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Deus Alerta seu Povo!

Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos. (Ml 4:4)
É bem possível que você já ouviu a expressão, “estado de alerta”. Principalmente os moradores das cidades que sofreram com as chuvas do início do ano no país, sabem bem o que essa expressão significa. Quando as autoridades chegam a declarar “estado de alerta”, a população já sabe: é preciso atenção; as coisas não estão bem e podem piorar. Quem não atender o comando e se cuidar pode complicar-se. Pois bem, alertar não é coisa só de hoje. O profeta Malaquias que o diga! Há muitos anos atrás, ao finalizar o livro que leva o seu nome, ele coloca o povo de Deus “em estado de alerta”. Chama-os à responsabilidade. “Cautela!”, é o tom dos últimos três versículos do livro.
Em apenas quatro capítulos, Malaquias esquadrinhou profundamente a realidade de um povo atingido pela corrupção dos sacerdotes, com práticas ímpias, com problemas de hipocrisia, infidelidade, casamentos mistos, divórcio, falso culto e arrogância. [1] Depois de várias repreensões, encontradas no decorrer de todo o livro, ele termina sua profecia da parte de Deus, em tom de alerta, nos seguintes termos:
1. Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo: Este alerta é contundente. É como um “chacoalhão”. A lei estava bem no centro da fé dos israelitas. Eles eram o povo da aliança. A lei, quando praticada, os tornava um povo diferente: Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente (Dt 4:6). Todavia, a lei, não obedecida ou desprezada, trazia conseqüências drásticas para o povo: ...se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e estatutos que hoje te ordeno, então virão sobre ti estas maldições (Dt 28:15 ss.). Mas, porque Malaquias pede ao povo que se lembre da lei? A razão é a mais óbvia: o profeta assistia um descompasso total entre o que o povo falava e o que o povo vivia. Eles diziam, cinicamente, que obedeciam a lei: Que vantagem tivemos por ter cuidado em obedecer seus preceitos (Ml 3:14), mas não estavam. Foi por isso que Deus, através do profeta, alertou o povo: Lembrai-vos... “Se Israel não der ouvidos à pregação de Malaquias, deve se lembrar que a lei de Deus foi prescrita, e as ordens de um grande Rei não são desprezadas impunemente”. [2] O grande e temível dia do Senhor estava por vir (Ml 4:5). A única maneira de o povo estar preparado para ele era lembrarem-se da Palavra. E o texto de alerta continua...
2. Eis que eu vos enviarei o profeta Elias: Depois de olhar para trás; de alertar o povo sobre a lei de Moisés, Malaquias olha para frente. Mira um profeta que desempenharia o papel de Elias, que chamaria a nação ao arrependimento antes do grande e temível dia do Senhor (v. 5). Aliás, com freqüência Deus é descrito como alguém que envia pessoas numa missão oficial como seus embaixadores ou representantes (cf. Is 6:8; Jr 1:7; Ez 2:34; Jz 6:8). [3] Neste caso, em especial, enviar um mensageiro era é um ato da misericórdia divina. O juízo divino viria, mas antes dele, uma última palavra de alerta.
A expressão “dia do Senhor” (Ml 4:5), é escatológica. Faz alusão a uma “súbita e decisiva intervenção de Deus na história. Neste sentido, o dia terrível se deu em Jesus Cristo e o Elias que o precedeu foi João Batista”. [4] Mas por que a figura de Elias para tipificar o ministério de João Batista? A resposta pode estar no fato de que, nenhum “outro profeta mudou a atitude dos seus contemporâneos de maneira tão dramática, nem influenciou tanto o destino da nação”, [5] como Elias. Ele confrontou de maneira enfática os pecados do povo de Deus de sua época. Agora, entendamos bem: João não era Elias (cf. Jo 1:21), ele veio no espírito e poder de Elias (Lc 1:16-17)! A identificação aqui é de ministério e não corpórea.
3. Ele converterá o coração: Além de apresentar as características do ministério daquele que viria, Malaquias nos informa o objetivo da sua vinda: Ele fará com que o coração dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para os pais (Ml 4:6 – NVI). Observe que interessante: o ministério do precursor é descrito como edificação de pontes sobre o abismo entre as gerações, [6] unindo pais e filhos em torno de Deus. Isso era mesmo preciso? Sim! Com a realidade dos casamentos mistos e dos divórcios fáceis, os relacionamentos familiares corriam sérios riscos. O convívio familiar nos dias de Malaquias havia se corrompido. Por isso, o objetivo de sua pregação era reverter esta situação, assim como este também foi o propósito de João Batista, o precursor. Antes do grande e temível dia do Senhor, ele desempenharia seu ministério para que houvesse harmonia dentro dos lares; entre as famílias em Israel. É no lar que começa a restauração. De famílias fortes provêm igrejas fortes, nação forte! Para que um avivamento nacional fosse possível, era preciso, antes de tudo, um reavivamento no lar. Mediante a conversão, que é uma graça concedida por Deus e que afeta diretamente os relacionamentos familiares, o pecador pode redirecionar o seu destino. Essa seria a pregação do precursor: Arrependei-vos porque o reino do céu chegou (Mt 3:2).
