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A Vigência da Lei de Deus

Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem os céus e a terra, de forma alguma desaparecerá da lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. (Mt 5:18)

Muitas pessoas, por não estarem devidamente esclarecidas, ao ouvirem ou lerem o que certos líderes evangélicos do nosso tempo dizem e escrevem contra a lei de Deus, são levadas a questionar: Será que esses líderes estão corretos, ao afirmarem que a lei de Deus, não tem mais validade para os nossos dias? A lei e a graça são antagônicas ou excludentes entre si?
Toda questão de natureza doutrinária deve estar devidamente fundamentada no ensino das Escrituras. É a esta que vamos recorrer, no presente estudo, em busca de informações que esclareçam as questões ligadas à vigência da lei de Deus. É fundamental o devido cuidado “para não transmitir conceitos falsos e não bíblicos, estabelecendo um conceito inverídico entre a lei e a graça, como se ambas não procedessem de Deus”. [1] Sobre essa questão, a Bíblia nos mostra que, embora estejamos sob o domínio da graça de Deus, não estamos isentos, nem desobrigados da obediência à lei do Senhor, ou seja, a lei continua vigente; não foi abolida na cruz. Veremos, a seguir, as razões.
1. A lei de Deus é eterna: A maior diferença entre a lei moral dos dez mandamentos e as demais leis civis e cerimoniais, praticadas no passado pelos judeus, diz respeito à sua vigência. A lei moral foi criada para durar eternamente. Prova disso é a forma como foi escrita: pelo dedo de Deus, em tábuas de pedra (Êx 31:18). Pedra é um símbolo de eternidade. Enquanto as outras leis foram criadas para um tempo limitado, a lei moral dos dez mandamentos esteve, está e sempre estará em pleno vigor.
Outra prova de que a vigência da lei é eterna é que esta reflete o caráter do legislador. Deus é bom (Mc 1:18), e a lei é boa (Rm 7:12); Deus é santo (1 Pd 1:15-16, Ap 15:4), e a lei é santa (Rm 7:12); Deus é perfeito (Mt 5:48), e a lei é perfeita (Sl 19:7; 119:96); Deus é espiritual (Jo 4:24), e a lei é espiritual (Rm 7:14); Deus é justo e reto (Dt 32:4), e a lei é justa e reta (Sl 19:7, 119:128,137-138). De igual modo, Deus é eterno (Jd 25), e sua lei também é eterna (Sl 119:152). Veja o que o salmista diz a respeito dela: A verdade é a essência da tua palavra, e todas as tuas justas ordenanças são eternas (Sl 119:160 – NVI). A lei do Senhor sempre existiu e sempre existirá.
Além disso, a lei é eterna porque releva o plano e a vontade de Deus para os seres humanos. O propósito de Deus para nossas vidas está revelado na lei. Esta não tem apenas uma vigência perpétua, mas também uma abrangência universal, ou seja, aplica-se a todos, em todos os lugares e em qualquer tempo (Ec 12:13). No Salmo 119:96, lemos: Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. Jesus confirmou isso, ao dizer: Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido (Mt 5:18).
2. Jesus não veio abolir a lei: A pessoa que melhor confirmou a vigência da lei foi Jesus Cristo. Ao invés aboli-la, ele a cumpriu, em todos os aspectos de sua vida. Cumpriu-a em seu nascimento, pois foi nascido sob a lei (Gl 4:4). Observou-a, também, no decorrer de sua vida, pois ninguém nunca foi capaz de acusá-lo de qualquer erro. Pedro afirmou: Ele não cometeu nenhum pecado (1 Pd 2:22a). No mesmo sentido, Paulo afirma que, na forma humana, o Messias foi obediente até à morte, e morte de cruz (Fp 2:8). Jesus é o melhor exemplo que temos de obediência à lei.
O que a Bíblia nos informa é que “Jesus obedeceu a todos os mandamentos de Deus na lei sem, no entanto, se sujeitar às tradições dos escribas e fariseus”. [2] Ele mesmo declarou: ... eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai (Jo 15:10b). Além disso, ele sempre incentivou a obediência à lei, ou melhor, sempre exigiu isso de seus discípulos (Jo 14:15,21-24; Jo 15:10). Graças ao conhecimento que tinham das Escrituras e ao exemplo deixado pelo Mestre, as mulheres que serviam a Jesus guardaram os mandamentos de Deus, mesmo depois da morte dele (Lc 23:55-56).
