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Quando o Povo de Deus se Reúne para dar Graças!

Vamos comparecer diante dele com ações de graças, cantando alegres hinos de louvor. (Sl 95:2)

Tão importante quanto o ato de adorar é saber como adorar. O culto espiritual é, sem dúvida, racional. É por isso que, na Bíblia, encontramos vários textos que ensinam a maneira como devemos comparecer diante do Senhor (Sl 95:1,2; 138:2; Ec 5:1-4; Mt 2:11; Jo 4:23). O culto a Deus é composto de vários itens importantes, que não devem ser ignorados, e gratidão é um deles. Num mundo tão egoísta, essa prática, muitas vezes, parece ultrapassada. Mas é essa atitude que devemos adotar no culto a Deus. Vejamos o que a Bíblia diz.
A expressão “ações de graças” é forte no livro de Salmos. É possível se deparar com ela em diversos textos do livro (Sl 50:14,23; 56:12; 69:3;95:2). É importante que se diga que, em alguns casos, ela está vinculada especificamente ao culto. Isso se mostra evidente quando o salmista utiliza os termos “suas portas”, “átrios”, “diante dele” e “assembléia”, fazendo menção do lugar de adoração (Sl 95:2; 100:4; 111:1). Mas a expressão de gratidão também é encontrada em alguns textos do Novo Testamento, principalmente, nas cartas paulinas (1 Co 10:30; Fp 4:6; Cl 4:2). A Bíblia nos mostra a ordem dada por Deus, o conceito, o destinatário, o motivo, o tempo, e o modo da gratidão.
Dai graças: A gratidão é parte fundamental no exercício da adoração. Por isso, a Bíblia enfatiza, por diversas vezes, o dever de sua prática. Nas epístolas de Paulo, “a palavra gratidão e correlatas aparecem mais de 40 vezes, e, em uma dessas referências, nós lemos: ‘Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, para convosco’ (1Ts 5:18)” [1]. Nesse texto, a expressão dai graças é um mandamento, reforçado pela expressão: “esta é a vontade de Deus”. Não é à toa que Paulo coloca a gratidão em igualdade com outros aspectos essenciais do culto cristão: ... exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens (1 Tm 2:1).
A gratidão a Deus é um dever a nós atribuído pelas Escrituras. A vontade dele, como vimos, é que nos reunamos para render graças ao seu nome, mas a verdade é que muitas pessoas ignoram isso no culto. Desse modo, a adoração torna-se incompleta e sem propósito adequado. Portanto, a proposta bíblica, para nós, é: Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Isso quer dizer que “todo cristão tem o dever de ser grato a Deus pelo favor que Dele recebeu” [2]. Somos convocados a render graças ao Senhor em todo o tempo e circunstância (Sl 95:2).
O que isso significa? Além de atentarmos para o mandamento da gratidão, é necessário, também, entendermos a sua definição. Para melhor compreendermos o seu sentido, consideremos a expressão “ações de graças”, que é utilizada com frequência no Antigo e Novo Testamentos (1 Cr 25:3; Ne 12:46; Sl 50:14; Fp 4:6; 1 Ts 3:9).
A expressão ações de graças é um ato de piedade ou devoção com que se agradecem benefícios recebidos; reconhecimento [3]. É regozijo e celebração na presença do Deus que é, essencialmente, bom.
Tendo em vista a definição apresentada, é perceptível que, no culto, o nosso proceder deve focar-se além da petição. Não é errado pedirmos aquilo que nos convém ou que beneficie a outrem. Porém, não podemos deixar de reconhecer as obras de Deus, a pureza do seu caráter e a sua bondade. Ações de graças tem muito haver com a recapitulação das bênçãos recebidas. Quem é grato a Deus não atribui essas bênçãos ao próprio esforço, sabe que é completamente indigno delas e reconhece que são grandes e variadas [4]. É possível que o salmista tivesse isso em mente, quando afirmou: Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios (Sl 103:2).
A quem dar graças: O apóstolo Paulo afirma que a gratidão deve ser destinada a Deus Pai (Ef 5:20). Essa afirmação tem muito sentido. Deus é ciente da ingratidão humana. Veja o que o apóstolo escreveu aos romanos: porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças (Rm 1:21). Em diversas situações, as pessoas não agradecem ou, simplesmente, prestam gratidão ao destinatário errado, ou seja, ao instrumento da bênção e não ao abençoador, mesmo diante da clara manifestação dos atributos, da divindade e do eterno poder de Deus, através das coisas criadas (Rm 1:20).
