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A igreja de Cristo deve cantar com emoção, com espírito e também com entendimento

Cantai ao Senhor em ação de graças; entoai louvores ao som da harpa, ao nosso Deus. (Sl 147:7)
Desde o tempo do rei Davi, o canto congregacional sempre existiu de maneira expressiva nas celebrações do povo de Deus. Porém, na história da igreja cristã, ele quase se extinguiu, pois, por séculos, fora vedado aos cristãos. Com a Reforma, através de Martinho Lutero, o canto dos fiéis voltou com força total [1] e, até hoje, movimenta a igreja contemporânea, sendo que surgem, diariamente, inúmeros cantores e grupos de louvor lançando novos cânticos. Porém, o canto congregacional é mais do que consumo de produtos fonográficos: é a genuína expressão de adoração e louvor dos crentes em Jesus.
A música é um elemento importante no culto que celebramos ao Senhor. Através dela, expressamos nossa alegria e adoração a Deus. A Bíblia diz que, quando alguém estiver contente, deve cantar (Tg 5:13). É interessante notarmos a palavra grega usada por Tiago, que foi traduzida por alegria: Euthymeõ. Esta palavra não se refere a circunstâncias externas, mas à alegria de coração que se pode ter, tanto em tempos maus quanto em tempos bons. [2] Isso nos ensina que o louvor é ultracircunstancial: mesmo em tempos maus, podemos nos alegrar em Deus e cantar louvores ao seu nome. Vejamos o que mais a Bíblia tem a nos ensinar sobre o valor e os papéis da música cristã.
O valor da música cristã, segundo a Bíblia: Na Bíblia, a música tem um papel fundamental. As Escrituras estão repletas de textos que fazem alusão ao uso da música e do canto nos cultos e celebrações do povo de Deus. O rei Davi escolheu levitas e os separou por turnos para continuamente tocarem no templo (1 Cr 25); confeccionou novos instrumentos musicais (2 Cr 7:6) e compôs vários salmos para liturgia. Nessa época, mais de 100 pessoas executavam o serviço musical (1 Cr 23:5, 25:7; 2 Cr 5:12-13). O repertório cantado era o que está descrito no livro de Salmos, o hinário da Bíblia. Rico em poesia, sua música exalta um Deus soberano e poderoso, mas que, ao mesmo tempo, escuta o clamor de seus servos.  “O Novo Testamento ensina que um dos aspectos envolvidos na adoração é o ato de cantar, tanto em particular quanto em público”. [3] Algumas passagens do Novo Testamento podem ser reproduções de partes de hinos usados pela igreja primitiva (Ef 5:14; 1 Tm 3:16) e muitas doxologias [4] também colaboram com esse importante aspecto da adoração (cf. Rm 9:5; 11:33-36; 16:27; Fp 4:20; 1 Tm 6:16; 2 Tm 4:8). As doxologias louvam o caráter de Deus e suas obras com uma linguagem riquíssima.
A arte musical foi criada para louvar a Deus. Durante a criação, Deus trabalhava ao som dos anjos cantando: Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? (...) Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam? (Jó 38:4, 7). O canto esteve no início da criação e também estará no final da história, quando cantaremos, com todos os salvos e todos os anjos, o canto de Moisés: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos (Ap 15:3). Veja o quão importante é o louvor!
É importante entendermos também que o culto na Bíblia não é marcado apenas por uma forma musical. Pelo contrário, é aberto para a diversidade. A Bíblia menciona diferentes tipos de instrumentos (cordas, sopro e percussão); dinâmicas (sopro suave, altissonantes); apresentações musicais (solos, corais, duetos, congregação, etc.); locais de adoração (no templo, na casa, na prisão) e conteúdo teológico (ensino, exortação, louvor, etc.). Nosso canto pode ser ecoado em diversas horas do dia, com diversas posições do corpo (levantar as mãos, ajoelhar, em pé, etc.) e em diferentes situações emocionais (alegria, tristeza, etc.). Apesar dessa diversidade, às vezes, caímos no erro de termos um repertório baseado em nosso gosto musical.
Quantas canções e louvores, cujas letras estão cheias de clichês utilizados pela mídia evangélica, estão trazendo tanta confusão e pouca edificação para o culto! Quantas dessas canções possuem letras incompreensíveis, totalmente fora do contexto do culto? É necessário que nossa música seja compreendida por quem nos ouve, tanto culturalmente quanto teologicamente. A igreja de Cristo deve cantar com emoção, com espírito e também com entendimento (1 Co 14:15).
Quando cantamos com entendimento, reflexão e autenticidade, o nosso canto é um meio de comunicação pelo qual podemos nos conectar com Deus com familiaridade. É fundamental lembrarmos que esse canto não deve ser apenas expressão artística ou um espetáculo musical a ser admirado, pois a nossa qualidade musical deve brotar de um coração transbordante de devoção, verdade e sinceridade. Assim, o nosso coração deve estar sempre preparado para cantar e louvar a Deus (Sl 57:7), pois felizes são os que guardam os testemunhos do Senhor, e o buscam com todo o coração (Sl 119:2).