Ao contrário do que muitas pessoas ensinam, Jesus não aboliu a lei moral, sintetizada nos dez mandamentos, mas validou-a, através de seu exemplo e de seu ensino. Ele advertiu seus seguidores: Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir (Mt 5:17). Não faz nenhum sentido Jesus vir acabar com a lei, uma vez que ele também é seu legislador. O Filho estava junto do Pai, quando esta lei foi escrita em tábuas de pedra. Coloque esta verdade em seu coração: Jesus Cristo não veio abolir os mandamentos do Pai, mas veio cumpri-los e nos ensinar a obedecer-lhes da maneira correta.
3. Anulamos a lei pela fé? Os que argumentam que a obediência à lei de Deus é incompatível com a doutrina da salvação pela fé, como se ambas fossem excludentes, estão incorrendo em grave erro, porque não há nenhuma incompatibilidade entre a lei e a fé ou entre a lei e a graça. É inadmissível a existência de um salvo que se posicione contra a lei de Deus. Quem age assim, está desrespeitando o autor da lei e ignorando também o fato de que defender a invalidade dessa lei é declarar lícitos todos os crimes previstos nos dez mandamentos, tais como: desonrar pai e mãe, matar, adulterar, furtar, levantar falso testemunho, cobiçar as coisas alheias etc.
Tal pensamento é inconcebível; pelo menos, para uma mente cristã esclarecida. Nesse sentido, Paulo defende a vigência da lei de Deus, quando pergunta, para, depois, responder: Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei (Rm 3:31). Com essas palavras, o apóstolo mostra que a justificação pela fé não anula o nosso dever para com Deus; ao contrário, confirma-o ainda mais. Para Paulo, a vigência da lei moral era uma verdade inquestionável, e sua observância, muito importante. Ele escreveu: A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus (1 Co 7:19).
No estudo anterior, A natureza dalei de Deus, aprendemos que há diferentes tipos de leis, tais como: moral, ritual e civil. Se ignorarmos isso, corremos o risco de imaginar que Paulo era contra a lei moral de Deus. Por isso, todas as vezes em que lermos a palavra “lei”, nas cartas paulinas, devemos perguntar: “A que lei Paulo está se referindo aqui?”. Para esse servo de Deus, as leis de rituais e de sacrifícios perderam seu sentido, quando Cristo as cumpriu, lá na cruz. Contudo, a lei moral dos dez mandamentos permanece em vigor. A respeito desta, ele afirmou: De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom (Rm 7:12 – NVI).
4. Não há um mandamento novo: Outro apóstolo que tratou da vigência da lei dos dez mandamentos foi João. Segundo ele, a lei não mudou, mas continua a mesma. Observe bem o que escreveu, em sua primeira carta: Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele (1 Jo 2:4). Para explicar a que lei estava se referindo, acrescentou: Amados, não lhes escrevo um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que vocês têm desde o princípio (1 Jo 2:7 – NVI).
No evangelho escrito por esse mesmo apóstolo, é o próprio Jesus quem caracteriza aqueles que o amam: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama (Jo 14:21). João também registrou as palavras do Mestre: Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor (Jo 15:10). Sobre esse versículo, é importante lembrarmos que as pessoas que compõem a Triunidade Divina não se contradizem. Quando Jesus afirma: Eu e o Pai somos um e quem me vê a mim vê o Pai, está declarando que há, entre eles, uma unidade de pensamento e de ação. A respeito disso, o salvador afirmou: Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo 6:38).
