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A Conspiração dos Inimigos da Obra de Deus

Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali. (Ne 4:8)

Quem nunca enfrentou algum tipo de oposição em determinado momento da sua vida? Seja no trabalho, nos estudos, na família, e mesmo na obra do Senhor, o fato é que qualquer um de nós já pode ter passado por essa situação. Como devemos nos comportar? Por meio do exemplo de Neemias podemos saber que atitudes tomar, quando nos deparamos com forte oposição enquanto fazemos a obra do Senhor. Ao enfrentarmos oposição, podemos aprender lições que nos levam ao crescimento, à maturidade espiritual e à vitória.
O capítulo quatro de Neemias, começa assim: E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito (v. 1a). “Sambalate”. Este é o mesmo Sambalate do capítulo 2:10,19. De novo, ele aparece como um opositor do povo de Deus. No capítulo quatro, ele ataca ferozmente o trabalho de reedificação dos muros de Jerusalém para tentar retardar a obra. Porém, mesmo com todas as tentativas dos inimigos de interromper o trabalho de reconstrução dos muros, Neemias e o povo foram vitoriosos. Para atingir os seus objetivos, Sambalate e companhia recorreram a cinco estratégias:
1. Deboche: Os opositores do povo de Deus, levantaram-se contra a edificação dos muros por desejarem ver a cidade de Jerusalém enfraquecida. Eles foram motivados pela influência maligna, e também por motivos políticos, já que desejavam o controle dessa região, o que não aconteceria, se Jerusalém se fortificasse. Eles iniciaram suas investidas com o deboche. O versículo 1 diz que Sambalate escarneceu dos judeus. A palavra hebraica tem o sentido de “ridicularizar”. Ele disse: “O que esse punhado de judeus pobres e fracos pensa que está fazendo?”, caçoava ele (v. 2). “O termo fraco significa, nesse caso, ‘mirrado, ‘miserável’”. [1] Sambalate segue um modelo de oposição que procura diminuir a auto- estima que eles possuíam, enfraquecer os ânimos e desmoralizá-los. Tobias, outro opositor da turma de Sambalate, também ridiculariza o trabalho dos judeus: Que tipo de muralha eles poderão construir? Até mesmo uma raposa poderia derrubá-la! (v. 4). Pois bem, como Neemias reagiu diante do deboche? Orou e entregou o problema a Deus, reconhecendo que os insultos em última instância, eram dirigidos ao Senhor e não a ele próprio ou ao povo (vv. 4-5). Ele não se desesperou e nem lamentou, pois sabia que a obra que estava sendo realizada era aprovada pelo Senhor. A zombaria não fez que os homens deixassem as suas tarefas de lado. Eles continuaram trabalhando para reconstruir o muro, com ânimo (v. 6).
2. Conspiração: Os deboches não foram suficientes para fazer com que Neemias e o povo de Deus parassem com a obra que haviam recebido do Senhor. Mas a oposição não desiste. Além do deboche, no versículo 7 notamos uma conspiração que se forma contra os judeus de Jerusalém. Quatro grupos diferentes se unem para paralisar a obra nos muros de Jerusalém: Sambalate e Tobias e os povos da Arábia, Amom e Asdode (...) se reuniram e combinaram que viriam juntos atacar Jerusalém (v. 7-8a). Os inimigos se enfureceram e planejaram o ataque. Com este conchavo montado, Jerusalém estava em perigo se, realmente, eles levassem adiante a proposta de ataque. A cidade seria completamente cercada. Os asdoditas, da cidade de Asdode, uma das mais importantes da Filístia na época, eram do oeste; Sambalate e os samaritanos, do norte; Tobias e os amonitas formavam a turma do leste. Os povos arábios, provavelmente, liderados por Gésem (Ne 2:19), viriam do sul. Então, o ataque viria de todos os lados. “Houve uma conspiração geral contra Judá (...). Eles ‘lutariam contra Jerusalém’, fazendo cessar à força o absurdo projeto”. [2]
3. Agitação: A esta altura do relato, cabe um questionamento: Neemias não foi a Jerusalém com cartas do rei Artaxerxes? Será que os opositores parariam a obra e seriam contrários a autorização do soberano da Pérsia? Neste ponto, temos de concordar que, se eles levassem mesmo o ataque adiante, é bem provável que não tocariam nas muralhas, pois tinham ordens claras. As cartas do rei da Pérsia os contiveram. Esta conspiração era um bramir de espadas para causar agitação entre os construtores, a fim de que a obra fosse paralisada. O ataque por parte de um exército nunca aconteceu. O versículo 8 diz: Aí se reuniram e combinaram que viriam juntos atacar Jerusalém e provocar confusão. Aí está o que eles queriam: “provocar confusão”. A versão da Nova Bíblia Viva diz que eles queriam provocar revoltas e confusão. Os opositores queriam fazer nascer um burburinho, no meio dos judeus. Queriam que eles ficassem agitados com a notícia e perdessem o foco; afinal, o muro já havia chegado a sua metade (v.6). Para vencer esta oposição, Neemias e o povo oraram ao Senhor e colocaram guardas contra os inimigos para se preparem frente ao “anunciado” ataque (v. 9).