Os papéis da música cristã, segundo a Bíblia: Já é possível perceber o quanto a Bíblia valoriza o louvor a Deus. Quando nos reunirmos para adorar, devemos ter sempre isso em mente. Não podemos aceitar que o momento do louvor na igreja se transforme numa cantoria sem graça. A música cristã desenvolve alguns papéis interessantes durante o culto. Em primeiro lugar, promove adoração a Deus. Conforme já dissemos, a arte musical foi criada para louvar a Deus. A Bíblia ensina o povo de Deus a louvá-lo. Louvar é um mandamento: Louvai ao Senhor (Sl 117:1 cf. Rm 15:11). Nós existimos para o louvor e a glória de Deus. Através do canto, estamos adorando a Deus.
Em segundo lugar, a música cristã promove a comunhão no culto. O canto congregacional é coletivo, quando, numa só voz, nos unimos para adorar ao Pai. Daí a sua importância. É comovente ver, num mesmo lugar (igreja), pessoas de diferentes idades e culturas se unirem através do canto, sem conflitos. Em terceiro lugar, a música cristã tem, também, a nobre missão de anunciar a palavra de Deus. Em Cl 3:16-17, Paulo instrui a igreja a ensinar com salmos, hinos e cânticos espirituais. No culto, a música é extremamente eficaz para trazer um conteúdo bíblico e edificante. É por esse motivo que ela deve ser baseada unicamente na palavra de Deus e não em ideias humanas. Tudo o que cantamos precisa passar pelo crivo das Escrituras.
É fundamental analisarmos nossos cânticos, para que, em nossos cultos, o Senhor Jesus seja louvado com sabedoria por sua igreja. A Bíblia diz: Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração (Cl 3:16 ). “Louvor” e “palavra” andam juntos. “De acordo com Paulo, existe uma relação clara entre o conhecimento da Bíblia e a adoração em cânticos”. [5] A palavra de Cristo precede toda e qualquer prática, pois como cantaremos ou oraremos a um Deus cujo ensino ignoramos ou desprezamos? “Não há adoração genuína sem esses dois elementos combinados: a declaração das doutrinas que aprofundam nossas raízes na verdade bíblica, e depois a expressão de nossa fé na forma de melodia que flui de nossos lábios e do canto de nossas vozes”. [6]
A palavra de Cristo precede toda e qualquer prática, pois como cantaremos ou oraremos a um Deus cujo ensino ignoramos ou desprezamos?  Swindoll (1998:52).
Em quarto lugar, a música cristã deve motivar. Os cânticos devem nos impulsionar, nos motivar a adorar a Deus com energia e contentamento. Nem sempre isso acontece em nossos cultos. Muitas vezes, o desânimo de quem está liderando o louvor contagia a igreja, fazendo-a emudecer os lábios. É necessário que a igreja se sinta convocada, chamada à adoração, como faziam os salmistas em seu tempo (Sl 46:8, 66:5, 95:1,6). É importante que as primeiras canções dos cultos nos façam sentir entrando pelas portas da casa de Deus com gratidão, e em seus átrios com louvor; bendizendo o seu nome com alegria (Sl 100:4).
Em quinto lugar, a música cristã deve consolar. Nem sempre, em nossa liturgia, é momento propício para celebrar e motivar. Sempre chegarão aos nossos cultos pessoas feridas e que, por isso, mal conseguem dizer palavras de adoração a Deus. É nesse momento que entra o serviço terapêutico do louvor. Canções com letras bíblicas que trazem encorajamento e alento nos dias difíceis podem ser usadas pelo Espírito Santo como meio de cura, pois estas canções podem ficar nas mentes das pessoas por dias. O louvor a Deus é tão agradável que vem e sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas (Sl 147:1-3).
Em sexto lugar, a música cristã deve edificar. Uma das finalidades do culto é edificar a igreja de Cristo: Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação (1 Co 14:26). A música do culto deve se inserir neste contexto. Aliás, tem função-chave nesse contexto. Cânticos vazios, que não auxiliem no fortalecimento da igreja e que não trazem crescimento espiritual devem estar fora do nosso repertório. Não nos deixemos seduzir pela beleza das melodias e arranjos musicais a ponto de desprezarmos o conteúdo destes. “A música tem a força de nos puxar para fora do atoleiro (...) ela consegue dar um novo tom à nossa vida e assim nos capacitar a enfrentar o nosso dia-a-dia de cristãos com mais ânimo”. [7]
PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS
Reunidos, cantemos louvores a Deus de forma verdadeira. Quando nos reunimos para louvar a Deus e unimos nossas vozes e instrumentos, nosso canto ecoa nos céus como uma só voz. O som que mais agrada aos ouvidos de Deus não é apenas o resultante de nossa agilidade musical, mas da nossa sinceridade. A igreja que está dividida por contendas e dissensões, cujos líderes e músicos estão em conflito, jamais conseguirá cantar em plena comunhão com Deus. Neste caso, cantar “Eu sou um com você” é apenas uma expressão musical, sem veracidade.
