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É possível pregar o Evangelho sem a apresentação da Lei?


Hermes C. Fernandes

Um casal de missionários foi enviado para uma tribo isolada, que não havia travado contatos com a civilização.

Passaram dois anos falando de Cristo àquela gente, porém, não houve o resultado esperado. Ninguém se converteu. Passaram a ter Jesus em grande estima, considerando-O um mestre, digno de ser reverenciado, e nada mais. Não logravam entender porque aqueles missionários insistiam em apresentá-Lo como Salvador dos homens.

Não fazia sentido dizer que Cristo morrera na Cruz para salvá-los. Salvá-los de quê? Do pecado, claro! Mas o que era pecado, senão um conceito completamente estranho àquela cultura?

Aquele casal acabou desistindo e voltou para sua pátria. Tempos depois, chegaram à conclusão de que o que lhes faltou foi ensinar as Escrituras desde o início. Como aqueles aldeões poderiam compreender a graça, se não sabiam o que era o pecado? Como entender o pecado, sem conhecer a Lei?

Conceitos como o pecado já estão enraizados em nossa cultura ocidental, mas no caso de uma tribo afastada da civilização, qualquer investida missionária teria que começar por explicar suas origens.

O casal de missionários resolveu partir para outra tribo e tentar algo diferente.

Desta vez, gastaram dois anos inteiros estudando o Antigo Testamento com os aldeões, sem falar absolutamente nada do Evangelho. Explicou-lhes a Criação, a Queda, a Promessa de um Salvador, a instituição da Lei, a constituição do reino de Israel, etc.

Chegou um momento em que todos estavam desesperados, por reconhecerem sua condição de pecadores perdidos, dignos da justa ira de Deus.

Marcaram então uma reunião especial em que apresentariam a solução para o problema que eles agora tinham com sua consciência (antes tranqüila, por não conhecerem a culpa proveniente do pecado).

Naquela noite, falaram-lhes sobre o nascimento de Jesus, Sua vida justa, Seus milagres e ensinamentos. Por fim, falaram-lhes da cruz.

Houve muitas lágrimas, arrependimento, e finalmente... conversões! As pessoas batiam no peito, gritando: Foi por mim! Foi amor a mim!

No outro dia, os missionários lhes falaram da ressurreição de Jesus. De repente, o choro deu lugar a uma grande festa. Todos sentiam, pela primeira vez, a alegria da salvação. Aprenderam que com a ressurreição, Deus estava demonstrando ter recebido o sacrifício de Seu Filho Unigênito por nós, e com isso, declarando-nos justos e santos.

Surpreendentemente, todos os aldeões se renderam a Cristo naquela noite, e se tornaram genuínos cristãos, cujos frutos ainda hoje atestam da autenticidade de sua conversão.

É claro que a igreja de Cristo deve ser porta-voz da graça de Deus. Mas como o mundo entenderá tal graça, sem antes estar plenamente ciente de sua condição diante de Deus?

Apesar de nossa civilização estar familiarizada com muitos conceitos advindos da teologia cristã, como o pecado, tais conceitos estão cada vez mais diluídos em superstições e paganismo. Temos que resgatá-los, e isso não será possível sem que retornemos às bases da nossa fé, as Escrituras Sagradas.

Um eventual abandono das Escrituras nos fará prezas fáceis de todo tipo de paganismo travestido de Evangelho.

Povo de Deus, não compre pacotes fechados! Atenda à orientação de Jesus: "Examinais as Escrituras, porque pensais ter nelas a vida eterna. São estas mesmas Escrituras que testificam de mim" (Jo.5:39).

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Fonte: Hermes C. Fernandes

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