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Quero Voltar para Deus!


Desde os tempos de Moisés, o povo hebreu já demonstrava profunda ingratidão para com Deus. Este fez tudo por eles, mas ainda assim, parecia não ser suficiente! A libertação do domínio egípcio, a mirabolante travessia do Mar Vermelho, a incrível derrota do exército de Faraó e o maná “celestial” não evitaram a dureza de coração e a rebeldia de um povo que tinha à sua direção, o Deus invencível. O privilégio de ser a fiel testemunha das proezas de Deus, não deu a este povo, o prazer de ser o fiel adorador. Eles tiveram a insensata ousadia de provocar ao Senhor ao fazer e adorar um bezerro de ouro no deserto (Ex 32:3-4). Contudo, o Senhor não apenas se portou a ele com juízo, mas também com misericórdia! (Nm 21:6-9).

Desde o tempo dos seus antepassados vocês se desviaram dos meus decretos e não lhes obedeceram. Voltem para mim e eu voltarei para vocês, diz o SENHOR dos Exércitos. (Ml 3:7a – NVI)

Ao lermos o texto de Malaquias 2:8, constatamos que a repreensão do Senhor se destinava aos sacerdotes que haviam quebrado a aliança de Levi. Ao examinarmos, porém, os versículos 5 a 7 do capítulo 3, veremos que, dessa vez, a repreensão de Deus se estende, não somente aos sacerdotes, mas também, à nação hebraica. Os graves pecados de outrora, estavam sendo cometidos incessantemente. Os mesmos erros cometidos perante Moisés eram cometidos perante Malaquias (3:7). O desvio era uma realidade presente e deveria fazer parte do passado daquela geração, sendo que a volta do povo para a comunhão com Deus precisava ser imediata. Por causa disso, o Senhor falou as seguintes palavras por meio do profeta.

De fato, eu, o Senhor, não mudo:

Consideremos dois aspectos da imutabilidade de Deus: 

Em primeiro lugar, Deus não muda em sua justiça. Um erro gravíssimo seria imaginar que Deus deixaria impunes os pecadores daquela geração rebelde. Observe o texto: Chegar-me-ei a vós outros para juízo (3:5a). Deus estava se referindo àqueles que praticavam a feitiçaria, o adultério, a falsidade, o furto, a opressão e a corrupção. Estes não temiam ao Senhor e “achavam que Deus era como eles e que faria vista grossa para o pecado, deixando de julgá-los por transgredir sua lei” [WIERSBE, W. W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Santo André: Geográfica, 2006, Vol. 4 pag. 601]. É tolice imaginarmos que ao cometermos pecado, não enfrentaremos suas consequências. É tolice “brincar de pecar”, pois pecado não é brincadeira, mas morte. Deus sempre será justo.

Em segundo lugar, Deus não muda em sua misericórdia. Uma mãe que ama a seu filho, muitas vezes o disciplina porque sabe que se assim não fizer, poderá um dia, perdê-lo para sempre. Ela o disciplina, mas também lhe dá amor. Deus nos ama e nos dá uma segunda chance. O povo pecou, mas Deus quis mudar a sua história; o povo se afastou de Deus, mas ele o quis de volta. “A imutabilidade divina é a causa de não sermos destruídos. Se Deus nos tratasse segundo os nossos pecados, estaríamos arruinados” [LOPES, H. D. Malaquias: a igreja no tribunal de Deus. São Paulo: Hagnos, 2006 pag. 91]. Portanto, se hoje você teve a oportunidade de conversar com as pessoas que você ama, saiba que não foi por merecimento próprio, mas por misericórdia divina, porque as suas misericórdias não têm fim (Lm 3:22b).

