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Paguem O Mal Com O Bem

Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando o mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes benção por herança (I Pe 3:8-9).

A carta de I Pedro tinha o objetivo de preparar os cristãos acerca do que haveria de vir, sobre as situações que enfrentariam na sociedade. Olhando um pouco para a nossa sociedade e veremos como são, e como estão, as relações interpessoais de nosso tempo. Vivemos em uma época tecnológica e cibernética. Há quem trabalhe em casa, há cursos semi-presenciais e até o próprio culto é transmitido via internet. Não é difícil nos distanciarmos das pessoas. Somando-se a isso, estamos sempre preocupados com nossas agendas, afinal a exigência é que estejamos em movimento contínuo.

As relações ficam extremamente prejudicadas com este nosso jeito de ser no mundo. As pessoas se tornam cada vez mais isoladas, egocêntricas e individualistas. Não prestamos mais atenção às necessidades do nosso próximo. Não paramos para ouvir, nem para ser ouvidos. Há quem pague para ser ouvido e acolhido. Olhamos o que caiu a beira do caminho e prosseguimos, afinal, o mundo não para. Na maioria das vezes, nem percebemos que alguém não está mais em nosso meio. Não sabemos mais nos relacionar, e este trecho da carta de Pedro (3:8-12), escrito há tanto tempo é extremamente atual e serve para nortear nossos relacionamentos interpessoais.

O apóstolo Pedro deu orientações às mulheres, aos homens e agora começa este parágrafo dizendo Finalmente, ou seja, além de tudo o que havia dito, ainda havia instruções que precisava dar para todos os cristãos, independentemente do gênero. Neste momento ele oferece o modelo da conduta cristã. E esta é sem dúvida uma lista fundamental para se mensurar a maturidade cristã. Veja abaixo essa lista com as características que o cristão deve ter e faça uma checagem em seu comportamento para saber como anda seu relacionamento interpessoal e, consequentemente, sua vida espiritual.

1. Unidade de pensamento: A lista que Pedro dá para a família cristã inicia pedindo aos irmãos que sejam todos de igual ânimo (3:8a). Ele se refere sobre a importância dos irmãos terem a mesma mente, ou o mesmo propósito. Afinal todos têm o mesmo manual de instrução, não há motivos para terem objetivos egoístas e independentes dos demais irmãos. Claro, que Pedro não está se referindo aqui a uniformidade ou unanimidade, onde todos são iguais, e concordam em tudo [Swindoll (2002:113)]. Deus deu a cada um de nós características peculiares, e a Bíblia diz que somos um corpo, onde cada um representa uma parte, cada um tem um dom, portanto haverá sim opiniões divergentes dentro da igreja em questões periféricas. Mas o segredo para união de pensamento é que todos se deixem controlar pela mente de Cristo (Fp 2:1-5). Devemos nos mirar em seu exemplo, em sua mensagem e em sua missão. “Nosso alvo sempre deve ser honrar a Cristo, ganhar perdidos e edificar a igreja” [Wiersbe (2008:531)]. Quando todos têm a mesma motivação (Cl 3:2), as partes do corpo trabalham em unidade. Assim sendo, as diferenças não serão desagregadoras, mas enriquecedoras para os irmãos conviverem em clima de cooperação, como uma grande família feliz, conforme traduz a Bíblia Viva o inicio do versículo 8 de I Pedro capítulo 3.

2. Unidade de sentimento: Os irmãos na fé também devem ser compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos (I Pe 3:8b). Aqui Pedro fala especificamente dos sentimentos que os irmãos deveriam ter uns para com os outros. A raiz grega da palavra “compadecido” quer dizer “sentir com”. Em uma igreja com cristãos maduros há espaço para confiança, onde as pessoas se sentem à vontade para compartilhar sentimentos, pois são acolhidas. O texto de Romanos 12:15-16 explica isso. Podemos resumir na palavra empatia, que é a capacidade de se identificar profundamente com a situação em que uma pessoa se encontra [Mueller (1991:185)]. Quando o texto diz fraternalmente amigos incentiva os irmãos a promoverem um ambiente afetuoso. Há quem pense ser impossível que não existam discórdias na igreja, mas salientamos que o amor não tem origem, necessariamente na emoção, mas na volição. Ou seja, consiste na decisão de ter ações nobres e abnegadas [Macdonald (2008:924)]. Também podemos resumir este comportamento na palavra altruísmo, que é quando a sua preocupação pelo outro se sobrepõem a preocupação com você mesmo. E por fim a pessoa misericordiosa é aquela que se comove com o necessitado, com o ferido.

