados em nome do Senhor. Embora a ênfase do Novo Testamento esteja na ajuda material para os que fazem parte da igreja (At 11.29; 2Co 8.4; 1Jo 3.17), há ainda uma afirmação de que é correto ajudar os descrentes ainda que eles não respondam com gratidão nem aceitem a mensagem do evangelho. Jesus nos ensina:
“Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6.35-36).

A questão central na explicação dada por Jesus é que devemos imitar a Deus, sendo bondosos para os que são ingratos e também egoístas. Além do mais, temos o exemplo de Jesus, que não tentou curar apenas os que o aceitaram como Messias. Em vez disso, quando grandes multidões o procuravam, “ele os curava, impondo as mãos sobre cada um” (Lc 4.40).

Isso deve incentivar-nos a executar atos de bondade, a orar pela cura e por outras necessidades, tanto na vida de cristãos como de descrentes.

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Este estudo está baseado no livro Teologia Sistemática de Wayne Grudem, Ed. Vida Nova
PC@maral

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