4. Para que eu não venha e fira a terra com maldição: As últimas palavras do Antigo Testamento são muito pesadas. Observe como está esta sentença em outra versão Bíblica: eu virei e castigarei a terra com maldição (Ml 4:6 – NVI). Existem duas palavras neste texto que são capazes de tirar o sono de qualquer um. A primeira delas é a palavra “castigarei” ou “fira” (depende da tradução). Esta palavrinha, no hebraico nakah, significa “açoitar”, “golpear”, “atingir”, “bater”. A outra palavra, igualmente assustadora, é “maldição”. Este é um termo associado à “destruição”, não se trata de maldição corretiva, mas punitiva. [7] A palavra “maldição” para o povo de Israel era assustadora, indicava as ameaças de invasão, fome, doença e exílio contidas em Deuteronômio 28-30.8 O fato de Malaquias ter citado a lei no versículo 4, tornava esta ameaça um tanto quanto mais enfática e real. Pois bem, qual seria a única forma de Deus não ferir a terra com maldição? Os pais e os filhos se unirem novamente, pensando e sentindo a mesma coisa... (Ml 2:6 – BV). A única maneira de deter o castigo era conversão do coração dos pais aos filhos e do coração dos filhos aos pais, ou seja, uma restauração das famílias que, por sua vez, causasse a restauração da nação. Se isso não acontecesse, seria inevitável: a terra seria ferida com maldição. Ou conversão ou maldição. Não havia outra escolha.
Com estas palavras retumbantes de alerta Malaquias encerra seu livro. As cortinas da revelação se fecham. Depois de suas palavras a história registrou um período de 400 anos de silêncio da parte de Deus. Nenhuma revelação profética aconteceu neste período. Até que um dia, uma voz começou a ser ouvida no meio do deserto. Um homem que usava roupas de pêlos de camelo e um cinto de couro, que comia gafanhotos e mel silvestre, dizia: Arrependei vos porque o reino do céu chegou (Mt 3:2). Era o Elias que havia de vir! Era o cumprimento da profecia de Malaquias. Ele veio reconduzir o coração dos pais aos filhos! (Lc 1:17)
NÃO SEJA APENAS OUVINTE DA PALAVRA DE DEUS!
1. Esteja alerta! Evite a amnésia espiritual! Amnésia é a perda total ou parcial da memória. A palavra também é usada como sinônimo de esquecimento. E, se tem uma coisa que o ser humano, em geral, faz, é esquecer-se. Esquecemos de datas, regras, fatos, pessoas, direitos e, principalmente, de deveres que não poderíamos esquecer. É interessante como a Bíblia, repetidamente, usa o verbo “lembrar”. Malaquias o usou em seu alerta: Lembrai-vos da lei de Moisés meu servo... A verdade é, que vez por outra, precisamos mesmo de uns “chacoalhões”. Esteja alerta: o grande dia do Senhor virá, cuidado “amnésia espiritual”. Se você anda esquecido da lei do Senhor: lembre-se dela (Ml 4:4)! Se você anda esquecido da proteção do Senhor: lembre-se dela (Dt 8:2)! Se você anda esquecido do próprio Senhor: lembre-se dele (II Tm 2:8)!
2. Esteja alerta! Admita o cinismo disfarçado! O problema dos contemporâneos de Malaquias era realmente grave. Além de quebrarem sistematicamente a lei, tinham a coragem de perguntar: Que vantagem tivemos por ter cuidado em guardar os teus preceitos? (Ml 3:13). Veja que cinismo: eles não guardavam a lei, mas questionavam a Deus como se estivessem fazendo isso. O discurso e a prática não eram condizentes. Quanta hipocrisia! Nós também corremos esse risco, por isso, tomemos cuidado com a dissimulação. No grande e temível dia do Senhor, não haverá lugar para fingimento! Sejamos sinceros desde já. Pense: o que você diz ser e praticar na frente dos teus familiares, dos teus irmãos de fé, é o que você realmente é? Não minta. Se for o caso, agora mesmo, confesse-se ao Senhor. Zere o cronômetro e comece outra vez.
3. Esteja alerta! Acerte a desavença mútua! Como vimos, o livro do profeta Malaquias diz que antes do dia do Senhor, um processo de restauração se instalará nas famílias (Ml 4:5-6). Neste tempo, pais e filhos se abraçarão como nunca. Todas as mágoas, recentes ou remotas, serão esquecidas. A profecia de Malaquias promete reconciliação escatológica! Todavia, enquanto não chega a reconciliação escatológica, reconcilie-se com os que te rodeiam. [9] Sogro e genro: acertem as desavenças! Sogra e nora: acertem as desavenças! Avô e neto: acertem as desavenças! Empregador e empregado: acertem as desavenças! Pastor e ovelha: acertem as desavenças! Professor e aluno: acertem as desavenças!
CONCLUSÃO
Hoje não estamos mais “debaixo da lei” e nem somos salvos apenas por “guardar a lei”. A salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, mas nem por isso podemos andar de “qualquer maneira” mas, sim, da maneira como Deus deseja que andemos. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:10)
Em Malaquias, Deus disse o que precisava ser dito. Falou tudo às claras. Foi direto. Sem duplo sentido. O povo entendeu que Ele não estava satisfeito. E, se não haviam entendido ainda, no desfecho do livro, uma última palavra de alerta foi alçada. Essa palavra vale para nós também. Estejamos alertas! Cuidemos quanto à amnésia espiritual, quanto ao cinismo disfarçado quanto à desavença mútua!
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir. (Mateus 25:13)
Que Deus tenha misericórdia de nós!

