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A cura de Deus para o culpado

Salmo 51: Nossa inclinação natural é agradar a nós mesmos, em vez de agradar a Deus. Davi seguiu sua inclinação quando tomou a esposa de outro homem. Como Davi, devemos pedir que o Senhor nos purifique internamente (Sl 51:7), preencha o nosso coração e o nosso espírito com novos pensamentos e desejos. A conduta correta só pode vir de um coração e de um espírito puros. Peça que Deus crie um coração e um espírito puro em você!
Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável (Sl 51:10)
Este é, sem dúvida, um dos salmos mais enfatizados e, portanto, um dos mais conhecidos no mundo. Tem sido comumente utilizado como inspiração para diversos louvores e sermões edificantes. Todavia, foi escrito por alguém enfermo espiritualmente. Este texto é, praticamente, um pedido de socorro de um homem caído ao Deus que restaura o culpado. O salmo 51 faz parte do grupo de salmos de lamentação. Pode ser assim chamado em razão de o salmista Davi lamentar os graves pecados por ele cometidos. Mas o salmista não se atém apenas em lamentar. Ele se propõe a buscar, com muita sinceridade, a cura para a sua alma.
Para isso, ele a busca na pessoa certa, no tempo certo, e da maneira correta. Davi fora vítima do ataque de um inimigo feroz: o pecado. Entretanto, a queda não é o destino final de quem busca cura no médico dos médicos. Quem põe em Deus a sua confiança, jamais permanecerá na “lona”.
Deus tem poder para curar da culpa todas as pessoas que caíram em algum pecado, por mais grave que este tenha sido. Contudo, cabe ao culpado tomar algumas atitudes fundamentais. Com base no texto de Sl 51:1-13, veremos quatro princípios que devem ser observados, a fim de que o culpado usufrua da cura de Deus. Vamos ao primeiro:
É NECESSÁRIO QUE O CULPADO CONFESSE A DEUS OS PECADOS
Como mencionado, a princípio, o Salmo 51 foi escrito por um homem enfermo espiritualmente. Davi havia ultrapassado os limites por Deus impostos a ele. Havia transgredido a lei do Senhor. Os seus pecados eram graves. E o que ele fez de tão grave? Davi havia cobiçado e tomado para si Bate-Seba, mulher de Urias (2 Sm 11:2-4). Além disso, colaborou diretamente na morte deste (vv.14-15). Perceba: Ele pecou uma vez e, na tentativa de esconder o seu erro, cometeu outro pecado ainda mais grave. Tentar minimizar um pecado com outro não é uma atitude correta, nem sábia.
Talvez Davi pensasse que pudesse escapar impune, sem que ninguém descobrisse o seu horrendo pecado. Uma pessoa pode até enganar os outros e a si mesma, mas jamais enganará a Deus. Davi “procurou encobrir seu pecado durante quase um ano, mas Deus não permite que seus filhos sejam bem sucedidos em seus pecados”. [1] Deus o confrontou por meio do profeta Natã (2 Sm 12:7). Os seus pecados ocultos foram postos à luz. Davi agora só tinha duas alternativas: negá-los ou confessá-los. Ele optou pela segunda. Veja a primeira parte do verso três do Salmo 51: Pois eu conheço as minhas transgressões. Que atitude louvável! Davi reconhece os seus erros e admite a sua culpa. Davi confessou o seu pecado. Esta é uma atitude corajosa. Nem todas as pessoas a adotam. Isso porque, quando erramos, “somos tentados a negá-lo, racionalizá-lo, encobri-lo ou transferi-lo. Contudo, se quisermos, de fato, resolver o problema, teremos de confessar: ‘A culpa foi minha!’” [2]. Davi também entende a gravidade do seu pecado. Ele afirma no verso quatro: Pequei contra ti, contra ti somente. Ele havia ofendido ao próximo, Urias, mas acima de tudo, ofendera a Deus. Para os israelitas tementes a Deus, “todos os pecados eram, antes de tudo, ofensas contra o Senhor (Gn 39:9)” [3]. Não nos enganemos: pecar contra o próximo é, antes de qualquer coisa, uma ofensa ao nosso Deus.