Vocês se desviaram dos meus decretos:

Depois de declarar a sua imutabilidade, pela qual os filhos de Jacó, os descendentes de Abraão, não haviam sido consumidos, Deus traz à tona o principal erro deles: ... se desviaram dos meus decretos e não lhes obedeceram (v.7). Observe que na primeira parte do versículo 6, Deus mostra a sua inteira fidelidade: De fato, eu, o Senhor, não mudo. Porém, no versículo 7, Deus mostra a infidelidade do seu povo. “As ordenanças transgredidas referiam-se especificamente à mordomia do dízimo e das chamadas ofertas alçadas” [PFEIFFER, F. C. & HARRISON F. E. Comentário Bíblico Moody: Isaías a Malaquias. São Paulo: IBR, 2001, Vol. 3. pag. 383]. Sem dúvida, há uma relação muito forte entre os versículos 7 e 8 de Malaquias capítulo 3. Muitos estavam tomando posse daquilo que ao Senhor pertencia. O pecado da infidelidade tornara-se uma espécie de “círculo vicioso” em que era ensinado de pai para filho; de geração para geração. Infelizmente, este pecado persiste no meio do povo de Deus da atualidade. É muito triste, porém, correto afirmar que as duras palavras descritas no texto de Malaquias 3:8, se aplicam a milhares de cristãos em todo o mundo. A infidelidade que estava incomodando a Malaquias, hoje continua a incomodar milhares de pastores em diversas igrejas. Se você é um oponente do pecado da infidelidade, certamente se sentirá amargamente incomodado com tamanho erro. Que o Espírito Santo continue a “incomodar” os nossos corações a fim de não nos conformarmos com a desobediência aos decretos de Deus.

Voltem para mim:

Embora tenha recebido a repreensão de Deus por ter se desviado dos seus decretos (v.7), o povo podia contar com a sua misericórdia, a qual lhe concedia uma nova oportunidade de mudar os rumos do seu futuro. Disse Deus: Voltem para mim... (v.7a). O verbo “(shûb) voltar-se, retornar” [HARRIS, R. L. (org.) Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998 pag. 1532], “combina em si os dois requisitos do arrependimento: desviar-se do mal e voltar-se para o bem” [HARRIS, R. L. (org.) Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998 pag 1532]. Voltar-se para Deus envolve uma radical mudança de vida. É necessário quebrantamento, arrependimento, humildade para reconhecer os erros cometidos e força de vontade para acertar novamente. “O povo quis saber ‘como voltar’. A resposta foi: ‘Abandone seus pecados e caminhos ímpios’. Havia necessidade urgente de uma reforma moral e espiritual” [CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000, Vol. 5 pag. 3710].

Malaquias tinha a “visão” de Deus e sabia que o povo precisava se arrepender urgentemente dos seus delitos e pecados. Este, porém, pensava o contrário: Em que havemos de tornar? (v.7c). O povo achava que a sua condição espiritual estava boa. “Pior que o pecado é a inconseqüência de achar que não se está em pecado” [COELHO FILHO, I. G. Malaquias: nosso contemporâneo: um estudo contextualizado do livro de Malaquias. 2 ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1994 pag. 67]. Quando uma pessoa chega a esse ponto, ela começa a imaginar que não há nada demais em receber propina para prejudicar os outros, em praticar o adultério, a fornicação, a sonegação dos dízimos etc. Mas à semelhança daquela época, hoje Deus também confronta o pecador com a santa palavra. Aquilo que é pecado, sempre será pecado. Não há meio termo: ou nos voltamos para Deus, ou morreremos sem ele.

E eu voltarei para vocês:

Quando Deus falou: Voltem para mim e eu voltarei para vocês (3:7), ele estava diretamente afirmando que havia uma distância relacional entre ele e seu povo. Uma inconsequente ação produzirá uma brusca reação. Os nossos pecados nos separam de Deus, pois ele é santo e não compactua com o erro. Isaías afirmou isso ao dizer: Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça (Is 59:2). Deus mudará sua atitude se o ser humano mudar a dele. Deus terá comunhão conosco se buscarmos fervorosamente tal comunhão. Ele nos honrará quando o honrarmos. Deus verdadeiramente nos ama e quem ama, verdadeiramente perdoa! “Deus não tem picos de crise. Seu amor por nós não passa por baixas. Não podemos fazer nada para Deus nos amar mais nem deixar de fazer nada para Deus nos amar menos” [LOPES, H. D. Malaquias: a igreja no tribunal de Deus. São Paulo: Hagnos, 2006 pag. 90].