Aqueles que têm um coração agradecido não têm dificuldade de enxergar, em Deus, um ser digno de receber ações de graças. Deus é digno, isto é, ele merece nossa gratidão! É graças a ele que, hoje, perdoados, temos livre acesso à sua presença, alcançamos misericórdia, graça e somos ajudados em tempo oportuno (Hb 4:16). Todos os povos, sem exceções, devem gratidão a ele. Isso inclui também os homens mais poderosos da terra (Sl 138:4). Por isso, o autor de 1 Crônicas declara com entusiasmo: Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos (1 Cr 16:8).
Por qual motivo? Após analisarmos a ordem, o conceito e o destinatário da gratidão, vejamos o ensino da Bíblia sobre o motivo da mesma: dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai (Ef 5:20a). Esse mandamento bíblico é formidável! Ele põe a baixo toda sorte de murmuração. O ensino bíblico é que sejamos gratos a Deus por todas as coisas no culto e fora deste. Isso inclui todas as bênçãos físicas e espirituais, as bênçãos do passado, do presente e até mesmo as futuras. Mas também diz respeito às aflições. Paulo era grato por suas cadeias (Fp 1:12-14). A lógica disso consiste em que ... todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).
É importante atentarmos, porém, para o fato de que a expressão “por tudo” não deve ser interpretada tão ao pé da letra. Não podemos dar graças pelo mal moral, por exemplo. O marido não deve louvar a Deus pelo adultério da esposa, e vice-versa; a esposa não deve agradecer a Deus pela embriaguez do marido, nem pelo vício em drogas no qual o filho se meteu. Dar graças pelo mal moral é insensatez e blasfêmia [5]. É necessário enfatizarmos, ainda, que a nossa gratidão a Deus deve ser motivada não somente por aquilo que ele faz por nós, mas, principalmente, pelo que é para nós (1 Cr 16:34; Sl 118:28).
Quando dar graças: Vejamos novamente a primeira parte do texto de Efésios 5:20: ... dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai. Não há limite de tempo para se render ações de graças a Deus. Essa prática deve ser constante, antes, no decorrer e depois do culto. Devemos dar graças sempre, porque os olhos bondosos do Pai estão sobre nós o tempo todo. As misericórdias dele jamais cessam de jorrar sobre a nossa vida (3:22). A nossa gratidão deve ser expressa em três momentos. Em primeiro lugar, antes da luta. Esta foi a ordem do rei Josafá ao povo, antes de travar uma grande batalha contra os filhos de Amom e de Moabe (2 Cr 20:21). A época de paz e bonança é, também, o tempo de render graças a Deus.
Em segundo lugar, a gratidão deve ser manifestada durante a angústia. Foi o que fez Jonas, quando esteve no ventre do peixe: Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; (...) eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento (Jn 2:2,9). Isso vale para nós também. Por fim, em terceiro lugar, a gratidão deve ser expressa depois da bênção recebida. Após a travessia do Mar Vermelho, Moisés e os filhos de Israel reconheceram as obras grandiosas de Deus. Os primeiros 22 versículos do capítulo 15 de Êxodo dedicam-se a mostrar isso. Do mesmo modo, o escritor do Salmo 116 mostra-se grato a Deus pela oração respondida e pelo livramento recebido. Após a vitória, não podemos esquecer-nos daquele que a ela nos conduziu.
Como dar graças: A Bíblia, que é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (2 Tm 3:16), mostra-nos como devemos dar graças: ... em nome de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 5:20). As expressões traduzidas por “em nome”, podem ter o sentido de autoridade, poder, reconhecimento ou confissão, identificação [6]. A ideia do texto é que, estando nós sob a autoridade de Cristo, que é o nosso mediador (1 Tm 2:5), somos dependentes dele para que não somente as nossas orações, mas, também, as nossas ações de graças cheguem ao Pai. Cristo é o nosso único acesso a ele.
A autoridade não está especificamente no nome, mas na pessoa de Jesus (Mt 28:18). Foi ele quem conquistou todas as bênçãos para nós. Jesus constituiu-se o nosso sumo sacerdote, no qual é impossível encontrarmos qualquer falha (Hb 7:26). Ele está à direita de Deus e também intercede por nós (Rm 8:34). Purifica as nossas petições e ações de graças e as apresenta, por intermédio da sua intercessão, diante da face do Pai [7]. As bênçãos que chegam até nós vêm por intermédio dele. Assim como é através de Cristo que somos abençoados, é por meio dele que o Pai recebe nossas ações de graças.
PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS
Reunidos para adorar, agradeçamos a Deus com contentamento.
