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O Mistério da Iniqüidade em Alta

Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor DEUS. Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniqüidade não vos servirá de tropeço. (Ezequiel 18:30)

O que se ouve, o que se lê e o que se comenta hoje dão a forte impressão de que o mistério da iniqüidade está em alta. O check-up do panorama em curso é de fato preocupante. Não há otimismo nem esperança frente à tensão provocada, em todas as frentes, pelo estranho e incontido comportamento humano. E não são os religiosos que estão declarando esta espécie de calamidade pública. Não estamos satisfeitos nem seguros nem tranqüilos. A palavra irreversível está no ar, está nos discursos, está nas notícias.

A corrupção parece irreversível - O médico Dioclécio Campos Júnior, professor da Universidade de Brasília e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, faz uma análise em linguagem médica muito contundente: “A sociedade brasileira está gravemente enferma. Seus órgãos padecem de corrupção que a corrói com o poder devastador da gangrena. Suas funções estruturantes perverteram-se no caos das disputas de privilégios. A injustiça campeia como micróbio resistente que lhes contamina as entranhas. As discriminações sociais, raciais e econômicas aparecem em seu corpo deformado como chagas profundas, em incessante progressão. O país recusa-se a olhar no espelho. Rejeita o diagnóstico que emerge dos sintomas de sua própria realidade”.

A chaga da corrupção em todas as esferas do governo e da sociedade pode ser mais freqüente e menos punida aqui, mas não é problema exclusivamente brasileiro. Nações subdesenvolvidas da África, nações emergentes da América Latina e da Ásia e nações prósperas e poderosas da Ásia, da Europa e América do Norte têm sérios problemas de corrupção. O Projeto Milênio, da Federação Mundial das Associações das Nações Unidas, revela que os subornos são mais freqüentes nos países ricos. Calcula-se em um trilhão de dólares o dinheiro anualmente empregado na corrupção no mundo (Jornal do Brasil, 13/09/07, A2).

Foi-se o tempo em que se dizia, talvez com justiça, que o problema da corrupção era menor em países de tradição protestante e maior em países de tradição católica. É verdade que os países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega e Islândia), todos de tradição luterana, são um exemplo no que diz respeito à justiça social e à transparência política.

Há menos de três meses duas pessoas do mais alto escalão do Japão, um dos países mais ricos do mundo, envolveram-se em escândalos tais que um deles (o Ministro da Agricultura) se suicidou e outro (o Primeiro Ministro) renunciou.

Apesar da distância de 93 anos entre eles, vale a pena colocar lado a lado dois pronunciamentos sobre a corrupção brasileira: o célebre discurso de Ruy Barbosa em 1914 e a palavra de Luiz Fernando Corrêa, novo diretor da Polícia Federal, em setembro de 2007. O primeiro reclamou: “De tanto ver triunfar nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, e ter vergonha de ser honesto”. O segundo foi muito sucinto: “Se somarmos todos os furtos e roubos em um ano numa região, o prejuízo será menor que o causado pela corrupção” (Veja, 26/09/2007, p. 11).

A licenciosidade parece irreversível - Antes havia prostituição e algum adultério aqui e ali. Os poucos homossexuais estavam escondidos dentro do armário. O casamento era mantido a qualquer preço, mesmo apenas na aparência. Os mais ousados compravam e escondiam da família revistas pornográficas e viam filmes pornográficos.

Hoje, meninos e meninas praticam o amor livre, se necessário, até mesmo na casa paterna, sob permissão (ou conselho?) do pai e da mãe. Homens casados ou solteiros procuram os muitos motéis nos arredores das cidades onde moram para se encontrarem com mulheres casadas ou solteiras. Separa-se e divorcia-se quantas vezes a relação anterior perder o sabor. Aborta-se a criança que está sendo gerada a contragosto, para esconder a relação extraconjugal ou para deixar o casal livre para viver a vida que desejam levar. (No Brasil 1,2 milhão de adolescentes abortam por ano.) Multidões de gays saem do armário e se encontram com os novos gays que não chegaram a entrar em armários, organizam marchas, compram agências de viagens, fazem turismo, gastam dinheiro a rodo e exigem respeito de todos em nome dos direitos humanos. Mais do que apenas fotos, qualquer pessoa, não importa a idade nem o gênero, pode ver crianças nuas ou cenas de sexos explícito na tela do computador e da televisão. Marido e mulher passam uma noite ou fim de semana a bordo de um navio para experimentar novas emoções sexuais com o marido da outra e com a mulher do outro. Para satisfazer todos os gostos, implementa-se cada vez mais o turismo sexual, do qual as maiores vítimas são menores de idade. (Estima-se que cerca de cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil hoje.)