Além de admitir a sua culpa e compreender a gravidade do seu pecado, o salmista reconhece que é, por natureza, propenso a pecar. Ele afirma, no verso cinco: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Mas entenda: Davi não usa o fato de ter impregnada em si uma natureza pecaminosa para se desculpar dos seus erros. Não é essa a sua intenção. Ele apenas reconhece a sua fraqueza e incapacidade, como humano que era. Assim como Davi, o homem segundo o coração de Deus, nós também não estamos imunes à queda. Mas mesmo que vacilemos, poderemos contar com a cura de Deus. Ele cura o culpado. A natureza pecaminosa está, sim, em nós; todavia, não podemos deixar que ela nos domine. Você pecou? Fez algo terrível que ofendeu ao seu próximo e a Deus? Precisa de ajuda para se libertar da culpa? Então, pratique a confissão. Diga ao Senhor: “Eu pequei! Eu fui o responsável! Eu prejudiquei o meu irmão, a minha família; eu usei de má fé nos meus negócios; eu caluniei o inocente; eu fui infiel; eu me vendi à corrupção e escandalizei o teu nome; eu ignorei os teus princípios e pequei contra ti, Senhor! Eu admito a minha culpa e reconheço a gravidade do meu pecado! Eu sei que sou fraco, e deixei a minha carne ditar as regras da minha vida”. A confissão é um excelente passo para que o culpado receba a cura de Deus. Para ser curado, é necessário que o culpado confesse a Deus os pecados.
É NECESSÁRIO QUE O CULPADO SUPLIQUE A DEUS O PERDÃO
Há algo muito importante a ser considerado neste salmo: o insaciável desejo do salmista de ser restaurado. Há pessoas que se sentem tão sujas e insignificantes que não percebem que o Pai está de braços abertos a perdoar-lhes. Elas se imaginam incapazes de receber perdão. O adultério é um atentado contra a família, que foi instituída por Deus, e o homicídio é um atentado contra a vida. Davi carregava sobre os seus ombros o peso insuportável desses erros. A sua consciência o acusava, dia e noite, e o seu coração estava profundamente angustiado. O que fazer nessas horas? Como agir diante do peso da culpa? O salmista nos ensina, na prática.
Observe, o verso um do Salmo 51: Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Após ter confessado os seus pecados ao Senhor, ele se humilha e suplica o perdão de Deus. Ele não fez como faria mais tarde Judas Iscariotes, que, após ter traído o Mestre, fora enforcar-se. Nem fez como Pedro, que, após ter negado Jesus, decidiu fugir e voltar à pesca. Davi agiu diferentemente desses personagens. Ele não procurou outra saída, a não ser o perdão divino. Não fugiu, mas decidiu correr para os braços amorosos de Deus. É assim que devemos agir! Não podemos permitir que o pecado nos impulsione a fugir da presença de Deus. Por que Davi pediu o perdão? Por que não se escondeu por trás da hipocrisia? Pelo fato de ter em mente duas certezas imprescindíveis. A primeira certeza era a de que ele podia ser perdoado. Davi sabia em quem tinha crido. Ele conhecia a Deus e confiava nas suas misericórdias. Não foi à toa que, para ser perdoado por Deus, fez questão de implorar pela multidão das misericórdias do Senhor (v.1). O seu pecado o abalou, mas não o impediu de enxergar, “corretamente, a dimensão do amor divino. Esse amor é sempre maior do que qualquer falha humana”. [4] A segunda certeza do salmista consistia no fato de que Deus pode perdoar qualquer pecado. Apaga as minhas transgressões, era a sua súplica. Ele certamente se via incapaz de apagar os seus erros, mas via em Deus o único suficientemente capaz disso. Por isso, pedia: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo, lava-me e ficarei mais alvo que a neve (v.7). Naquela época, o Hissopo, um arbusto com hastes cheias de pelos, era usado pelos sacerdotes para aspergir sangue ou água sobre quem precisava de purificação cerimonial. Mas, hoje, nós somos purificados pela obra realizada por Jesus Cristo, na cruz (1 Jo 1:5-10; Hb 10:19-25) [5]. Amado irmão, amada irmã, como você tem agido, diante da culpa? Tem buscado refúgio na fuga, pensando não mais haver perdão para você, em razão de um grave pecado antes cometido? Não fuja. Não se precipite em se afastar de Deus. Corra para os braços dele. Suplique o seu perdão, porque ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1:9). Mas faça isso com fé. Creia que você será perdoado. Acredite: ele pode, sem sombra de dúvida, apagar, não um, mas todos os pecados que você tiver cometido. Portanto, não demore a clamar: “Purifica-me Senhor!”; “Lava-me completamente!”; “Afasta de mim as minhas transgressões!” Deus quer curar você com perdão. Ele quer perdoá-lo, porque o ama com amor sublime. Para ser curado, é necessário que o culpado suplique a Deus o perdão.
