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A Lei de Deus e a Família

Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra. (...) Não adulterarás. (Êx 20:12,14)

Deus fez a família ainda no jardim do Éden, antes da queda do homem. Ele disse: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2:18). Deus os uniu em matrimônio e deu-lhes uma ordem: Sede fecundos, multiplicai-vos (Gn 1:28). A família foi a primeira instituição criada por Deus. Teve origem “na mente e no coração de Deus”. [1] Portanto, deve ser preservada e mantida em seu formato original. Entretanto, o mundo, a carne e o diabo conspiram para que esta venha a ser deturpada. Prevendo isso, Deus instituiu dois mandamentos, a fim de protegê-la. Jesus nos ensina que, os dez mandamentos são a maneira que Deus escolheu para que demonstrássemos e vivenciássemos o amor (Jo 13:34). Sendo assim, a obediência aos quatro primeiros mandamentos é a evidência do amor a Deus, e a obediência dos seis últimos é expressão do amor ao próximo. Os dois mandamentos citados no topo deste estudo são o quinto e o sétimo, que se referem à família. Vejamos, então, o ideal divino para a família, através do estudo da sua palavra.

Definição de honra: Honra vem da palavra hebraica kabad e significa tornar honroso, pesado ou importante. Poderíamos fazer uma tradução livre do texto deste modo: “Considera teu pai e tua mãe importantes”. [2] Honra tem a ver com consideração, obediência e reconhecimento. Por que honrá-los? Porque é justo e agradável ao Senhor (Ef 6:1; Cl 3:20). Os filhos devem honrar os pais, não apenas na infância, mas em toda a vida.

Quando crianças e adolescentes, os filhos devem considerar as instruções, mas, acima de tudo, devem apreciá-las e obedecer-lhes. Também podem honrar prestando contribuições à vida familiar, ajudando nas atividades diárias e favorecendo a boa convivência no lar. Na vida adulta, os filhos honram os pais partilhando suas vidas. Mesmo com a distância física, é necessário que estejam presentes de alguma forma.

Pais idosos precisam de que suas necessidades sejam valorizadas. Portanto, se precisarem de auxílio financeiro, cabe aos filhos ajudar (1 Tm 5:8). O apoio também deve ser emocional. Os filhos precisam seguir o exemplo de Jesus, que preocupado com o futuro de sua mãe, encarregou João de cuidar dela (Jo 19:26-27). Lembre que nunca é tarde para levar em conta os conselhos de um progenitor e considerar seus anos de experiência (Pv 1:8).3

Aprendendo a honrar: É interessante pensar que o primeiro mandamento de amor ao próximo seja relacionado aos pais. Certamente porque são as primeiras pessoas com quem se tem contato. Com eles, a criança irá aprender a amar, a obedecer. Tendo isso em vista, honrar é um aprendizado. A tendência natural da criança é ser insubordinada. Portanto, os pais deverão ensinar-lhe a se comportar adequadamente. Não basta que os progenitores se irritem com a indisciplina; é necessário que dediquem tempo ao ensino e à disciplina. Isso começa nos primeiros dias da criança, desde a amamentação.

É essencial que os pais sejam pessoas dignas de honra, ou seja, exemplares em sua conduta, diligentes no ensino e sensatos na disciplina. Aliás, esse é o padrão bíblico para os pais (Dt 6:4 9; Ef 6:4). Mas essa não é a realidade de muitas famílias. Alguns tiveram a graça de nascer em um lar estável e desfrutar da companhia de pais amorosos, que ensinaram como se honra uma figura de autoridade. Contudo, muitas crianças nasceram em lares desestruturados, com pais autoritários ou avessos às regras, o que dificultou a obediência. Em ambos os casos, a obediência ao mandamento é necessária.

A abrangência da honra: Os pais são as primeiras figuras de autoridade, mas, ao longo de toda sua vida, um ser humano terá de lidar com outras figuras superiores. Deste modo, aprender a obedecer ao quinto mandamento implica aprender a honrar qualquer autoridade, principalmente “todos aqueles que, pela ordenação de Deus, estão colocados sobre nós em autoridade, quer na Família, quer na Igreja, quer no Estado” [4] (Hb 13:17; Rm 13:1-2), especialmente, aquele que também é chamado de Pai: Deus. O final do mandamento diz: ... para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá. O alcance dessa promessa não é apenas individual, mas coletivo. Pense numa sociedade em que os indivíduos honram os pais levando em conta os conselhos para não se envolverem com drogas, crimes, violência, mas manterem os princípios espirituais? [5] A preservação da vida seria notória, como confirma o texto: O temor do Senhor prolonga os dias da vida, mas os anos dos perversos serão abreviados (Pv 10:27). Se os filhos aprendessem a respeitar autoridades, a sociedade seria melhor.

Definição de adultério: Adultério é a “violação do voto de fidelidade conjugal”. [6] É a quebra consciente do amor, do compromisso, da fidelidade e da lealdade que duas pessoas assumiram, diante de Deus e dos homens. Não apenas se refere à relação sexual extra matrimonial, uma vez que Jesus afirma que, se um dos cônjuges alimentar pensamentos lascivos a respeito de outra pessoa, já comete adultério (Mt 5:27-28). Jesus condena a conservação desses pensamentos na mente, pois nutri-los significa o deleite secreto com o pecado.

