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Um Convite Para Adorar a Deus


O significado da adoração prestada ao Deus da Bíblia. Diante de tantas invenções e inovações no meio evangélico com relação ao culto, precisamos tomar cuidado para não perdermos a trilha bíblica da verdadeira adoração. Que possamos abrir as Escrituras e permitir que elas nos ensinem a prestar o culto que Deus espera de nós.

Se for nosso desejo conhecer o que a Bíblia ensina sobre a adoração, é importante iniciarmos pelo Livro dos Salmos, até porque um dos propósitos desse livro era exatamente ensinar o povo de Deus a adorar. Entre os salmos que tratam da teologia do culto, o Salmo 95 se destaca. Nele, encontramos um magnífico convite à adoração. O adorador é convidado a vir à presença do Todo-Poderoso e cultuá-lo com alegria. Nesse salmo, aprendemos alguns conceitos que mostram as atitudes que devemos ter, quando estamos adorando no culto coletivo.

Venham todos, e louvemos a Deus, o Senhor! Cantemos com alegria à rocha que nos salva (Sl 95:1 - NTLH).

Adoração é celebração!

Celebrar é o mesmo que festejar, aclamar ou comemorar algo em comunidade. O culto bíblico deve ser encarado como uma festa espiritual, em que Deus, o nosso Criador e Salvador, é homenageado. É isso que nos sugere este salmo. Somos convidados para uma aproximação festiva e jubilosa. O salmista começa dizendo: Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação (Sl 95:1). Dois verbos se destacam aqui: “cantemos” e “celebremos”. O verbo traduzido por “cantemos” (hb. ranan), no original, significa, literalmente, “gritar de alegria” ou “dar um grito retumbante”. O verbo traduzido por “celebremos” (hb. ruwa) tem uma ideia semelhante, significa “gritar de triunfo”. [1] Pode até parecer estranho, mas esse salmo está nos estimulando a “gritar de alegria” em adoração ao nosso Deus. Existem cristãos que gritam quando seu time de futebol marca um gol, mas se calam diante do Rei da Glória. Acanham-se em aclamá-lo e glorificá-lo. Estão errados! Esse grande Rei espera que seus súditos fiquem eufóricos diante dele.

Vale dizer que o Salmo 95 não está nos incentivando a ficarmos gritando feito insanos, pois não faz referência a uma euforia vazia ou a ruídos sem sentido e emitidos ao acaso. Refere-se, acima de tudo, à atitude de celebração que devemos ter no culto ao Deus vivo. Veja o versículo 2: Apresentemo-nos ante a sua face com louvores e celebremo-lo com salmos. A ideia, aqui, é que devemos direcionar toda a nossa alegria para um louvor inteligente e harmônico. Vamos chegar diante dele com os corações cheios de gratidão! Vamos louvar ao Senhor com salmos festivos! (BV).

Há uma imensa razão para tanta alegria na adoração. [2] Diz o salmista: Porque o Senhor é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses. Nas suas mãos estão as profundezas da terra (...). Dele é o mar, pois ele o fez; obra de suas mãos, os continentes (Sl 95:3-5). Quando adoramos, não estamos diante de uma criatura ou de um ser qualquer, mas diante do ser mais magnífico e poderoso. É privilégio pertencer a ele e poder aproximar-nos dele. É impossível ficarmos indiferentes e impassíveis diante de tão preciosas verdades. O culto a esse Deus deve ser marcado pela alegria dos adoradores. A adoração bíblica é sempre uma celebração.

Adoração é reverência!

Quando enfatizamos demais a alegria e o entusiasmo no culto, podemos nos perder nesse caminho e nos tornar adoradores sentimentalistas, que se reúnem apenas para buscar experiências, emoções e arrepios. Corremos também o risco de nos tornar semelhantes aos cristãos de Corinto, que prestavam o culto sem o devido zelo ou cuidado. Por isso, no salmo 95, aprendemos que, além de nos apresentar diante do Senhor com a atitude de celebração, devemos também adorá-lo com a atitude de reverência. Na adoração correta, deve haver um equilíbrio entre essas duas atitudes. Celebremos com reverência!

O salmista diz: Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou (Sl 95:6). O verbo hebraico traduzido aqui por “adoremos” é Shahah. Sabe qual é o seu sentido original? Inclinar-se ou prostrar-se. Adoração, além de ser “celebração”, é também “prostração”. [3] Esse verbo é seguido por outros dois que transmitem o mesmo conceito sobre a adoração: prostremos (hb. kara) e ajoelhemos (hb. barak). É de maneira reverente que você deve se aproximar de seu Criador e Sustentador e se curvar em submissão à vontade dele.