Homossexuais e travestis se juntam às prostitutas para atrair clientes que passam de carro em certos pontos de quase toda cidade ao cair da noite. Pedófilos são presos, cumprem pena, saem da cadeia e voltam a cometer o mesmo crime. Escândalos sexuais cometidos por líderes religiosos desta e daquela denominação cristã, católica ou protestante, abalam a autoridade da igreja de Jesus Cristo. Jornalista de 39 anos que se diz recém-convertida ao protestantismo, depois de se envolver com político de renome, deixa-se fotografar nua em troca de algumas centenas de mil reais. Outro dia, o escritor Fausto Wolff queixou-se de que queria ir ao teatro e verificou que “das 20 peças em cartaz nove tratavam de homossexualismo, com homem vestido de mulher e tudo” (Jornal do Brasil, 26/08/2007, B2). Nossas novelas e canais de TV em geral são um prato cheio para alimentar o sexo livre.

Alguns governos estão modificando o seu Código Penal para deixar impune a prática de relações consentidas com menores acima de 14 anos. O presidente da França anda defendendo a castração química de pedófilos para reforçar a punição de pessoas que cometeram crimes de natureza sexual e para impedir novos delitos. Para tornar compreensível e natural a prática homossexual, certo cientista italiano, ex-ministro da saúde de seu país, está defendendo a teoria de que a humanidade deve caminhar para o bissexualismo “como resultado da evolução natural das espécies” (Jornal do Brasil, 21/08/07, A24).

Autores recentes estão afirmando que a poligamia é normal e a monogamia é anormal. Tendo em vista o capítulo da teologia que estuda a chamada queda do homem, fato que a ciência desconhece ou não leva em conta, não é de se estranhar que 80% das 1.100 sociedades pesquisadas pelo Ethnografic Atlas entendem que a monogamia seja um mito e a poligamia seja um fato real tido como ideal (Isto é, 29/08/07, p. 54). Não é a sociedade nem a ciência que têm a última palavra em questões de comportamento. Isso é muito perigoso. O padrão de conduta é da competência do Criador e está claramente exposta no Decálogo (Êx 20).

A chamada revolução sexual é recente. Teria começado nos anos 60 ou um pouco antes, com a publicação dos dois relatórios do biólogo americano Alfred Kinsey, o primeiro em 1948 (O Comportamento Sexual do Homem) e o segundo em 1953 (O Comportamento Sexual da Mulher). Daí surgiu a chamada permissive society, que continua em pleno vigor, expandindo-se cada vez mais.

A paixão pelo dinheiro parece irreversível - Três pesquisas realizadas recentemente entre jovens americanos mostram que o maior objetivo na vida da maioria deles é “ficar rico” (Folha de São Paulo, 19/08/07, p. 8). A persistente idéia de que o dinheiro gera sensação de segurança e bem-estar invade todas as mentes, mesmo depois de todos os estudos em contrário, elaborados por especialistas no assunto. Um deles é o conhecido economista brasileiro Eduardo Gianetti da Fonseca, autor do livro Felicidade: “A máxima de que dinheiro traz felicidade é falsa”. Gianetti cita uma pesquisa feita com ganhadores de prêmios acima de 500 mil dólares nos Estados Unidos, segundo a qual, “passado o nível de euforia, a sensação de bem-estar volta ao seu estado normal, e depois até cai” (Jornal do Brasil, 31/12/06, E2).

Outro estudo, feito pela rede MTV quase na mesma ocasião, mostra que os jovens de países em desenvolvimento são mais felizes do que os de países ricos. A pesquisa reuniu 5.400 jovens de 14 países. Apenas 43% das pessoas entre 16 e 34 anos disseram ser felizes. A taxa seria muito mais baixa se a entrevista tivesse sido feita exclusivamente com países ricos: apenas 8% dos jovens nipônicos e 30% dos americanos declaram ser felizes.

No início de 2007, o empresário brasileiro Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, depois de lembrar que a renda per capita mundial cresce em média 3,4% ao ano desde 2000, fez uma solene pergunta: “Apesar disso, seria possível dizer que as pessoas estão mais felizes no mundo?”. Ele mesmo responde: “É difícil responder sim. Basta olhar para a insegurança mundial, os conflitos bélicos e os focos de pobreza extrema, fome e miséria” (Folha de São Paulo, 02/01/07, B2).

