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Quando o Povo de Deus se Reúne para Rever suas Atitudes


Em artigo anterior, fizemos uma análise sobre o papel fundamental da palavra de Deus no culto. O texto de hoje está, intimamente ligado com a pregação da palavra. Quando a Escritura é pregada ou lida em nossas celebrações, é momento propício para considerarmos as nossas ações, para ver se a nossa maneira de agir, nesta ou naquela área, está ou não condizente com o ensino bíblico. O escritor do Salmo 119 meditou sobre a sua vida e chegou à conclusão de que deveria voltar-se na direção dos testemunhos divinos. É sobre essa saudável prática, necessária no nosso culto a Deus, que trataremos neste post.

Tenho pensado na minha maneira de agir e prometo seguir os teus ensinamentos. (Sl 119:59)

O tema principal do Salmo 119 é o uso prático da Palavra de Deus na vida daquele que teme ao Senhor. [1]

Novamente, a exemplo do texto Quando o Povo de deus se Reúne para Ouvir a Palavra do Senhor , analisaremos um trecho do Salmo 119. Apesar de não sabermos ao certo o nome do seu autor, sabemos que foi escrito por alguém que desejava intensamente compreender e viver a palavra de Deus. Seu respeito e admiração pelas Escrituras são dignos de serem imitados! “O tema principal do Salmo 119 é o uso prático da Palavra de Deus na vida daquele que teme ao Senhor”. [1] O autor nos mostra como podemos usar a Bíblia para lidar com as pressões e perseguições que sempre acompanham uma caminhada obediente na fé. Uma das práticas espirituais, citada por ele, nos versos 57-64, que são a base deste estudo, precisa fazer parte do nosso culto a Deus: é a prática da sondagem, da auto análise. Vejamos.

O crente deve firmar um compromisso verdadeiro com Deus: 

Em primeiro lugar, precisamos afirmar que toda auto análise, para nós, servos de Deus, só será bem sucedida e eficiente se estiver firmada num compromisso verdadeiro com Deus e com sua palavra. Se a nossa base não for a palavra de Deus, corremos o risco de mudar de atitude e ainda continuar no erro; sair de uma atitude errada para outra atitude errada. É na Bíblia que encontramos a vontade de Deus revelada, e o nosso grande objetivo como cristãos é fazer esta vontade. Então, para revermos as nossas atitudes que não condizem com a vontade de Deus e que precisam ser corrigidas, devemos nos basear na Escritura.

O autor do Salmo 119 tinha a palavra de Deus por base. Ele inicia o trecho do nosso estudo mostrando que tinha feito um compromisso com Deus e com sua palavra. Chama Deus de sua “porção” (v. 57a). A ideia desta palavra é de que o Senhor é a sua maior riqueza (NBV). E, justamente por isso, o salmista diz: ... prometo obedecer às tuas palavras (v. 57b). “Uma das promessas mais elogiosas e, ao mesmo tempo, mais arriscadas, é a de pôr em prática as palavras de Deus”. [2] O verbo “obedecer”, usado por ele, exprime a ideia de “atenção cuidadosa”. Lembre-se disto: toda revisão de atitudes deve ser pautada na palavra. Por isso, no culto, temos ótimas oportunidades para colocar esse exercício espiritual em prática, principalmente no momento da pregação.

Toda revisão de atitudes deve ser pautada na palavra

O crente deve ser coerente em seu pedido: 

Conforme já dissemos, o trecho do Salmo 119 que estamos estudando narra um momento em que o autor andou meditando sobre sua vida. Como vimos, ele começa mencionando a promessa que havia feito de obedecer à palavra de Deus. No verso 58, antes de narrar sua auto análise pessoal, ele faz um pedido urgente e necessário para quem vai praticar este exercício: Imploro de todo o coração a tua graça. A palavra traduzida por “graça”, aqui, significa, literalmente, no original, “rosto” ou “face”. O rosto identifica a pessoa e reflete a atitude e os sentimentos desta. Então, o verso 58 é a oração de um coração desejoso da presença de Deus. É um apelo que vem de alguém que está analisando os seus caminhos. De alguém que deseja mudar.