***

DEC – PC@maral

Bibliografia
1. WILKINSON, B. &; BOA, K. Descobrindo a Bíblia. São Paulo: Candeia, 2000 (2000:320).
2. BALDWIN, J. G. Ageu, Zacarias e Malaquias: introdução e comentário. São
Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982 (1982:211).
3. HARRIS, R. L. (org.) Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento.
São Paulo: Vida Nova, 1998 (1998:1567).
4. COELHO FILHO, I. G. Malaquias: nosso contemporâneo: um estudo contextualizado
do livro de Malaquias. 2 ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1994 (1994:80).
5. BALDWIN, J. G. Ageu, Zacarias e Malaquias: introdução e comentário. São
Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982  (1982:210).
6. BRUCE, F. F. (Editor Geral). Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento.
São Paulo: Vida, 2009 (2009:1379)
7. COELHO FILHO, I. G. Malaquias: nosso contemporâneo: um estudo contextualizado
do livro de Malaquias. 2 ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1994 (1994:80).
8. PINTO, C. O. C. Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento: estruturas e
outras mensagens dos livros do AT. São Paulo: Hagnos, 2006 (2006:799).
9. CÉSAR, E. M. L. Refeições diárias com os profetas menores: devocionário.
Viçosa, MG: Ultimato, 2004 (2004:323).

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