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Quando o Povo de Deus se Reúne para Ouvir a Palavra do Senhor


A pregação da palavra de Deus é fundamental no culto. Enquanto ela acontece, temos oportunidades ímpares de ouvir ou de expor a Bíblia Sagrada, que é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira correta de viver (2 Tm 3:16). Sendo assim, quando vamos à casa do Senhor para cultuá-lo, quais são as nossas expectativas e os nossos cuidados com relação a este momento tão significativo do nosso ajuntamento?

O Salmo 119, gigante entre os salmos, tem como ênfase principal a palavra de Deus. No verso 133a, o autor faz um pedido que deve ser o desejo de cada crente em Jesus: Firma os meus passos na tua palavra. O verbo “firma” tem o sentido de “estar fixo”. O desejo do salmista é ficar com os pés “fixos” na palavra. Quem anda assim, caminha seguro, de um modo digno do chamado que recebeu; não é dominado pelo pecado (v. 133b). Como podemos obter isso? Primeiramente, dando o devido valor à pregação da palavra. O púlpito de uma igreja precisa ser bem cuidado. Se, do púlpito, não sair alimento de verdade, as ovelhas ficarão raquíticas, e podem “fixar” os passos em caminhos perigosos.

Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniquidade alguma. (Sl 119:133)

A importância da palavra: A pregação da palavra é parte inegociável no culto a Deus. Não é porque a oração ou a música foram boas que ela pode ser dispensada. O mesmo Salmo 119, citado anteriormente, diz: A exposição das tuas palavras dá luz e dá entendimento aos símplices (v. 130). Esse verso traz uma mensagem sublime. Vamos por partes: atente para a palavra “exposição”. Ela é a tradução da palavra hebraica pêtáh, que significa, literalmente, “porta ou abertura”, e pode designar uma entrada. Então, o salmista compara a palavra de Deus com uma “porta”. A razão de ele fazer isso está nas casas do oriente: a maior porção da luz vinha das portas, visto que as janelas eram poucas e pequenas. [1]

A pregação da palavra é parte inegociável no culto a Deus

Agora, tente imaginar o salmista sentado em sua casa observando a luz entrar pela porta. Esse homem apaixonado pela beleza, pela harmonia, pela perfeição e pela praticidade das Escrituras não resistiu. Quando escreveu o Salmo 119, fez a comparação: a “abertura” das tuas palavras dá luz! A Bíblia é uma porta que, quando aberta, permite que a luz do Senhor passe através dela. Ela dá entendimento aos símplices, diz a parte “b” do verso. Os “símplices” são pessoas abertas à instrução. O interessante, aqui, é que a palavra hebraica traduzida por “símplice” vem de uma expressão que significa “porta aberta”. “Ela evoca a imagem de uma pessoa ingênua que não sabe quando fechar a mente contra o ensinamento falso e impuro”, [2] que não tem discernimento, que é influenciável. Mas, segundo esse texto, a exposição da palavra de Deus a torna entendida! Por isso, a exposição das Escrituras é muito importante.

Quando a Escritura, que é comparada a uma porta, se abre (isto é, quando é explicada), os símplices (os que estão com a “porta” da mente aberta a todo tipo de ensinamento), aprendem a fechar a porta para os falsos ensinos; ganham entendimento! A lei do Senhor (...) dá sabedoria aos símplices (Sl 19:7). Não foi sem razão que o apóstolo Paulo aconselhou Timóteo: Prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo (2 Tm 4:2). Não foi sem razão também que o apóstolo João proibiu que se recebessem, nas reuniões do povo Deus, os que traziam falsos ensinos (2 Jo 9-10), e elogiou os líderes que recebiam bem os que traziam a verdade (3 Jo 5-8). Que a verdadeira pregação sempre tenha espaço, quando nos reunirmos para adorar ao Senhor.

A Bíblia é uma porta que, quando aberta, permite que a luz do Senhor passe através dela.

O pregador da palavra:

 A exposição da palavra de Deus é extremamente valiosa. Por esta razão, aquele que a expõe, deve adotar, ao menos, três posturas em relação a ela. Essas posturas podiam ser vistas na vida de Esdras, homem que se dedicou ao ensino da palavra. Em primeiro lugar, ele estava disposto a conhecer a palavra. A Bíblia diz: Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor (Ed 7:10). Lembra do pedido do escritor do Salmo 119: Firma os meus passos na tua palavra (v. 133a)? Lembra que afirmamos que o verbo “firmar” tem o sentido de “estar fixo”? Pois bem, a palavra “disposto”, de Esdras 7:10, tem o mesmo sentido. Na verdade, no original, temos a mesma palavra, em ambos os textos.

