Header Ads

Uma oferta ao Senhor

Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta. (Gn 4:3-4)

Os irmãos Caim e Abel já nasceram fora do paraíso, com a natureza pecaminosa, e protagonizaram uma das histórias mais triste de todo relato bíblico. Caim matou seu próprio irmão! O intrigante é que tudo começou quando cada um, a sua maneira, apresentou uma oferta ao Senhor, que, por sua vez, aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta (Gn 4:3-4 – NVI). Mas por que Deus aceitou uma oferta e rejeitou a outra? É isso que veremos neste estudo, sobre a maneira correta de nos aproximarmos de Deus.

ANALISANDO O RELATO BÍBLICO

O capítulo 4 de Gênesis conta a história de Caim e Abel, os primeiros bebês nascidos no mundo, filhos de Adão e Eva. Nesse capítulo, nós também encontramos o primeiro relato bíblico de um ato de adoração na história da humanidade. Pois bem, ao analisarmos esse relato, veremos que, sem uma atitude interior correta, as mais “bonitas” ofertas externas tornam-se inaceitáveis para Deus. Para entendermos isso de forma mais clara, tracemos um paralelo entre os dois filhos de Adão e Eva e entre as atitudes deles com relação à oferta que apresentaram a Deus.

1. OS DOIS FILHOS:

Deus ordenou a Adão e Eva: ...enchei a terra (Gn 1:28) e eles obedeceram gerando filhos e filhas (Gn 5:4). O primogênito do casal foi Caim (Gn 4:1). Apesar de Deus ter multiplicado grandemente o sofrimento na gravidez e no parto (Gn 3:16), Eva deve ter se alegrado com nascimento de seu primeiro filho. Ela exclamou: Com a ajuda de Deus, o Senhor, tive um filho homem. E ela pôs nele o nome de Caim (Gn 4:1 – NTLH). O significado que mais se aproxima ao nome de Caim é “adquirido do Senhor”. Pena que ele foi uma grande decepção para seus pais. Os dias, os meses e, quem sabe, até anos se passaram e Eva deu à luz novamente: Tornou a dar a luz, e teve Abel (Gn 4:2). O nome desse segundo filho deriva-se de um vocábulo hebraico que quer dizer “sopro” ou “vapor”. Alguns comentaristas chegam a sugerir que o nome pode também significar “fraqueza” ou “vaidade”.
Os dois significados podem ser verdadeiros. Não sabemos se esse era o objetivo de Adão e Eva, mas os nomes desses dois irmãos lembram algumas verdades importantes. Caim, “adquirido do Senhor”, nos lembra que a vida vem de Deus, enquanto que Abel, “vapor”, “sopro”, “fraqueza” ou “vaidade”, nos lembra que a vida é breve.
Apesar de serem irmãos, eles eram bem diferentes um do outro. Ao passar os dias, ficava cada vez mais evidente que cada um tinha suas próprias habilidades e interesses distintos. Caim se tornou lavrador da terra. Preparar a terra, semear e fazer colheitas eram as coisas que mais gostava de fazer. Abel, o caçula, tornou-se pastor de ovelhas. Seu prazer era cuidar do rebanho (Gn 4:1-2). Os dois escolheram boas profissões! Sem dúvida alguma, Adão deve ter ensinado para os seus filhos a importância do trabalho. Deve ter dito para eles que eram privilegiados por poderem trabalhar, como ele próprio fazia (Gn 2:15). Ambos conheciam a Deus. Certamente, seus pais haviam lhes ensinado sobre o Criador e sobre o valor de buscá-lo. Por isso, eles tinham necessidade de aproximar de Deus e adorá-lo. Então, passado o tempo, certo dia, ambos, Caim e Abel, trouxeram uma oferta ao Senhor (Gn 4:3-4). O texto não diz e nem deixa transparecer que essa oferta foi ordenada. Eles fizeram isso voluntariamente. Ralph L. Smith, [SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem. São Paulo: Vida Nova, 2001.], diz que esse gesto, provavelmente, era uma resposta de gratidão deles a Deus, pela dádiva da fertilidade da terra e dos animais. Vejamos como aconteceu.

2. AS DUAS OFERTAS:

Caim e Abel, cada um de acordo com a sua profissão, ofereceram do resultado do seu trabalho ao Senhor: ...trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura (Gn 4:3-4). O Senhor se agradou de Abel e de sua oferta, mas reprovou Caim e sua oferta. Não sabemos como eles ficaram sabendo disso. Talvez Deus tenha demonstrado sua aprovação enviando fogo do céu, ou, quem sabe, isso se tornou evidente, quando o rebanho de Abel se multiplicou, enquanto a colheita seguinte de Caim foi um fracasso. Seja como for, Deus fez a sua escolha conhecida. Ao se sentir rejeitado, Caim despejou toda a sua ira sobre seu irmão, e o matou (Gn 4:5,8).

Cabe-nos, aqui, uma pergunta: Por que o Senhor aceitou uma oferta e rejeitou a outra? O problema estava na oferta ou no ofertante? Muitos dizem que o problema estava na oferta, visto que uma envolvia morte e derramamento de sangue e a outra, não. Todavia, “não é correto afirmar que a ausência de sangue desqualificou a oferta de Caim e qualificou o sacrifício prestado por Abel. Caim foi rejeitado por que a intenção do seu coração era má”. Isso ficou evidenciado na sua atitude posterior.

