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A Fé que se Manifesta nas Obras

A fé autêntica não é insensível nem apenas conceitual, mas prática e concreta.
Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta (Tg 2:17).

Somos uma geração que valoriza, enaltece e procura a fé. Cantamos músicas sobre fé, escutamos pregações sobre fé, compramos literaturas sobre fé, buscamos pregadores que falam sobre fé. Enfim, conhecemos, meditamos e decoramos vários textos da Bíblia sobre a fé. E sobre as obras? Parece que a única passagem que conhecemos, nas Escrituras Sagradas, a respeito das obras é a que diz que não somos salvos por elas: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:8-9).

Infelizmente, devido a isso, muitos têm chegado a ponto de, aparentemente, adotar uma postura de indiferença e descaso em relação às boas obras, como se estas fossem praticamente insignificantes, desnecessárias para a vida cristã.

Assim sendo, este estudo irá servir para nos levar à reflexão e para modificar a nossa conduta, em relação à fé. Talvez não exista, no Novo Testamento, outro texto que ensine com tanta veemência e contundência sobre a fé que se manifesta nas obras, como este da epístola de Tiago. Em um tempo de tanta fé intimista, mística e egoísta, vale a pena se deixar levar por ele.

I - ENTENDENDO A MENSAGEM

Tiago começa condenando a “fé sem obras”: Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? (Tg 2:14). Tiago começa a discorrer sobre o tema “a fé sem obras”, apresentando o exemplo de um irmão, que diz a um terceiro necessitado de roupa e alimento: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos (Tg 2:16). Ele, muito bem intencionado, diga-se de passagem, deseja que sejam satisfeitas as necessidades do seu próximo; no entanto, nada faz, na prática, no campo das ações, para efetivar sua ajuda.

O homem carente de pão e de roupas, por sua vez, permanece na miséria justamente porque não recebeu nada além de palavras bem intencionadas. Daí, temos a pergunta contundente: De que vale a fé que se mostra passiva ante a tais sofrimentos e necessidades, que não se predispõe a acudir o necessitado? De que vale? A fé, quando expressa só em palavras, sem as devidas ações é morta. Tiago deixa claro que ser cristão não significa ter uma vida fácil e pensar unicamente em si e em seus desejos egoístas, mas, sim, em andar em amor e compromisso solidário com aqueles que nos são próximos.

Tiago conclui dizendo que a fé que se nega a ajudar o necessitado é imprestável: Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta (Tg 2:17). Não pode, de maneira alguma, salvá-lo, justamente porque tal fé é inerte, omissa, inativa, inútil. Uma fé que se nega a alimentar e agasalhar o irmão carente é inoperante e ineficiente. Uma fé que se mostra indiferente e insensível não salva. Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele (Mt 25:31), a pessoa que tiver essa fé indiferente e insensível ouvirá do Senhor terríveis palavras de condenação: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me (Mt 25:41b-43).

Depois de condenar “a fé indiferente”, Tiago passa a censurar “a fé conceitual”. Para alguns crentes da dispersão, crer na doutrina correta era suficiente: Crês, tu, que Deus é um só? Tiago ensina que é importante e necessário professar doutrina correta: Fazes bem. Todavia, não basta apenas acreditar na unicidade de Deus: Até os demônios crêem e tremem. Sobre este texto, Davidson explica o seguinte: Diariamente, pela manhã e à tarde, os judeus piedosos recitavam o Shema, cujas palavras iniciais são: “Ouve, ó Israel, Jeová nosso Deus é um”. Este monoteísmo era um artigo fundamental do credo. Mas apenas assentir nele sem que daí resultasse obras, isso não levava ninguém acima dos demônios, os quais também criam no mesmo fato. A crença dos demônios evidentemente não tem valor; eles estremecem quando pensam em enfrentar o Deus único em juízo. Tal fé que pode ser descrita com simples crença intelectual, não é a fé que salva. [1]

Para provar e ilustrar o seu ensino, Tiago cita dois exemplos de fé com obras do Antigo Testamento. O primeiro exemplo é Abraão. Tiago destaca a disposição de Abraão em sacrificar Isaque em obediência a Deus: Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? (Tg 2:21). De todos os textos da carta de Tiago, este é o texto que mais suscitou pesadas discussões ao longo da história da igreja. Para alguns, o ensino de Tiago, neste trecho, opõe-se ao ensino de Paulo, na questão da justificação pela fé (Rm 4:1-3). Mas isto não é verdade.

O ensino de Paulo fala de obras “anteriores à conversão” (antes da pessoa ser aceita por Deus), mas o de Tiago fala de obras “posteriores à conversão” (após a pessoa ser aceita em Deus). Ao ouvir de Deus que a sua posteridade seria incontável e inumerável (Gn 15:5), Abrão creu em Deus, o SENHOR, e por isso o SENHOR o aceitou (Gn 15:6 – NTLH). Tempos depois, ao aceitar oferecer seu único filho, Isaque, sobre o altar, ele provou que a sua fé ia além da teoria. A sua fé se manifestou nas obras: Veja como a sua fé e as suas ações agiram juntas. Por meio das suas ações, a sua fé se tornou completa (Tg 2:22 – NTLH).

Outro exemplo utilizado por Tiago para mostrar que a fé e as obras devem andar juntas é o da prostitua Raabe (Tg 2:25), cuja história está registrada no livro de Josué 2-6. Em Js 2:11, vemos que Raabe estava convencida de que o Deus do povo de Israel era poderoso e invencível: o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra (Js 2:11). Por isso, quando hospedou os espiões israelitas e os ajudou a sair da cidade por outro caminho (Tg 2:26 – NTLH), a fé de Raabe foi além da profissão, do conceito. A sua fé produziu frutos: Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias (Hb 11.31). Tanto Abraão quanto Raabe foram exemplos de pessoas que tiveram uma fé para a salvação, que é a fé que se manifesta nas obras.

