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O Próximo Presidente Do Brasil

Entrevista RS - José Serra

Por Ricardo Franca Cruz, Pablo Miyazawa, Rodrigo Barros e Fernando Vieira

Ao chegar a seu comitê de campanha na zona oeste de São Paulo, em uma tarde seca de agosto, José Serra contrariou de uma só vez duas das características que normalmente são atribuídas à sua pessoa: foi com evidente bom humor e apenas 30 minutos de atraso que o candidato do PSDB à presidência da República se apresentou para a entrevista para a Rolling Stone Brasil - não sem antes digitar algumas rápidas mensagens em seu Twitter pessoal. Paulistano de 68 anos com longa biografia política, Serra fez questão de ressaltar não crer nas pesquisas que o apontavam naquele momento como segundo colocado nas intenções de voto, atrás da adversária petista. Mantendo uma linha de discurso forçosamente otimista com lampejos nostálgicos, o ex-ministro da Saúde e ex-governador do estado de São Paulo, hoje candidato do PSDB ao maior cargo da nação, demonstrou impaciência somente diante de questões relacionadas a seu ego.

O que o senhor pretende fazer pelo Brasil se eleito?

Fundamentalmente, ampliar oportunidades para as pessoas, que é o que o Brasil mais precisa. Oportunidades, evidentemente, para a juventude, porque é o Brasil do futuro, mas não só para a juventude. Hoje, uma mulher de 40 anos não consegue emprego. Esse é um fenômeno que eu nunca consegui entender como economista e quando fazia análise de mercado de trabalho. Porque a discriminação por idade em relação às mulheres é pior sempre. Então, o importante é a abertura de oportunidades - de vida, para viver melhor , para ter mais cultura, mais lazer, para os brasileiros serem mais felizes. Em termos de cultura, acredito que o desconhecimento trava a liberdade. Ninguém é livre ou mais livre com menos conhecimento. Ninguém é plenamente feliz sem conhecimento. É indiscutível que o conhecimento aumenta as possibilidades nessa área.

Vale a pena abrir mão da sua vida pessoal para ser presidente da República?

Eu não acho que seja abrir mão da minha vida. Para mim, o sentido da vida, tirando os aspectos afetivos que são fortes em mim, é a realização de poder realmente mudar o meu país. Parece uma coisa megalomaníaca, talvez eu seja, mas para mim não é sacrifício. Aliás, eu não acho que política seja sacrifício. Essa é uma mercadoria que se vende e é falsa. Sacriífcio é algo que, primeiro, você só faz se quiser; segundo, quando você faz por algo que não seja dinheiro, ele tende a ser mais prazeroso. Se fizer política por dinheiro, por um partido como corporação, por um agrupamento de interesses, daí talvez canse. Do contrário, não. Não me lembro nos últimos anos de ter tanta energia como nestes meses. Eu fiz muitos anos de análise, então o que tinha que ter aprendido a meu respeito, aprendi do ponto de vista individual. Mas, muito especialmente agora, fica claro para mim que, realmente, a eleição, a campanha, são prazerosas. Nunca tive isso tão claro quanto nessa campanha: com todos os riscos, com toda a dificuldade, é algo prazeroso. E o fato de me dar prazer me dá energia. Tem gente que trabalha naquilo de que mais gosta e isso é uma maravilha porque quase ninguém ama fazer o que está fazendo. Aqueles que conseguem isso vivem melhor. E, nesse sentido, estou vivendo muito bem.


O que a sua experiência política e, particularmente, este momento de campanha lhe ensinaram sobre o Brasil?

Que o Brasil é um país muito complexo e pelo qual vale a pena lutar. Eu não penso como Mussolini, que dizia a respeito da Itália, era uma frase famosa, inclusive: "Não é difícil governar a Itália, é inútil" . Eu penso justamente o contrário.

E o que o senhor aprendeu sobre os brasileiros?

É muito difícil fazer uma síntese, mas, mais do que uma reflexão intelectual, tenho um sentimento: sinto bem os brasileiros e acredito que eles me sentem bem também. Em qualquer lugar que eu vá noto uma familiaridade, não há barreira de espécie alguma, do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Com todos que encontro, sinto que tenho um ponto de identidade. Meu sentimento é de proximidade.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 48, setembro/2010

Leia as entrevistas:

Marina Silva

José Serra

Dilma Rousseff

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Fonte: Revista Rolling Stone Brasil - Foto: Ilustração Marcelo Calenda - Foto: Samuel Esteves

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