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O começo da santificação pessoal

"Segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo". (Tt 3:5b)

À exceção de Deus, tudo o que existe teve um início. No caso da santificação, há o início, o meio e o fim. É preciso conhecer bem esse processo visto ser ele, depois da justificação, uma parte decisiva para o desfecho da salvação (a glorificação).

Vamos abordar aqui o ato divino que precede a justificação, a santificação e, obviamente, a futura glorificação. Sem este ato, a obra de Jesus na cruz não poderá ser percebida pelo pecador que está morto em delitos e pecados.

Chama-se regeneração a ação de Deus, que, por meio do Espírito Santo, capacita espiritualmente o pecador a responder positivamente, pela fé, à salvação em Cristo, através do evangelho, pelo qual é chamado.

Como um bom e dedicado estudante da Palavra, o leitor sabe que a Bíblia Sagrada, além de ser a palavra de Deus, é a verdade de Deus. Portanto, não há de se espantar com a descrição extremamente negativa da natureza humana. Diz a Palavra que todos se extraviaram e se corromperam de tal forma que "não há quem faça o bem, não há nem um sequer" (Sl 14:3). Do ponto de vista humano, uma pessoa pode ver bondade na outra, mas à tua vista [do Senhor] não há justo nenhum vivente. (Sl 143:2). A Bíblia é taxativa: "... não há homem que não peque" (I Rs 8:46). "Ninguém escapa, todos tropeçamos em muitas coisas" (Tg 3:2).

A Bíblia descarta qualquer possibilidade de alguém se sentir diferenciado: Quem pode dizer: "Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?" (Pv 20:9). Você pode dizer isso? Cuidado, contenha-se! De Romanos 1:18 a 3:20, Paulo descreve a profundidade da depravação humana. O ser humano, por si mesmo, está atolado até o pescoço na imoralidade e na incredulidade. "Que se conclui? Temos nós [seres humanos] qualquer vantagem [méritos pessoais]? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos (...) estão debaixo do pecado" (Rm 3:9-10).

A queda, no Éden, desfigurou-nos totalmente. Iniciamos a carreira afastados da vida e da santidade de Deus. Viemos ao mundo destituídos de perfeição. Somos acostumados a não ver em nós o que, de fato, somos. Os filmes, os seriados, as novelas, os romances dão-nos uma visão romântica e fantasiosa sobre a natureza humana. As ideologias humanistas criam uma imagem altamente positiva do ser humano. A Bíblia, porém, nos chama à realidade, põe nossos pés no chão, e nos afirma: "Nascemos em iniqüidade e somos concebidos em pecado" (Sl 51:5).

Enquanto as ciências humanas buscam resposta para o mal na complexidade humana e nos eventos sociais, a palavra de Deus vai ao âmago da questão: Somos transgressores, desde o ventre materno (Is 48:8). Desviamo- nos, desde a concepção, desde o ventre materno, desencaminhamo-nos com mentiras (Sl 58:3). A Bíblia garante: ... é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade (Gn 8:21). Por causa de sua natureza corrompida, o ser humano tornou-se desqualificado para praticar o bem, de forma que tudo "o que ele faz é desprezível aos olhos de Deus, porque nada que o homem faz procede do amor a Deus e do propósito de glorificá-lo".

O ser humano sem Deus é identificado como ímpio, perverso, iníquo. E, nessa condição, qualquer sacrifício espiritual, ainda que feito com a melhor das intenções, "é abominável ao Senhor" (Pv 15:8). Gálatas 5 ensina que toda obra que não é fruto da influência e do trabalho do Espírito Santo é carne, e, por isso, não pode agradar a Deus. "As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana se tornam inimigas de Deus, pois não obedecem à lei de Deus e, de fato, não podem obedecer a ela" (Rm 8:7 – NTLH). O versículo seguinte é ainda mais enfático: "As pessoas que vivem de acordo com sua natureza humana não podem agradar a Deus" (Rm 8:8).

O pastor inglês Arthur W. Pink afirma: "[O homem] pode ser civilizado, educado, sofisticado e religioso, mas no coração ele é desesperadamente corrupto" (Jr 17:9).

