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Fé, razão, pecado e redenção no pensamento de Blaise Pascal [8]

Publicado originalmente em Revista Ultimato

Nicodemos e Pascal

A relação entre o Nicodemos do Evangelho de João e o Pascal dos “Pensamentos” é que ambos eram pessoas importantes e se envolveram com Jesus. Isso é notável porque para muitos o evangelho “é uma coisa que nenhuma pessoa instruída e razoável pode aceitar ou crer”, como observa Martyn Lloyd-Jones.

Nicodemos era “uma autoridade entre os judeus” (Jo 8.31) por ser um dos 71 membros do Sinédrio, a suprema corte de justiça e o corpo governante do povo judeu. Jesus o chamou de “mestre em Israel” (Jo 3.10). Provavelmente era um homem instruído, poderoso e rico. A Bíblia faz questão de registrar duas vezes que o primeiro encontro de Nicodemos com Jesus deu-se “à noite”, isto é, clandestinamente (Jo 3.2; 19.39). Nessa ocasião, ele ouviu Jesus falar sobre o novo nascimento, o levantamento da serpente no deserto e seu próprio levantamento na cruz “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3.15). É provável que Nicodemos tenha sido a primeira pessoa a ouvir o mais conhecido versículo da Bíblia: “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito...” (Jo 3.16). Num segundo momento, Nicodemos teve a coragem de levantar sua voz no Sinédrio a favor de Jesus: “De acordo com a nossa lei não podemos condenar um homem sem ouvi-lo primeiro e descobrir o que ele fez” (Jo 7.51, NTLH). Finalmente, Nicodemos foi corajoso ao se associar, de dia e não de noite, a José de Arimateia, outro membro do Sinédrio, para tirar Jesus da cruz, embalsamar e dar sepultura ao seu corpo. Para tanto, ele mesmo levou 34 quilos de especiarias (Jo 19.38-42).

Nada mais se fala sobre Nicodemos, mas é provável que ele tenha se tornado um cristão professo. Segundo a tradição, ele teria sido batizado por Pedro e João, sofrido perseguições, perdido seu lugar no Sinédrio e obrigado a deixar Jerusalém!

Excluir a razão e não admitir senão a razão são dois extremos a evitar

Uma das tragédias da religião é a renúncia da razão em fortalecimento da fé. Poucas pessoas foram tão equilibradas como Pascal a esse respeito.
É preciso saber duvidar quando necessário, afirmar quando necessário e submeter-se quando necessário. Quem não faz assim não entende a força da razão.
Se se submete tudo à razão, o cristianismo nada terá de misterioso nem de sobrenatural. Se se contrariam os princípios da razão, o cristianismo será absurdo e ridículo.

O coração tem razões que a razão desconhece. Sente-se isso em mil coisas. É o coração que sente Deus e não a razão. Eis o que é a fé: Deus sensível ao coração e não à razão.

A religião não é absolutamente contrária à razão. Esforcem-se para se convencerem da existência de Deus não por argumentação, mas pela diminuição de suas paixões carnais.

Por serem bastante infelizes, devemos mostrar piedade para com os que não querem ou não conseguem crer.

Submissão e uso da razão - eis em que consiste o verdadeiro cristianismo. O último passo da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a supera. Se a razão não reconhece isso, ela é fraca. Se as coisas naturais a superam, o que se dirá das sobrenaturais?

Não há nada tão conforme a razão do que a retratação da razão.

Não é de se admirar ver pessoas simples crerem sem raciocínio. Deus lhes dá o amor a ele, e o ódio a si mesmas.

Dizem que somos incapazes de conhecer se existe mesmo um Deus. Entretanto, o certo é que Deus existe ou não existe. Não há meio termo nessa questão.

O homem é naturalmente crédulo e incrédulo, tímido e temerário.

Não tire de seu aprendizado a conclusão de que você sabe tudo, mas sim a certeza de que ainda resta muito a saber.

Se Deus se descobrisse mais continuamente, não haveria mérito em acreditar nele. Se ele não se descobrisse, não haveria nem um pouco de fé. Mas ele se esconde constantemente e se descobre raramente para aqueles que desejam se colocar ao seu serviço.

Se o homem não foi feito para Deus por que só é feliz em Deus? Se o homem é feito para Deus, por que é tão contrário a Deus?

Não tenho palavras para qualificar aquele que duvida e não corre atrás da certeza, aquele que, ao mesmo tempo, é sumamente infeliz e injusto, e ainda se sente tranquilo e satisfeito e se vangloria disso tudo.

É uma estranha inversão a sensibilidade do homem às pequenas coisas e a insensibilidade dele às grandes coisas.

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