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O reinado do Rei Uzias o reinado da exaltação


A história do povo de Deus é repleta de episódios que ilustram o quanto a desobediência às instruções do Senhor, dadas através dos escolhidos como pregoeiros da sua mensagem, podem modificar as diversas situações que se nos apresentam. O Velho Testamento, cheio de fatos históricos importantes, repleto de ensinamentos profundos que afloram através dos estudos hermenêuticos dos seus diversos livros, tem deixado perplexos os mais argutos estudiosos da Teologia, pois o que se vê, ultimamente, é o cumprimento fiel das advertências dos oráculos do Senhor àquela época.

Os livros de I e II Crônicas, em particular, dão-nos uma visão perfeita do que foi agora dito, mormente por se tratar de parte de uma coletânea da história do povo de Deus. Tais crônicas destacam-se dos outros livros congêneres – Samuel e Reis – por enfocarem o mesmo assunto, sob um prisma sacerdotal, na sua análise acerca da religiosidade da nação eleita, quando os outros dois apresentam relatos de caráter político, moral e, sobretudo, profético. Em função disto, o reino do Norte é raramente referido, pois não reconhecia o templo em Jerusalém, nem, tampouco, promovia a adoração nos moldes apregoados pelos mensageiros.

Mas, quando ele se havia tornado poderoso, o seu coração se exaltou de modo que se corrompeu, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus; pois entrou no templo do senhor para queimar incenso no altar do incenso. (II Cr 26:16)

Tudo leva a crer que II Crônicas foi escrito em Judá, para o restante do seu povo que regressava do cativeiro babilônico, e registra a história do reino do Sul (Judá), desde o reinado de Salomão até o término desse exílio.

I - A história contada

Por volta do ano 790 a.C. subia ao trono de Judá o jovem Uzias. Ele ocupou o lugar de seu pai, Amazias, que se desviou tanto do Senhor a ponto de adorar e servir a outros deuses: Depois de ter derrotado os edomitas, Amazias voltou para Jerusalém, trazendo consigo os ídolos deles. Ele fez desses ídolos os seus próprios deuses, e os adorou, e queimou incenso a eles (II Cr 25:14 – NTLH). Judá encontrava-se num estado lastimável, com o povo se queixando das adversidades que ocorriam, pois as derrotas sucediam-se, a ponto de se constituírem num verdadeiro estado de calamidade pública. Enfim, todos estavam mergulhados em profunda instabilidade, notável insegurança e complexa vulnerabilidade.

Mas Uzias, nome de origem hebraica que significa “o Senhor é a minha força”[1], não se deixou intimidar pela caótica situação: propôs-se buscar a Deus (II Cr 26:5a), o único capaz de ajudá-lo de maneira eficiente e poderosa. Isto faz sentido. O nome da sua mãe era Jecolias (v. 3). Jecolias significa "Deus é capaz". Todas as vezes que ele chamava sua mãe, repetia: "Deus é capaz". Sempre que ouvia alguém chamar por sua mãe, escutava: "Deus é capaz". Depois de tanto ouvir isto, sabia no seu coração que "Deus era capaz" de fazer qualquer coisa.

Desde o início, Uzias soube que o esforço humano é inútil sem a ajuda de Deus, pois, se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela (Sl 127:1). Sem a ajuda de Deus, cavar os poços é inútil, semear o campo é inútil, adubar a terra é inútil, regar as plantas é inútil, edificar torres é inútil. De fato, sem Deus, tudo seria inútil! Sem a sua determinação, sem o seu gerenciamento e sem a sua participação, tudo seria absolutamente inseguro no reinado. Por esta razão, Uzias buscou, pois, em primeiro, lugar o reino de Deus.

Ele dominou as maiores cidades e derrotou os temíveis exércitos dos seus inimigos: Saiu e guerreou contra os filisteus e quebrou o muro de Gate, o de Jabné e o de Asdode (...). Deus o ajudou contra os filisteus, e contra os arábios que habitavam em Gur-Baal, e contra os meunitas (II Cr 26:6a-7). A expansão territorial habilitou Judá a controlar importantes cidades e estradas comerciais que levavam à Arábia, ao Egito e a outros países. Por causa das sucessivas e incríveis vitórias militares, a sua fama e o seu poder espalharam-se rapidamente. Tornou-se um homem famoso, temido e admirado, porque se tinha tornado em extremo forte (II Cr 26:8).