Na sequência do verso, ele diz: ... tem piedade de mim, ou, como traduz a Bíblia Viva: Mostre o seu cuidado e proteção por mim. O poeta vira-se para Deus, a fim de buscar dele sustento e graça. Quer que o Senhor lhe mostre compaixão. Seu pedido é por misericórdia e favor de Deus. É importante esse pedido, quando o assunto é rever atitudes. A razão para isso é simples: nem sempre temos a força necessária para mudar, quando detectamos as falhas. Precisamos da ajuda do alto! Por isso, o apelo do salmista deve ser o nosso apelo. Enquanto a mensagem é pregada, se as nossas atitudes não estiverem condizentes com a mesma, imploremos a presença, a misericórdia e o favor do Senhor! Se desejarmos sinceramente a mudança, a ajuda virá.

O crente precisa fazer uma reflexão saudável: 

Depois de pedir a ajuda do alto, na primeira parte do verso 59, o salmista descreve a sua prática pessoal, que, certamente, deve estar entre os exercícios de todo cristão. Um exercício que vale a pena, que nos auxilia em nossa sobrevivência espiritual, nos ajuda a continuar avançando no rumo certo. O salmista diz: Considerei os meus caminhos (v. 59a). “Considerar” é pensar, calcular, fazer juízo, contar, contabilizar. A ideia básica da palavra, nestes versos, é empregar a mente na atividade básica de pensar. Por isso, a NTLH traduziu o verso da seguinte forma: Tenho pensado na minha maneira de agir (NTLH).

O autor andou meditando em sua jornada, tendo em vista remediar, imediatamente, quaisquer defeitos. “Alguns intérpretes vêem neste versículo o arrependimento de um homem que se tinha desviado do caminho reto”. [3] Essa reflexão é extremamente saudável. De vez em quando, é preciso parar mesmo para refletir. Para trazer à lembrança os últimos passos. “Para localizar o passo falso, o equívoco, o desvio, a nascente da crise, o início da queda. Para esquadrinhar o comportamento desde então”. [4] Essa prática, às vezes, tão ignorada, deve fazer parte do nosso culto a Deus. Sempre que a palavra for anunciada, é tempo de rever atitudes! Não perca a oportunidade.

O crente precisa decidir inteligentemente: 

Quando ponderava sobre o sua vida, o salmista percebeu que os seus pés haviam se afastado do caminho. Veja o que ele mesmo disse: Quando paro para pensar sobre a minha vida, trato sempre de abandonar os meus caminhos errados para andar segundo a sua vontade revelada (v. 59). Depois do exame, ele decidiu trazer de volta os passos para o caminho correto. Daí a importância de pensarmos sobre nossa conduta. Depois de pensar, o poeta não quis mais andar errante.

A reflexão o fez mudar. Ele decidiu voltar, e o fez com rapidez. Não brincou com suas próprias convicções, nem procurou abafar nada. Observe o que ele disse, no verso seguinte: Apresso-me a obedecer aos teus mandamentos (v. 60). “Apressar” traz o sentido de “acelerar”. Nem sempre se deve acelerar ao máximo. Numa rodovia, por exemplo, existem limites de velocidade. Mas, no que diz respeito a voltar a guardar os mandamentos do Senhor, a mudar atitudes erradas, a velocidade deve ser total. E sem atrasos. O salmista também disse: ... não me detenho. Ele está realmente decidido a mudar. Essa sua decisão é muito inteligente. Não basta rever atitudes. Para que haja cura, as falhas encontradas devem ser consertadas. É preciso voltar às origens, ao padrão das Escrituras (Ap 2:5).
O crente deve ter todo o cuidado, pois existem armadilhas muito perigosas pelo caminho: Depois de refletirmos sobre as nossas atitudes e decidirmos mudar as que destoam da vontade de Deus, precisamos continuar vigilantes.