Para o ser humano depravado, morto em delitos e pecados, atolado na escravidão do pecado, subjugado pelas garras de Satanás, só há uma saída: Ser regenerado, ou seja, liberto e recriado conforme a imagem de Jesus Cristo, através da ação poderosa e constante do Espírito Santo (Jo 3:5-8; II Co 3:18; Cl 3:10). A Bíblia, portanto, nos dá a idéia da importância do assunto e da seriedade que devemos ter para com a doutrina da regeneração.

A regeneração é o começo da santificação. É um ato exclusivo de Deus que consiste em dar ao homem vida espiritual. Esse ato é popularmente conhecido como "nascer de novo". Sobre aqueles que creram em Cristo e se tornaram filhos de Deus (Jo 1:12), a Bíblia afirma: "Eles não se tornaram filhos de Deus pelos meios naturais, isto é, não nasceram como nascem os filhos de um pai humano; o próprio Deus é quem foi o Pai deles" (Jo 1:13 – NTLH).

Num ato divino misterioso, como o vento, que não sabemos de onde vem nem para onde vai, "nascemos de novo" (Jo 3:3). Uma coisa, porém, sabemos: Sem nascer de novo, jamais entraremos no reino de Deus (Jo 3:3). Não sabemos quando essa obra maravilhosa começou por uma simples razão: "Estávamos mortos em delitos e pecados" (Ef 2:1). Morto não sabe de nada e não pode fazer nada! Estávamos nas mãos do espírito que controla a vida dos desobedientes; vivíamos fazendo a vontade da carne e dos pensamentos maus e estávamos destinados à morte eterna (Ef 2:32 e 3). Mas "a misericórdia de Deus é muito grande, e seu amor por nós é tanto, que, quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo" (Ef 2: 4-5 – NTLH). Nascemos de novo! (cf. Cl 2:13; I Pe 1:3).

A regeneração, portanto, é o primeiro passo para o ser humano sair da morte espiritual para a vida espiritual, da condenação para a salvação, da inimizade e distância de Deus para a amizade e comunhão com Deus, da abominação de Deus para o prazer de Deus, das trevas de Satanás para a luz de Jesus. "Antigamente vocês mesmos viviam na escuridão; mas, agora que pertencem ao Senhor, vocês estão na luz. Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz" (Ef 5:8 – NTLH). "Não há meio termo entre essas duas condições: Cada homem e cada mulher agora, na terra, ou é objeto do prazer de Deus ou de sua abominação".

Pink enfatiza que, enquanto não passam pelo novo nascimento, todos os homens são "reprovados para toda boa obra" (Tt 1:16). Não se quer ser repetitivo, mas, sem Cristo, as mais bondosas e imponentes obras humanas não agradam a Deus. "Entretanto, as menores faíscas que procedem daquilo que a graça iluminou são aceitáveis aos seus olhos". Tudo de bom que fazemos hoje e que agrada a Deus vem dele (Tg 1:17), "que pela sua própria vontade (...) fez com que nós nascêssemos, por meio da palavra da verdade, a fim de ocuparmos o primeiro lugar entre todas as suas criaturas" (Tg 1:18 – NTLH).

O ato de Deus, que, por intermédio do Espírito Santo, nos faz nascer de novo ou nos dá vida espiritual, faz com que tenhamos condições de responder com fé ao chamado do evangelho para a salvação em Cristo Jesus. Sem esse ato de vivificação espiritual, nenhuma pessoa pode dizer sim ao plano salvífico de Deus, pois, sem a ação do Espírito Santo, ninguém diz que Jesus é Senhor. Sem esse início, ninguém pode começar o processo de santificação pessoal, e, por conseqüência, ninguém verá o Senhor (Hb 12:14). Sem esse início, nada do que fazemos agrada a Deus.

O Espírito Santo iniciou a obra de regeneração em Lídia, de forma que ela teve condições de entender espiritualmente o evangelho que Paulo pregava (At 16:14). Ela se rendeu a Cristo e nasceu de novo, pois a Palavra diz: "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus" (I Jo 5:1). A partir de então, o que ela faz de bom agrada a Deus. Mas, pelo fato de ser início, de ser a semente da salvação, a regeneração segue operando poderosamente na vida do salvo, de tal maneira que a santificação pessoal é percebida pela interrupção de pecados antes contínuos. "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado" (I Jo 3:9), "mas na prática da justiça" (I Jo 2:29).