Jesus os condena porque sabe que a impureza sexual começa na mente, evolui em palavras e culmina em ações pecaminosas, que geram a morte. A tentação sempre tem origem na cobiça, que atrai e seduz o homem (Tg 1:14-15).7 A palavra cobiça, neste texto (gr. exelko), unida à palavra atrair (gr. deleazo), simboliza uma pesca sendo atraída pela isca. Isso ensina que o homem ou a mulher autoconfiante pode ser seduzido(a) pela isca do pecado. Lamentavelmente, o desejo lascivo expõe a pessoa autoconfiante ao uso indevido de sua sexualidade, com estimulação à fornicação, pornografia etc. [8]

Aprendendo sobre pureza: É importante entender que a natureza humana decaída quer satisfazer-se. Não prioriza o que é lícito, mas o que lhe dá prazer. O ser humano seduzido pela sua natureza troca facilmente o que é duradouro e que traz felicidade futura por momentos ilusórios de divertimento. Isso é decorrente do pecado. Mas o sexo foi criado antes da queda do homem. Deus o fez puro, para que um homem e uma mulher pudessem desfrutar de prazer somente no matrimônio. Ele mesmo proferiu as palavras: ... tornando-se dois uma só carne (Gn 2:24).

Podemos citar atitudes que ajudam a usufruir da sexualidade de forma saudável, evitando o adultério; uma delas é o desejar sinceramente agradar a Deus, como fez José (Gn 39:9). Outra atitude necessária é manter os pensamentos puros (Mt 5:27-30), inibindo todos os impuros rapidamente (Tt 2:12). Isso é algo que exige vigilância constante, bem como uma vida devocional. Outra atitude, ainda, é não se expor ao pecado, evitando situações que o levem a pecar. Também é preciso buscar auxílio do Espírito Santo, pois manter-se puro não é algo que o homem consegue sozinho (Rm 8:5, 13). Isso se pratica antes mesmo do casamento.

Conservação do matrimônio: Matrimônio ou casamento é a “união íntima e verdadeira entre duas pessoas de sexos opostos que manifestam publicamente o desejo de viver juntas” [9]. Deve ser monógamo e exclusivo. Deus fez uma só esposa para Adão (Gn 2:18). Também deve ser uma união permanente (Mt 19:6). Diante de Deus, o casamento é indissolúvel. O divórcio passou a existir somente pela dureza do coração humano (Mt 19:7-8). O ideal divino para o casamento precisa prevalecer.

Para isso, é importante que o casal tenha atitudes preventivas, dentre as quais podemos citar algumas. Lembrando que casamento é pacto, o casal deve aprender a cumprir promessas. Esse é um aprendizado anterior ao casamento, que se pratica desde a infância. O casal deve ter em vista que um dos elementos principais do casamento é o amor. Deve, então, nutrir diariamente o amor pelo cônjuge. Uma das melhores prevenções contra o adultério mental e físico é o funcionamento prático do matrimônio, ou seja, a união íntima e saudável entre o casal (1 Co 7:3-5). Ambos também devem cumprir seus deveres mútuos. São estes: fidelidade, afeição, cooperação, tolerância, submissão, diálogo e perdão.
Aprendemos que Deus instituiu a família e cuidou para que fosse preservada por meio de dois mandamentos. As relações entre pais e filhos e entre marido e esposa podem ser abençoadas e felizes, quando se tem por meta a vigência dos mandamentos do Senhor. Sendo os pais as primeiras pessoas com quem os filhos têm contato, certamente estes aprendem a por em prática a obediência e o respeito à autoridade, se os pais assim lhes ensinam e se praticam o que ensinam. O casal, visando cumprir a promessa estabelecida diante de Deus, tende a encontrar satisfação plena.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA

Obedeça ao Senhor ensinando e praticando a honra. Antes de planejar ter um filho, prepare-se para ser digno de honra. Quando trouxer um filho ao mundo, proporcione um ambiente que facilite a guarda do mandamento. Você será a primeira figura de autoridade na vida dele. Por seu intermédio, ele aprenderá a honrar seus superiores e especialmente a Deus. Portanto, exerça autoridade com sabedoria e amor. Você, filho, deve honrar seus pais observando seus ensinamentos e sua disciplina. Demonstrar amor em suas ações para com eles é a melhor forma de honrá-los. Mesmo que não sejam tão dignos de honra, faça isso perdoando suas más ações.

Obedeça ao Senhor mantendo a pureza no casamento. Pureza é algo que se adquire antes do casamento. Numa sociedade que instiga comportamentos imorais, manter-se puro não é algo tão simples. Mas o conselho bíblico é o seguinte: ... andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne (Gl 5:16). O segredo é andar de uma forma que agrade ao Espírito Santo e não à própria carne, porque esta precisa ser mortificada (Rm 8:13). Evite o que não condiz com sua fé, pois Deus o chamou para a santificação (1 Ts 4:7). Preserve seu casamento.

CONCLUSÃO

Deus criou homem e mulher; uniu-os e orientou-os a procriarem. Ao final de toda a sua criação, ficou satisfeito com tudo que criara: Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom (Gn 1:31). O casamento e a procriação são muito bons aos olhos do Senhor. Cabe a nós, seus filhos, o esforço para que permaneçam dentro dos padrões divinos. Pais e filhos devem conviver em uma relação de harmonia, obedecendo à instrução divina (Êx 20:12; Ef 6:1-4). Esposo e esposa devem empenhar-se por manter a pureza do seu casamento (Êx 20:14). Sempre buscando a direção e o auxílio do Senhor.

Bibliografia

1. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 147
2. SMITH, C. S. As maiores lutas da vida. Tradução de Jair A. Rechia. São Paulo: Vida, 2007. pág. 67
3. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 98
4. PORTELA, S. A lei de Deus hoje. São Paulo: Os puritanos, 2000. pág. 105
5. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 99
6. ALLEN, C. L. A psiquiatria de Deus. Tradução de Myrian Talitha Lins. 5 ed. Belo Horizonte: Betânia, 1981. pág. 71
7. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 146
8. PORTELA, S. A lei de Deus hoje. São Paulo: Os puritanos, 2000. pág. 124
9. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 147

DEC - PCamaral

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