Ainda poderemos cair novamente, errar o passo. O risco continua real. As armadilhas continuarão. Se não estivermos firmes em nossa resolução de andar segundo a vontade de Deus, o perigo de um novo tombo é concreto. Atente para o que diz o verso 61 do Salmo 119: Embora os ímpios me enleiem com laços, não me esquecerei da tua lei. Na NTLH está escrito assim: Os maus armaram uma armadilha para me pegar, mas eu não me esqueço da tua lei.

Apesar de o salmista ter acabado de dizer que decidiu voltar com pressa a obedecer ao Senhor, ele reconhece que, neste caminho, enfrentará oposição. Ainda há “laços”, “armadilhas”. Seria muito bom, se pudéssemos ser rodeados apenas por pessoas boas, que nos amam, nos querem bem, amigos de verdade. Mas não há ninguém que tenha esse privilégio de ter somente este tipo de pessoa do seu lado. No Salmo 119, o autor faz questão de mostrar a presença dos adversários. Mas o salmista não permite que estes inimigos, com suas ciladas, alterem a sua conduta. Ele se apega a Deus e sua palavra. “Só aquele que age assim pode sobreviver neste mundo de inveja, ódio e violência”. [5]

O crente precisa se prevenir: 

Depois de repensar os caminhos, mudar, saber que as armadilhas ainda serão preparadas, o salmista começa a tratar de algumas atitudes preventivas que tomará para continuar no caminho certo. Essas atitudes podem ajudá-lo a se manter de pé. É sábio fortalecermo-nos em tempos de paz, para aguentarmos firmes, quando vier a luta. O salmista diz que irá fazer, pelo menos, duas coisas: Primeiro, vai manter uma comunhão viva com Deus. No verso 62, ele diz: À meia noite, me levantarei para te louvar pelos teus justos juízos. O coração do salmista transbordava de gratidão pelos juízos do Senhor. Ele o louvaria por eles! Não há como manter os nossos pés fincados no caminho certo, se não tivermos comunhão viva com o Senhor.

Em segundo lugar, o salmista tinha amigos e mostra que continuaria ao lado deles. Ele afirma ser amigo daqueles que eram tementes a Deus. Havia pessoas que compartilhavam de sua busca espiritual. Ele diz: ... sou companheiro dos que o temem (v. 63). A força da unidade é necessária para nos mantermos de pé. “Os que têm mente idêntica nos fortalecem, e nós os fortalecemos, e isso é parte importante do andar espiritual”. [6] O salmista escolheu andar com aqueles que andavam com o Senhor. Façamos isso também! No culto, podemos encontrar pessoas tementes a Deus. Que ele as use para nos ajudar a ficar firmes nos seus estatutos.

Praticando a Palavra de Deus

1. Devemos repensar nossas atitudes contrárias à Escritura, sem falsidade.

Você já fez o compromisso sério, diante de Deus, de obedecer as suas palavras (Sl 119:57), de ter a Bíblia como sua única regra de fé e de prática? Já se comprometeu a pautar sua conduta nos ensinos bíblicos? Se sim, então, enquanto a palavra for pregada no culto, se alguma atitude sua for confrontada, não tente se blindar, fingir que não é com você. Se há algo que a Bíblia reprova e que você anda aprovando, ou algo que a Bíblia aprova que você anda reprovando, mude! É tempo de revisão na sua maneira de agir! E não adianta mentir para você mesmo. Fale a verdade.

Não se engane e nem engane os outros a seu próprio respeito. Se você deseja uma auto análise eficiente, arranque a máscara. Não tente sustentar ser uma pessoa que você não é. Se a Escritura está mexendo com você, não fique tentando armar justificativas para validar o seu comportamento. Mude! Jesus disse a alguns escribas e fariseus: ... sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! (Mt 23:27). Quando nos reunirmos para adorar a Deus, não encubramos o nosso mau caráter, a nossa mentira. Só assim poderemos ser atendidos, perdoados, renovados e transformados por aquele que é grande em misericórdia.

