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O reinado do rei Saul ficou conhecido como o reinado da rebelião


“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (I Sm 15:23)

Estou iniciando uma nova série de estudos. Por meio deles, entraremos em contato com um dos mais interessantes períodos da história dos israelitas: o período da monarquia. Veremos o seu começo, o seu progresso, a sua divisão e o seu declínio. Trata-se de tempo de luzes e trevas, marcado não somente por vitórias, mas também por derrotas [1]. Veremos a história de catorze reinados: o da rebelião, o da expansão, o da riqueza, o da divisão, o da idolatria, o da renovação, o da instrução, o da fraqueza, o da exaltação, o da reforma, o do castigo, o da perversão, o da palavra e o do cativeiro. Que o Senhor nos ajude a tirarmos lições preciosas desses períodos da história de Israel.

Pessoas que percorrem o caminho da rebelião tornam-se inflexíveis, vaidosas e cobiçosas.

Este primeiro estudo trata do primeiro reinado, o da rebelião, que é assim chamado porque começou e terminou com rebelião. Nasceu não “da vontade do Deus do povo”, mas “da vontade do povo de Deus”, que queria imitar as nações vizinhas. O povo de Israel tinha o Rei dos reis, mas não se orgulhou dele nem se alegrou nele. Ao contrário, rejeitou o seu governo e a sua vontade. Deus lhes deu o rei. O seu nome? Saul. Ele teve tudo da parte de Deus para desenvolver um excelente e próspero reinado: foi ungido por Deus, transformado pelo Espírito Santo e aceito pelo povo. Mas foi um fracasso! O que houve? Rebelião! Vejamos a sua trágica história.

I - A História contada

O povo de Israel sofria muito por causa das maldades e das perversões cometidas pelos filhos de Samuel. A crise, porém, já vinha de há muito tempo, durando décadas. Os líderes do povo pensavam que o problema estava no sistema de governo vigente. Após a morte de Josué, os israelitas não tiveram nenhum chefe único reconhecido por todas as tribos. Naquele tempo, não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria (Jz 17:6, 18:1, 21:25). Para resolver o problema, os líderes pediram a mudança. O que reivindicaram? Veja você mesmo: ... constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações (I Sm 8:5).

A reação do velho servo de Deus foi de decepção. Sentiu-se traído. A exigência deles não tinha lógica, nem fazia sentido. Israel já tinha Rei: Deus. Sem saber o que fazer e o que falar, então, Samuel orou ao SENHOR (I Sm 8:6). Antes de falar com o povo de Deus, falou com o Deus do povo. Para Samuel, “a voz de Deus” era mais importante que “a voz do povo”. Sabia que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus! Como Deus reagiu à exigência dos israelitas? O pedido não foi bem recebido, embora tenha sido atendido por Deus (I Sm 8:7). Deus tem a sua vontade ativa, mas também trabalha com a vontade permissiva. Ele usou esta segunda para ensinar algumas lições ao seu povo.

Antes, porém, o Senhor ordenou que Samuel advertisse os israelitas de que, se o novo sistema político fosse adotado, radicais mudanças ocorreriam, sobretudo, na estrutura familiar, a base da sociedade judaica, que passaria a enfrentar profundos prejuízos relacionais, materiais e espiritual (I Sm 8:11-22). O povo permaneceu irredutível! Samuel voltou a falar com o Senhor sobre o que o povo havia dito. Diante disso, Deus autorizou a substituição da “teocracia” pela “monarquia”, escolhendo um filho de Quis, chamado Saul, da tribo de Benjamim, a menor de Israel (I Sm 9:17).

Após consagrá-lo, Samuel o apresentou aos israelitas (I Sm 10:1,24). Houve delírio – afinal, o homem escolhido para ser monarca era bonito, moreno, robusto, valente: E todo o povo gritou: - Viva o rei! (I Sm 10:24b). Depois da aclamação popular, Samuel leu as leis do reino (I Sm 10:25), deixando nas mãos do novo rei os governos da sua nação. As tribos, então, retornaram para as suas casas. Saul foi para Gibeá com alguns homens que serviriam como seus soldados, cujo coração Deus tocara (I Sm 10:26). Deus fez de tudo para que Saul tivesse um reinado muito abençoado (I Sm 10:9,26). Deus fez a sua parte. E Saul, fez a dele? No primeiro ano, sim.

Saul começou bem (I Sm 11:1-13), mas não continuou bem. No segundo ano do seu reinado, trocou a submissão pela rebelião. Em primeiro lugar, ele não conseguiu obedecer aos limites de sua atividade e da sua autoridade. Ao defrontar-se com os poderosos invasores filisteus, impacientou-se com Samuel e, imprudentemente, usurpou a função sacerdotal do sacrifício (I Sm 13:8-14). Por essa sua atitude de interior rebelião contra a lei de Deus, que normatizava a ministração de sacrifícios e holocaustos, Saul soube que o seu reino não subsistiria, pois o Senhor já procurava alguém segundo o seu coração para substituí-lo (I Sm 13:14).