Enquanto o salmista pediu para que o Senhor “fixasse” os seus passos na palavra, Esdras havia “fixado” o seu coração na palavra. Ele fixou o seu coração para “buscar” a lei do Senhor. A ideia da palavra “buscar” é “inquirir”, “procurar com cuidado”. Esdras era um estudioso da palavra de Deus. Ele a examinava cuidadosamente. Antes de ensinar a palavra de Deus, precisamos conhecê-la. Não podemos esquecer que expomos a palavra em nome do Senhor. Por isso, se não estudarmos com cuidado o que iremos ensinar, corremos o risco de dizer algo que Deus nunca disse ou ensinar algo que Deus nunca quis que ensinássemos como se fosse palavra dele. Talvez por isso Tiago tenha dito que aqueles que ensinam serão julgados com maior rigor (3:1).

Além de estar disposto a conhecer, em segundo lugar, Esdras estava disposto a cumprir a palavra (Ed 7:10b). Ele não era apenas um estudioso, mas um praticante das Escrituras. Estudava e vivia o que aprendia. Sua vida fazia jus ao seu conhecimento. Por último, em terceiro lugar, Esdras estava disposto a ensinar a palavra (Ed 7:10c).

“Esdras segue uma linha de coerência. Primeiro ele estuda a Palavra. Depois, ela a aplica à própria vida. Então, ele está apto para ensiná-la aos outros. Ele não retém a verdade de Deus apenas para si”. [3]

Mais do que nunca, precisamos de pregadores que conheçam, vivam e ensinem a palavra de Deus! Gente como Esdras, gente como o salmista, que amava intensamente a lei de Deus.

O preparo da pregação: 

Pesquisas feitas entre evangélicos mostram que, atualmente, há um interesse mínimo nos sermões. [4] Em contrapartida, ainda existem pessoas que viajam longas distâncias para ouvir um bom pregador. Então, precisamos concordar que ainda há interesse em “boas mensagens”, mas nem todas as mensagens que são pregadas, semana após semana, são realmente boas. Qual a razão? Na maioria dos casos, não foram preparadas adequadamente. O pregador até tinha uma boa intenção, mas só a boa intenção não é suficiente. Pregar a palavra de Deus é coisa séria! Não dá para usar a frase: “É o Espírito quem fala”, como desculpa para não se preparar a mensagem com seriedade, quando formos expor a palavra de Deus. A própria Bíblia nos ensina: ... o que ensina, esmere-se em fazê-lo (Rm 12:7). Gostaríamos de sugerir algumas dicas para a elaboração da pregação bíblica.

Primeira: Leve a sério a preparação do seu sermão. Estudar a mensagem meia hora antes de ir para igreja é inadmissível! “O Espírito nos ajuda na nossa fraqueza e não na nossa preguiça”. [5]

Segunda: Estude com dedicação o texto a ser exposto. Confira comentários, dicionários. Leia-o em diferentes versões bíblicas. Somente depois de tê-lo entendido corretamente, você estará pronto para pregá-lo. Lembre-se: não fomos chamados para pregar nossas ideias, mas a palavra de Deus; não fazemos a mensagem, apenas a transmitimos. A mensagem procede das Escrituras!

Terceira: Elabore uma introdução interessante. Todo discurso, formal ou não, tem começo, meio e fim. A pregação não é diferente. Use bem suas primeiras palavras. Esta é a parte do sermão em que as pessoas estão mais atentas.

Quarta: Organize sua mensagem. Um sermão organizado e bem ordenado é mais fácil de ser compreendido e praticado. Um sermão com conteúdo, mas sem ordem na apresentação, fica prejudicado na assimilação dos conceitos apresentados e na aceitação dos desafios propostos.

Quinta: Elabore divisões. Elas facilitam a memorização.

Sexta: Seja claro. Fale numa linguagem que as pessoas entendam.

Sétima: Use ilustrações e exemplos práticos e reais. Eles ajudam na fixação do conteúdo.

Oitava: Pregue de forma humilde, mas inspiradora! Demonstre que você crê no que prega!

Nona: Elabore uma conclusão clara, breve e desafiadora (esta tem sido a parte mais negligenciada na elaboração de um sermão).