4. Ameaça: As forças inimigas aumentaram consideravelmente e se fortaleciam ameaçando atacar Jerusalém. Como não poderiam fazer isto, mudaram a estratégia, e, desta vez, o povo balançou. Eles ameaçaram o povo, numa tentativa de intimidá-lo. Não queriam somente zombar da obra, mas desejavam matar os judeus, para alcançar o objetivo principal: a paralisação da obra: Disseram, porém, os nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra (v. 11). Observe que o ataque seria de surpresa. Diante de tais ameaças, o povo temeu. As noticias corriam como boatos dos que moravam próximos aos inimigos, fora de Jerusalém. Eles traziam estes comentários assustadores e os disseminavam no meio do povo: E várias vezes os judeus que moravam entre os nossos inimigos vieram nos avisar dos planos que eles estavam fazendo contra nós (v. 12). É interessante observar que boatos sempre objetivam destruir a coragem e a cooperação. Onde eles se espalham, os servos de Deus ficam assustados e a obra de Deus pode ser paralisada.
5. Desânimo: Mesmo com Neemias e o povo orando e se preparando para um futuro ataque, parece que os opositores, em parte, conseguiram o que queriam. O povo começou a dar ouvidos ao que estava sendo dito, aos boatos e às ameaças, e ficou desanimado. Após algumas tentativas para paralisar a obra (zombaria e ameaça), os inimigos de Neemias conseguiram fazer com que o povo ficasse desanimado (v.10). As pressões externas, frequentemente, geram problemas internos. Desanimados, os judeus causariam a própria derrota, e Sambalate e seus aliados conseguiriam seu intento, além do que os judeus estariam concordando com os que os haviam chamado de fracos (v. 2). Qual foi a reação de Neemias, diante dessa situação? Com relação ao desânimo, Neemias enfrenta tal problema repreendendo os judeus (“Não os temais”), animando o seu povo (“Lembrai-vos do Senhor”) e dando a eles uma motivação (“pelejai pelas vossas famílias”). É dada a ordem para que cada homem defenda a sua família, empunhando as armas de defesa e de combate (v. 13-14). Da mesma forma, os olhos do povo deveriam estar voltados não para o inimigo, mas para o Senhor, “grande e temível”. Neemias tinha a certeza de que, se houvesse batalha, Deus pelejaria pelo povo (v. 20). Depois disso, os inimigos (...) compreenderam que Deus havia atrapalhado os seus planos. Então todos nós voltamos para o nosso trabalho na reconstrução das muralhas (v. 15).
Este é, basicamente, um resumo do que aconteceu no decorrer dos 52 dias de construção dos muros de Jerusalém. Este capítulo enfatizou a oposição liderada por Sambalate e Tobias, que tinha por objetivo impedir que o trabalho de reconstrução tivesse êxito, para que o povo de Deus continuasse no sofrimento e na miséria. Sempre que os servos do Senhor se levantam para trabalhar para ele, o inimigo é profundamente incomodado e age, em oposição, para evitar a realização dessa tão nobre tarefa. Diante das intrigas da oposição, tenhamos coragem.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
Em meio à oposição, não dê ouvidos à zombaria. Esse capítulo de Neemias demonstra que a vida cristã é uma guerra contínua, sendo impossível realizar a obra de Deus sem sofrer oposição. E o que fazer se, no decorrer da nossa caminhada, o inimigo zombar, menosprezando o nosso trabalho? A nossa resposta deve ser a mesma de Neemias: oração e ânimo para trabalhar. Essas duas atitudes demonstram que a nossa confiança está alicerçada em Deus e que ele nos sustentará sempre. Não podemos parar, pois a obra é do Senhor e ele nos chamou e capacitou para executá-la para a sua glória.
Em meio à oposição, não se intimide com a ameaça. Para não sucumbir à ameaça dos inimigos, Neemias, mais uma vez, recorreu à oração, mas, dessa vez, acrescida da vigilância. Ele pôs guardas para vigiarem, tanto de dia quanto de noite. Aqui nós observamos a importância de estarmos vigilantes. O próprio Senhor Jesus nos exorta a orar e a estar sempre vigilantes (Mc 13:33). Da mesma forma, se desejamos prevalecer contra o inimigo e terminar o trabalho para o qual fomos chamados, devemos utilizar o equipamento espiritual que o próprio Deus nos concedeu (Ef 6: 10-18) .
Em meio à oposição, não deixe de confiar no Senhor. A oposição não conseguiu interromper a construção dos muros. O nosso trabalho para o Senhor também não deve ser interrompido pelas astutas ciladas do inimigo. Ao sofrermos oposição, devemos estar preparados para a batalha, mas também temos de perceber que o Senhor luta conosco e que somente nele somos mais que vencedores. Não nos esqueçamos de que as nossas forças são renovadas somente em Cristo Jesus. Devemos continuar executando a obra do Senhor, tendo sempre a certeza de que o nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15:58).
CONCLUSÃO
Podemos, então, estar certos de que, para enfrentarmos a oposição, devemos colocar em prática as lições que aprendemos com Neemias. Mesmo com todas as tentativas dos inimigos de interromper o trabalho de reconstrução dos muros, Neemias foi vitorioso. Da mesma forma, podemos ser vitoriosos, quando enfrentamos oposição na obra do Senhor. Para isso, é preciso que fiquemos atentos às lições que estão registradas no livro de Neemias. Em meio à oposição, não abandonemos a oração, a vigilância e o trabalho. Acima de tudo, nunca deixemos de confiar no Senhor.
Que Deus nos abençoe!

Bibliografia
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 634
2. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 3. São Paulo: Candeia, 2000. pág. 1786

DEC - PCamaral

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