Ele ficou apenas nesta rebelião? Não. Em outra ocasião, Deus lhe ordenou que destruísse completamente os amalequitas, sem poupar pessoas, objetos e animais. Para guerras desse tipo, o Senhor tinha normas muito claras (Dt 7:1-5, 20:10-18). Nada deveria ser preservado: ... destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes (I Sm 15:3). Por causa da sua cobiça, poupou as ovelhas, o que lhe traria muito louvor e honra da parte do povo de Israel: ... não os quiseram destruir totalmente (I Sm 15:9b). Essa outra atitude rebelde de Saul deixou o Senhor profundamente decepcionado, a ponto de dizer-se arrependido de ter escolhido Saul para ser rei (I Sm 15:11).

Ainda era madrugada, quando Samuel partiu à procura de Saul, Soube que ele tinha ido para a cidade de Carmelo, onde havia construído um monumento em honra de si mesmo, e que depois tinha seguido para Gilgal (I Sm 15:12 – NTLH). Qual foi a reação de Saul, ao ver Samuel em Gilgal: sentiu-se constrangido ou envergonhado? Nada disso. Ele reagiu de maneira receptiva; porém, insincera e covarde (I Sm 15:13-15). Para se eximir da culpa, tal como Arão no Sinai (Êx 32:22), e Adão e Eva no Éden, tentou jogar a culpa nos outros (I Sm 15:15). Em nenhum momento confessou a desobediência.

Após proferir a famosa e conhecida expressão: Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar (I Sm 15:22; Am 5:21-27; Os 6:6; Is 1:11-15), o profeta declarou-lhe: Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei (I Sm 15:23). Percebamos que o “o pecado de Saul foi visto como rebelião, visto que ele, propositada e conscientemente, quebrou as regras da guerra santa, salvando tanto a vida humana quanto a animal, quando o mandamento era aniquilar tudo” [2]

Não podendo mais esconder o pecado, confessou-o. Antes, por duas vezes, negou qualquer participação na desobediência (I Sm 15:13-15, 20-21). Agora, por duas vezes, ele afirma: Pequei (I Sm 15:24,30). A sua confissão é sincera? Percebe-se que não. Em primeiro lugar, a sua confissão era incompleta. Ele disse que pecara porque temera a voz do povo de Deus (I Sm 15:24b). Continuava culpando os israelitas. Se temesse mais “o Deus do povo”, temeria menos “o povo de Deus”. Em segundo lugar, a sua confissão é interesseira! Ele confessara porque não queria perder os privilégios, as regalias e os prestígios da monarquia. Saul pegara gosto pela pompa do poder.

Arruinado e humilhado, insistiu com Samuel para voltar com ele para adorar ao Senhor em Gilgal, porque não desejava ser envergonhado publicamente (I Sm 15:25-29). Perdeu o trono, mas queria manter as aparências: Então, Samuel seguiu a Saul, e este adorou o SENHOR (I Sm 15:31). Melhor teria sido se Saul tivesse voltado sozinho. O que ele temia, ocorreu. Diante dos anciãos do povo de Israel, Samuel fez o que ele não fizera: matou o sanguinário e desumano Agague (I Sm 15:30). E, assim, a sua desobediência e a sua transgressão tornaram-se públicas. Foi o último encontro do profeta piedoso com o monarca rebelde: Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte (I Sm 15:35a).

II - A história aplicada

1. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se inflexíveis.

O povo não mediu as conseqüências do pedido que fez. Samuel o advertiu do que a monarquia lhe traria: tirania, opressão, a obrigação de prestar serviço militar, impostos altos; talvez, até a escravidão. O povo mudou de idéia? Não! Manteve-se inflexível: Mas o povo não se importou com o aviso de Samuel. Pelo contrário, eles disseram: Não adianta. Nós queremos um rei (I Sm 8:19 – NTLH). Deus, então, atendeu ao pedido e realizou a vontade dos israelitas. Logo, Saul passou a seguir os seus próprios caminhos.

Quando pedirmos alguma coisa a Deus, pensemos nas conseqüências. Nem tudo o que pedimos é do agrado de Deus. Muitas vezes, você quer, a todo custo, que Deus realize seus desejos e suas vontades. Ele mostra o quanto você irá sofrer, caso atenda a sua oração, mas você não cede. Você continua inflexível! Não seria hora de mudar de atitude, irmão? Por favor, entenda o seguinte: o fato de Deus dizer “não” a algumas de suas orações, não significa maldade; significa bondade. Ele quer isentá-lo de angústias, de problemas, de tragédias. Diante disso, ao orar ao Pai, diga sempre: faça-se a tua vontade, assim na terra, como no céu (Mt 6:10). Se você se importar com a vontade de Deus, receberá as melhores respostas (I Jo 5:14-15).

2. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se vaidosas.