Décima: Cuidado com o tempo. Não extrapole. Feliz o pregador cujo argumento tem um freio!

A participação do ouvinte: 

Como deve ser o comportamento e as atitudes da congregação, diante da mensagem? Sugiro que consideremos duas questões: Em primeiro lugar, o nosso desejo de receber a palavra. Quando nos reunimos para adorar, quais são as nossas aspirações, frente à palavra de Deus? Veja qual era a do salmista: Abro a minha boca e suspiro, pois anseio pelos teus mandamentos (119:131). O verbo “abrir”, deste verso, expressa o anseio de um animal faminto ou sedento. O salmista deseja ardentemente a palavra.

O apóstolo Pedro ordena: ... desejai ardentemente, como crianças recém nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação (1 Pd 2:2). É inadmissível um cristão que não deseje conhecer a verdade! “Desejai ardentemente!” é a ordem. Pense, sinceramente: Esse é o seu desejo? Você tem necessidade, anseio pela palavra? Deseja a verdade como um bebê deseja e depende do leite? Pois bem, esta é a primeira necessidade: o nosso desejo de receber a palavra. A segunda é: a nossa participação ao receber a palavra. É isto mesmo: a nossa participação. Porque desejo intensamente a palavra, enquanto o pregador a expõe, devo participar. Como? Prestando bastante atenção ao que está sendo lido (Ed 8:3). Além de prestar atenção, confira o que está sendo lido. Observe este texto: os de Bereia receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim (At 17:11). A Almeida Séc. 21 diz: [eles] se mostraram muito interessados ao receberem a palavra, examinando diariamente as Escrituras. “Examinar” tem o sentido de “fazer passar pelo crivo”, “investigar”, “analisar cuidadosamente”.

O termo grego traduzido por “examinando” era uma palavra forense usada para um juiz que conduzia uma investigação. Nós temos essa mesma disposição dos bereanos? Eis aí uma atitude que deveríamos imitar. Enquanto a palavra está sendo pregada, confira em sua Bíblia o que está sendo ministrado. Não vá apenas na empolgação do pregador. Adotemos esse nobre hábito! A Bíblia deve ser usada no culto.

Praticando a Palavra de Deus

1. A mensagem precisa ter conteúdo bíblico.

Em sua última carta, pouco tempo antes de sua morte, o apóstolo Paulo escreveu: Prega a palavra (2 Tm 4:2). A palavra “pregar”, nesse texto, é uma ordem. Diz respeito a uma proclamação diante de um público, significa, literalmente, “dar a conhecer oficial e publicamente um assunto de grande significação”. [6] O que deve ser proclamado, segundo este texto? A palavra. Não está escrito: “pregue sobre a palavra”. Nem: “Procure base na palavra”. Mas: Pregue a palavra. E a que “palavra” Paulo se refere? Não precisamos ir longe para responder. É só lermos os três versículos anteriores: Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça (2 Tm 3:16). Paulo está se referindo à Escritura! Ela deveria ser o conteúdo da pregação de Timóteo.

A palavra de Deus deve ser o conteúdo do nosso sermão! Não são nossas opiniões pessoais, não são nossas experiências; é a palavra que deve ser proclamada! Existem muitos pregadores que falam de tudo, menos da Escritura. O pregador não está livre para inventar a sua mensagem; ele é apenas um comunicador da palavra proferida por Deus, revelada nas Escrituras. Pregação sem a palavra de Deus é mero discurso vazio. Uma ilustração, um fato ou um acontecimento devem ser incidentais, e sempre devem ser usados para ilustrar ou introduzir uma verdade bíblica. Afinal, nossa tarefa é anunciar todo o propósito de Deus (At 20:27).

Pregação sem a palavra de Deus é mero discurso vazio

2. A mensagem precisa ter explicação clara.

Alguma vez você foi à igreja, ouviu a mensagem, e teve a impressão de estar saindo sem entender nada? Isso pode acontecer. Ao mesmo tempo em que existem pessoas que conseguem expor textos difíceis de forma clara, existem aquelas que são peritas em expor textos claros deixando-os difíceis. Precisamos tomar muito cuidado nesse sentido. A mensagem bíblica precisa ser entendida corretamente. Leia com atenção o seguinte texto bíblico: Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia (Ne 8:8). Estamos diante de uma exposição bíblica: leram no livro, na Lei de Deus. É bem possível que o Pentateuco, os cinco primeiros livros de nossas Bíblias, estivesse sendo lido. O texto diz que as palavras foram lidas e explicadas.