Geração após geração, todas desprezam as experiências e os conselhos de Salomão, em cerca de 950 a.C.: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos” (Ec 5.10). “Tudo é ilusão, tudo é como correr atrás do vento” (ou “vão e frustrante”, como traduz a Bíblia Hebraica), na opinião do sábio (Ec 2.26, NTLH). O grande e eterno problema é que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tm 6.10).

O narcotráfico parece irreversível - O fabrico, o tráfico e o consumo de drogas que geram dependência química continuam a desafiar qualquer providência governamental de âmbito nacional ou internacional. É uma porta aberta para uma série quase sem fim de crimes: furtos, roubos, assaltos, seqüestros, corrupção e assassinatos. Os confrontos quase diários entre a polícia e os narcotraficantes deixam uma enorme quantidade de mortos de ambos os lados. Na repressão ao narcotráfico, aviões são abatidos como se fosse tempo de guerra. O tráfico controla favelas inteiras no Brasil e algumas regiões da Colômbia. Na guerra urbana, muitos inocentes — homens, mulheres e crianças — são vítimas de alguma bala perdida. As penitenciárias estão superlotadas de traficantes, alguns dos quais continuam a comandar de lá mesmo as suas gangues. Além de matarem a sangue frio algum possível delator ou informante, os próprios traficantes matam uns aos outros para garantir o território de cada um. Para manter o vício, os usuários de drogas se entregam à prostituição e são capazes de roubar ou assassinar os próprios pais.

É impossível calcular a quantidade de dinheiro lavado e a fortuna pessoal dos mais bem-sucedidos traficantes. Na residência de um deles, o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, de 44 anos, em Barueri, SP, a Polícia Federal apreendeu em agosto de 2007, 554 mil dólares, 250 mil euros e 55 mil reais, no valor total de quase 1,8 milhão de reais. O traficante está entre os dez mais ricos do Brasil. Estima-se que ele tenha uma fortuna de 3,6 bilhões de reais, logo depois de Abílio Diniz, do Grupo Pão de Acúcar, e de Júlio Bozano, do Banco Bozano Simonsen, ambos com 3,8 bilhões. Abadia é acusado de ter ordenado o assassinato de 315 pessoas na Colômbia e nos Estados Unidos (mais de sete mortes para cada ano da sua vida).

Com tanto dinheiro, o narcotráfico consegue corromper muita gente. O próprio Abadia confessa ter dado 800 mil dólares à Polícia para evitar que três pessoas do seu grupo fossem presas. Outro colombiano, diz a reportagem da Folha de São Paulo, estabeleceu-se no Brasil em 1994 e nunca foi importunado oficialmente pela polícia nesses 13 anos, graças às propinas pagas. Gustavo Bautista tinha meia dúzia de empresas que exportavam frutas para a Europa e tinha cerca de 2 mil empregados. Junto com as frutas ele enviava cocaína para a Holanda. A volúpia do dinheiro e o medo de ser morto por saber demais, dificulta ou mesmo impede que alguém abandone o narcotráfico. E o negócio floresce cada vez mais. Os Estados Unidos garantem que só o cartel Norte del Valle teria exportado mais de 500 toneladas de cocaína, no valor acima de 10 bilhões de dólares, da Colômbia para o México e posteriormente para o território americano.
Não há evidências de que essa estranha e monstruosa página da história vai virar.
A guerra nuclear parece irreversível - O físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor no Dartmouth College, em Hanover, nos Estados Unidos, e autor de A Harmonia do Mundo, lembra que “a tradição guerreira, que faz parte da história da humanidade, começou com pedras e hoje chegou às bombas de hidrogênio. Ela teve início em disputas de pequenos pedaços de terra e hoje envolve o mundo inteiro. E não mudou”. Gleiser não vê esperança no desarmamento e indaga: “Como as potências nucleares, agarradas às suas bombas cada vez mais sofisticadas, esperam que países como a Coréia do Norte, a Índia, o Paquistão e, mais recentemente, o Irã, abandonem seus sonhos de poder nuclear?” O físico garante que “existe algo de muito patológico numa espécie que se diz inteligente, mas que só é capaz de garantir sua sobrevivência pelo acúmulo de armas de destruição em massa”.

