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A mega apostasia

“Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado” (2Ts 2.3)

Quando um católico torna-se protestante ou quando um protestante torna-se católico, não cometem necessariamente apostasia. Mas quando eles abandonam a salvação pela graça e abraçam, por exemplo, a doutrina da reencarnação, isso é apostasia de fato. Se alguém acreditava na divindade e humanidade de Cristo, em seu sacrifício vicário e em sua ressurreição gloriosa e já não acredita, essa pessoa pode ser acusada corretamente de apostasia. Mas não é apóstata quem freqüenta uma igreja cristã sem nunca ter crido nesses pontos centrais e inquestionáveis do cristianismo. Trata-se, neste caso, de um intruso, de um cristão nominal, de um pecador não arrependido e não salvo, que precisa ser evangelizado. Assim, não é temeridade afirmar a possibilidade de a igreja visível ter em suas fileiras mais apóstatas e intrusos do que crentes verdadeiros.

A apostasia é mais uma questão doutrinária do que uma questão ética, mas esta pode ser afetada por aquela. Ela aparece tanto na história de Israel no Antigo Testamento como na história da igreja no Novo Testamento. Na antiga aliança, em certas ocasiões, havia apostasia intensa, como no caso do rei Acaz, que repudiou o temor do Senhor e tornou-se idólatra, chegando até a queimar seus filhos em sacrifício aos deuses pagãos (2Cr 28.1-4). O mesmo aconteceu poucos anos depois com o rei Manassés, logo após a reforma religiosa liderada por Ezequias, seu pai (2Cr 33.1-20). Na nova aliança, temos a informação de que algumas pessoas rejeitaram a fé e a boa consciência e “naufragaram na fé” (uma alusão à apostasia). Entre elas estavam Himineu e Alexandre (1Tm 1.18-20).

Na história da igreja, o caso mais famoso de apostasia foi o do imperador romano conhecido como Juliano, o apóstata. Ele era sobrinho de Constantino, o imperador que teria se convertido ao cristianismo, e recebeu uma educação cristã. Entretanto, rejeitou a fé e no curto período em que governou o Império Romano, de 361 a 363 (apenas 18 meses), tentou deter o avanço do cristianismo e proclamou o paganismo como religião oficial. Isso aconteceu 48 anos após seu tio ter legalizado o cristianismo, em 313.

Nem sempre é prudente chamar de apóstata aquele que não consegue resistir à perseguição e à tortura e nega da boca para fora a fé cristã. Na época do imperador Décio (de 248 a 251), alguns deles cederam à pressão e fizeram manifestações públicas em favor das divindades romanas. Mais tarde se arrependeram. O clero da época se dividiu quanto ao trato a ser dispensado a eles. Cipriano, o bispo de Cartago, foi mais complacente que Novaciano, sacerdote residente em Roma. Enquanto este era totalmente contrário à readmissão deles e chegou a dividir a igreja por causa disso, Cipriano, convertido por volta de 246 e eleito bispo em 249, defendia a reintegração dos apóstatas em nome da bondade e da misericórdia divinas, não de imediato, mas depois de certo período de arrependimento comprovado. Em 251, Cipriano escreveu seu famoso De lapsis (a respeito dos que caíram). Ele próprio sofreu martírio antes de completar 60 anos.

A apostasia é um perigo contínuo para a igreja. E o Novo Testamento contém sérias advertências contra ela. A mais severa parece dizer que não há possibilidade de retorno para quem caiu deliberadamente em suas malhas:
“Como é que as pessoas que abandonaram a fé podem se arrepender de novo? Elas já estavam na luz de Deus. Já haviam experimentado o dom do céu e recebido a sua parte do Espírito Santo. Já haviam conhecido por experiência que a palavra de Deus é boa e tinham experimentado os poderes do mundo que há de vir. Mas depois abandonaram a fé. É impossível levar essas pessoas a se arrependerem de novo, pois estão crucificando outra vez o Filho de Deus e zombando publicamente dele” (Hb 6.4-6, NTLH).
Estamos cada vez mais próximos da megaapostasia, aquela negação ostensiva e globalizada da fé, que abre caminho para a revelação e o domínio do homem do pecado. É isso que Paulo explica aos tessalonicenses: “Antes daquele dia [o dia do juízo final] virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2.3). (Veja A vinda do homem do pecado e a vinda do Filho do homem). A mesma profecia é mencionada outra vez por Paulo em outra Epístola: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Tm 4.1). Alguns anos antes de Paulo, Jesus Cristo já havia anunciado: “Nessa época [um pouco antes da parusia] muitos vão abandonar a sua fé e vão trair e odiar uns aos outros. Então muitos falsos profetas aparecerão e enganarão muita gente. A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará; mas quem ficar firme até o fim será salvo” (Mt 24.10-13, NTLH).

À vista do progresso e da ousadia da megaapostasia, o conselho de Pedro é bastante oportuno: “Sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém” (2Pe 3.17-18).
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Fonte: Revista Ultimato edição 309

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