Desde o tempo em que o Pentateuco foi escrito, até essa ocasião em que estava sendo lido por Esdras, haviam se passado mil anos! Muita coisa muda em mil anos; daí, a necessidade de explicação. Séculos depois desse acontecimento, a tarefa dos pregadores e educadores cristãos é muito maior. Vivemos em cultura e língua diferentes. A Escritura precisa ser lida e explicada de modo claro! Esse é o nosso grande desafio, ao expormos a palavra de Deus. Por isso, aquele que expõe a palavra não pode comer o “pão da preguiça”. Obviamente, reconhecemos que o papel do Espírito Santo é decisivo no processo de interpretação das Escrituras (1 Co 2:13-15). Todavia, conforme já afirmamos, ele nos ajuda em nossa fraqueza, e não em nossa preguiça. A mensagem deve ser bíblica e explicada corretamente.

“Como se vive isso? O que eu tenho de fazer para viver o amor na prática? Qual o próximo passo?”.

3. A mensagem precisa ter aplicação prática.

Muitos sermões são bem interpretados, têm conteúdo bíblico, mas não saem das histórias de dois, três, quatro mil anos atrás, ou seja, as narrativas bíblicas não são aplicadas ao cotidiano de quem ouve a palavra. As pessoas ouvem e ficam sem saber exatamente que atitudes tomar. Voltemos ao texto de Esdras, citado no tópico anterior. Além da interpretação, houve também a aplicação da mensagem. Os que a ouviram, responderam. Possivelmente, os levitas, que estavam entre o povo, explicavam a lei (Ne 8:7) e também mostravam como ela deveria ser aplicada à vida diária. [7] Neemias, que era o governador, de igual forma, expôs o que o povo deveria fazer (Ne 8:9-10). Apresentou o próximo passo a ser dado. O que aconteceu depois?

Então, todo o povo saiu dali para comer, beber, para enviar algo aos que não haviam preparado nada para si e para comemorar com grande alegria, pois entenderam as palavras que haviam sido explicadas (v. 12). Quão fantástico será, quando, a cada culto, após ouvir os sermões, as pessoas saírem a praticar aquilo que ouviram. Para que isso aconteça, cada expositor da palavra deve dizer claramente àqueles que o ouvem que passo eles devem dar em seguida. Por exemplo: além de ensinar a necessidade de haver amor entre as pessoas, a mensagem deve responder: “Como se vive isso? O que eu tenho de fazer para viver o amor na prática? Qual o próximo passo?”. Quando não há aplicabilidade no sermão, ele termina ali mesmo, no templo, logo após ser ouvido.

Conclusão

Firma os meus passos na tua palavra! O pedido do salmista nunca foi tão necessário e tão urgente. A verdade das Escrituras é inegociável. Que o Senhor nos conceda sempre um amor apaixonado pela sua palavra. Que todas as igrejas sejam cada vez mais voltadas à palavra de Deus! Que haja um verdadeiro reavivamento nos púlpitos e nos bancos! Que cada um de nós deseje, de fato, ardentemente, como crianças recém-nascidas, o puro leite espiritual! Assim como foi nos dias de Esdras, que haja choro, quebrantamento e mudança de atitude, diante da exposição das Escrituras!
Amém!

Bibliografia

1. DAVIDSON, F. (Ed.). O Novo Comentário da Bíblia. Vol. 1, São Paulo: Edições Vida Nova, 1963. pág.606
2. MACARTHUR, John. Nossa suficiência em Cristo. 2 ed., São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007. pág.75
3. LOPES, Hernandes Dias. O melhor de Deus para sua vida. Vols. 1 e 2. Belo Horizonte: Betânia, 2004. pág.81
4. DOUGLASS, Klaus. Celebrando o amor de Deus: o despertar para um novo culto. Curitiba: Esperança, 2000. pág.139
5. DOUGLASS, Klaus. Celebrando o amor de Deus: o despertar para um novo culto. Curitiba: Esperança, 2000. pág.139
6. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: 1 e 2 Tm e Tt. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. pág.380
7. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. pág.658

Fonte:
Departamento de Educação Cristã
Paulo Cesar Amaral

2 comentários:

  1. Excelente texto. =)
    Um incentivo pra minha alma.
    A Cruz é o preço do meu perdão,
    Haja Hope

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  2. Haja Hope

    Amém! Que bom! Deus lhe abençoe muito minha irmã!

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