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Será que posso perder minha salvação?

Aqui está a perseverança dos santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus. (Apocalipse 14:12)



O número de pessoas que saíram da igreja cresceu. É só você pensar em quantas pessoas conhece, que não caminham mais com você para a igreja. Para Kinnaman, [1] diretor de um instituto cristão americano de pesquisas, “a maior parte dos ‘não-cristãos’ (...) é formada por gente que (...) frequentou a igreja e serviu a Jesus”. Isso não é coisa de hoje: há mais de dois mil anos, o autor de Hebreus já alertava os crentes a não abandonarem o costume de congregar (10:25). Sair da igreja, deixar de vigiar e orar (Lc 21:36) podem ser sinais de desvio da fé, pois as práticas cristãs são relevantes para continuarmos caminhando na graça de Cristo.

Perseverança é a “irmã gêmea” da santificação, pois quem anda em santidade de vida, está perseverando na fé, e quem persevera na fé, está se santificando; isso porque a graça de Deus nos leva a viver de uma nova maneira. Assim, podemos viver como filhos de Deus, de maneira sensata, justa e piedosa (Tt 2:12), pois fomos separados do pecado pelo Senhor e devemos desenvolver a santificação para vermos o Senhor (Hb 12:14). Fazendo assim, iremos preservar nossa salvação.

Há algumas imagens que nos ajudam a visualizar a perseverança. Por primeiro, temos a corrida. Em Hebreus 12:1, lemos: ... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta. Esse texto mostra a vida cristã como uma corrida rumo à pátria celestial. A palavra corramos (gr. trechomen [2]) traz a ideia de um constante esforço para se chegar ao objetivo final. Por isso, essa corrida é feita com perseverança (gr. hupomones [3]), que, aqui, nos remete a caminhar com esperança [4]. O cristão não está caminhando para o nada, está indo para o céu.

Outra imagem que temos para a perseverança é a luta. É o que vemos em 1 Corintios 9:26b: ... assim luto. A palavra grega traduzida por luto (gr. Pukteuo) aponta para o pugilista ou boxeador, “aquele que luta com os punhos”. [5] Veja que a vida cristã é uma constante luta contra o pecado. A última imagem que a Bíblia apresenta é da guerra. O cristão é um soldado que anda conforme a vontade daquele que o alistou para o serviço. É isso que Paulo diz, em 2 Timóteo 2:3: Participa comigo dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. Embora Paulo esteja se dirigindo a quem está no ministério, certamente essa imagem serve para a vida do cristão. Devemos militar espiritualmente no poder de Deus.

Essas imagens ajudam-nos a visualizar como devemos caminhar com nosso Senhor Jesus Cristo. Não devemos ficar parados na vida cristã. A ordem bíblica é: cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pedro 3:18 NVI). Precisamos continuar nossa corrida crendo na recompensa final (1 Corintios 9:24-25). Jamais podemos vacilar, na nossa luta contra o inimigo de nossas almas (Ef 6:12), mas devemos continuar seguindo as ordens do Senhor para agradá-lo sempre (2 Timóteo 2:3). Podemos ter uma vida cristã crescente, perseverando, sempre dependentes da graça de Deus.

O cuidado no caminho - Já sabemos que nossa salvação está mais perto do que quando começamos a crer em Jesus (Romanos 13:11). É nosso dever, então, preservar a salvação. E isso é possível? Jesus falou várias vezes sobre perseverança. Em três, dos quatro evangelhos, Cristo nos chama a não desistirmos da fé, frente aos últimos dias (cf. Mt 24:13; Mc 13:13; Lc 21:19). Perseverar é a tradução para a palavra grega hupomeno, cujo significado é ficar firme na fé em Cristo, até o fim. Perseverar ou preservar a salvação é caminhar para frente, seguindo Jesus Cristo.

Para que preservemos a salvação que nos foi dada de graça por Jesus, devemos continuar nossa corrida, nossa luta e nossa guerra. A partir das três imagens que lemos acima, vamos meditar, agora, sobre o que atrapalha o cristão. O atleta segue na corrida e o cristão persevera. Para isso, precisa deixar todo peso que o detém e o pecado que o envolve (Hebreus 12:1). Wiley [6] nos ajuda a entender o significado de deixar o peso: “... tem o sentido de desfazer-se de coisas supérfluas, (...) o excesso de vestimenta que impeça o progresso do corredor”. Assim, devemos tirar tudo que impede a nossa caminhada. Com a imagem do lutador, Paulo mostra como devemos combater, no “ringue” da vida cristã. Ele diz que não dava socos no ar (1 Corintios 9:26b), pois seria algo inútil, e concluí: mas esmurro meu corpo e o reduzo à escravidão, (...) (v.27a). Vale dizer que o apóstolo não maltratava seu corpo, mas limitava, no poder de Deus, a sua natureza humana. Para Paulo, seu maior adversário era ele mesmo.