Ele investiu também na segurança e na agricultura da nação. Para evitar que as pessoas fossem atacadas, que as lavouras fossem destruídas e que os tesouros fossem roubados pelos exércitos inimigos, guarnições e fortalezas foram construídas em lugares estratégicos da cidade e do deserto (II Cr 26:9-10). Nesses locais estavam posicionados os homens valentes de seu exército, que possuíam excelente treinamento e poderoso armamento ofensivo e defensivo para impedir o avanço e qualquer ataque traiçoeiro de exércitos invasores inimigos como vemos na narrativa bíblica (II Cr 26:11-15b).

O rei Uzias também se dedicou à agricultura, pois, sem ela, o seu reinado não prosperaria nem sobreviveria. Assim sendo, cavou muitas cisternas, porque tinha muito gado, tanto nos vales como nas campinas; tinha lavradores e vinhateiros, nos montes e nos campos férteis, porque era amigo da agricultura (II Cr 26:10). Essas medidas facilitaram o desenvolvimento de inúmeros rebanhos e a plantação de videiras de várias espécies, o que aumentou sua produção de vinho. Isso fez com que toda a situação econômica da nação melhorasse. O crescimento era constante sob a liderança de Uzias, fazendo com que o seu governo experimentasse as conquistas e o progresso desenvolvidos nos dias de Davi e Salomão.

Como, porém, acontece com muitas pessoas que se tornam famosas e poderosas, Uzias ficou exaltado: ...havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína (II Cr 26:16,a). O sucesso subiu-lhe à cabeça! Ele entrou no templo para queimar incenso ao Senhor, tal como um sacerdote (II Cr 26:16b). O sumo sacerdote, que também se chamava Azarias e outros oitenta sacerdotes do Senhor, que o apoiaram homens da maior firmeza, o confrontaram corajosamente: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o SENHOR, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para este mister (II Cr 26:18a). E, a seguir, ordenou-lhe que saísse do templo: ... sai do santuário, porque transgrediste (II Cr 26:18b). O sacerdote defendeu corajosamente a legislação do sacerdócio estabelecida pelo Senhor Deus (Nm 18:1-7).

O rei, agora de coração exaltado, indignou-se com a veemente repreensão sacerdotal: ... indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes (II Cr 26:19a). Por causa dessa indignação, sobreveio-lhe terrível e repentino castigo divino: ... a lepra lhe saiu na testa perante os sacerdotes, na Casa do SENHOR, junto ao altar do incenso (II Cr 26:19b). O prepotente rei foi subitamente humilhado: Assim, ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da Casa do SENHOR (II Cr 26:21). O seu extenso reinado ( 790 a 739 a.C), que começou gloriosamente, terminou tragicamente: Descansou Uzias com seus pais, e, com seus pais, o sepultaram no campo do sepulcro que era dos reis; porque disseram: Ele é leproso. E Jotão, seu filho, reinou em seu lugar (II Cr 26:23).

A Bíblia diz que tudo quanto foi escrito, para nosso ensino foi escrito (Rm 15:4). Diz também que estas coisas lhe sobrevinham como exemplos, e foram escritas para advertência nossa (I Co 10:11). Portanto, a experiência de Uzias não é apenas um relato histórico, mas um ensino prático para nós, hoje. Ela contém muitas instruções espirituais, que, se forem refletidas e aplicadas à nossa própria história, nos trarão muito crescimento em nosso relacionamento com Deus. Estejamos, portanto, atentos a Palavra de Deus para aplicá-la à nossa vida. Louvado seja o nosso Deus, que nos oferece alertas como este na sua Palavra. Deixe que o Espírito Santo utilize esta mensagem para “vacinar” sua vida.