Fomos chamados para vivenciar o evangelho e anunciá-lo em verdade. Não adianta cantarmos uma coisa e vivermos outra. Alguém já disse que o momento em que mais os crentes contam mentira é o do louvor. Cantamos a plenos pulmões, sem meditarmos naquilo que estamos cantando. Prometemos ao Senhor mais compromisso; dizemos que ele tem primazia em nossa vida, que nada pode nos afastar dele, que amamos os nossos irmãos de verdade, mas, em nosso dia a dia, não o fazemos. Não adianta balbuciar palavras destituídas de verdade. Por isso, cantemos ao Senhor, mas cantemos com o coração. Sejamos sinceros!
Alguém já disse que o momento em que mais os crentes contam mentira é o do louvor.
Reunidos, cantemos louvores a Deus de forma jubilosa. Fomos criados para o louvor da glória de Deus (Ef 1:11-12), e exaltá-lo é uma das atividades mais agradáveis que podemos exercer no culto. Quando exaltamos a Deus reconhecendo o seu caráter santo, nosso coração se enche de amor por ele. Quando cantamos ao Senhor com toda a força de nosso ser, expressando palavras e frases a respeito da transcendência de Deus – como majestoso, digno, rei, santo, etc. – declaramos nossa devoção, adoração e nossa dependência do Senhor.
Portanto, ao darmos a glória devida ao Senhor, contemplamos a beleza de sua santidade (Sl 29:2). Precisamos fazer isso de forma jubilosa; afinal, estamos diante do Rei dos reis e Senhor dos senhores. “O crente cheio do Espírito tem o coração repleto de música. A sua melodia é transmitida diretamente ao céu - ao vivo - onde a antena de Deus sempre é receptiva e a música suave de sua canção, sempre apreciada”. [8] Nossa exaltação a Deus deve ser contínua, através de atitudes compatíveis com a palavra e de lábios sempre prontos a louvá-lo com alegria, como nos ensina o Sl 71:8: Encha-se a minha boca do teu louvor e da tua glória todo o dia.
“O crente cheio do Espírito tem o coração repleto de música. A sua melodia é transmitida diretamente ao céu - ao vivo - onde a antena de Deus sempre é receptiva e a música suave de sua canção, sempre apreciada”. Swindoll (1998:54).
Reunidos, cantemos louvores a Deus de forma consciente. Conforme já afirmamos, o livro dos Salmos é conhecido como o “Livro dos louvores”. Esse importante livro bíblico é uma coletânea de hinos do povo israelita que chegou até nós. Nele, aprendemos que o louvor é uma expressão de agradecimento por tudo o que Deus é, faz, fez e fará. Leia, atentamente, o que alguns salmos dizem: ... vós que temeis o Senhor, louvai-o (22:23); louvai o nome do Senhor (113:1); Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom (135:3); Louvai ao Senhor, porque é bom e amável cantar louvores ao nosso Deus; fica-lhe bem o cântico de louvor (147:1); Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza (150:2).
O que esses versos nos ensinam sobre o louvor a Deus? Que deve ser consciente. Devemos cantar ao Senhor sabendo quem ele é. Não é um cantar por cantar. Não devemos adorar sem conhecimento (Jo 4:22). Através dos louvores, os feitos e o caráter do nosso Deus são engrandecidos. Por isso, o salmista faz questão de afirmar: ... todo ser que respira louve a Deus. Deus criou o homem para o louvor da sua glória; logo, merece ser louvado por toda a criação, independentemente das situações.
O louvor deve ser verdadeiro, contínuo e ultracircunstancial! Se assim for, com certeza, Deus se agradará.
CONCLUSÃO
O momento em que a igreja se reúne para cantar a Deus deve ser encarado com muita seriedade e devoção. Não existe som mais maravilhoso do que as vozes unidas, num só louvor, cantando ao Criador. A Bíblia compara este som com o de muitas águas (Ap 14:2). Portanto, quando estiver num culto, cante! Não tenha vergonha ou medo de soltar a sua voz. Cante com todo o coração e com entendimento. Assim, você agirá como a Palavra nos ensina: Louvai ao Senhor. Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos (Sl 149:1).


Bibliografia:
1. SCHALK, Carl F. Lutero e a Música: paradigmas de louvor. São Leopoldo: Sinodal, 2006.
2. MOO, Douglas J. Tiago: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova,1990. pág.174.
3. RYRIE, Charles Caldwell. Teologia Básica. São Paulo: Mundo Cristão, 2004. pág.499
4. “Doxologia”, do grego doxa (glória) + logos (palavra), significa, literalmente, “palavra de glória”. É uma fórmula de louvor e glorificação que frequentemente aparece nas Escrituras.
5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. pág.183
6. SWINDOLL, Charles R. Davi: Um homem segundo o coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão,1998. pág.52
7. DOUGLAS, J. D. O novo dicionário da Bíblia. Vol. 1. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. 1962. pág.63
8. SWINDOLL, Charles R. Davi: Um homem segundo o coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1998. pág.54

DEC - PCamaral

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