O problema não foi o que eles ofertaram, mas a atitude com que o fizeram. Tanto a oferta de animais como a de frutos da terra, que, até então, não haviam sido normatizadas, eram aceitas por Deus. Observe que, na sentença de aprovação e reprovação de Deus, nos versículos 4 e 5 de Gênesis capítulo 4, os nomes dos ofertantes aparecem antes das referências as suas ofertas. Deus está “mais interessado” na pessoa do ofertante do que no tipo da oferta. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; pois, a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus (Sl 51:17). Caim não foi rejeitado por causa da oferta que escolheu, mas por causa de si mesmo, diferentemente de Abel, que “veio a Deus com atitude certa de um coração disposto a adorar e pela única maneira em que os homens pecadores podem se aproximar do Deus santo”.

Abel era especial! O Novo Testamento mostra que a sua fé era diferente da de Caim: Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim (Hb 11:4); e também mostra que as suas obras eram diferentes das dele: Caim (...) era do maligno (...) suas obras eram más, e as do seu irmão justas (I Jo 3:11). Culto e oferta só agradam a Deus quando o ofertante tem fé e obras, o que não era o caso de Caim. A essa altura, é bom entendermos que a oferta também é importante para Deus, mas não é o principal. Jesus disse: ...se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa diante do altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão (Mt 5:23-24). Note que a ênfase de Cristo está no ofertante. Abel foi aprovado como ofertante! E nós?

Na seqüência deste estudo, vamos considerar, pelo menos, três marcas de uma oferta que agrada ao Senhor.

APLICANDO O CONHECIMENTO BÍBLICO

1. Uma oferta que agrada ao Senhor é marcada pela voluntariedade.

Leia com atenção todo o texto de Gênesis capítulo 4, versículos 1 a 5, e você vai constatar que as ofertas de Caim e Abel não são frutos de uma imposição, mas produtos da voluntariedade. Elas foram espontâneas!
“Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante."
Adorar a Deus não deve ser encarado como uma obrigação penosa, um fardo pesado a se carregar; muito pelo contrário, ela deve brotar de um coração voluntário. Jesus disse que o Pai “procura” os verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4:23). Ele “procura” e não os “obriga” a isso. Davi entendeu a vontade de Deus, e tudo o que ofereceu ao Senhor foi espontaneamente e com integridade de coração (I Cr 29:17 – NVI).

2. Uma oferta que agrada ao Senhor é marcada pela qualidade.

Preste atenção nos detalhes fornecidos pelo autor sagrado, no que diz respeito às ofertas de Caim e Abel. Primeiro Caim: A Bíblia não diz que ele pegou as “primícias dos frutos da terra”, ou seja, os primeiros e melhores frutos. Mas diz: Caim pegou alguns produtos da terra (Gn 4:3). Não estamos querendo dizer que os frutos de Caim eram ruins, mas, talvez, não fossem os melhores. Isso não desqualifica sua oferta, afinal, não havia uma regra que dizia que o Senhor aceita apenas as “primícias dos frutos da terra”, como também não existia uma regra que dizia que o Senhor só aceitava os “primogênitos das ovelhas”. Entretanto, observe o diferencial em Abel, que por sua vez, pegou o primeiro carneirinho (...) e ofereceu as melhores partes ao Senhor (Gn 4:3-4). Aquele que tem atitudes internas corretas, sempre oferecerá o seu melhor ao Senhor, e essa oferta, com certeza, lhe agradará! Faça isso.

3. Uma oferta que agrada ao Senhor é marcada pela sinceridade.

Imagine Caim e Abel indo adorar a Deus. Caim, com seus lindos frutos da terra, e Abel, com o melhor dos seus rebanhos. Duas ótimas ofertas! Quem olhasse de fora, seria incapaz de pensar em rejeitar uma delas. Mas Deus não vê como vê o homem. O homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração (I Sm 16:7). Davi sabia disso: Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas (I Cr 29:17). Deus se agradou da sinceridade de Abel e aceitou sua oferta. E quanto a nós? Quando o adoramos, há sinceridade em nosso coração?

CONCLUSÃO:

Conseguimos entender por que Abel e sua oferta foram aceitos, enquanto Caim e sua oferta foram rejeitados? Que o Senhor Deus nos livre do caminho de Caim (Jd 11), pois ele é a trilha da morte! Procuremos sempre andar pelo caminho de Abel, que conseguiu aprovação de Deus como homem correto, tendo o próprio Deus aprovado as suas ofertas (Hb 11:4 – NTLH). Com espírito quebrantado, coração compungido e contrito, aproximemo-nos do Senhor! E, assim como a de Abel, que a nossa oferta seja marcada pela voluntariedade, pela qualidade e pela sinceridade.

Que Deus nos abençoe!



DEC
PCamaral

Nenhum comentário:

Todos os comentários serão moderados. Comentários com conteúdo fora do assunto ou do contexto, não serão publicado, assim como comentários ofensivos ao autor.

Tecnologia do Blogger.