II – A história aplicada

1. Pessoas de coração exaltado menosprezam os mandamentos prescritos por Deus.

Durante muitos anos, Uzias serviu o Senhor fielmente. Com a bênção de Deus, alcançou aquilo que, sozinho, jamais teria alcançado: prosperidade e popularidade – divulgou-se a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte (II Cr 26:15b). Entretanto, seu coração, que, antes, era submisso e obediente à palavra do Senhor, mudou, quando alcançou fama e poder. Suas conquistas o levaram a agir de forma errada: e transgrediu contra o SENHOR, seu Deus (II Cr 26:16a). O orgulho o fez desviar-se para longe da vereda prescrita pela legislação do Senhor. Enfim, Uzias abandonou todos os princípios espirituais aprendidos com Zacarias, que o ensinou a respeitar o SENHOR (II Cr 26:5b – NTLH). Esqueceu-se de que a sua prosperidade era resultado da intervenção de Deus na sua vida.

Prosperidade e poder são bênçãos divinas, mas há o perigo de os alcançados por elas se afastarem de Deus. Prosperidade, de qualquer ordem, pode tornar-se maldição e tragédia. Nossas Igrejas estão repletas de histórias de pessoas que buscaram ao Senhor, e que alcançaram o sucesso na vida pessoal, na vida familiar, na vida material, mas, deixaram de ser fiéis aos princípios e preceitos contidos na Palavra. Não souberam lidar com sua nova condição de prosperidade. A posição, o prestígio, a promoção, as conquistas e o dinheiro levaram essas pessoas à ruína; e deixaram de seguir o Senhor da Palavra e a Palavra do Senhor. Repetiu-se, em suas vidas, a trágica história de Uzias. Se você alcançar riqueza, influência, popularidade e poder, reconheça que tudo isso vem de Deus. Seja-lhe agradecido!

2. Pessoas de coração exaltado desrespeitam as autoridades escolhidas por Deus.

Uzias era um homem especialmente escolhido por Deus para conduzir seu povo. Porém, não estava autorizado a entrar no templo para queimar incenso. Esse papel estava reservado a outros homens, igualmente, escolhidos por Deus: os sacerdotes. Uzias, porém, ignorou essa escolha de Deus (II Cr 26:16b); não reconheceu a autoridade dos sacerdotes; pensou que a sua fama e o seu poder lhe davam o direito de fazer o que quisesse no templo do Senhor. Conquanto Uzias fosse poderoso e famoso, os sacerdotes, que eram homens da maior firmeza (II Cr 26:17b), não hesitaram em repreender com veemência o monarca de coração exaltado e rebelde (II Cr 26:18). Que santa ousadia!

Muitos cristãos de coração exaltado rejeitam o conceito de que as autoridades da igreja governam sobre eles. Como Uzias, ficam indignados e furiosos, quando são advertidos por condutas contrárias aos princípios da palavra de Deus; gostam de pensar que a posição que ocupam e o dinheiro que possuem os isentam da submissão à autoridade, como se estivessem acima de tudo e de todos na igreja do Senhor. Mas a submissão é conceito bíblico: obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso (Hb 13:17 – NVI).

Todos os pastores são imperfeitos, e cada um tem as suas próprias limitações. Todavia, se pastoreiam o rebanho de Deus, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade (I Pe 5:2), devem ser respeitados e obedecidos.

3. Pessoas de coração exaltado experimentam os julgamentos enviados por Deus.

Uma das frases mais sucintas e mais ameaçadoras sobre o orgulho é a de Salomão: a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda (Pv 16.18). A Bíblia Viva prefere parafrasear assim: a desgraça está um passo depois do orgulho; logo depois da vaidade vem a queda. Foi por causa do seu coração exaltado que Uzias perdeu a saúde e o cargo: O rei Uzias sofreu dessa doença [a lepra] até morrer. E, por ter ficado impuro, ele morava numa casa separada e ficou proibido de entrar no Templo. O seu filho Jotão era quem mandava no palácio e governava o país (II Cr 26:21). Ele pagou caro pela sua arrogância! O Senhor não suporta nem agüenta pessoas de coração exaltado: e não suportarei os orgulhosos e os arrogantes (Sl 101:5). Além de não suportar, Deus humilha os governantes orgulhosos" (Sl 76:12 – NTLH).

