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O reinado do rei Ezequias o reinado da reforma


Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã.(II Rs 18:4)

O presente estudo tece algumas considerações gerais sobre Reforma. Os textos em torno dos quais essas considerações são feitas são os que estão indicados acima, e o exemplo sugerido é o que foi deixado por Ezequias, rei de Judá. “Reformar” é dar nova forma ou nova aparência a algo que já existe, sem alterar suas bases; reformar é restaurar a antiga forma, corrigindo as distorções; é voltar às origens, construir de novo sobre as antigas bases, etc. A reforma, porém, pode ser feita com outros propósitos, como: adequar o funcionamento das práticas humanas às novas realidades do tempo presente.

As reformas nem sempre são necessárias ou imprescindíveis e nunca devem ser feitas para atender aos caprichos ou interesses particulares de quem governa. Entretanto, quando feitas para atender a interesses comuns e quando, para isto, houver motivos claros e convincentes, podem ser convenientes e vantajosas. A reforma religiosa empreendida por Ezequias foi das mais importantes, porque, não só atendeu às necessidades espirituais do povo, mas também atendeu às expectativas de Deus. E porque foi feita do modo certo, pode servir de modelo para qualquer tipo de reforma que se pretenda fazer na igreja, nos dias atuais. Mostrar como foi feita esta reforma constitui o propósito principal deste estudo.

I – A história contada

O rei Ezequias, que, segundo fontes históricas, nasceu em 736 a.C, assumiu o trono de Judá, com a idade de vinte e cinco anos de idade, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém, de 716 a 687. A despeito do mau exemplo deixado por seu pai, Acaz, Ezequias viveu e agiu como um verdadeiro servo de Deus. Seu nome, cujo significado é: “Yahweh é a força”, figura entre os dos melhores reis de Judá. Ao contrário do que aconteceu com outros reis, que começaram bem e, depois, se deixaram corromper, a menção que a história faz a Ezequias é a de um homem que foi fiel e comprometido com Deus, do começo ao fim do seu reinado. Os compromissos com a política e com a administração do reino não o impediram de dar atenção às necessidades da causa de Deus: E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto fizera Davi seu pai (II Cr 29:2).

Durante seu reinado, ele enfrentou grandes adversidades. Na política externa, sofreu duas invasões inimigas: uma, por Sargão II e outra por Senaqueribe (II Rs 18:13), ambos reis da Assíria. Antes destes, lutou também contra os filisteus (II Rs 18:8). Como se os problemas relativos à política externa, com todas as suas implicações, não fossem suficientes, Ezequias via a situação religiosa de seu povo piorando cada vez mais. Com base no próprio exemplo de Acaz (II Cr 28:1-4), seu pai e antecessor no reino, a maioria do povo estava entregue à idolatria. Havia altares e estátuas de ídolos em toda parte: nos altos e nos bosques.

A serpente de bronze que Moisés mandara erguer no deserto (Nm 21:8-9) transformara-se em objeto de adoração, e todos se inclinavam diante dela, depois de lhe atribuírem um bonito nome: Neustã (II Rs 18:4). O templo, como o lugar escolhido por Deus para o oferecimento dos sacrifícios, estava com suas portas fechadas, com má aparência e desativadas; havia até lixo e imundícia dentro do templo (II Cr 29:16). Os instrumentos musicais não estavam mais sendo usados; os salmos de Davi e de Asafe não eram mais cantados (II Cr 29:25-27) e as lâmpadas da casa de Deus estavam apagadas. Em conseqüência de tudo isso, os ministradores do templo tinham se afastado de suas funções e o povo estava desorientado e sem rumo.

Inconformado com o comportamento do povo em relação às coisas de Deus, Ezequias sentiu no coração o desejo de fazer algo para mudar aquela situação. Porém, como qualquer governante democrático, estava convencido de que não poderia agir sozinho. Diante disso, convocou todos os sacerdotes e os levitas; reuniu-os numa praça (praça oriental) e falou-lhes sobre a necessidade de se santificarem e de santificarem a casa de Deus; lembrou-lhes todas as maldades praticadas por seus antepassados e mostrou-lhes que, por causa disso, Deus estava irado, a ponto de permitir que seus inimigos triunfassem sobre eles, porque desviaram os seus rostos do tabernáculo, fecharam as portas do templo, apagaram as lâmpadas e deixaram de queimar incenso e oferecer sacrifícios no santuário (II Cr 29:4-9).

Na seqüência, após manifestar o desejo de mudar todo esse quadro, o rei dirigiu-se aos levitas, exortando-os a assumirem a missão para a qual haviam sido escolhidos e separados por Deus (II Cr 29:10-11). É importante observar a ordem seguida para a execução das providências: Primeiramente, ele convocou os líderes do povo e comunicou-lhes o que pretendia fazer. Antes de exigir qualquer sacrifício do povo, Ezequias o exigiu dos líderes, quando ordenou que se santificassem e, em seguida, santificassem a casa de Deus, tirando dela tudo aquilo que a contaminava. Só depois disso, os sacerdotes deveriam passar a oferecer os sacrifícios, primeiramente, pelo santuário e pelo reino e, em seguida, por todo o povo.

