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A Separação é Certa

Hugo Alves Espínola


Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes. (Mt 13:49-50)

Este artigo se baseia em duas outras parábolas contadas por Cristo: a parábola do joio entre o trigo e a da rede, com peixes bons e ruins. Ambas se encontram registradas em Mt 13:24-30,47-50. Através delas, Jesus alerta os crentes de seu tempo e de todos os tempos sobre o caráter misto das coisas do reino. O bem e o mal sempre estarão juntos no mundo, a boa e a má semente “o trigo e o joio”, “os bons e ruins peixes” permanecerão juntos, até a consumação dos séculos. Elas nos ensinarão, ainda, que o reino de Deus é espiritual e não temporal; por isso, o bem e o mal continuarão a existir no mundo, até que chegue a ceifa e o supremo juiz faça a separação.

O PROPÓSITO DA PARÁBOLA

As multidões que se ajuntavam em torno de Jesus para ouvir o seu ensino eram impressionantemente numerosas. O que havia no Mestre que o tornava tão cativante? Muita coisa: a sua personalidade, a sua inteligência, a sua autenticidade, a sua misericórdia. Para ele, todos que o procuravam e o escutavam eram igualmente preciosos e valiosos. No seu coração, não havia lugar para preconceitos sociais nem discriminações raciais. Diferentemente dos mestres do seu tempo, que eram incoerentes e contraditórios, Jesus vivia tudo que pregava e ensinava. Era fiel à vontade de Deus, em todas as circunstâncias. Por mais adverso e opressivo que fosse o ambiente, Jesus se mantinha sereno e tranqüilo e respondia com perspicácia as perguntas que apareciam. Esse seu jeito atraía para si o povo, que era como ovelha sem pastor.

Para alcançar mais gente com o seu ensino, Jesus saiu de casa para um lugar mais amplo, junto ao mar: E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia (Mt 13:2). Jesus, ao ver aquela multidão presente, falou-lhe de muitas coisas por parábolas (Mt 13:3b), com o intuito de ensinar-lhe verdades ignoradas, porém, preciosas acerca do reino de Deus. Foi nesse contexto que ele contou a parábola do joio no meio do trigo. Já a parábola da rede foi contada aos seus discípulos, em particular, logo após as parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor.

Na primeira parábola, Jesus narra a história de um agricultor que semeia grãos de trigo em seu campo e, mais tarde, descobre que seu inimigo, secretamente, visitou seu campo e plantou joio por entre o trigo. Os servos do proprietário ficaram grandemente surpresos, ao constatarem o joio no meio do trigo, no campo do seu senhor. Eles perguntam: queres, pois que vamos arrancá-lo? O dono, porém, não deixou arrancar o joio (Mt 13:29-30), pois sabia que, se tentasse arrancá-lo, feriria também o trigo. Ele sabia que as raízes do joio e do trigo estavam tão entrelaçadas que quem puxasse o joio arrancaria também o trigo. Então, tomou a decisão de esperar até o tempo da colheita, quando separaria o joio do trigo e o queimaria.

Na segunda parábola, a da rede, a última de uma série de sete, intimamente relacionada à do joio entre o trigo, Jesus conta a história de um pescador que pega uma rede cheia de peixes, tanto bons, quanto ruins. Nos dias de Jesus, usava-se para pescar o arrastão, que era um tipo de rede muito grande, capaz de pegar uma grande variedade e uma enorme quantidade de peixes. Uma vez lançado, os pescadores puxavam todos os peixes de toda a natureza e de todo o tamanho. Separavam-se, então, os peixes bons dos ruins. Assim, os peixes ruins, tanto os imundos (impróprios para o consumo) como os menores (inadequados para o comércio), eram, imediatamente, lançados de volta à água.