A última observação de Gleiser é também contundente: “Vivemos todos com uma corda apertada no pescoço que fingimos não ver” (Folha de São Paulo, “Mais.”, 26/08/07, p. 9). O sociólogo Frédéric Gros acrescenta que “a introdução da bomba nuclear tornou, há mais de cinqüenta anos, improvável um conflito clássico entre as grandes potências”. Hoje “nós entramos na idade dos estados de violência” e precisamos de quem “invente novas esperanças” (Jornal do Brasil, “Idéias & Livros”, de 18/08/07, p. 3).

A descristianização do Ocidente parece irreversível - Um século depois da “invasão” do cristianismo no Oriente, começou a “invasão” do hinduísmo no Ocidente. É curioso observar que o primeiro missionário protestante das missões modernas, o inglês William Carey, chegou à Índia em 1793, aos 32 anos de idade. E o professor hindu Swami Vivekananda chegou aos Estados Unidos exatamente cem anos depois, em 1893, e também aos 32 anos. Aquele pregava o perdão de pecados mediante o sacrifício vicário de Jesus Cristo e este pregava o contrário: todo mal cometido será reparado por meio de expiações pessoais nesta e em novas e difíceis reencarnações. Desde então, o Ocidente passou a ser “campo missionário” dos outrora chamados “gentios” (os não-judeus) e “pagãos” (os não-cristãos).

O nome mais amplo e mais apropriado para indicar hoje os adeptos de várias religiões e movimentos da linha esotérica é Nova Era (New Age), que já não designa uma seita, mas uma constelação delas, como salienta Hélio Damante.

Além desse guarda-chuva quase do tamanho da camada de ozônio, sob o qual se abrigam velhas e novas religiões, inclusive, a Seicho-No-Ie, a Igreja Messiânica Mundial, a brasileira Legião da Boa Vontade, o Hare Krishma e outros, o islamismo tem presença atuante no Ocidente.

Apesar da “reenvagelização” (no vocabulário protestante) e da “nova evangelização” (no vocabulário católico), tanto a Europa como a América, e também parte da Oceania (Austrália e Nova Zelândia), são continentes cada vez mais pós-cristãos. Todavia o problema não é apenas a presença, a propaganda e o proselitismo das religiões asiáticas. Existe também a pregação aberta da secularização teórica (através da imprensa falada, escrita e televisiva, de peças de teatro, música etc.) e prática (através da corrida ao dinheiro e do consumismo) e da pregação também aberta do ateísmo (através de livros que colocam em dúvida os alicerces do cristianismo, como o nascimento virginal e a ressurreição de Jesus e até a existência de Deus).

Acaba de ser lançado no Brasil pela Companhia das Letras o livro Deus, Um Delírio, do biólogo britânico Richard Dawkins. A propaganda de meia página publicada na Folha de São Paulo diz que o livro estava na 32ª semana dos mais vendidos nos Estados Unidos e cita a recomendação da revista Veja: “Deus, Um Delírio é tudo o que o título provocador promete: um destaque ao fanatismo e à irracionalidade que, segundo o autor, estão na base da crença em um ser divino”.

Certo jornal de Chicago conta que nos Estados Unidos já há acampamentos de veraneio para crianças atéias. Faz parte do programa um passeio de avião, durante o qual, após ter alcançado uma boa altura, o piloto explica às crianças: “Pelo menos até aqui não há nenhuma evidência de um Deus no céu”. Há menos de cinqüenta anos esse tipo de propaganda do ateísmo era feita na antiga União Soviética sob os protestos dos americanos (um professor comunista derramou um pó de cor avermelhada num copo cheio de água para mostrar aos seus alunos que Jesus não fez nenhum milagre ao transformar água em vinho). (Veja Americano funda acampamento de verão para mostrar que Deus não existe)

(Outra coisa que parece irreversível é a degradação do meio ambiente, que foi matéria de capa da edição de março/abril de 2006 de Ultimato).

Aumento das despesas militares nos últimos dez anos por região e no mundo (em bilhões de dólares)

 REGIÃO 1997 2006 % do aumento
 África 10,315,5 51% 
 América 375575 53% 
 Ásia e Oceania 131 185 41%
 Europa 283 310 10%
 Oriente Médio 46,1 72,5 57%
 Mundo 844 1.158 37%

Os cinco países com maiores gastos militares em 2006

 País Gastos (em bilhões de dólares)Gasto per capita (em dólares) 
 EUA 528,71.756 
 Reino Unido 59,2990 
 França 53,1 875
 China 49,5 37
 Japão 43,7 341


Fonte: SIPRI -Stockholm International Peace Research Institute. Yearbook 2007. p. 270.
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Fonte: Revista Ultimato - edição 309

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