Há um ditado popular que diz: “Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”. Quem pensa assim, entende o sentido da palavra contentamento. Paulo se contentava com as coisas simples da vida: Tendo sustento e com que nos vestir estejamos contentes (1 Tm 6:8). Esse conceito de contentamento parece estar cada vez mais em falta na atualidade. Muitas pessoas, por mais que sejam abençoadas por Deus, de muitas maneiras, não se contentam com o bem que recebem. Sempre estão insatisfeitas com as bênçãos de Deus e com o Deus da bênção. Infelizmente, é possível observarmos semblantes fechados no culto por falta de contentamento. Tais pessoas vivem em torno do lucro, e todo lucro, para elas, é pouco. Mas o conceito que Paulo tinha de lucro era diferente. Disse ele: De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento (1 Tm 6:6). No culto, é necessário que tenhamos essa consciência. Rendamos graças ao Senhor, mesmo que não possuamos o que há de melhor no mundo, isto é, o carro do ano, a casa dos sonhos, ou “aquele emprego”. Reconheçamos que Deus, por sua generosidade, já nos deu o suficiente para vivermos contentes em toda e qualquer situação (Fp 4:11).
Reunidos para adorar, agradeçamos a Deus com humildade.
Diante das muitas bênçãos que adquirimos de Deus, corremos o grave risco de imaginar que possuímos algum mérito. Para não caírem nesse erro, os israelitas foram alertados: ... te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas (Dt 8:18a). Além de nos dar forças para alcançarmos os nossos objetivos, Deus nos concede a riqueza mais preciosa: a vida. Ele mesmo a sustenta, pois as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim (Lm 3:22). Quando nos reunirmos para adorar, prostremo-nos diante de Deus com humildade, reconhecendo que tudo o que recebemos não é mérito nosso, mas dele. Deixemos claro, em nosso ato de gratidão, que a glória pela nossa vida, pela salvação, pela libertação, pela cura e por toda sorte de bênçãos pertence somente ao Senhor. O salmista aconselha-nos: Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! (Sl 107:8 – grifo nosso). Quem é bom? O Senhor somente. Quem é misericordioso todos os dias? O Senhor somente. A ele, toda a glória e ação de graças!
Reunidos para adorar, agradeçamos a Deus com discernimento.
Hesitamos, muitas vezes, em agradecer a Deus por causa dos variados problemas que nos sobrevêm. Preferimos agradecer-lhe somente por aquilo que consideramos positivo, mas não lhe agradecemos pelas coisas negativas. O que a Bíblia nos ensina? A expressar gratidão com discernimento. O mesmo apóstolo que nos aconselha a agradecer a Deus em tudo (1 Ts 5:18) nos adverte a agradecer lhe por tudo (Ef 5:20). Em vez de murmurar diante das aflições, tenhamos discernimento para aceitarmos o fato de que Deus, por sua soberania, pode usar as situações adversas para um fim benéfico. Agradeçamos ao Senhor por tudo e em tudo. Como abordamos anteriormente, não devemos agradecer por tudo ao pé da letra, como, por exemplo, no que concerne ao mal moral. E por que não? Porque o “mal é uma abominação ao Senhor, e não podemos louvá-lo ou dar-lhe graças por aquilo que ele abomina” [8]. Todavia, devemos agradecer a Deus por algumas situações que possam até parecer negativas, mas que serviram para que Deus nos moldasse e nos desse o crescimento espiritual de que precisávamos para o servirmos melhor. Rendamos-lhe graças de maneira sábia!
CONCLUSÃO
Reunidos diante de Deus, é nosso dever adorá-lo com ações de graças. Ele merece! Foi ele quem nos amou de tal maneira a ponto de entregar o seu único filho para que, através da morte deste, tivéssemos vida (Jo 3:16). Como não nos deleitarmos em sua presença com gratidão, diante de tamanha prova de amor? Portanto, quando estivermos na casa de Deus, não nos apressemos em murmurar, mas em agradecer-lhe com contentamento, aceitando com amor aquilo que Deus nos deu; com humildade, reconhecendo as nossas limitações e com discernimento, aceitando os propósitos divinos.

Bibliografia:

1. BASTOS, Walter. Teologia bíblica da oração. São Paulo: Naós, 2009. pág.74
2. BASTOS, Walter. Teologia bíblica da oração. São Paulo: Naós, 2009. pág.73 
3. BASTOS, Walter. Teologia bíblica da oração. São Paulo: Naós, 2009. pág.72-73
4. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: 1 e 2 Tm e Tt. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. pág.287 
6. VINE, E. W (et alli). Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento.
10 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. pág.820
7. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: 1 e 2 Tm e Tt. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. pág.289 
8. STOTT, John. A mensagem de Efésios. 2 ed. São Paulo: ABU, 2007. pág.155


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