A VERDADE DA PARÁBOLA

O principal ensino das parábolas deste estudo é que, a separação entre os que praticam a iniqüidade e os que procuram a santidade irá acontecer somente na consumação dos séculos, isto é, na volta de Jesus, e não antes. Essa verdade principal foi enfatizada muito claramente por Jesus, tanto para aqueles que o ouviam, quanto para aqueles que o seguiam: o juízo de Deus é adiado por um tempo, mas, certamente, acontecerá. A respeito disso, temos esta promessa: O Senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciência com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados. (II Pe 3:9) Antes de isso ocorrer, o bem e o mal estarão juntos no mundo, que é visto como “um grande campo”, em que crescem plantas boas e plantas ruins, e como uma “grande rede”, em que existem peixes bons e peixes ruins. Por causa disso, neste mesmo mundo, devemos estar preparados para encontrar igrejas com cristãos e incrédulos, convertidos e não convertidos, os filhos do Reino e os filhos do diabo, todos misturados uns com os outros. Desde que a igreja existe é assim. Nem mesmo a mais pura e sadia pregação do evangelho conseguiu ou consegue impedir esse estado ou essa mistura de coisas.

O joio sempre será encontrado no meio do trigo e peixes ruins sempre serão achados no meio dos peixes bons. Nunca houve um lugar em que todos fossem “trigo”, ou peixes bons. Há crentes verdadeiros e falsos crentes, falsos mestres, falsos profetas, falsos apóstolos e falsos cristos. O pior de tudo é que esta falsidade está temporariamente escondida atrás de uma capa bonita e atraente, atrás da capacidade de profetizar, de expelir demônios e de fazer milagres (Mt 7:32, 24:23-24). Sendo assim, é preciso ter muita paciência e esperar o tempo da colheita do trigo ou o tempo da seleção dos peixes. Não pode haver precipitação. Haverá um dia de separação entre os membros piedosos e os membros ímpios. O Senhor Jesus enviará seus anjos, no dia da sua segunda vinda, os quais recolherão os verdadeiros cristãos, formando dois grupos distintos: um para a vida eterna e outro para a morte eterna. Esses poderosos ceifeiros, os anjos celestiais, não se enganarão no que estiverem fazendo. Eles discernirão, com juízo infalível, entre o justo e o ímpio, colocando cada um no seu próprio grupo. Os mundanos, os ímpios, os descuidados e os não-convertidos serão lançados dentro da “fornalha acesa”, onde receberão morte eterna. Os santos e fiéis servos de Cristo receberão glória, honra e vida eterna.

O escritor do livro “Parábolas de Jesus” [Kistemaker, ( 2002:56)], observa que o ensinamento de Cristo, neste aspecto, reflete direta e indiretamente as Escrituras do Antigo Testamento:
Jesus parece se referir à profecia de Sofonias: “De fato, consumirei todas as coisas sobre a face da terra (...), os homens e os animais” (1.2,3), quando fala de extirpar de seu reino tudo aquilo que traga escândalo e todo aquele que pratique a iniqüidade. A frase “os lançarão na fornalha acesa” lembra DanieI 3.6: “... lançado na fornalha de fogo ardente”. O próprio conceito se assemelha a Malaquias 4.1: “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho”. A passagem: “Então os justos resplandecerão como o sol” lembra Daniel 12.3: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente”. E para completar, devemos ler, também, Malaquias 4.2: “Mas para vós outros que tem eis o meu nome nascerá o sol da justiça”.
De fato, o reino de Deus já foi inaugurado e estabelecido por Jesus, e está em vitoriosa expansão; todavia, ainda não está consumado. O mundo vindouro já chegou e já temos provado seu poder, mas o mundo antigo ainda não cessou. Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam (Sl 24:1), mas o mundo jaz no maligno (I Jo 5:19). Já somos filhos e não mais escravos, mas ainda não entramos na liberdade da glória dos filhos de Deus. Satanás já está vencido, mas ainda não aniquilado. Já fomos salvos do castigo do pecado (a justificação) e estamos sendo salvos do seu domínio (a santificação), mas ainda não fomos salvos da sua presença (a glorificação). Ainda que a plenitude da salvação demore, continuemos esperando.

