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A Independência de Deus - Atributos de Deus

No estudo anterior, publicado aqui; A Triunidade de Deus, analisamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas divinas e distintas; vimos que, conquanto sejam três pessoas, vivem unidas em essência e propósito, e, por isso, formam a Triunidade Divina, que a Bíblia Sagrada chama de “único Deus”. No artigo de hoje, poderemos confirmar que este Deus Trino é totalmente independente de sua criação, isto é, ele não depende de ninguém para existir. Constatamos, também, que a existência de Deus é oposta a nossa. A nossa vida envolve geração, gestação, nascimento, crescimento, amadurecimento, cuidado, ou seja, não existimos sem ajuda externa. Deus, ao contrário de nós, existe em si mesmo. Grudem conceitua a independência de Deus afirmando que: o Senhor não precisa de nós, criaturas, nem do restante da criação para coisa alguma; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos glorificá-lo e dar-lhe alegria [GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, p.109].

Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.” (At 17:25)

I – O que a Bíblia fala sobre a Independência de Deus:

Quando nos referimos à independência de Deus, estamos tratando da sua auto-existência, ou seja, estamos tratando do fato de que ele existe em si mesmo. O Deus verdadeiro, revelado nas Escrituras Sagradas, não depende de nada e de ninguém para existir, ele se auto-satisfaz. Isso significa que Deus não tem nenhuma necessidade externa, não precisa de ajuda de outros, não carece de apoio alheio, não tem vazio a ser preenchido, não tem falta a ser suprida; ele depende unicamente de si mesmo para viver e ser Deus. Essa auto-existência não é fruto de sua vontade, mas é parte intrínseca de sua natureza, de seu ser, de sua essência divina. Enfim, sua independência é inerente a sua pessoa.

A independência de Deus é fartamente comprovada nas páginas da Bíblia, a começar pelo Pentateuco, em que o próprio Deus se declara auto-suficiente, ao dizer a Moisés: "EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros" (Ex 3:14). Com essa declaração, o Senhor está afirmando que ninguém o fez ou o criou, que ninguém lhe diz o que ele é ou o que deve fazer. Ao afirmar "EU SOU O QUE SOU", Deus está declarando que ele é e faz o que ele próprio determina, não dependendo de ninguém para existir e para interferir em seu caráter e vontade santa. Se ninguém pode alterar sua natureza santa, Deus continuará sendo exatamente o que é: o único ser divino que existe eternamente em si mesmo. Ciente da auto- existência de Deus, mais tarde, escrevendo um salmo, Moisés declarou: "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus" (Sl 90:1-2). O apóstolo Paulo tratou deste tema quando pregou em Atenas, capital da Grécia. Em pleno areópago prego, ele declarou categoricamente:

"O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais." (At 17:24-26)

Em outras palavras, foi Deus quem fez tudo o que se vê e o que não se vê neste mundo. Ele é o Senhor de todo o universo; não precisa que a sua criação lhe construa prédios; não precisa que façam coisa alguma por ele; pelo contrário, é ele quem faz tudo pelos demais seres existentes: dá-lhes vida, respiração e tudo mais.

Nunca ninguém deu ao Senhor alguma coisa que lhe estivesse faltando, tampouco alguém pode cobrar de Deus algo em troca de alguma coisa que lhe tenha feito. Quando Jó tentou se justificar diante de Deus, [Jó nos capítulos 30 e 31], ouviu do Senhor esta resposta arrasadora: Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” (Jó 41:11). Em seu estado de miséria e dor, Jó precisava entender que ninguém pode dar a Deus aquilo que a ele pertence; e mais: é tolice cobrar do Senhor algo que é dele e que apenas está conosco para administrarmos por um período de nossa vida curta. O máximo que podemos fazer é devolver-lhe, com humildade e contrição, pois ao "Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam" (Sl 24:1).

Tudo o que Deus é e tem não vai de nós para ele, mas tudo o que somos e temos vem de Deus para nós. Dependemos de ajuda externa para vivermos; precisamos comer e beber para existirmos. Através de Asafe, Deus declara sua independência de nós e nossa dependência dele: "Pois são meus todos os animais do bosque e as alimálias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo" (Sl 50:10-11). Tudo pertence ao Senhor, mas ele não tem necessidade de nada disso, pois não precisa desses recursos para existir: "Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos?" (Sl 50:12-13). O Senhor não bebe e não come porque não tem fome nem sede; o Senhor é perfeito, é completo, é pleno de si mesmo, é auto-existente.

