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A Palavra de Deus - Quatro Características das Escrituras


Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra. (2 Timóteo 3:16-17)

A. Todas as palavras nas Escrituras são Palavras de Deus


1. Isso é o que a Bíblia afirma a seu próprio respeito.


Há muitas afirmações na Bíblia declarando que todas as palavras das Escrituras são palavras de Deus (ao mesmo tempo em que são palavras escritas por homens). No Antigo Testamento, isso se vê com freqüência na frase introdutória “assim diz o Senhor”, que ocorre centenas de vezes. No mundo do Antigo Testamento, essa frase seria reconhecida como idêntica em forma à expressão “assim diz o rei...”, usada para introduzir um edito de um rei a seus súditos, edito que não poderia ser desafiado nem questionado, mas simplesmente obedecido. Dessa forma, quando os profetas dizem “assim diz o Senhor” eles estão reivindicando a condição de mensageiros do soberano Rei de Israel, ou seja, o próprio Deus, e declarando que suas palavras são palavras de Deus com autoridade absoluta. Quando um profeta falava dessa forma em nome de Deus, cada palavra dita vinha de Deus, senão ele seria um falso profeta (cf. Nm 22.38; Dt 18.18-20; Jr 1.9; 14.14; 23.16-22; 29.31-32; Ez 2.7; 13.1-16).

2. Somos convencidos a aceitar as reivindicações da Bíblia de que ela é a Palavra de Deus à medida que a lemos.


Uma coisa é afirmar que a Bíblia alega ser as palavras de Deus. Outra coisa é convencer-se de que essas afirmações são verdadeiras. Nossa convicção definitiva de que as palavras da Bíblia são palavras divinas vem apenas quando o Espírito Santo fala ao nosso coração nas palavras da Bíblia e por intermédio delas, dando-nos a segurança íntima de que essas são as palavras de nosso Criador falando conosco. Logo depois de explicar que sua mensagem apostólica consistia de palavras ensinadas pelo Espírito Santo (1Co 2.13), Paulo diz: “... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). À parte do trabalho do Espírito de Deus, uma pessoa não receberá verdades espirituais e, em particular, não receberá nem aceitará a verdade de que as palavras das Escrituras são de fato palavras de Deus.

3. Outros indícios são úteis, mas não totalmente convincentes.


A seção anterior não foi escrita para negar a validade de outros tipos de argumento que podem ser usados para sustentar a afirmação de que a Bíblia é a palavra de Deus. Para nós é útil saber que a Bíblia é historicamente precisa, tem coerência interna, contém profecias que se cumpriram centenas de anos mais tarde, influenciou os rumos da história humana mais do que qualquer outro livro, vem mudando a vida de milhões de indivíduos ao longo da história, pessoas encontraram a salvação por meio dela, possui em seus ensinos beleza majestosa e profundidade que nenhum outro livro pode superar e afirma centenas de vezes ser a verdadeira palavra de Deus. Todos esses e outros argumentos são úteis para nós e removem obstáculos que de outra forma se levantariam contra nossa fé nas Escrituras. Mas todos esses argumentos considerados separadamente ou em conjunto não conseguem ser convincentes de maneira definitiva.

4. As palavras das Escrituras são autocorroborantes.


Elas não podem ser “comprovadas” como palavras de Deus apelando-se a alguma autoridade superior. Pois caso se apelasse a uma autoridade superior (por exemplo, exatidão histórica ou coerência lógica) como recurso para provar que a Bíblia é a Palavra de Deus, então a própria Bíblia deixaria de ser a nossa autoridade mais alta ou absoluta e ficaria subordinada em matéria de autoridade àquilo a que apelássemos a fim de provar que ela é a Palavra de Deus. Se no final das contas apelamos à razão humana, ou à lógica, ou à exatidão histórica, ou à verdade científica como autoridade pela qual se demonstra que as Escrituras são as palavras de Deus, então estamos pressupondo que a coisa para a qual apelamos é uma autoridade superior às palavras de Deus e também mais verdadeira ou mais confiável.

5. Objeção: isso é um argumento circular.


Alguém pode objetar que a afirmação de que as Escrituras corroboram a si mesmas como palavra de Deus é um argumento circular: cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus porque elas reivindicam essa condição e cremos em sua reivindicação porque as Escrituras são a Palavra de Deus. E cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus porque elas reivindicam essa condição, e assim por diante.

