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Reavivamento através da Escritura Sagrada

E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. (Ne 8:5)

Avivamento, segundo as Escrituras Sagradas, é o ato de Deus dar vida espiritual, por meio da fé em Cristo, àqueles que estão mortos em delitos e pecados (Ef 2:1). Por sua vez, reavivamento é o ato de Deus dar novas forças espirituais, por meio do Espírito Santo, aos que não mantiveram a chama da fé viva (2 Tm 1:6). No Antigo Testamento, o melhor exemplo de reavivamento espiritual encontra-se em Neemias 8. O povo de Jerusalém, depois da reconstrução dos muros e da reorganização da sociedade, encontrava-se estruturado materialmente. Contudo, estavam desestruturados espiritualmente. Por isso, humildemente, Neemias chamou Esdras para fazer a reforma mais importante. O que foi determinante do trabalho de Esdras?

Aprendemos, nos capítulos sete e onze do livro de Neemias, que o povo de Judá estava com uma boa estrutura organizacional, as pessoas estavam bem estabelecidas na capital, tinham proteção adequada e eram bem governadas. Que povo não gostaria de estar em tal situação? Casas boas, bons empregos e segurança para todos é o ideal dos governos. Para qualquer povo, essa estabilidade material rende o status de “país desenvolvido”. Mas estamos nos referindo a Judá, o povo de Deus. Logo, dinheiro, conforto, estrutura, não é tudo. O principal estava faltando em Jerusalém: um reavivamento na vida espiritual do povo de Deus. E esta foi a principal reforma de Neemias. O reaviamento veio pela palavra de Deus. O Espírito Santo a usou para reavivar o coração do povo. Vejamos como tudo aconteceu.