Contudo, se somos criados e salvos para o louvor e glória de Deus (Ef 1:2-10), como podemos entender que ele não precisa de nós? A verdade é que somos muito importante para Deus, entretanto, ele não nos criou e nos salvou porque se sentia sozinho, abandonado, triste, carente de companhia. Deus não precisa de nada para completá-lo, preenchê-lo, ele não necessita “criar pessoas para ser completamente feliz ou plenamente realizado na sua existência individual” [GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, p.110]; afinal, nunca esteve sozinho, nunca precisou de amor, comunhão e glória antes da criação do homem; isto pode ser comprovado com estas palavras de Jesus: “e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17:5). Antes que houvesse mundo, o Pai e o Filho viviam em companhia um do outro, em glória e amor: “que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17:24). A Trindade Divina sempre viveu em graça, amor e comunhão: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (II Co 13:14).

Portanto, o nosso valor para Deus não está ligado à sua existência ou à falta de companhia e glória, mas tão somente ao fato de que ele nos dá importância. Somos valiosos para Deus simplesmente porque ele se importa conosco, nos acolhe, nos ama, nos quer, nos defende, morre por nós. Valemos muito porque Deus atribuiu valor a nossa vida, pagou um preço caro por nós: a sua própria vida. Nossa posição de destaque em toda a criação é um ato de livre vontade e misericórdia de Deus, que decidiu criar-nos para a sua glória: “todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz" (Is 43:7). Grudem [GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, p.111], lembra que, no final da história humana, Deus mostrará o quanto se alegra com seu povo, restaurando-o definitivamente para si:

“Você será como uma bela coroa que pertence ao Senhor, seu Deus. Nunca mais a chamarão de ‘Abandonada’, e a sua terra não será mais chamada de ‘Arrasada’. Você será chamada de ‘Minha querida’, e a sua terra, de ‘Minha esposa’. Pois o Senhor está contente com você, e a sua terra será a esposa dele. Assim como um moço casa com a sua noiva, também aquele que a construiu casará com você; assim como o noivo fica feliz com a noiva, também o seu Deus se alegrará com você.” (Is 62: 3-5 . NTLH).

II - Aplicando o conhecimento em nossa vida:

A independência de Deus nos ensina sobre a sua soberania

O fato de Deus ter criado todas as coisas e, ao mesmo tempo, não depender de sua criação para ser Deus, para existir e ser perfeito precisa ser levado a sério por todos aqueles que almejam habitar com ele na eternidade; afinal, nosso Deus tem o controle de todas as coisas. Sua total independência de nós e a nossa total dependência dele é prova incontestável de sua soberania sobre a natureza, a vida, os problemas, a família, a igreja. Mas por que nos desesperamos diante da dor, da crise, da perda? “Porque somos frágeis!” Será? Quem tem o Espírito Santo e o Evangelho de cristo é tão frágil assim? Nossa falta de confiança na soberania de Deus não seria a causa maior de nosso constante desespero diante dos dilemas da vida? Em plena tempestade, os discípulos de Cristo temeram em excesso porque "Jesus ainda não viera ter com eles" (Jo 6:17). "Mas quando Jesus entrou no barco, cessou o vento" (Mt 14:32).

Amados irmãos, quem tem um Deus tão poderoso como o nosso precisa confiar mais, Deus quer que, ao invés de olharmos para as circunstâncias, para o imediato, para o que está a nossa frente, olhemos para cima, para ele: "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl121:1-2). Pedro olhou para as ondas a sua frente e afundou; então, olhou para quem estava além das ondas e gritou: “Salva-me Senhor!” E Jesus o salvou (Mt 14:30-31). “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”, diz o Senhor (Is 45:22). Nosso Deus não depende de nós, mas nós dependemos dele; e o que é melhor: ele é soberano, o que implica que tem o controle de todas as situações da nossa vida. Confie nele!

