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Quando o Povo de Deus se Reúne para Fortalecer a União


Que maravilha, quando o povo do Senhor se reúne para fortalecer a união! Alguns dias atrás publiquei: Quando o Povo de Deus se Reúne para Rever suas Atitudes. Hoje, a palavra de Deus mostrará que também é preciso rever atitudes nos relacionamentos interpessoais, para que estes sejam fortalecidos. Deus aponta o caminho e dá os recursos para que seus filhos se relacionem satisfatoriamente uns com os outros. A união e seus resultados, conforme descritos na Bíblia, serão abordados neste novo estudo.

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! (Sl 133:1)

Davi, o autor do Salmo 133, viu sua casa ser arrebentada por falta de união. Possivelmente, por causa de seu escandaloso pecado, ele não se sentiu à vontade para exortar seus filhos: Amnon violentou Tamar, sua meio-irmã, e Davi não o confrontou, nem confortou a filha. Absalão matou Amnon, seu irmão, e o rei não interferiu. Absalão conspirou e usurpou o trono do pai, e, depois de assumir o governo, matou o irmão Adonias. Ao todo, foram três filhos assassinados e uma filha desonrada. Na casa de Davi, havia ódio, conspiração, estupro e assassinatos, não união. Por tanto sofrer com a falta dela, Davi aprendeu lições importantes sobre a união. Vamos estudá-las aqui.

A união é bela

Quando escreveu o salmo 133, Davi tinha consciência do quanto é importante a paz entre os irmãos. Uma casa dividida está fadada ao fracasso (Mt 12:25). Divisão, intriga e inveja demonstram, claramente, carnalidade e apego ao mundo (1 Co 3:1-3). Por outro lado, vejamos o que a Bíblia diz: Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! (Sl 133:1). A palavra “bom” transmite a ideia de belo. Qualquer um achará bonita uma família unida. No mundo, não há maior demonstração do poder do evangelho do que uma igreja unida pelo amor (Jo 13:35). A glória de Deus é refletida na igreja pela sua união em amor.

O Salmo 133 não defende a união entre crentes e incrédulos, não é referência ao ecumenismo. O que o Salmo ensina é a união dentro da família, entre os que passaram pelo mesmo processo de nascimento espiritual, que adoram o mesmo Deus, que pregam o mesmo evangelho, que confessam Jesus Cristo como único Senhor e verdadeiro Deus, que creem em sua palavra e estão dispostos a seguir a verdadeira doutrina bíblica. Não há união entre luz e trevas (2 Co 6:14-18); não existe união fora do evangelho, não há união fora da verdade (Ef 4:3-6). Deus quer a igreja unida dentro dos princípios bíblicos.

A igreja de Cristo será tão forte quanto for sua unidade e coesão. Unida, ela propicia o ambiente acolhedor para o crescimento da confiança e da alegria que resultarão num ambiente de perdão, compreensão, solidariedade, ajuda e comprometimento. A união caracterizava a igreja neotestamentária (At 2:42-47). Quando pessoas de raças, classes sociais e culturais diferentes convivem em harmonia, quando as diferenças não são suficientes para separá-las, quando a união é embasada em princípios espirituais e eternos, a beleza dessa união despertará nos homens vontade de conhecer melhor a razão da união.

Quando há união entre os irmãos, são abertos os canais para a ação poderosa do Espírito Santo.

A união é terapêutica

A falta de união acarreta muitos problemas na comunidade cristã. A igreja em Corinto é exemplo disso: era marcada por divisões (1 Co 1:10,11), contendas (1 Co 6:1-7), preconceitos (1 Co 11:17-19) e até mesmo os dons espirituais que foram dados para fortalecer a igreja estavam sendo usados de maneira errada: para promover divisão. Não havia união nem amor. Como resultado, muitos estavam fracos e doentes (1 Co 11:30). As coisas exteriores podem causar divisões, riqueza, aparência, preconceitos étnicos, condição social. Na união, as coisas externas são menos importantes que as eternas. O texto compara a união entre os irmãos com o azeite perfumado sobre a cabeça de Arão, que desce pelas suas barbas e pela gola do seu manto sacerdotal (Sl 133:2 – NTLH). O azeite ou óleo é símbolo do Espírito Santo (Is 61:1-3; Lc 4:17-19; At 10:38).

Quando há união entre os irmãos, são abertos os canais para a ação poderosa do Espírito Santo. Nesse ambiente de fraternidade e respeito, vidas são tratadas e curadas. Uma igreja unida é canal de saúde e vida, é uma agência da ação restauradora de Deus na terra. Uma das grandes necessidades do ser humano é a de pertencer a um grupo do qual receba reconhecimento e valorização. Não existe, na terra, uma organização que tenha melhores condições de satisfazer esses anseios humanos que a igreja de Cristo. A igreja é o lugar ideal para as pessoas não se sentirem discriminadas e nem solitárias. Mesmo que a família e a sociedade não proporcionem esse ambiente de valorização da pessoa, na igreja, há todos os recursos para a cura, inclusive para os que perderam toda a motivação.