Sabemos que quem nos ajuda nessa luta é o Espírito Santo (Galatas 5:17). Por fim, o que impede o soldado de ser vitorioso na guerra é embaraçar-se com as coisas desta vida (2 Timoteo 2:4). Segundo a chave linguística do NT “a palavra [embaraçar-se] retrata a arma de um soldado embaraçada em sua própria armadura (...)”. [7] Como soldados de Cristo, temos de continuar na “guerra” contra o pecado, não perdendo de vista a nossa esperança.

Desvio: primeiro passo rumo à apostasia - A Bíblia afirma claramente que um cristão pode perder a salvação recebida pela graça de Deus. Isso acontece quando este apostata. Apostasia significa, literalmente, “mudança de posição”. A apostasia é uma ruptura completa de relação com Jesus; não é resultado de uma decisão rápida, “mas de um processo de endurecimento gradual dentro da mente que se cristalizou agora em uma ‘atitude constante de hostilidade a Cristo’”. [8]

O primeiro passo rumo à apostasia é o desvio. Sobre isso, Tiago diz: ... se algum dentre vós se desviar da verdade ... (5:19a). Aqui, “o verbo ‘desviar’ significa ‘perambular’ e sugere um afastamento gradativo da vontade de Deus”. [9] Assim, entendemos que um crente pode, sim, sair do caminho. Os cristãos devem pregar aos desviados, para que estes voltem ao caminho, pois, a partir do texto de Tiago, entendemos que há chance para aquele que se afastou, mas ainda crê no Senhor (Tiago 5:20). Quanto aos duvidosos, mencionados na Carta de Judas, devemos nos esforçar e ter misericórdia deles, a fim de ajudá-los a voltar para o caminho de Deus (Judas 22-23). O fato é que o desviado da verdade pode voltar. Contudo, o desvio é um caminho perigoso, pois pode levar à apostasia. O pecado continuado pode levar ao endurecimento da mente e tornar a consciência insensível. Assim, chega-se à apostasia.

Para o apóstata, não há retorno (Hebreus 6:4-6). Cuidemos: quem se desvia do caminho, já tem uma grande chance de apostatar. Não devemos insistir no pecado (Hebreus 10:26), pois todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado (1 João 3:9a). Se não perseverarmos na fé, acontecerá o retrocesso espiritual mencionado em 2 Pedro 2:20-22. De crentes genuínos, passaremos a hereges e falsos mestres (ver 2 Pedro 2:1-19). O apóstata é comparado ao cão que volta a comer seu vômito e a porca limpa que se suja na lama (v.22).

Preservar a fé em Jesus é o melhor remédio. O melhor a fazermos é não negligenciarmos tão grande salvação (Hebreus 2:3). Não devemos trocar Jesus por filosofias, legalismos ou prazeres momentâneos. Devemos vencer os pecados que podem nos fazer sair do caminho da graça. Não precisamos provar do mundo para sabermos que o que há nele é mau: basta lembrarmos o que a Bíblia diz: sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno (1 João 5:19).

Caminhando com certeza - Por que podemos andar com certeza da salvação? Em primeiro lugar, podemos ter certeza da salvação porque ela foi conquistada na cruz. Em Colossenses 1:22, Paulo diz que Deus, pelo sacrifício de Cristo, nos reconciliou consigo para nos apresentar santos, irrepreensíveis e inculpáveis, perante ele. A palavra apresentar pode significar que, no futuro, diante do julgamento de Deus, não haverá nenhuma sentença contra os salvos. Outra palavra de significado interessante é irrepreensíveis, que traz a ideia de que seremos chamados por Deus não para sermos incriminados, pois somos inculpáveis, devido à reconciliação que Jesus fez para voltarmos para o Pai. [10] Em segundo lugar, podemos ter certeza da salvação porque a salvação final (glorificação) é certa. Em Romanos 8:30, encontramos esta certeza: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Paulo é tão certo da salvação dos que, pela graça, creram em Jesus que coloca a glorificação como fato do passado. Um “passado profético”, uma forte certeza. [11] Deus já contempla o fim da salvação, pois é onisciente. Podemos confiar na sua palavra. Jesus foi para o céu, mas virá para nos buscar (João 14:3). Podemos caminhar com essa certeza, pois, como vimos fomos reconciliados com Deus, na cruz. E já que fomos salvos por ele, devemos preservar a fé, para que, naquele dia, sermos por ele salvos da ira (Romanos 5:9). Essa preservação não é merecimento.