Enquanto Jesus não voltar para dar-nos a glorificação almejada, não teremos uma vida de perfeição. O alvo de Deus para nós, porém, não é menos do que isso. Nesta vida, não deixamos de ser pecadores, mas, também, não vivemos pecando, pois não somos mais dominados pelo pecado (Rm 6:14). A nova vida que ganhamos e que se desenvolve dentro de nós nos capacita a vencer todas as tentações da vida, seja no nível do intelecto, no das emoções, no da vontade e no do corpo. Esse processo atende pelo nome de santificação, mas seu início se dá na regeneração.

Devo reconhecer que minha natureza é má:

O brasileiro é famoso por dar um jeitinho em tudo. Mas, para resolver o pecado, não há "jeitinho brasileiro" que dê jeito. Quem ainda não foi regenerado, precisa enfrentar o fato de que, dentro de si, habita uma natureza má, corrupta, que o subjuga e o dirige à prática do mal. Precisa admitir, com honestidade, como Paulo: "Na minha carne não habita bem nenhum" (Rm 7:18). Sem esse enfrentamento, serão inúteis os conselhos dos pais, as exortações dos amigos, as advertências de Deus, as experiências com sofrimentos, enfermidades e até mortes. Sem essa admissão honesta, o ser humano carnal não pode agradar a Deus (Rm 8:8). Admita, portanto, diante de Deus, que você não é tão bonzinho como pensa. Ato contínuo: Jogue-se nos braços de Cristo.

Devo reconhecer que só Deus pode me recriar.

Assim como o abacateiro não dá manga e a mangueira não dá abacate, "Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons" (Mt 7:18). Se sua natureza é má, o que se esperar de você? Enquanto você não nascer de novo, estará reprovado para toda boa obra (Tt 1:16). Só depois de recriado e purificado para Deus é que você poderá ser uma pessoa zelosa e de boas obras (Tt 2:14). "Ah, mas já tenho décadas de crente!". Nesse assunto, o tempo e a experiência de vida não contam. Nicodemos era antigo na fé, um doutor da lei, mas ouviu de Jesus: "... necessário vos é nascer de novo" (Jo 3:7). Essa é uma questão fatal, e, por isso, é melhor ser humilde. Só assim o Deus que o criou irá recriá-lo.

Devo reconhecer que a regeneração é o começo da santificação.

"Eu aceitei Jesus!". Ouve-se muito isso. A ênfase está no "EU". Dá-se a impressão de que está tudo resolvido. De fato, esse é um ato em que o ser humano usa seu livre arbítrio. Contudo, ninguém se rende a Jesus, sem, antes, ter sido vivificado espiritualmente. Ponto final. Muito mais importante do que o "Eu aceitei Jesus" é estar consciente de que a caminhada apenas começou. Deu-se a largada. O grande Juiz do universo (Gn 19:25) acabou de suspender a penalidade do pecado ( justificação, Rm 8:1) e dar início ao processo de libertação do poder do pecado (santificação, Rm 6:14). Começou a salvação! É necessário desenvolvê-la. Ela tem começo, meio e fim (a glorificação, Fp 1:6; Rm 8:19-23).


Conclusão

A doutrina bíblica da regeneração tem, em si mesma, muitas qualidades espirituais benéficas à humanidade perdida. Porém, o fato mais relevante é o poder que Deus tem de mudar desejos, pensamentos e vontades humanas, antes rendidas ao poder do pecado. Quando alguém nasce de novo, o reino de Satanás é abalado, pois, para recriar uma pessoa, Deus não poupa seu poder, por intermédio de Cristo. Paulo diz: "... qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos" (Ef 1:19-20). "O poder de Deus na regeneração está entre as maiores demonstrações de sua onipotência na história do universo". Por causa dessa força, o homem morto é vivificado e começa a viver uma nova vida.



Deus abençoe a todos!


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PC@maral

Um comentário:

  1. Artigo excelente! O âmago da questão é reconhecer a soberania de Deus nas nossas vidas. Ele é quem chama e quem realiza (Fl 2.13). Aliás, todo o processo salvífico provém d'Ele (Romanos 8:30). Razão pela qual não deve o homem jamais se gloriar, com doutrinas estapafúrdias que o elevam á condição de semideus (Efésios 2:8-9). Espero uma visita sua no meu blog. O meu útimo post foi exatamente sobre Ele.(www.ricardomamedes.blogspot.com)

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