É NECESSÁRIO QUE O CULPADO BUSQUE EM DEUS O RECOMEÇO
Uma vez tendo confessado a Deus os pecados e suplicado a ele o perdão, o salmista foca-se em um propósito necessário: o recomeço. O seu passado pecaminoso maculou a sua integridade, mas, agora, o pensamento dele não mais se prende aos eventos vergonhosos do passado, mas se abre a novas oportunidades do futuro. Por isso, ele busca em Deus o recomeço. Para que isso fosse possível, era necessário que Deus atuasse diretamente em alguns aspectos da sua vida. Então, Davi faz ao Senhor alguns pedidos essenciais. Em primeiro lugar, ele pede um coração puro. No versículo 10, ele diz: Cria em mim, ó Deus, um coração puro. Ao pedir um coração puro, ele está suplicando por uma mudança em seu caráter. Ele não mais quer errar.
Nesse texto, a palavra hebraica traduzida por “criar” é o mesmo vocábulo usado na história da criação, no primeiro capítulo de Gênesis. Portanto, o salmista pede ao Senhor que lhe transforme em um novo homem. Ele tinha absoluta certeza de que Deus tinha o poder de tornar novas todas as coisas na sua vida. Em segundo lugar, Davi pede um espírito inabalável. Disse ele: ... renova dentro de mim um espírito inabalável (v.10). O salmista estava se referindo a ele próprio. Um espírito inabalável não vive na servidão do pecado, mas na liberdade proporcionada por Cristo. Um espírito assim está apto a resistir à tentação e vencer o pecado. Sem essa capacidade, é impossível o recomeço. No verso 11, ele pede, em terceiro lugar, para não ser expulso da presença de Deus. Disse ele: Não me repulses da tua presença. Com relação a ser expulso da presença de Deus, trata-se de “um termo formal usado para indicar a rejeição de Israel e a anulação do pacto relativo a eles” [6]. O salmista não quer ser rejeitado por Deus. Ele não quer conceber a possibilidade de que o pacto existente entre Deus e ele seja anulado. Davi quer comunhão com Deus de forma permanente, sem interrupção. É impossível recomeçarmos sem a intervenção divina em nossa história.
Por fim, em quarto lugar, ele pede de volta a alegria da salvação. Restitui-me a alegria da tua salvação foi o seu pedido, no verso 12. Davi quer paz com Deus, quer sentir-se liberto de qualquer culpa, quer sentir-se amado, perdoado e aceito na presença do Pai. Se você precisa de um recomeço, acredite: Deus poderá proporcioná-lo tamanha bênção. Ele é o único que pode lhe dar um novo coração, que seja puro. É o único que pode lhe dar um espírito inabalável. Por mais imperfeito que você seja, ele o aceitará, se o buscar com sinceridade de coração. Com ele, você sentirá, outra vez, a alegria da salvação. Há muitas pessoas doentes espiritualmente, sem perspectivas de um futuro melhor na presença de Deus. Prendem-se tanto ao passado culposo que se esquecem das seguintes palavras proferidas por Paulo: ... esquecendo- me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3:13-14).
Recomeçar é preciso. O culpado tem o direito, sim, de renovar com Deus a sua aliança. Esta é a sua vontade para nós: o recomeço. Quando pecamos e caímos, ele não nos joga para “escanteio”, como se não mais tivéssemos utilidade alguma. Pelo contrário, atém-se a esperar que busquemos nele a restauração. Deus “não tirou Davi de cena depois do seu pecado. Ele não escondeu Pedro, não rejeitou Abraão, não descartou Jonas. O Senhor não se envergonha de nós. Ele tem grandes planos para a nossa vida” [7]. É vontade dele que estes se realizem. Deus nos ajude, agora mesmo, a recomeçar! Para ser curado, é necessário que o culpado busque em Deus o recomeço.
É NECESSÁRIO QUE O CULPADO ESTABELEÇA COM DEUS UM COMPROMISSO
Após confessar o seu pecado, suplicar por perdão e buscar o recomeço, o salmista vai além. Ele se propõe, com muita seriedade, a fazer um voto diante de Deus. Voto é compromisso sério. O contrário disso, observou o sábio Salomão, é sacrifício de tolo. Por isso, aconselha, em Eclesiastes 5:4: ... quando você fizer algum voto a Deus, não se demore em cumprir o que prometeu, porque Deus não se agrada dos tolos. Cumpra sempre as promessas que faz a Deus (NBV). O salmista, portanto, é firme em seu compromisso com Deus. O que ele prometeu?