OS DESAFIOS DA PARÁBOLA

1. Enquanto o tempo da separação não chega, percebamos a malignidade do mundo.

No campo daquele patrão, foi semeado o trigo. Mas, sem que ele quisesse, também foi semeado o joio, pelo inimigo. Este é o Diabo e o joio são os filhos do maligno. Essa é uma realidade inquestionável. O trigo, os “filhos do Reino”, e o joio, os “filhos do Diabo”, agora, estão misturados, ou seja, coexistem no mesmo terreno. O que Jesus quer dizer é que este é um mundo de transgressões, iniqüidades e contradições, porque o mistério da iniqüidade já está em ação (II Ts 2:7a). Não nos admiremos, nem nos espantemos, se o mundo nos odeia, pois muitos que habitam nele estão sob a influência do maligno. Os “filhos do Reino” e os “filhos do diabo” são opostos entre si e estão permanentemente em conflito aberto, pois um deles se baseia na verdade (Jo 1:17) e o outro, na mentira (Jo 8:44).

2. Enquanto o tempo da separação não chega, proclamemos a mensagem do Reino.

De acordo com Cristo, o reino do céu é ainda como uma rede que, lançada ao mar, apanha toda sorte de peixes. Se lançamos a nossa rede ao mar, iremos pegar peixes bons e ruins. Mas não devemos nos preocupar com a possibilidade do ingresso no reino de Deus de pessoas com intenções impuras e atitudes erradas. Preocupemo-nos, sim, com os milhares de sinceros e abertos à verdade que ainda necessitam ser apanhados pelas redes do amor de Deus. Além do mais, somente Deus conhece os que lhe pertencem (II Tm 2:19b – RA). Sendo assim, que a nossa decisão seja aquela expressa naquele cântico: Vou lançar a minha rede ao mar / Muitas almas também vou ganhar / Tantas que eu não poderei contar / Almas como as areias do mar.

3. Enquanto o tempo da separação não chega, aguardemos a misericórdia de Deus.

Já vimos que o tempo presente é o tempo da coexistência do joio com o trigo, da virtude com o pecado, da bondade com a maldade. Mas Jesus quer dizer também que este tempo de coexistência deve ser, igualmente, tempo de aguardar a manifestação da misericórdia de Deus. No campo da graça, pode acontecer um milagre que não acontece na ordem da natureza. E o milagre é este: no “campo” da misericórdia e do amor de Deus, por incrível que pareça, o joio também pode tornar-se trigo. Para o ser humano, é impossível que o joio se torne trigo, mas para Deus, o nosso Salvador, que quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade (I Tm 2:3-4 – NTLH), tudo é possível. A graça de Deus pode resgatar o joio do poder aparentemente irresistível das trevas e o transportar para o reino do seu Filho amado (Cl 1:13).

CONCLUSÃO:

Tremam e estremeçam os maus, ao lerem a parábola do joio e do trigo, pois, nela, encontrarão sua própria condenação, a não ser que se arrependam e lembrem que, se continuarem a viver separados de Deus, estarão lavrando a sua própria sentença, e, no fim, serão ajuntados ao joio e lançados no fogo. Para o verdadeiro cristão, essa parábola é muito consoladora. Esse grande e terrível Dia do Senhor será um dia de felicidade. O cristão não se sentirá amedrontado com a voz do arcanjo ou com o soar da trombeta. Quão maravilhoso será o aspecto do Corpo de Cristo, a Igreja, quando, afinal, tiver sido separado dos ímpios! Que bonito será, então, o trigo, recolhido no “celeiro” de Deus, quando, finalmente, todo o joio tiver sido retirado do meio dele! Assim, naquele dia, “os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu pai”.

Que Deus nos abençoe!

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Texto de autoria do pastor Hugo Alves Espínola adaptado por Paulo Cesar Amaral para o blog PC@maral.

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