6. Isso não implica ditado de Deus como único meio de comunicação.


Toda a parte precedente deste capítulo afirmou que as palavras da Bíblia são palavras de Deus. Nesse ponto é necessária uma palavra de advertência. O fato de que todas as palavras das Escrituras são de Deus não deve nos levar a pensar que Deus ditou cada palavra das Escrituras aos autores humanos.

B. Portanto, não crer em qualquer palavra das Escrituras ou desobedecer a elas é não crer em Deus ou desobedecer a Ele


A divisão anterior afirmou que todas as palavras das Escrituras são de Deus. Conseqüentemente, não dar crédito ou desobedecer a qualquer palavra das Escrituras é não dar crédito ou desobedecer ao próprio Deus. Assim, Jesus pode repreender seus discípulos por não crerem nas Escrituras do Antigo Testamento (Lc 24.25). Os crentes devem guardar e obedecer às palavras dos discípulos (Jo 15.20: “... se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa”). Os cristãos são incentivados a se lembrar “do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos [...] apóstolos” (2Pe 3.2). Desobedecer aos escritos de Paulo tornava a pessoa passível de disciplina da igreja, tal como excomunhão (2Ts 3.14) e punição espiritual (2Co 13.2-3), inclusive punição por Deus (aparentemente é esse o sentido do verbo na voz passiva “será ignorado”, em 1Co 14.38). Por outro lado, Deus se alegra em todo aquele que “treme” diante de sua palavra (Is 66.2).

C. A veracidade das Escrituras


1. Deus não pode mentir nem falar com falsidade.


A essência da autoridade das Escrituras está na sua capacidade de nos compelir a crer nelas e a elas obedecer, fazendo que tal fé e obediência sejam equivalentes a fé e obediência ao próprio Deus. Por esse motivo, é necessário considerar a veracidade das Escrituras, pois crer em todas as palavras da Bíblia implica confiança na completa veracidade das Escrituras em que cremos. Embora esse assunto vá ser discutido mais a fundo quando considerarmos a inerrância das Escrituras, vamos tratá-la rapidamente neste ponto.

2. Portanto, todas as palavras nas Escrituras são inteiramente verdadeiras e não contêm erro em lugar algum.


Já que as palavras da Bíblia são palavras de Deus, e já que Deus não pode mentir nem falar falsamente, é correto concluir que não há inverdades ou erros em qualquer parte das palavras das Escrituras. “As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” (Sl 12.6). Aqui o salmista usa imagem vívida para falar da pureza não diluída das palavras de Deus: não há imperfeição nelas. Também em Provérbios 30.5 lemos: “... toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam”. Não são apenas algumas palavras das Escrituras que são verdade, mas cada palavra.

3. As palavras de Deus são o padrão definitivo da verdade.


Em João 17 Jesus ora ao Pai: “... santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Esse versículo é interessante porque Jesus não usa os adjetivos alÂthinos ou alÂthÂs (“verdadeiro”), que poderíamos esperar, para dizer “tua palavra é verdadeira”. Ele usa um substantivo, alÂtheia (“verdade”), para dizer que a Palavra de Deus não é simplesmente “verdadeira”, mas é a própria verdade.

4. Algum fato novo poderia contradizer a Bíblia?


Será que poderia ser descoberto algum fato novo, científico ou histórico, que vá contradizer a Bíblia? Podemos dizer com confiança que isso nunca acontecerá — isso, na verdade, é impossível. Se algum suposto “fato” descoberto contradiz as Escrituras, então (se entendemos corretamente as Escrituras) esse “fato” deve ser falso, pois Deus, o autor das Escrituras, conhece todos os fatos verdadeiros (passados, presentes e futuros). Nunca virá à tona nenhum fato que Deus não conhecesse eras atrás e não tenha levado em conta quando fez com que as Escrituras fossem produzidas. Cada fato verdadeiro é algo que Deus conhece desde a eternidade e que, portanto, não pode contradizer o que o Senhor fala nas Escrituras.

D. As Escrituras em forma escrita são nossa autoridade final


É importante perceber que a forma final em que as Escrituras permanecem como autoridade é a forma escrita. Foram as palavras de Deus escritas em tábuas de pedra que Moisés depositou na arca da aliança. Mais tarde, Deus ordenou a Moisés e aos profetas que o seguiram que escrevessem suas palavras em um livro. E foi a Escritura em forma escrita (graphÂ) que Paulo disse ser “inspirada por Deus” (2Tm 3.16). De modo semelhante, são os escritos de Paulo que são “mandamento do Senhor” (1Co 14.37) e que poderiam ser classificados com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16).

Fonte:
Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 1 - A Doutrina da Palavra de Deus – p. 23 - 96

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