Os seus braços estão abertos para receberem os “filhos pródigos” e os seus pés correm à beira do caminho a esperá-los. Mesmo que o pecado interrompa a nossa comunhão com Deus, não poderá, jamais, impedi-lo de se preocupar conosco. O Senhor voltará a nos abençoar, a nos guiar, a caminhar ao nosso lado e a nos aceitar no seu santo monte, quando, com todo o nosso coração, nos achegarmos a ele. Não podemos ouvir a voz do profeta Malaquias, mas podemos sentir a voz de Deus ecoar aos nossos corações por meio da sua palavra. A mensagem do evangelho traspassou a barreira do tempo e com uma precisão incalculável, aplicou-se perfeitamente à nossa realidade. Deus falou aos sacerdotes, aos profetas e à nação. Hoje, porém, ele pode estar falando exclusivamente para nós. Deus nos chama ao arrependimento, à fidelidade e a certeza de que ele nunca mudará em sua justiça nem em sua misericórdia. Portanto, não podemos cometer o grave erro de ser apenas um mero ouvinte. Sejamos, porém, um fiel praticante da palavra do Deus imutável

Praticando a Palavra de Deus

Ao voltar para o caminho do Senhor somos libertos da desobediência - ...Vocês se desviaram dos meus decretos e não lhes obedeceram (Ml 3:7). É evidente que todos nós pecamos (I Jo 1:8). Todos nós estamos ligados à natureza pecaminosa. Paulo confirmou isso da seguinte maneira: ...porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço (Rm 7:15b). Mesmo ligados, por natureza, ao pecado, não mais somos dominados por ele, pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14). É possível sim, sermos livres da desobediência; é possível não mais sermos dominados pelos pecados de outrora. Estejamos certos de que voltar-se para Deus é garantia de liberdade.

Voltar para o caminho do Senhor nos previne da dissimulação - ...Em que havemos de tornar? (Ml 3:7).

As pessoas furtam, matam, roubam, corrompem, e quando são flagradas em seus próprios atos profanos, dizem: “o que eu fiz? eu não fiz nada!”. Chega de farsa! Deixemos de lado a “mania” de querer ocultar os nossos erros diante de Deus. Sejamos coerentes e, com humildade, reconheçamos os nossos pecados antes que seja tarde demais! Voltemo-nos para o Senhor e obedeçamos a sua palavra que diz: Limpai as mãos, pecadores; e, vós de espírito vacilante, purificai os corações. Senti as vossas misérias, lamentai e chorai (Tg 4:8b-9a). Dessa maneira, procede todo aquele que verdadeiramente volta-se para Deus.

Voltar para o caminho do Senhor nos livra do distanciamento - ...Voltem para mim e eu voltarei para vocês, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 3:7). 

É demasiadamente desconfortante estar distante de quem se ama. Porém, pior do que a distância das pessoas que amamos, é a distância de Deus. Os nossos próprios pecados nos afastam dele (Is 59:2), ou seja, nós somos os provocadores do distanciamento, não Deus. Contudo, todos que estão distantes do Senhor, por alguma razão, independentemente de raça, cor, idade, sexo, posição social, etc., poderão novamente usufruir da comunhão com ele. Como? Voltando aos seus caminhos. Quando tomarmos tal atitude com todo o desejo do nosso coração, ele também se voltará para nós. Louvado seja o Senhor!

Concluindo

Qual é a sua situação? Porventura, você se encontra distanciado de Deus por desobedecer aos estatutos estabelecidos por ele? Será que você está sofrendo as conseqüências dos pecados antes cometidos e se encontra estarrecido porque as coisas parecem se complicar ainda mais para você? Então, tome agora mesmo uma urgente atitude: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas (Mt 11.28-29).
Em Cristo, haverá sempre uma saída para você. Volte para o Senhor. Ele está a sua espera.

Que Deus nos ajude e nos abençoe!


Fonte:
DEC
Paulo Cesar Amaral

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