Não nos esforçamos para sermos filhos de Deus, pois já o somos, pela graça. Nós praticamos a salvação sabendo que é Deus que nos dá poder (Filipenses 2.12-13). Para não perder essa esperança viva, a única condição que creiamos inteiramente na verdade, fiquemos firmes e seguros nela, convictos da Boa Nova de que Jesus morreu por nós, sem vacilarmos na confiança nele como salvador (Cl 1.23a – BV). Não desistamos da fé! Pratiquemos o evangelho!

Aplicando a Palavra de Deus em nossa vida:

1. Persevere: Não saia do caminho!

Talvez você esteja sentindo vontade de sair da igreja, ou, talvez, mesmo indo ao templo, você não esteja mais vivendo como igreja. Talvez você já tenha percebido que o seu amor esfriou (Mateus 24:12), que o pecado o tem levado para longe, que você anda lendo coisas estranhas ao evangelho e frequentando lugares impróprios para um cristão. Talvez você nem guarde mais os mandamentos de Deus como antes (Êxodo 20). Saiba, porém, que há jeito, pois Deus não desistiu de você. Corra, lute e guerreie! Não pare de perseverar! Não olhe para traz! Continue! Prossiga para o alvo, pois a graça de Deus o fortalece (Filipenses 3:13-14).

2. Persevere: Volte para o caminho!

A você, que está desviado ou conhece alguém que se desviou, a mensagem da palavra de Deus é esta: “Volte para o caminho!”. Você pode ter cansado da igreja ou ter se escandalizado com ela, mas Deus o espera de braços abertos. Venha o mais depressa possível. Antes de excluir Deus de sua vida, exclua o seu eu e volte para o Senhor. Ele continua amando você e dizendo: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo (Apocalipse 3:20). Cabe a você decidir.

Conclusão

Preciso ser humilde e reconhecer que, só com a graça de Deus, conseguirei caminhar para frente, na vida cristã. Por isso, eu me pergunto: Como tenho caminhado? Como está meu ritmo na “corrida da fé”? Como tenho lutado? Como tenho guerreado: com minhas armas ou com as de Deus? Irei procurar me envolver mais com minha comunidade local. Vou aumentar meu ritmo na fé, tanto na esfera particular como na pública. Pela graça de Deus, aumentarei meu tempo de oração e leitura da palavra. Participarei mais dos cultos, envolvendo-me em um ministério da igreja local. Perseverarei na fé em nosso Senhor Jesus Cristo!

Amém!

Bibliografia:

1. Apud Dick, Cristianismo Hoje, n.25, out/nov de 2011, p.42.

2. WILEY, Orton H. A excelência da nova aliança em Cristo. Tradução: Petrônio Leone.
Rio de janeiro: Central Gospel, 2008. pág. 507

3. WILEY, Orton H. A excelência da nova aliança em Cristo. Tradução: Petrônio Leone.
Rio de janeiro: Central Gospel, 2008. pág. 507

4. RIENECKER, Fritz. Chave linguística do Novo Testamento grego. Tradução: Gordon
Chown e Júlio Paulo T. Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1995. pág. 523

5. RIENECKER, Fritz. Chave linguística do Novo Testamento grego. Tradução: Gordon
Chown e Júlio Paulo T. Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1995. pág. 308

6. WILEY, Orton H. A excelência da nova aliança em Cristo. Tradução: Petrônio Leone.
Rio de janeiro: Central Gospel, 2008. pág. 507

7. Guthrie apud RIENECKER, Fritz. Chave linguística do Novo Testamento grego. Tradução: Gordon Chown e Júlio Paulo T. Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1995.pág. 474

8. ARRINGTON, French L. & STRONSTAD, Roger (Editores). Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. Tradução: Luís Aron de Macedo e Degmar Ribas Júnior. Rio deJaneiro: CPAD, 2003. pág. 1575

9. WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento 2. Tradução:
Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006c. pág. 497

10. MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom: introdução e comentário. Tradução: Júlio T.
Zabatiero. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984. pág. 78

11. STOTT, John W. A mensagem de Romanos. Tradução: Silêda e Marcos D. S. Steuernagel.
São Paulo: ABU, 2000. pág. 306

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