A independência de Deus nos ensina sobre a sua liberdade

Se, de fato, cremos que Deus é soberano sobre todas as situações que envolvem a nossa vida é necessário que respeitemos o seu modo de agir ou a sua maneira de resolver os nossos problemas. Servimos a um Deus absolutamente independente de nós. Logo, não faz sentido dar-lhe ordens, dizer-lhe como tem que realizar suas tarefas divinas, como deve cuidar de sua criação, enfim, orientá-lo em seus afazeres, como se ele fosse incompetente para cuidar de nós. Essa postura de “ensinar” a Deus como ser Deus tem levado muita gente à tragédia espiritual. Os discípulos de Cristo ficaram possuídos de temor, quando viram Jesus andando sobre as ondas do mar (Jo 6:19). Quem sabe imaginavam que Deus só resolveria os problemas por meios comuns, corriqueiros, “naturais”; suas mentes esperavam Jesus num barquinho; mas o Senhor, que criou o mar, decidiu chegar andando por cima dele. Ao chegar, disse-lhes: “Sou eu. Não temais!” (Jo 6:20). Que Deus estupendo!

Queridos irmãos, respeitemos a liberdade de Deus. Ele é absolutamente independente e é, por isso, livre para fazer o que quer e da maneira que lhe convier; ele não é obrigado a fazer o que não queira; e, quando decide agir, usa os meios perfeitos e infalíveis, de maneira que pode dizer: “agindo eu, quem o impedirá?” (Is 43:13). Portanto, levemos a Deus nossas necessidades, em nome de Jesus e em submissão à sua liberdade. Que jamais saia da nossa boca ordens para Deus: Em vez disso deveríeis dizer: "Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tg 4:15; cf Jo 14:13, 15:16).

A independência de Deus nos ensina sobre a sua vontade

O respeito à soberania e à liberdade de Deus deve nos conduzir a respeitarmos também a sua vontade, quanto ao tempo ou período que ele determinou para nos socorrer, curar, proteger, enfim, para nos ajudar. Assim como não podemos ensinar-lhe sobre a maneira como resolver nossos dilemas, não devemos nos atrever a marcar a hora, o dia, o mês e o ano para que ele nos responda, nos atenda, nos abençoe, pois ninguém, debaixo do sol, tem autoridade para dar ultimatos a Deus. Quando Jesus chegou aos discípulos, a tempestade passou e “logo o barco chegou a seu destino” (Jo 6:21). O Senhor não veio na hora em que os discípulos quiseram ou imaginaram que seria a melhor hora; ele veio quando quis, chegou conforme sua soberana vontade, pois homem algum lhe diz quando agir.

Como servos desse grandioso Deus, precisamos nos submeter integralmente à sua vontade. Diante dos “sofrimentos do tempo presente” (Rm 8:18), saibamos esperar pelo tempo de Deus; lembremos do homem paralítico em frente ao poço de Betesda, que, há trinta e oito anos, aguardava a sua cura; contudo, assim que Jesus decidiu chegar até ele, “Imediatamente, o homem se viu curado” (Jo 5:9). Todo o “atraso” foi compensado com a presença de Deus, que sabe o tempo certo de nos trazer a benção. Portanto, respeitemos a sua vontade, porque “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (At 1:7), “e porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).

Conclusão

Não podemos deixar apenas na mente o que a Palavra de Deus nos ensinou. É necessário que tenhamos uma reação pró-ativa diante da independência de Deus e da nossa dependência dele. Precisamos reconhecer nossa insignificância diante desse Deus, mas, ao mesmo tempo, devemos nos dirigir a ele certos de que nos ama e nos valoriza como obra prima de sua criação. Precisamos, ainda, respeitar sua soberania, sua liberdade e sua vontade, independentemente das circunstâncias que estivermos enfrentando, pois, conquanto seja um Deus independente de nós, manda-nos que lancemos “sobre ele toda a nossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós” (I PE 5:7).


Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor José Lima de Farias Filho
Divulgado no PCamaral


Um comentário:

  1. realmente deus independente,deus criou o big bang o universo as galaxias estrelas,planetas a terra os animais,e o homem criou deus

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