Os sacerdotes e os levitas acataram de tal modo as ordens do rei que as medidas básicas envolvendo a purificação da casa de Deus e a santificação daqueles que nela ministravam foram executadas no curto prazo de dezesseis dias. Feito isto, comunicaram ao rei tudo o que haviam feito, em cumprimento da ordem que haviam recebido. As portas do templo foram abertas, os sacrifícios passaram a ser oferecidos regularmente, os instrumentos musicais passaram a ser utilizados e as melodias compostas por Davi e por Asafe passaram a ser executadas. Assim, a forma de adoração também foi renovada; o povo foi conclamado a se converter e a renovar o seu concerto com o Senhor. Dessa forma, foram dados os primeiros passos na realização da reforma; os outros viriam depois.

Essa reforma começou no primeiro ano do seu reinado (II Cr 29:3), com a desarticulação do sistema de funcionamento das práticas idólatras, então prevalecente. Foram destruídos os ídolos nos altos e nos bosques e profanados os locais onde esses ídolos eram adorados. A serpente de metal que Moisés mandara construir fora feita em pedaços, o que, até então, ninguém tivera coragem para fazer. Essa reforma feita por Ezequais, assim como a que ocorreu nos dias de Josias, seu bisneto (II Rs 22–23), foi feita em várias dimensões e envolveu o local de adoração, os ministradores, a forma de culto e a conduta dos adoradores.

A celebração da páscoa também foi incluída no plano de reforma. A páscoa era a principal festa do calendário religioso judaico. Dada a sua importância histórica e religiosa, foi usada como parâmetro para medir o nível de espiritualidade do povo, no transcorrer de sua história. Se era celebrada regularmente, indicava a boa condição religiosa do povo; se não era celebrada, ou era celebrada de maneira irregular e displicente, podia-se dizer que a espiritualidade do povo estava em decadência. Ciente disso, Ezequias incluiu a celebração da páscoa em seu plano de reforma. Mandou cartas a todos os moradores de Judá e também aos de Israel, para, juntos, participarem de uma páscoa que, por motivo de força maior, naquele ano, fora celebrada no segundo mês do ano (II Cr 30:3). As cartas foram acompanhadas de um apelo ao arrependimento do povo, tal como está descrito em II Cr 30:5-15.

Nem todas as pessoas convidadas atenderam ao chamado do rei; algumas até zombaram dos seus mensageiros; ainda assim, foi grande o ajuntamento em Jerusalém. Muitos sequer tiveram tempo para se prepararem para a celebração daquela páscoa; porém, nem por isso deixaram de participar dela. Ezequias orou a Deus intercedendo pelos que não estavam devidamente preparados. O Senhor ouviu a oração de Ezequias (II Cr 30:19-20) e aceitou o sacrifício de cada um deles, da forma como foi oferecido: Então sacrificaram a páscoa no dia décimo quarto do segundo mês (...) E houve grande alegria em Jerusalém, porque desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, não houve em Jerusalém (II Cr 30:15-26). A celebração da páscoa fora, para Ezequias, a melhor demonstração de que Deus aceitara a reforma que o rei se propusera a fazer.

Ao contrário do que acontecera com Jeorão, por exemplo, de quem se diz que foi-se sem deixar de si saudades (II Cr 21:20), por ocasião da morte de Ezequias, todos os habitantes de Judá e de Jerusalém lhe prestaram grande honra (II Cr 32:33). O maior erro de que Ezequias foi acusado refere-se à atitude simplória, e até ingênua, que assumiu diante dos embaixadores babilônicos, quando os recebeu em seu palácio, por ocasião de sua doença, conforme descrição feita pelo profeta Isaías (Is 39). O fim de sua trajetória como rei é assim descrita pelo cronista: Quanto ao resto dos sucessos de Ezequias, e as suas beneficências, eis que estão escritos na visão do profeta Isaias, filho de Amoz, e nos livros dos reis de Judá e de Israel. E dormiu Ezequias com seus pais, e o sepultaram no mais alto dos sepulcros dos filhos de Davi; e todo o Judá e os habitantes de Jerusalém lhe fizeram honras na sua morte. (II Cr 32:32-33)

II – A história aplicada

1. A verdadeira reforma espiritual requer dependência divina.

Acaz deixou para o seu sucessor um reinado arruinado. Não faltavam problemas. Variadas e profundas reformas precisavam ser implementadas urgentemente. Mas por onde Ezequias deveria começar? Ele começou consertando o templo e restaurando o culto: No primeiro mês do seu reinado, Ezequias abriu os portões do pátio do Templo e mandou consertá-los (II Cr 29:3 – NTLH). Este gesto demonstra claramente a sua dependência de Deus. Ele sabia que sem o apoio de Deus não seria capaz de alterar coisa alguma. Sem Deus, nada iria para frente em Judá. O jovem sabia que, se Deus não o ajudasse, seus esforços seriam inúteis. Excelente começo de reinado!