Veja, em sua Bíblia, o verso 13: Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti. Nesse texto, é possível observarmos quatro importantes aspectos a que o salmista se comprometera. O primeiro deles é a disposição do salmista em ajudar. Ele disse: ensinarei. Alguém poderia questionar: “Mas Davi não tem autoridade para isso, afinal, ele caiu em pecado”. No entanto, é exatamente por ter vivenciado toda aquela amarga situação que Davi tem autoridade para ensinar às demais pessoas. De todo aquele sofrimento, pensava ele, algo de positivo poderia ser extraído em benefício dos semelhantes. O segundo aspecto refere-se aos que precisam ser ajudados. Quem são estes? Os transgressores! Davi não era, por certo, o único a pecar gravemente contra o Senhor. Outras pessoas também se deixaram levar pelos prazeres da carne. Estes, portanto, são alvos da preocupação de Deus e do salmista.
Mas isso não é tudo. O terceiro aspecto refere-se ao meio correto de se prestar ajuda. Davi não tinha dúvida: Para ajudar pessoas nessas condições, só mesmo ensinando-lhes os caminhos do Senhor. Estes são perfeitos e podem ajudar na santificação de quem neles trafega. Por fim, o quarto aspecto apresentado no texto, refere-se ao propósito da ajuda. Davi enfatiza: ... os pecadores se converterão a ti. Deus quer conversão verdadeira de quem se achega a ele. Se não houver conversão do culpado, automaticamente, não haverá cura. Sobre isso, Cristo, séculos mais tarde, alertou uma mulher flagrada em adultério: Vai e não peques mais (Jo 8:11).
Você está disposto a estabelecer com Deus um compromisso? Pense seriamente no assunto. O pecador que, de fato, almeja receber de Deus a cura para a alma, precisa se comprometer com ele. Esse comprometimento não deve visar somente o benefício próprio, mas, também, o dos outros. Se você já passou por situações amargas, saiba que, delas, é possível extrair lições positivas para a vida espiritual de muita gente. Quem, como Davi, vivenciou momentos de dor provocados pelo sentimento de culpa, tem autoridade para ensinar como evitar decepções nesse sentido. Estabeleça com Deus o compromisso do ensino. Mostre aos culpados o caminho direito. A propósito, como bem escreveu o autor do Salmo 119:105: Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos. É possível ao culpado usufruir da cura, mas ele precisa se comprometer com o evangelho, pois este é o poder de Deus para a salvação daquele que crê (Rm 1:16). Deus quer nos curar, mas também quer nos usar como instrumentos de restauração dos que estão à nossa volta. Portanto, em comprometimento com Deus e sua palavra, lutemos em prol da conversão dos outros.
CONCLUSÃO
Deus pode curar o culpado. Sim, ele não só pode como também quer curá-lo. No salmo 51, deparamo-nos com um paradoxo gritante. De um lado, está um homem, pecador, em culpa por terríveis pecados cometidos e em busca de restauração. Do outro, está Deus, o qual é santo, disposto a restaurar.
É possível que você esteja vivenciando uma situação semelhante a que Davi vivenciou naquele momento conturbado de sua vida. Talvez não tenha praticado os mesmos pecados que ele cometeu, mas pode ter falhado em alguma outra área da vida. O que fazer para receber a cura de Deus? Confesse a ele os seus pecados. Faça isso o quanto antes. Suplique a Deus o perdão. Acredite: ele pode e quer perdoá-lo, por mais grave que seja a sua culpa. Busque nele o recomeço, pois Deus pode torná-lo uma nova criatura. Estabeleça com ele um compromisso.
Que o Senhor o cure, agora mesmo. Amém!

Bibliografia:
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. São André: Geográfica, 2008. Pág. 184 
2. AGUIAR, Marcelo. Salmos Vivos. Belo Horizonte: Betânia, 2010. Pág.75
3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. São André: Geográfica, 2008. Pág. 184
4. AGUIAR, Marcelo. Salmos Vivos. Belo Horizonte: Betânia, 2010. Pág. 76
5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. São André: Geográfica, 2008. Pág. 184 
6. CHAMPLIN, Russell N. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000, vol. 4. Pág.2217 
7. AGUIAR, Marcelo. Salmos Vivos. Belo Horizonte: Betânia, 2010. Pág. 79

FONTE: DEC - A Cura de Deus para a Alma - www.portaliap.com.br compartilhado no PCamaral

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