II - APLICANDO O CONHECIMENTO EM NOSSA VIDA

O cristão deve entender a fé que se manifesta nas obras - Quando se ensina a importância e a necessidade das obras no processo da salvação do crente em Jesus, alguém, perplexo, pode perguntar: Então, como ficam as palavras sagradas, registradas em Rm 3:28: ... concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei; e em Gl 2:16: Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada? Ficam como estão. Quem está morto em delitos e pecados (Ef 2:1) não pode mesmo fazer nada para se salvar. Só pode ser salvo pela graça do Senhor: ... não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:9).

Mas isso não é tudo. Depois de salvo pela graça de Deus, o crente não pode pensar que tudo acabou, porque o mesmo Paulo, em sua carta aos Romanos, na qual dá ênfase explícita à justificação pela fé, diz que Deus recompensará cada um segundo as suas obras, a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem (Rm 2:6-7). A falta do correto entendimento acerca da justificação tem levado muitos crentes a viver uma vida cristã inoperante. Por se sentirem justificados diante de Deus, por meio de Cristo, não praticam boas obras, tornando-se pessoas mesquinhas, insensíveis às necessidades e carências dos seus irmãos e de seus próximos. Entendamos o seguinte: a fé salvadora é, também, fé servidora!

O cristão deve vivenciar a fé que se manifesta nas obras - Os crentes da dispersão se negavam a vivenciar a fé que se manifesta nas obras. A fé em Cristo não pode levar o crente a cruzar as pernas e os braços. Ele antes tem que viver de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra (Cl 1:10). Se a fé em Cristo não mudou o nosso modo de viver, devemos questionar: Que fé é essa? As boas obras são evidências de uma fé autêntica e concreta. Em outras palavras, são conseqüências, demonstrações, desdobramentos, comprovações da fé. A fé, sem obras, é sinal de adesão ou emoção, não de conversão.

Quem diz que vive unido com Deus deve viver como Jesus Cristo viveu, diz a Escritura, em I Jo 2:6, pois foi pelas suas obras que Jesus provou que era o Cristo e o Filho de Deus (Mt 11:2-5). Por várias vezes, Jesus apontou para as suas obras como prova de que fora enviado pelo Pai (Jo 5:36, 10:37-38). No sermão do monte, Jesus ensinou que o crente também é filho de Deus, não pelo que diz, mas pelo que faz: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mt 5:16). As boas obras provam que, de fato, cremos em Deus. As obras devem ser o resultado de uma legítima conversão.

O cristão deve incentivar a fé que se manifesta nas obras - É impressionante que, numa carta tão curta, Tiago tenha usado um trecho tão longo para tratar do tema das obras. A epístola mais prática do Novo Testamento não podia mesmo deixar de combater, ardorosamente, a fé teórica e incentivar, incisivamente, a fé prática. É assunto que envolve salvação. Logo, não se trata de um tema fútil. Vale à pena gastar tempo em incentivar a fé que se manifesta nas obras, pois, por causa do pecado que está dentro – a natureza pecaminosa (Rm 7:18) – e ao redor – a cultura pecaminosa (Rm 12:2) – o cristão vive um dilema: fazer as obras da carne (más obras) ou fazer as obras da graça (boas obras).

Com base nas Escrituras Sagradas, temos de falar mais, pregar mais, cantar mais sobre a fé que atua pelo amor (Gl 5:6). Além de estimular os crentes em Jesus a permanecerem na fé (At 14.22, 15:32, 16:40, 20:1-2), precisamos estimulá-los, também, a demonstrarem, pelas boas obras, [testemunho], a veracidade e a realidade dessa mesma fé (Rm 6:22; Cl 1:10; II Ts 2:16-17; I Tm 2:10, 5:10; II Tm 2:21, 3:17; Tt 1:16, 2:7,14, 3:8,14; Tg 2:17; I Pe 2:12). Não digamos somente guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel (Hb 10:23), mas digamos também: consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras (Hb 10:24).

CONCLUSÃO

Ficou claro que as obras dos salvos são importantes e necessárias. Antes da fundação do mundo, elas foram cuidadosamente preparadas e designadas para o povo escolhido de Deus. O Senhor Jesus se deu a si mesmo por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tt 2:14). Assim sendo, qualquer obra sem a fé em Cristo é morta (Hb 6:1, 9:14), e qualquer fé em Cristo, sem obra, é, de igual modo, morta (Tg 2:6).
As boas obras feitas por um cristão não são a causa de sua salvação, mas a confirmação desta. Elas não são a raiz de sua salvação, mas o fruto de sua salvação.
Aproveitemos, portanto, cada oportunidade para fazermos o bem. Jamais nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos (Gl 6:9). Porque é assim que as nossas boas obras demonstraram a genuinidade do nosso amor, e a genuinidade do nosso amor demonstrará a genuinidade da nossa fé. A única e sólida evidência da nossa fé são as obras de amor.


Referências Bibliográficas:

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[1] DAVIDSON, F. (Editor). O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, vol. 2, 1963, p. 1.392.

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Fonte: Texto de autoria do Pr. João Leonardo Júnior - Estudo sobre a fé baseado na epístola de Tiago - Reproduzido e divulgado no PC@maral

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