A união é revigorante

Um povo agrário como os israelitas e que habitava numa terra de montes e de vales dependia das chuvas que ocorriam duas vezes por ano e também do orvalho para regar suas plantações (Dt 11:10-17). Localizado no extremo-norte de Israel, o Hermom é o monte mais alto da região, e Sião, um dos mais baixos. São separados por mais de 300 quilômetros, e, ainda assim, o Senhor faz cair o orvalho sobre ambos. Deus é Deus em toda a terra. Viajantes afirmam que, em certas partes daquele lugar, o orvalho percebido pela manhã é tão forte que parece ter caído abundante chuva na terra. [1]

A união é comparada ao orvalho (Sl 133:3). Algumas qualidades do orvalho justificam essa comparação: primeiro, ele é discreto: cai à noite, sem trovões, nem relâmpagos. A união do povo de Deus não precisa ser alardeada, mas precisa ser vivida. Segundo, ele é constante: cai durante toda a noite. A união do crente com seus irmãos não é para um culto ou para os cultos, mas, também, para ser desfrutada constantemente. Terceiro, ele é abundante: ainda que em minúsculas porções, umedece a terra. Pequenos gestos em amor que promovam a união terão resultados poderosos na vida das pessoas e da igreja toda. Após o calor escaldante do dia, vem o orvalho noturno para revigorar as plantas. O orvalho simboliza a presença revigorante de Deus na vida do seu povo: Serei para Israel como o orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as raízes como o cedro do Líbano (Os 14:5); e ainda: Porque haverá sementeira de paz; a vide dará o seu fruto, a terra, a sua novidade, e os céus, o seu orvalho; e farei que o resto deste povo herde tudo isto (Zc 8:12). A igreja tem necessidade do refrigério trazido pelo Espírito Santo que vem silenciosa, mas abundantemente, como o orvalho para revigorar a relva.

A união do povo de Deus não acontece por imposições humanas, mas como resposta das pessoas que foram lavadas pelo sangue de Jesus à ação do Espírito Santo. A unidade artificial é fácil.

A união é abençoadora

A última frase do Salmo 133 é: Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (v. 3b). O “ali” do salmista se refere ao monte Sião, lugar que recebe o orvalho do Hermom: ali, há a bênção de Deus. Não esqueça que, neste Salmo, a “união” é comparada com este “orvalho”. Então, assim como há bênção no monte Sião, que recebe o orvalho do Hermom, há bênção e vida para sempre onde há união entre o povo de Deus. Ao combinarmos as frases do primeiro e do último verso, encontramos uma mensagem maravilhosa: Como é bom e agradável os irmãos viverem em união! Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. Onde “existe a persistência e a luta pela manutenção da união, existe uma constante ordem direta de Deus: Bênção e vida para sempre!”. [2]

A união entre os irmãos é abençoadora. Mas, para isso, precisa ser autêntica. Impor regras para manter a unidade é fraude. A união do povo de Deus não acontece por imposições humanas, mas como resposta das pessoas que foram lavadas pelo sangue de Jesus à ação do Espírito Santo. A unidade artificial é fácil. Os homens são capazes de esconder diferenças reais e criar alianças ímpias, como o faziam os fariseus e os herodianos, quando se uniam contra seu adversário comum, Jesus. Mas a unidade real requer trabalho duro. Exige estudo diligente, humildade genuína, amor pelos irmãos e, acima de tudo, um amor incondicional por Deus e sua palavra. Mas, quando ela acontece há bênção e vida para sempre. “Se andarmos em união seremos uma família e uma igreja abençoada e cheia da vida de Deus. (...) E essa bênção não é desvinculada da vida dele”. [3] E se faltar a união? Teremos dificuldades. Ficaremos fracos. “Se é bom e suave viver em união, certamente é mal e pesado viver sem ela”. [4] Por isso, peçamos a ajuda do Senhor para vivermos sempre essa bênção. Quando nos reunirmos para adorar o Senhor, fortaleçamos, cada dia e cada vez mais, a união. Ao invés de muros de separação, construamos pontes que nos liguem uns com os outros.

Praticando a Palavra de Deus

1. Para fortalecer a união, devemos combater seus oponentes.

Mal entendidos, fofocas, maldades, contendas, ciúmes, disputas são oponentes do fortalecimento da união e podem facilmente romper relacionamentos. Amigos foram separados, quando afetados por adversidades relacionais. Ninguém está imune a este tipo de adversidade, especialmente o crente. Nossos inimigos, que são a carne, o mundo e o diabo, conspiram para arruinar relacionamentos e destruir a união entre os filhos de Deus, razão pela qual é preciso vigiar: Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos (1 Co 16:13). Nenhum crente pode se dar ao luxo de baixar a guarda, quando se trata de união. Adversidades relacionais podem ser vistas como oportunidades para crescimento na união. Muitos relacionamentos foram abalados e até desfeitos por situações que poderiam facilmente ser resolvidas, se houvesse a consciência de que nossos três grandes inimigos atuam sem escrúpulos e sem clemência. Quando há descuido, a união fica fragilizada. Ao invés de sermos vencidos, vençamos com vigilância e sejamos como a “pipa” de papel: [5] a pipa só sobe contra o vento. Quanto mais fortes os ventos, mais unidos estejamos, para a glória de Deus.