A verdadeira reforma religiosa é a que começa por restaurar nossa relação com Deus. Quando nossas relações com o Senhor estão indo bem, temos o pré-requisito mais importante para que tudo o mais também vá bem. Portanto, antes de promovermos qualquer tipo de reforma, precisamos nos assegurar de que as nossas relações com Deus estão indo bem. A reforma interior deve ser a prioridade. Cuidar da reforma exterior ou física, sem cuidar da interior ou espiritual, é como colocar remendo de pano novo em vestido velho, ou como colocar vinho novo em odres velhos. De acordo com o ensinamento de Jesus, o importante é que ambos sejam novos, para que assim sejam conservados (Mt 9:16-17). Sem dependência de Deus, não existe vitória.


2. A verdadeira reforma espiritual requer transparência pessoal.

Ezequias era um homem transparente. Após fazer uma sincera e profunda análise do pecado da nação, ele informou à liderança religiosa quais eram as intenções, os propósitos, os motivos do seu coração. Falou-lhes claramente do seu desejo de instituir imediatas e profundas reformas: Agora resolvi fazer uma aliança com o SENHOR, o Deus de Israel, para que ele pare de ficar irado conosco (II Cr 29:10 – NTLH). Na seqüência, explicou sua estratégia: purificar a casa do Senhor (II Cr 29:11).

Através desse exemplo, aprendemos que, quando for necessário reformar algo, precisamos saber quando, como e para quê faremos a reforma, uma vez que nenhuma tentativa de mudança será bem-sucedida, se os aspectos alistados a seguir não ficarem suficientemente claros para as pessoas que se envolverão nela: 1):O que se pretende reformar; 2): a conveniência do momento; 3): a necessidade. Toda reforma deverá ser encabeçada por alguém; mas esse alguém, quem quer que seja, não poderá esquecer-se de que reformar envolve muito mais que os agentes do processo e seu direito de saber o que se pretende reformar, por que e para quê fazer a reforma: o momento também é muito importante. Se o momento não é oportuno, a reforma não acontecerá.

3. A verdadeira reforma espiritual requer cooperação coletiva.

Ao lermos a história do reinado de Ezequias, ficamos surpreendidos com a impressionante cooperação da liderança e da população de Judá. Todos agiam de forma coletiva, trabalhando juntos em busca do mesmo objetivo: reforma espiritual. Houve cooperação na purificação do templo (II Cr 29:4-19), na celebração da páscoa (II Cr 30:5-12), na destruição dos ídolos (II Cr 31:1) e na manutenção dos obreiros (II Cr 31:5-10). Todos cooperavam lealmente: porque em Judá se fez sentir a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para cumprirem o mandado do rei e dos príncipes, segundo a palavra do SENHOR (II Cr 30:12).

Quando os indivíduos trabalham juntos, tendo em vista um objetivo comum, seu comportamento é chamado cooperação. Quando disputam espaços e recursos e se opõem uns aos outros, temos a competição. Por vezes, nota-se muita competição e pouca cooperação entre o povo de Deus. Isto ocorre porque, para muitos, falta senso de grupo e visão do todo. Assim, prejudicam o progresso da obra de Deus. Não deve ser assim. Precisamos uns dos outros. Não devemos ser competidores; devemos ser colaboradores. Não devemos ser antagonistas; devemos ser companheiros. Não devemos ser adversários; devemos comportar-nos como irmãos. Não devemos ser rivais, somos complementos uns dos outros. Enfim, somos cooperadores de Deus (I Co 3:9).

Concluindo

A reforma de Ezequias foi importante por duas razões principais: 1) Teve como propósito: Restaurar o templo, local de adoração a Deus, a conduta dos ministradores, a forma de culto e de adoração, a conduta religiosa dos adoradores; 2) obedeceu ao seguinte critério: Foi encabeçada pelo líder, com uma visão do todo, envolveu toda a liderança, uniformizando as idéias, envolveu a forma de adoração, a adoração segue o tipo do adorador, atingiu todo o povo, a reforma só deslancha quando todos a abraçam.

Ezequias nos mostra como alguém que se propõe a seguir fielmente a Deus, que pode consertar todo o erro passado e voltar a trazer sobre si e sobre o seu povo as bençãos divinas. O valor de uma liderança séria, madura e comprometida é inestimável. Em épocas difíceis, como foi o momento em que Ezequias assumiu o reinado, pessoas que lideram podem ser decisivas nos processo de transformação de situação. Hoje em dia, precisamos valorizar aqueles que lideram em nossas igrejas, principalmente, quando são comprometidos com o Senhor, tendo uma vida honesta e sincera.


Fonte:
Estudo bíblico de autoria do Pastor Valdeci Nunes de Oliveira
Série de estudos sobre o mais interessante período da história dos israelitas: o período da monarquia israelita

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