A exposição das Escrituras: A prosperidade material, quando adquirida com trabalho honesto, é uma bênção divina. Ainda assim, o maior desafio é usá-la para a glória de Deus. Jerusalém estava cheia de dinheiro, mas vazia espiritualmente. “As necessidades materiais da cidade haviam sido supridas, e era hora de se concentrar nas necessidades espirituais”. [1] No meio do conforto material, poucos conseguem ver que lhes falta o principal. Neemias viu, porque era homem temente a Deus; tinha o coração no Altíssimo; era um líder que via a falta na fartura, e estava ciente de que o povo tinha casa cheia, mas alma vazia. Para a reconstrução do principal, o governador Neemias convocou o escriba e sacerdote Esdras. Aprendemos, então, como é que se reconstrói a vida espiritual de um povo. Para tanto, o governador convocou as gentes, e todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas (Ne 8:1). A Porta das Águas localizava-se “num dos centros da vida da cidade, no tipo de lugar onde a sabedoria de Deus roga mais urgentemente ser ouvida (cf. Pv 1.20-21; 8.1ss)”. [2] Era manhã em Jerusalém. Todo o povo estava ali, à espera do que viria. Neemias autorizou e Esdras saiu da obscuridade. Entrou em cena o mestre na palavra de Deus. Ele chegou com o Livro da Lei nas mãos. Tudo indica que era o Pentateuco. Começa o reavivamento.
“Antes de entrar no coração e liberar seu poder transformador, a palavra de Deus deve ser compreendida”. [3]
Do alto do púlpito de madeira, com o sol ainda “sonolento”, o professor começou a ler a Bíblia Sagrada (Ne 8:3). Junto a ele, uma equipe de estudiosos, gente que sabe explicar as Escrituras (Ne 8:4). Em baixo, na praça lotada, ouvidos atentos tanto de homens como de mulheres, e todos os que podiam ouvir com entendimento (Ne 8:2-3). Professor, estudiosos, gente capaz de entender o que ouve é o que se vê em Neemias 8:1-4. “Antes de entrar no coração e liberar seu poder transformador, a palavra de Deus deve ser compreendida”. [3] O conteúdo da Bíblia não é mágico. Só ler, não resolve. É necessário ler e entender. “Há uma profunda conexão entre o ensino fiel das Escrituras e o reavivamento”. [4] Na história de Deus com seu povo, não existe reavivamento sem Bíblia, sem Palavra, sem Escritura. Pode haver empolgação, euforia, movimentação, mas vida espiritual autêntica, só há com leitura e compreensão correta das Escrituras. Quando a pregação da palavra de Deus é feita com clareza e poder do alto, há despertamento espiritual. Adepto do reavivamento pela palavra, Esdras abriu o livro diante de todo o povo, e este podia vê-lo (Ne 8:5a – NVI). O povo ouviu e viu a Bíblia. Veja o resultado: ... quando abriu o livro, o povo todo se levantou (Ne 8:5b). Não é adoração ao Livro: é respeito à palavra. Pregador, o povo não precisa ouvir extravagâncias espirituais, mas necessita escutar o evangelho! O povo de Deus não é carente de imagens impressionantes em telões ou de computadores modernos no púlpito, mas de ver a Bíblia aberta na mão do pregador. Ore, jejue, santifique-se. Depois, suba ao púlpito. Leia e pregue a Escritura. Deixe o povo ver o Livro Santo. Vão saber que ali está a palavra de Deus. Esdras assim o fez, e, em seguida, louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: “Amém! Amém!” Então eles adoraram o Senhor, prostrados, rosto em terra (Ne 8:6 – NVI). Se você ler e explicar a palavra, o reavivamento acontecerá.
O povo de Deus não é carente de imagens impressionantes em telões ou de computadores modernos no púlpito, mas de ver a Bíblia aberta na mão do pregador.
A prática das Escrituras: Entraram em cena os auxiliares de Esdras e os levitas. Desceram à praça, aproveitando o momento de quebrantamento espiritual. Eles ensinavam o povo na lei (Ne 8:7b). O reavivamento espiritual autêntico tem sempre como fonte as Escrituras; mas não para: segue mantido pela mesma Escritura. Assim é que, em plena adoração ao Senhor, os cooperadores de Esdras saíram lendo o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido (Ne 8:8 – NVI). Bíblia antes e durante o reavivamento. Isso mostra que não pode haver superficialidade bíblica na igreja, pois o principal lugar terreno de onde Deus governa sua igreja é o púlpito. Com a lei de Deus na mente e no coração, o povo teve uma reação surpreendente: ... todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da Lei (Ne 8:9b – NVI). Antes, estavam ocupados em ter conforto material ou ser “de primeiro mundo”. Agora, a Escritura explicada lhes trouxe convicção espiritual, entenderam que era necessário mudança nas práticas diárias! Entenderam que estavam longe de Deus. Choravam por estarem em pecado. É isso mesmo, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado (Rm 3:20). Geralmente, em todo reavivamento genuíno na história, essa mesma história se repetiu. Depois da exposição da palavra de Deus, sempre houve uma mobilização como resposta por parte do povo de Deus. [5]
O arrependimento pode nos fazer chorar, mas a fé em Deus produz alegria. Um dos segredos da alegria cristã é obedecer às Escrituras. Isso traz contentamento (Sl 112:1; 1:2).
Depois da convicção do pecado, a palavra de Deus trouxe alegria ao povo. Quem se arrepende, não permanece choroso. Por isso, Neemias, Esdras e os levitas lhes disseram: Este dia é consagrado ao Senhor Deus. Nada de tristeza e de choro! Não se entristeçam, porque a alegria do Senhor os fortalecerá (Ne 8:9-10). “É tão errado chorar quando Deus nos perdoou quanto é errado se regozijar quando o pecado nos derrotou”. [6] O arrependimento pode nos fazer chorar, mas a fé em Deus produz alegria. Um dos segredos da alegria cristã é obedecer às Escrituras. Isso traz contentamento (Sl 112:1; 1:2). Todo o povo deveria celebrar! Ninguém poderia ficar de fora, nem mesmo aqueles que não tinham nada preparado, isto é, os que passavam necessidades. Esdras, Neemias e os levitas, cuidaram para que a celebração não fosse egocêntrica. Como eles fizeram isso? Associaram a celebração à doação: Vão agora para casa e façam uma festa. Repartam a sua comida e o seu vinho com quem não tiver nada preparado (Ne 8:10a – NTLH). “Isto também deu aqueles que estavam padecendo necessidades uma oportunidade para celebrar”. [7] Os versículos finais do capítulo 8 de Neemias, os versículos 13 a 18, ensinam que a obediência à Lei, sendo movida pela alegria da salvação, não é penosa, mas prazerosa. Assim, o povo voltou à praça no dia seguinte para aprender mais da Lei. E foi outra vez reavivado pela celebração da Festa dos Tabernáculos, isto é, a gratidão pela colheita do fim do ano e a lembrança da forma de vida no deserto, após o êxodo do Egito, quando Israel habitou em cabanas, protegido por Deus. Era o reavivamento das tradições bíblicas. Foi uma semana de celebrações, uma semana de Bíblia, uma semana de mui grande alegria, terminando com uma assembleia solene e espiritual (Ne 8:17-18; cf. Nm 29:35).