Houve tempo em que Saul se enxergava com bastante modéstia e discrição. Chegou a assustar-se com as honrarias recebidas de Samuel (I Sm 9:21-24). Era um homem humilde, sem ambições políticas. Ele procurara o profeta, não para oferecer-se como candidato a monarca, mas para obter o seu auxílio na busca pelas jumentas da família (I Sm 9:5-20). No dia de sua posse, ocultara-se entre a bagagem, pois não se sentira capaz de ocupar elevada posição (I Sm 10:17-27). Após vencer os amonitas, atribuíra o crédito a Deus (I Sm 11:13). Mais tarde, no entanto, já em estado de rebelião à palavra de Deus, Saul perdera a modéstia, tornando-se homem orgulhoso: construíra um monumento para si mesmo. O poder lhe subira à cabeça! Ficara obcecado por honrarias humanas (I Sm 15:30). Enaltecera a si próprio.

Aprendemos com Saul algo sobre liderança e autoridade. Ele serve de modelo para nos alertar. Infelizmente, muitas pessoas que assumem a posição de autoridade e liderança entre o povo de Deus se deixam levar pela vaidade. No início de tudo, são humildes e modestas (I Co 1:26-29), com o passar do tempo, porém, começam a se vangloriar dos seus feitos; ficam ávidas pela honra, pelo elogio, pela glória e pelo louvor dos homens; vivem para despertar o interesse e a admiração dos outros; quando superadas, sentem-se ameaçadas e tornam-se vingativas (I Sm 18:7-9, 23:14-15). Por isso, como Saul, começam triunfantemente, mas terminam tragicamente (I Sm 31:4-13): porque o orgulho leva a pessoa à destruição, e a vaidade faz cair na desgraça (Pv 16:18 – NTLH).

3. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se cobiçosas.

Depois de vencer os amalequitas, Saul incluiu em seu rebanho alguns dos melhores animais dos despojos. O que era ruim foi destruído, mas o que era bom foi poupado por Saul (I Sm 15:8). Deus havia dado a Saul ordens expressas para que não poupasse nada e ninguém naquela guerra, mas ele achou que não era preciso cumpri-las integralmente. Isso desagradou tanto ao Deus de Israel que ele inspirou Samuel a expressar uma segunda rejeição de Saul. Quando Samuel perguntou-lhe sobre o balido das ovelhas e o mugido dos bois, Saul respondeu: ... o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para oferecer ao SENHOR, teu Deus (I Sm 15:14-15,21). Ele estava dizendo a verdade? Não. A razão era outra: ganância. Ao invés de admitir a sua ganância, inventou uma mentira.

No meio do povo de Deus, há muitos que são movidos pela cobiça e dominados pela avareza! Por causa da cobiça, sacrificam, desonram e desprezam os valores e os princípios da palavra de Deus, envolvendo-se em corrupção, em negociata, em falcatruas, em trambiques. Por intermédio da graça divina, podemos ser perdoados de nossa ganância. Mas como a história de Saul indica, aos olhos de Deus, avareza e cobiça não são ofensas leves. O apóstolo Paulo chamou a avareza de idolatria e ordenou à igreja de Corinto que exercesse severa disciplina contra qualquer pessoa culpada de ganância (I Co 5:11; Ef 5:5). Ele colocou a ganância ao lado do adultério e declarou que os que vivem nestas coisas não farão parte do reino de Deus. Guardemo-nos da cobiça (Lc 12:15).

Conclusão

Saul não somente viveu tragicamente, mas também morreu tragicamente. Pediu para ser morto, mas não foi atendido (I Sm 31:4a). O que fez? Cometeu suicídio: então, Saul tomou da espada e se lançou sobre ela (I Sm 31:4b). A tragédia não terminou. A seguir, os filisteus deceparam-lhe a cabeça e levaram-na de lugar em lugar como se fosse o troféu do triunfo sobre os filhos de Israel. A cerimônia da zombaria continuou: [Os filisteus] puseram as armas de Saul no templo de Astarote e o seu corpo afixaram no muro de Bete-Seã (I Sm 31:10 – NTLH). O seu corpo ficou ali dependurado, até que alguns homens valentes de uma cidade vizinha viessem para sepultá-lo (I Sm 31:11-12).

Que final trágico e terrível! Poderia ser diferente? Sim! A história de Saul poderia ter terminado de maneira diferente, se tivesse ocorrido da maneira diferente. Dia após dia, porém, escolheu o caminho da rebelião. Saul optou por viver na insubmissão, na desobediência, na transgressão: “ele cuspiu na face daquele que lhe deu graça, como se dissesse: não preciso de Ti! Vou viver e morrer como quiser!” [3] Atenção: É assim que terminam as pessoas que escolhem caminhar pela espaçosa estrada da rebelião à perfeita palavra de Deus. Por isso é que a Bíblia nos alerta: Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá (Gl 6:7 – NTLH).

Que o Senhor guarde o nosso coração da rebelião à sua Palavra!


Referências Bibliograficas

[1] HESTER, Humberto Inman. O Livro dos Livros. 3a Edição, Rio de Janeiro: Juerp, 1983, p. 68.

[2] Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, volume 2, São Paulo: Editora Candeia, 2000, 1.177.

[3] Swindoll , Charles R. Davi: Um Homem Segundo o Coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2003, p. 158.


Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor Genilson Soares da Silva
Série de estudos sobre o mais interessante período da história dos israelitas: o período da monarquia israelita


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