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Sem segundas intenções

Por Eudoxiana Canto Melo


"Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho? Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior. E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos. Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou." Mc 9:33-37

Os dias atuais nos parecem bastante difíceis, principalmente no que diz respeito a relacionamentos. Há uma barreira entre as pessoas que as impede de se verem como tais e as torna em objetos. No ambiente cristão, esse modelo de relacionamento humano também tem sido usado para o relacionamento com Deus. Ele passa a ser alguém útil. O texto de Mc 9:33-37 nos mostra que esse problema já existia nos tempos de Jesus. Os discípulos conversavam no caminho; discutiam sobre quem era o maior, ou seja, quem seria o mais privilegiado no reino de Deus. Isso mostra que Jesus, para eles, era um meio de alcançarem alguma posição; alguém de quem poderiam conseguir benefícios. Aqueles homens, na verdade, estavam usando Jesus. E não apenas isso: viam-se como superiores uns aos outros, pois cada um queria ser o maior; os demais seriam úteis para manter essa posição; estariam a serviço do maior e lhe serviriam de platéia para que ele aparecesse.

Jesus tomou, então, uma criança como exemplo e se colocou em igualdade a ela, porque quer que nos relacionemos com ele desinteressadamente, sem segundas intenções, assim como se ama e se serve uma criança, que não tem o que oferecer e vem ao mundo apenas para ser amada. Jesus merece ser amado, independentemente do que pode fazer em nosso favor, pois serviu a quem não tinha nada a lhe oferecer; amou a quem não merecia ser amado. Isso o fez o maior de todos os servos.

Esse texto nos mostra que Jesus quer que também nos relacionemos uns com os outros desinteressadamente, sem segundas intenções, como se ama e se serve uma criança, que não vem ao mundo para ser útil, mas para ser querida e cuidada. Cada irmão, em particular, merece ser amado, não pelo que pode doar de si, mas simplesmente por ser quem é, por ser nosso irmão. No reino de Deus, somos pessoas, não objetos. Nossos relacionamentos, portanto, devem basear-se no mesmo modelo de serviço de Jesus, que serviu e amou a quem não lhe podia dar retorno. Para ele, o maior no reino de Deus é aquele que serve mais, não o que é mais servido; é aquele que doa mais, não o que recebe mais.

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Fonte: Devocional de autoria de Eudoxiana Canto Melo divulgado no PC@maral

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