Não basta o povo de Deus ter belas, detalhadas e engenhosas estruturas organizacionais, se não tiver vida espiritual! O exterior se mostra belo, mas não reflete o interior. Jerusalém estava repovoada, os muros reconstruídos, mas faltava uma reforma espiritual. Conforme vimos, ela aconteceu. Se esta restauração não tivesse sido feita, Jerusalém estaria inacabada; por isso, através da palavra, o Espírito Santo deu novas forças espirituais ao povo de Judá. A Bíblia foi exposta e o povo respondeu praticando-a. As Escrituras causaram grande impacto na vida do povo. Esta, com toda certeza, foi a maior reforma implementada em Jerusalém!

APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA


Quando o povo se reúne para ouvir a Palavra de Deus é reavivado por Ele - Neemias 8:1 e 2 diz que o povo veio ouvir a Lei de Deus. Quando nos reunimos na igreja, qual o nosso interesse? Queremos resultados materiais ou ouvir a verdade? Queremos bênçãos ou o Deus das bênçãos? Nós nos juntamos para ouvir o cantor, o pregador ou a palavra de Deus? Nós nos reunimos para nos vermos ou ouvirmos o evangelho? Amados, na igreja, nada pode nos atrair mais do que a vontade de ouvir as Escrituras Sagradas. Quando nos encontramos com este propósito, o Espírito Santo começa a reavivar seu povo, isto é, dar novas forças espirituais, sem as quais não poderemos vencer as astutas ciladas do maligno; mas, reavivados, estaremos firmes na fé.

Quando o povo se reúne e prioriza a pregação da Palavra de Deus é reavivado por Ele - Neemias 8:3-12 diz que Esdras e seus auxiliares fizeram uma pregação expositiva e extensiva da lei, ou seja, todo o tempo foi gasto com o texto bíblico. No culto, a pregação tem valor importantíssimo! Mas a pregação bíblica! Abaixo o excesso de gracejos e afagos no púlpito! O compromisso de Deus não é com as nossas palavras, mas com a palavra dele. Venha a nós a pregação que produz entendimento espiritual, pois a fé bíblica não anula o raciocínio (Rm 10:14 e 15). As pessoas entendem o que você prega? Deus reaviva a igreja, quando esta não prega suas ideias, mas o evangelho de Cristo! Só assim, a palavra alcançará os corações como uma flexa afiada.

Quando o povo de Deus pratica a Sua Palavra é reavivado por Ele - Neemias 8:13 a 18 apresenta o resultado da pregação da palavra de Deus: o povo entendeu, arrependeu-se e mudou de vida. Quando saímos da igreja, que levamos em nossa mente: indiferença com o que ouvimos ou decisão de mudança? Saímos secos ou tocados pela palavra? Nossa mente tem que voltar para casa menos carnal e mais cheia de luz. Lágrimas devem ser derramadas! Choramos por nossos pecados? Amados, quando a igreja decide obedecer à palavra, Deus a mantém reavivada. Alegria e celebração marcam sua trajetória, uma vez que decidiu não mais buscar novidades, mas voltar-se para a prática dos ensinamentos das Escrituras.

CONCLUSÃO

Há pessoas que criticam os reavivamentos da Bíblia porque, depois de um tempo, o povo reavivado voltou aos mesmos erros de outrora, tendo de recomeçar. Ao invés de criticar, deveríamos agradecer a Deus por estar sempre disposto a nos dar novas forças espirituais, sobretudo, nos momentos de fraquezas, pois sabe que somos pó. Graças a Deus que, de tempos em tempos, vem com mais força aos nossos corações, nos tira do comodismo material e faz com que reconheçamos os nossos erros, nos arrependamos e voltemos para seus braços de amor, convertidos e prontos para celebrar sua salvação com regozijo.

Que Deus nos abençoe!


Bíbliografia
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 656
2. KIDNER, Derek. Esdras e Neemias: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1985. pág. 115
3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 62
4. LOPES, Hernandes Dias. Neemias: O líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2006. pág. 131
5. SWINDOLL, Charles R. Vamos construir juntos! São Paulo: Candeia, 2008. pág. 141
6. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 64
7. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (2004:676).


DEC - PCamaral

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