Nos escritos de João, vemos que a lei de Deus é a lei de Jesus e a vontade de Deus é a vontade de Jesus (Jo 12:49-50). Quando Cristo diz “os meus mandamentos” e os “mandamentos de meu Pai”, não está fazendo distinção entre estes e aqueles, porque a lei representa um ato da vontade de ambos. O Pai e o Filho estavam juntos, quando foi dada, depois de ter sido considerada necessária: Ele estava no princípio. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Jo 1:2-3). Não há um mandamento novo. Jesus e os apóstolos não apresentaram uma “nova lei”, mas a mesma que, no passado, fora entregue ao povo de Deus. A mesma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fizeram, em comum acordo. Essa lei continua vigente.
Até aqui, procuro mostrar, com base no exemplo de Jesus Cristo e nos ensinamentos dos apóstolos, que a lei moral dos dez mandamentos continua em vigor, pois, em tempo algum, foi alterada por Jesus ou pelos apóstolos. Se alguma tentativa foi feita, no sentido de mudá-la ou alterá-la, por parte de quem não estava autorizado para fazê-lo, deve ser considerada nula. Em todo tempo e em qualquer parte da terra, sempre foi pecado contra Deus mentir, matar, roubar, levantar falso testemunho etc. Não podemos admitir que um cristão esclarecido e consciente não tenha discernimento sobre essas coisas.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
Os dez mandamentos não foram abolidos, e todo cristão deve conhecê-los de maneira profunda. O poeta declara: A lei do Senhor é perfeita (Sl 19:7). É como um mapa, que aponta o caminho; como uma bússola, que mostra a direção. É o código de conduta do cristão. Conhecer a lei de Deus é também conhecer o próprio Deus, pois ela revela o caráter santo e perfeito do legislador. Mas como conhecê-la? Você deve estudá-la com seriedade e afinco. Saiba que a ignorância e o desprezo pela lei é o caminho do erro e da morte (Os 4:6). Mais do que ler superficialmente os dez mandamentos, é fundamental estudá-los com profundidade. Neles, você descobre os tesouros e mistérios de Deus; através dos mandamentos, você entende a vontade do criador para a sua vida. É por isso que são mais desejáveis do que o ouro puríssimo, são mais doces do que o mel (Sl 19:10).
Os dez mandamentos não foram abolidos, e todo cristão deve cumpri-los de maneira dedicada. Infelizmente, muitos, em nossos dias, não levam tão a sério a obediência aos preceitos do Senhor e usam a graça de Deus como desculpa. Dizem que, por sermos salvos pela fé em Cristo, não precisamos mais obedecer à lei. Sobre isso, Paulo escreveu: Por acaso anulamos a lei pela fé? De modo nenhum! Pelo contrário, confirmamos a lei (Rm 3:31). Na paráfrase da Nova Bíblia Viva, lemos assim: Bem, então, se somos salvos pela fé, isso significa que não precisamos mais obedecer às leis divinas? Ao contrário! De fato, é assim que confirmamos a lei. A graça não nos desobriga de obedecer à lei. Devemos, sim, cumprir os dez mandamentos e fazer isso com zelo e dedicação, pois é o que Deus espera de seus filhos.
CONCLUSÃO
Através deste estudo, vimos que a lei moral permanece em vigor ainda em nossos dias, e é dever do cristão obedecer aos mandamentos de Deus. Aprendemos que Jesus não veio abolir a lei do Pai, que é também sua própria lei, mas cumpri-la e ensinar aos seus seguidores a maneira correta de observá-la. Vimos, também, que os apóstolos confirmaram a vigência da lei. Deste modo, quebrar qualquer dos dez mandamentos constitui pecado e negar a vigência da lei significa justificar e legitimar a prática do pecado. Quanto a nós, preferimos amar, obedecer e respeitar a lei de Deus.

Bibliografia

1. PORTELA, S. A lei de Deus hoje. São Paulo: Os puritanos, 2000. pág. 33
2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 1. Santo André: Geográfica, 2008. pág. 25

DEC - PCamaral

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