Desse modo, adorar é reverenciar a Deus. É prostrar-se não apenas de joelhos, mas de coração, diante do Pai, em expressão de nossa gratidão e amor a ele. E o poeta assinala o motivo para prostrar-nos: Ele é o nosso Deus, e nós somos o seu povo. Somos suas ovelhas, e ele é o nosso Pastor (Sl 95:7 – BV). A nossa atitude reverente na adoração é fruto da compreensão que temos de nós mesmos, e, especialmente, da compreensão que temos a respeito de Deus. Quando descobrimos quem, de fato, ele é e quem nós somos, nós nos enchemos de humildade, temor e tremor. Quem ele é e quem nós somos? Ele é Deus infinito e ilimitado, e nós somos humanos mortais e cheios de limitações; ele é o Supremo Criador e nós, suas criaturas; ele é o Rei Todo-Poderoso e nós, seus servos; ele é Oleiro e nós, os vasos em suas mãos; ele é extremamente Santo e nós, inteiramente pecadores. Ele é tão grande e nós somos tão pequenos! Mas, apesar de toda a sua grandeza, Deus nos ama e se importa conosco. Esse é o maior motivo de nossa alegria! Contudo, não podemos nos aproximar de nosso Senhor de qualquer jeito; é preciso reverência na presença dele.

Adoração é fidelidade!

Voltemos para o Salmo: veja, agora, a última parte versículo 7: Hoje, se ouvirdes a sua voz. Há algo bem interessante aqui: no hebraico o verbo traduzido por “ouvir” (“shama‘) não é simplesmente “escutar”, mas também “dar atenção” e “obedecer”. [4] Essa ideia fica bem clara na paráfrase da Bíblia Viva, em que se lê: Como seria bom se hoje mesmo vocês ouvissem e obedecessem ao Senhor! Aqui, o salmista nos apresenta um elevadíssimo conceito sobre adoração: Deus espera de nós muito mais do que aquilo que lhe oferecemos na hora do culto no templo. Ele quer que sejamos fiéis e obedientes. Quer que adoremos com fidelidade!

Assim, adoração é um estilo de vida, ou seja, nossa vida deve ser um constante culto a Deus. De nada adianta você celebrar alegremente com os irmãos e ser reverente a Deus, no momento da oração, se, após o culto no templo, você voltar para casa e tudo continuar como estava antes: sem transformação de vida, sem santidade e sem obediência. Para Deus, o obedecer é melhor do que o sacrificar (1 Sm 15:22). Cante, sim, louvores alegres. Faça orações reverentes. Mas, se quiser realmente alegrar o coração de seu Pai, obedeça-lhe. Responda positivamente à palavra pregada no culto! Quando se ouve a bênção apostólica no templo, na realidade, o culto não acabou. Está apenas começando!

O culto precisa continuar em sua casa, em seu trabalho, em sua faculdade, por onde você for e em tudo que você fizer. Essa é a adoração que Deus espera! E isso é tão sério que o versículo 7 é seguido por uma mensagem de alerta. Observando atentamente as palavras que se seguem, logo se percebe que o tom do poema muda e que não é mais o salmista que está falando, mas é o próprio Deus: Não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá (Sl 95:8) Esses lugares, Meribá e Massá, dizem respeito a situações em que o povo de Israel se rebelou contra Deus no deserto (Êx 17, Nm 20). Ali eles me puseram à prova e me desafiaram, embora tivessem visto o que eu havia feito por eles (Sl 95:9). O culto não fez diferença na vida dessa gente.

Os israelitas ouviram a voz de Deus, viram os seus milagres e, ainda assim, continuaram rebeldes. Devemos ser diferentes! Não basta glorificar e expressar nossa alegria cantando louvores. Nem basta nos ajoelhar em reverência e adoração ao Senhor. Essas atitudes devem ser seguidas por uma obediência fiel a Deus e à sua palavra anunciada no culto.

Aplicando a Palavra de Deus à nossa vida

Sejamos adoradores que expressem alegria no culto.