O coração exaltado e soberbo é tão perigoso e tão destruidor que Deus achou por bem não retirar o espinho que havia na carne de Paulo para impedir que o apóstolo se exaltasse por causa da grandeza das revelações (II Co 12.7). Em um tempo em que não são poucos os casos em que o odioso estrelismo tem ocupado o lugar da humildade nas igrejas do Brasil, precisamos enfatizar que o coração exaltado está terrivelmente vulnerável e propenso ao severo julgamento divino.

Como o risco é grande, mais do que qualquer coisa, em nossas orações, devemos clamar a Deus por um coração humilde: Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão (Sl 19:13). Precisamos, também, decorar aquela outra declaração de Salomão, que tanto Tiago como Pedro trouxeram para o Novo Testamento: Deus é contra os orgulhosos, mas é bondoso com os humilde (Tg 4:6; 1 Pe 5:5 – NTLH).

Conclusão

Uzias foi um rei que alcançou sucesso nacional tremendo. Sob sua direção, o reino de Judá prosperou materialmente. Você sabe qual foi o segredo dessa façanha? II Cr 26:5 dá-nos a resposta: ... persistiu em buscar ao senhor, nos dias de Zacarias... buscou o Senhor e ele lhe fez prosperar. Isto é exatamente o que Deus, o nosso eterno Pai, faz em nossa vida, quando assumimos uma postura reverente, honesta e humilde diante dele, reconhecendo o seu poder e a sua soberania sobre todas as coisas. A dependência de Deus é o segredo do sucesso. A habilidade ou o talento humano só produz êxito com a bênção de Deus.

Porém, o largo e brilhante reinado de Uzias, que levou Judá ao apogeu de seu poder e de sua prosperidade, não deu bons resultados espirituais. A prosperidade, em seu reinado alimentou o orgulho, a corrupção, o luxo, a crueldade e um fatal esquecimento de Deus. Prosperidade e poder são bênçãos divinas, mas há o perigo de os alcançados por elas se afastarem de Deus.

Se você, meu irmão, alcançar riqueza, influência, popularidade e poder, reconheça que tudo isso vem de Deus. Não importa qual seja a nossa posição na sociedade, na igreja, no trabalho; Deus espera de cada um de nós a honra, a adoração e a obediência a Ele. Avaliemos sempre nossas atitudes e lembremo-nos de glorificar a Deus.


Referências Bibliográficas

- História do Hebreus de, Flávio Josefo. CPAD, 1990

- Dicionário bíblico Davis, de John Davis. JUERP, ANO?

- História de Israel, de John Bright. PAULUS. ANO?

- Panorama do antigo testamento, de Samuel J. Schultz e Gary V. Smith. VIDA NOVA. ANO?

- Os Livros Históricos. De Paul Hoff. VIDA. ANO?

- Comentário Bíblico Broadman, tradução de Israel Belo de Azevedo – JUERP. ANO? VOLUME?

- CHAMPLIN. R. N. – O A. T. – interpretado versículo por versículo – CANDEIA. ANO? VOLUME?

- Estudo nos Livros de reis, de Antonio Neves de Mesquita. JUERP. ANO?

- Estudo nos Livros de crônicas, de Antonio Neves de Mesquita. JUERP. ANO?

- História de Israel no Antigo testamento, de Samuel J. Schultz. VIDA NOVA. ANO?

- Bíblia Sagrada, ed. Revista e corrigida JUERP – IMP. BIBLICA BRASILEIRA.

- Bíblia Sagrada, versão revisada de acordo com os melhores textos em hebraico e grego – IBB – JUERP. ANO?

[1] GARDNER, Paul (Editor). Quem é quem na Bíblia Sagrada: a história de todos os personagens da Bíblia. São Paulo: editora Vida, 1999, p. 652

Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor Hugo Alves Espínola
Série de estudos sobre o mais interessante período da história dos israelitas: o período da monarquia israelita


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