3. Humildade sincera: A humildade é a qualidade daquele que serve. Pedro também orienta: sede... humildes (3:8 - parte final). O que auxilia a pessoa a ser humilde é ter “uma estimativa realista de si mesmo e de elevada consideração pelos outros” [Lopes (2009:2065)]. O texto bíblico consolida esta afirmação: não pense de si mesmo além do que convém (Rm 12:3) e ainda cada um considere os outros superiores a si mesmo (Fp 2:3b). Se o cristão compreende, de fato, que é um pecador que não tem mérito algum por receber a salvação, ele entende que não é digno se considerar melhor que seu próximo. Ele sabe que nada, nem condição social, etnia ou o tempo de estudo pode elevar sua posição em relação aos outros. Humildade nada tem a ver com auto-desvalorização. Reconhecer os próprios dons e talentos não é errado, mas a atitude assertiva é ver suas qualidades com gratidão a Deus. Quem é humilde consegue alegra-se com os talentos de outrem e não se sente ameaçado por eles. Humilde é aquele que não precisa de uma platéia para glorificar a Deus, ao contrário, é aquele que é devoto ao Senhor discretamente, e alcança uma posição notável somente para aquele que precisa apreciar, o Senhor.

4. Perdão incessante: Quando Pedro afirma em sua carta não tornando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo (3:9), ele está falando a respeito de perdão. Esta carta foi escrita em um contexto de perseguição, por este motivo o apóstolo relembrou aos fiéis a importância de não revidar os insultos sofridos. E não apenas isso, mas ele os instiga a abençoar aqueles que os maltratavam. A tendência humana é retribuir o mal na mesma medida, mas Jesus nos ensina: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem (Mt 5:44). Ele foi nosso maior exemplo, pois conseguiu perdoar seus algozes e, sobretudo, intercedeu por eles junto ao Pai (Lc 23:34). É fácil ser gentil com os que nos amam e nos respeitam. Não é preciso se esforçar para retribuir amavelmente atitudes generosas. Esta é uma característica humana. Mas Deus nos convida para um nível excelente. Ele quer que revidemos a hostilidade com amor, bênçãos, orações. Lembrando da enorme dívida que tínhamos com o Pai e ele apagou, temos que perdoar as ofensas, pois é uma exigência divina para o nosso próprio perdão (Mt 6:14-15). Aos que assim fazem, Deus promete bênçãos.

5. Discurso moderado: Agora Pedro dá uma receita para a felicidade e o primeiro ingrediente é guarde a sua língua do mal e os lábios da falsidade (3:10). Por que será este um aspecto tão essencial para se viver feliz? Tiago responde: Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo (3:2 - NVI). Todo cristão maduro deve empenhar-se e orar para dominar sua língua (Sl 141:3). Tiago esclarece o quanto a fala pode ser prejudicial aos relacionamentos humanos. Com a mesma boca as pessoas glorificam a Deus e proferem mentiras, fofocas. O livro de Tiago afirma que não pode ser este nosso comportamento (Tg 3:1-12). A orientação é para pensar antes de falar, para colocar freios na língua, ou seja, falar menos. Não há outra saída, veja o que o provérbio diz: Quando são muitas as palavras, o pecado está presente (10:19). Quantas vezes você viu determinado fato ser transmitido sem ser verificado? Quantas vezes você ouviu pedidos de oração carregados de confidências alheias? E o que dizer das falas provocativas ou maldosas? A língua pode arruinar a vida da pessoa (Pv 13:3; Tg 3:6), portanto a postura adequada é mantê-la inofensiva, com um linguajar sincero e discreto.

6. Pacificador empenhado: O texto nos incentiva a buscar a paz com perseverança (v. 11b). “É dever dos cristãos não somente adotar a paz quando é oferecida, mas buscar e persegui-la quando é negada” [Henry (2008:874)]. O texto original dá esta idéia de que a paz deve ser perseguida, ou também que devemos correr dela atrás com determinação. Devido à tendência humana egoísta, a paz não é algo que ocorre naturalmente. Você já presenciou alguma desavença ocasionada porque alguém quis que as coisas fossem feitas a sua maneira? Isso acontece, pois humanamente falando ninguém quer estar em posição de desvantagem. Esta carta foi escrita justamente para alertar os irmãos a importância de permanecerem tranquilos quando sofressem afrontas. O próprio Jesus nos ensinou que: Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus (Mt 5:9). Este é mais um ingrediente para ter uma vida feliz, viver em paz com todos. Para ser um pacificador se requer mais do que a ausência de conflitos. Mas se é preciso que se construam bons relacionamentos onde os conflitos são previstos e evitados antecipadamente para não se tornem incontroláveis [Comentário do Novo Testamento: aplicação pessoal]. Antes de falar sobre paz, Pedro faz uma afirmação que podemos considerar um resumo da lista que indica a conduta cristã. Ele exorta: afaste-se do mal e faça o bem. Para conseguir colocar toda a lista acima em prática é importante desviar-se do mal, ou do pecado (I Ts 5:22). A conduta do cristão é marcada pela pureza, pela santificação, ou seja, pelo afastamento contínuo do pecado. Siga o conselho: Amado, não imite o que é mau, mas sim o que é bom. Aquele que faz o bem é de Deus; aquele que faz o mal não viu a Deus (III Jo 11).

II. PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS

Paguem o mal com o bem porque o Senhor nos observa - Você acredita que, se o seu comportamento fosse vigiado, agiria de forma diferente? Seu comportamento se altera, quando você está na presença dos irmãos da igreja ou é o mesmo em casa, na escola, no trabalho? Meu irmão, não importa a sua aparência, porque os olhos do Senhor estão em todo lugar (Pv 15:3). E os seus olhos repousam sobre os justos (I Pe 3:12a). Sobre isso, vemos dois aspectos, o primeiro é que ele observa tudo o que fazemos. Isso soa ameaçador somente para os que não agem com justiça. E o segundo é que ele protege os seus filhos do mal. Procure agir tendo isso em mente.

Paguem o mal com o bem porque o Senhor nos ouve - Quando fazemos a checagem dos itens mencionados acima, certamente reprovamos a nós mesmos em alguns deles. Sabemos onde falhamos, conhecemos as nossas áreas problemáticas: sabemos se tendemos a ter um comportamento opositor, ou mesmo se não resistimos à bisbilhotice, ou quem sabe se gostamos de estar em evidência. Todavia, para tudo isso, temos a certeza que o Senhor nos ouve, os seus ouvidos estão atentos à sua oração (I Pe 3:12b). Deus está a nossa disposição para nos auxiliar a ter uma conduta cristã saudável. Faça a checagem da sua conduta e conte com a ajuda divina.

Paguem o mal com o bem porque o Senhor nos julga - Para encerrar o texto, Pedro diz que o rosto do Senhor está sobre os que praticam o mal. Para um israelita ver a face do Senhor era uma das coisas mais temíveis que poderia acontecer, pois ninguém poderia resistir a sua santidade e morreria. O significado aqui é de julgamento. Deus não deixa impunes aqueles que são injustos, aqueles que retribuem o mal na mesma moeda. Aqui temos um alívio, pois sabemos que o Senhor julgará os que nos perseguem. Mas também um alerta para não negligenciarmos nossa conduta cristã (I Co 10:12). Cuidemos de nós mesmos.

CONCLUSÃO

Nenhuma fórmula moderna pode ser tão milagrosa quanto esta lista descrita por Pedro para nortear as relações interpessoais. Você quer ter uma vida feliz e abençoada (I Pe 3:10a)? Siga os conselhos de Pedro. Escreva este texto e releia de tempos em tempos, se for preciso. Como um cristão que deseja a maturidade na fé, repense sua conduta. Reflita se você está à procura de desenvolver em si mesmo a mente de Cristo. Questione se tem o mesmo sentimento para com seus companheiros na fé ou se de tanto ver o sofrimento alheio criou uma couraça que o torna insensível.

Examine sua motivação ao congregar. Almeja encontrar uma posição de destaque na igreja ou tem o desejo de servir os irmãos? Verifique como anda sua amizade com os irmãos e sua disposição em perdoar. Está desenvolvendo o amor demonstrativo? Observe se tem exercitado a escuta ou a fala. E ainda se tem se empenhado em promover um ambiente harmonioso na igreja. Não relaxe em nenhum destes pontos, pois sempre precisaremos uns dos outros, e o Senhor se agrada quando há harmonia na sua casa.

Que Deus nos abençoe!

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DEC - PC@maral

4 comentários:

  1. Ótima reflexão!

    Continue nesse projeto de divulgar a excelência do Cristianismo que nos servos.

    Um forte abraço.
    Marcos Sampaio

    http://ideiasprotestantes.blogspot.com

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  2. Graça&Paz!
    Reparei que neste artigo o irmão fez referencia à obra: Comentário do Novo Testamento: aplicação pessoal. Creio esta ser editada pela Cpad. Uma pergunta: O que o irmão acha da dita obra? Estou à procura de algo nesta linha. O que me aconselha? Muito obrigado. Abraços

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  3. Duarte, a paz do Senhor!

    Se puder adiquirir para ter em casa para consulta a mão é uma otima fonte de informação.

    Copie o link no seu navegador para saber mais sobre os dois volumes da CPAD

    http://www.gospeltop.com.br/biblias/comentario-biblico/livro-comentario-do-novo-testamento-aplicacao-pessoal-volumes-1-e-2.html

    Deus te abençoe!

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