Nessa hora, o mais importante não é o que os outros vão pensar, mas o que o Senhor vai pensar, se não tivermos coragem de reconhecer nosso erro.

2. Devemos reconhecer e deixar para trás nossas atitudes contrárias à Escritura, sem covardia.

O covarde é aquele que recua ante o perigo ou o medo. Em se tratando de rever atitudes, essa postura não pode estar presente. É preciso muita coragem para se admitir os próprios erros. Desde o primeiro pecado, nós, seres humanos, temos uma dificuldade natural de admitir as nossas falhas. Temos facilidade para culpar os outros (cf. Gn 3:12), para camuflar o erro e continuar vivendo a vida. Todavia, essa não é a atitude correta. Uma vez que examinamos as nossas atitudes e detectamos nosso desvio do caminho, precisamos de coragem suficiente para dizer: “Eu pequei e preciso mudar”. Nessa hora, o mais importante não é o que os outros vão pensar, mas o que o Senhor vai pensar, se não tivermos coragem de reconhecer nosso erro. O salmista precisou de coragem para dizer publicamente que pensou no seu modo de agir e precisou voltar os seus passos (Sl 119:59). Davi precisou de coragem para dizer: ... reconheço as minhas transgressões (Sl 51:3). Paulo precisou de coragem para dizer: Miserável homem que sou! (Rm 7:24). O filho pródigo precisou de coragem para, após refletir em seus caminhos errados, reencaminhar seus passos na direção certa e dizer: Pai, pequei contra o céu e perante ti (Lc 21:22). Tenhamos coragem! Depois da pregação, sempre há o momento do convite àqueles que necessitam de mudança. Não se demore a reconhecer seu erro e suplicar perdão.
3. Devemos mudar nossas atitudes contrárias à Escritura, e sem mais demora.

Assim que descobriu a falha em seu caminho, o salmista, sem atrasos, voltou-se para a obediência à palavra de Deus. Ele disse: Eu me apressarei e não hesitarei em obedecer aos teus mandamentos (v. 60). Na versão da Nova Bíblia Viva, este verso foi traduzido assim: Quando se trata de cumprir os seus mandamentos, não tenho tempo a perder (NBV). Se suas atitudes não condizem com a palavra do Senhor, o momento de voltar é agora! A Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira correta de viver (2 Tm 3:16 – NTLH). Modifiquemos as nossas atitudes contrárias a Escritura, sem demora! Se você não tem tratado sua esposa como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem tratado seus filhos como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem tratado os seus pais como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem se comportado em seu ambiente de trabalho como deveria, é tempo de rever atitudes! Se já não tem mais servido a Deus com entusiasmo, é tempo de rever atitudes! Se as pessoas estão olhando para você e já não glorificam mais a Deus pelas suas boas obras, é tempo de rever atitudes! Deixe a palavra de Deus, que é viva e eficaz, mexer com a sua conduta: sem demora!

Se suas atitudes não condizem com a palavra do Senhor, o momento de voltar é agora!

Conclusão

Antigamente, você louvava a Deus com todo entusiasmo. Antigamente, você tinha o desejo ardente de anunciar Jesus. Antigamente, você era o primeiro a chegar ao culto. Antigamente, você tinha um ardente desejo de orar. Antigamente, você era um excelente pai de família. Antigamente, você era um cristão exemplar. O que aconteceu? O que mudou? Pense. Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor (Lm 3:40). Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras (Ap 2:5). É tempo de rever atitudes! No culto, e fora dele, pratiquemos esse saudável exercício espiritual.

Bibliografia:

1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 292
2. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 268
3. CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. Pág. 2441
4. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 269
5. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 272
6. CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. Pág. 2442

Fonte
Departamento de Educação Cristã
Paulo Cesar Amaral

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