2. Para fortalecer a união, devemos lutar por seu aperfeiçoamento.

Já observou como é fácil fazer as coisas erradas e difícil fazer o que é certo? Paulo tinha essa consciência (Rm 7:19). Sabedor de que, para manter a união, é preciso empenho, o apóstolo recomenda: ... esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4:3). A ideia apresentada no texto é a de que é necessário todo esforço possível para que a unidade seja mantida. O que Paulo diz aqui não é algo impossível, mas também não é algo que vem sem custo. A unidade é resultado de nosso esforço consciente e adequado. Precisamos lutar pela união. A unidade da igreja é um desejo do coração de Deus e Jesus orou para que ela seja uma realidade (Jo 17:11, 21-22), dizendo: ... a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade. À medida que nos empenhamos por fortalecer a união, cumpre-se em nós a oração de Jesus. Ele pediu que fôssemos aperfeiçoados na unidade. O desejo do coração de Cristo é que todos os seus filhos sejam aprimorados, que as arestas sejam tiradas e que tenhamos um contínuo crescimento para fortalecer o vínculo da paz. Não podemos fugir à responsabilidade de fazer o que nos compete em favor da preservação e do aperfeiçoamento da união.

3. Para fortalecer a união, devemos incentivar a sua prática.

Quem quer glorificar a Deus, incentivará a unidade entre os crentes: Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé (Rm 14:19 – NTLH). Ajudados pelo Espírito Santo, devemos trabalhar humildemente para manter a unidade: Então peço que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente. Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios (Fp 2:2-3 –NTLH). Também é preciso incentivar os que querem a desunião a abandonar esses pensamentos mesquinhos. Paulo nos dá a fórmula prática: Irmãos, peço, pela autoridade do nosso Senhor Jesus Cristo, que vocês estejam de acordo no que dizem e que não haja divisões entre vocês. Sejam completamente unidos num só pensamento e numa só intenção (1 Co 1:10 – NTLH). Erroneamente, muitos cedem às divisões e até incentivam sua prática. Fazem isso em nome da justiça. Incitam um irmão contra outro, sem considerar o que a Bíblia diz: Os maus provocam divisões, e quem fala mal dos outros separa os maiores amigos (Pv 16:28 –NTLH). Ao contrário destes, incentivemos a prática da união entre os irmãos.

Conclusão

Duas imagens são apresentadas no Salmo 133: o óleo e o orvalho - ambas ensinam que a união do povo de Deus não é algo que se construa somente pela habilidade humana, mas que Deus a envia do alto sobre o seu povo: É como óleo ... que desce ... é como orvalho ... que desce (v. 2,3). “A verdadeira união, como todas as boas dádivas, vem de cima; é doada”. [6] Por outro lado, se há falta de união entre os crentes, não se deve entender que Deus não a tenha enviado. O ensino é de que a união tem origem em Deus. Ele está agindo para manter a união, mas nós, crentes em Cristo, temos a responsabilidade de responder favoravelmente a esta ação. Quando cada irmão fizer sua parte, a união acontecerá.



Bibligrafia

1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 336
2. MENDES, Edmilson Ferreira, in OLIVEIRA, Aléssio Gomes (Org.). Consolidando Vidas. São Paulo: GEVC, 2005. Pág. 29
3. LOPES, Hernandes Dias. O melhor de Deus para sua vida. Vols. 1 e 2. Belo Horizonte: Betânia, 2004. Pág. 96
4. MENDES, Edmilson Ferreira, in OLIVEIRA, Aléssio Gomes (Org.). Consolidando Vidas. São Paulo: GEVC, 2005. Pág. 30
5. Brinquedo de papel, de forma oval ou triangular, que se lança ao vento, ficando preso por um barbante.
6. KIDNER, Derek. Salmos 73-150: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981. Pág. 463

Fonte:
Departamento de Educação Cristã
Paulo Cesar Amaral

2 comentários:

  1. Nossa essa é uma de minhas palavras preferidas, tudo torna-se fácil quando colocamos a união em prática!
    A imagem ilustrativa é linda! Fala muito também!

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  2. Aline,

    Quando existe união pelo menos duas coisas estão acontecendo na vida do crente: Ele ama a Deus com todas as forças e ao próximo como a ele mesmo, e coloca acima de sua vontade ou desejo, a vontade e o desejo do outro. Isto se resume em amor.
    E tudo isto é alcançado quando o homem para de olhar para si mesmo e passa a olhar para Jesus, decidindo fazer a Sua vontade praticando seus ensinamento no dia a dia.

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