A alegria é uma das marcas mais significativas na adoração coletiva. De fato, culto sem alegria é muito estranho. [5] Por isso, o salmista nos exorta: Prestem culto ao Senhor com alegria (Sl 110:2). O simples fato de ir à igreja cultuar já é motivo de alegria: Alegrei-me com os que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122:1). E, diante do Senhor, devemos cantar de alegria (Sl 96:12) e com alegria (Sl 95:1). É preciso entoar cânticos de alegria (Sl 98:4) ou cânticos alegres (Sl 100:2). O próprio Davi nos adverte: Alegrem-se no Senhor e exultem (...). Cantem de alegria! (Sl 32:11). Qual é o ensino do parágrafo anterior? Não basta estar alegre diante do Senhor. É preciso externar e expressar essa alegria com muito entusiasmo! Na presença de tudo que Deus é, e tudo o que ele fez por nós; é inaceitável oferecermos a ele um culto frígido e desanimado. Devemos louvar e adorar o nosso Deus com todo entusiasmo. O culto cristão não pode jamais parecer um velório, porque o nosso Senhor não está morto. Ele vive e reina para sempre! Portanto, quando você for prestar culto cante e ore com bastante ânimo e fervor. Alce sua voz com euforia para aclamar e glorificar àquele que é digno.


Sejamos adoradores que demonstrem temor no culto.

Todos nós precisamos ter consciência do que é o culto. Devemos saber que o ser adorado é o Criador do céu e da terra. É o Rei de toda a glória. O Todo-Poderoso que é infinito, glorioso, amoroso e santo, muito santo. É também fundamental saber que nós somos impuros e pecadores indesculpáveis, que, portanto, somos indignos de estar perante o Senhor, cultuando-o. Todavia, por meio de Jesus Cristo, e somente, por meio dele, podemos oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus (1 Pd 2:5), porque é o sangue de Jesus que nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1:7). Nosso coração deve encher-se de gratidão pelo privilégio de ser aceito por ele. Contudo, deve encher-se de humildade por causa de nossa indignidade. Jamais devemos nos considerar dignos diante dele. Meu irmão, por ser ele tão santo e tão magnífico, vá diante dele com temor e tremor. É preciso honrá-lo e respeitá-lo pelo que ele é e pelo que ele faz. Você não pode adorá-lo sem o devido zelo. É preciso que o culto seja feito com decência e ordem (1 Co 14:40). Seja um adorador que demonstre o apropriado respeito e temor perante o ser mais poderoso e magnífico do universo e fora deste.

Sejamos adoradores que mostrem dedicação no culto.

Diante do ensino do presente estudo é correto afirmarmos que a adoração não é apenas o levantar de mãos na hora de um culto, ou, ainda, o cantar ou tocar uma canção alegre no momento da celebração. É mais que isso! É um viver diário com atitudes santas diante de Deus. É por isso que o culto em comunidade só faz sentido quando, após a bênção apostólica, ele é continuado por meio de um culto pessoal que oferecemos ao Senhor dentro de nosso coração e, como já vimos, isso é feito através de nossa fidelidade e inteira dedicação a ele. Então, qual é lição prática? Você não pode ir diante do Senhor sem compromisso. Ele não aceita o culto de quem não o leva a sério. Quando temos compromisso com a palavra de Deus e somos cristãos dedicados e consagrados ao Senhor, a nossa vida passa a ser um constante culto a Deus. E quando nos reunimos para cultuar no templo, o nosso culto coletivo passa a ter sentido, pois será uma linda e clara expressão desse outro culto que já está acontecendo em nosso coração. Ao congregar, cantar, pregar e orar, não faça, simplesmente, por fazer. Faça com compromisso e dedicação. Este é o conselho de Paulo: Irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês (Rm 12:1-NVI).

Concluindo

Vimos, três magníficos conceitos relacionados à adoração bíblica: celebração, reverência e fidelidade. E, perante tal ensino, concluímos que devemos ser adoradores que, no culto, expressam alegria, demonstram temor e mostram dedicação. Que o Senhor nos dê graça para colocarmos em prática esse ensinamento.

Bibliografia:

1. HARRIS, R. Laird (et alli). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998. pág.1412).
2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. Pág.250).
3. KIDNER, Derek. Salmos 73-150: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981. pág.366).
4. HARRIS, R. Laird (et alli). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998. pág.1585).
5. CÉSAR, Elben M. Lenz. Práticas devocionais: exercícios de sobrevivência e plenitude espiritual. 4 ed. Viçosa: Ultimato, 2005. pág.206).

DEC
Pb Paulo Cesar Amaral

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