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Que complicação! Como o ser humano é complicado...

Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias (Eclesiastes. 7:29)

Publicado originalmente em Revista Ultimato


Basta ler os jornais para se chegar à conclusão de que o ser humano é complicado! Ele não sabe o que quer; se contradiz no que fala e no que faz; dá um passo para frente, dois para a direita, três para a esquerda e quatro para trás (a arte de rodopiar); cria e se torna escravo do que inventa; compra hoje e joga fora o que comprou ontem; é religioso, mas não crê em Deus e, quando crê, vive como se ele não existisse (veja Oração como placebo); teme a morte, mas se mata. Veja a seguir uma pequena parte do que se encontra nos meios de comunicação.

Rosely Sayão, psicóloga: “Parece que, sem alguma mediação, eles [os pais] não sabem o que fazer quando estão juntos [com seus filhos], por isso as férias escolares se transformaram em um problema a ser resolvido. Ficar em casa, ter tempo livre e, ao mesmo tempo, estar com os filhos parece ter se tornado uma equação difícil de ser resolvida por muitos pais. O que segura uma convivência em tal situação é o relacionamento: o interesse verdadeiro dos pais pelos filhos.”

Larry Rosen, psicólogo, ao falar sobre transtornos tecnopsicológicos (traumas “high-tech”): “Com frequência, percebo que estou sempre apalpando meu bolso da perna direita. É estranho, porque faço isso mesmo quando sei que meu telefone está lá. Quando, por acaso, ele não está, começo a ficar ansioso. Até descobrir onde o deixei, a ansiedade me domina.” (Segundo Rosen, alguns dos problemas mentais exacerbados por redes sociais e “smartphones” são: narcisismo, obsessão, timidez, depressão, desatenção e isolamento.)

Luiz Felipe Pondé, filósofo: “Para erradicar a pobreza numa população crescente e ansiosa por uma vida confortável deve-se produzir riqueza contínua. Para isso, deve-se explorar recursos continuamente (o que é chamado de economia não sustentável) e aumentar o consumo, porque, se as pessoas param de comprar, o dinheiro para de circular[...]”. “Outra solução é erradicar o crescimento populacional matando dois terços da população ou proibindo a reprodução por alguns séculos. Ou matando idosos. Puro horror, não?”

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista: “A sociopatia é um problema para a sociedade, e não para o indivíduo. Uma doença que causa sofrimento [...] nos outros. Não há tratamento conhecido para o sociopata, além de regras claras mantidas com mão de ferro.”

Jânio de Freitas, jornalista: “Impossível afirmar ou negar: sabemos estar entre os exportadores de bombas terríveis, mas estamos proibidos de saber para quem as exportamos [...]”. “[Mesmo assim], nas organizações internacionais e em casa mesmo, o governo brasileiro mostra-se muito condoído com o genocídio congolês.”

Marion Strecker, jornalista: “Por que checamos e-mails e, um minuto depois, o fazemos novamente? Por que a gente olha para o nosso telefone celular sem nenhuma razão? Ele não vibrou nem tocou. [Mesmo à mesa para uma refeição] todos estão sozinhos com suas máquinas, cada um em sua mesa, deixando as relações virtuais substituírem as relações reais.”

Marcelo Coelho, jornalista: “Surgiu, nos Estados Unidos, um canal a cabo especializado em distrair a população canina. A DogTV funciona 24 horas por dia e suas atrações se dividem em três tipos. Há cenas para estimular o cão, para adormecê-lo e para acostumá-lo ao convívio social.”

Bruna Borges, jornalista: “No cálculo da FAO (Organização das Nações Unidas pra a Agricultura e Alimentação), 25% dos alimentos produzidos mundialmente são perdidos na cadeia produtiva durante a colheita, o armazenamento e a comercialização. A ineficiência da distribuição, concentrada nas regiões mais ricas, também contribui para o desperdício e explica por que ainda existe fome no Brasil, país tido como celeiro do mundo.”

Leopoldo Fulgêncio, psicanalista: “[Se o cuidado materno faltar ou falhar em alguma fase], a criança será prejudicada de muitos modos. Pode perder a fé no mundo, sentir muita dificuldade para ver o outro, para se relacionar, para aprender. Pode até perder o interesse pela realidade. Em casos graves, durante a fase inicial da vida, corre o risco de desenvolver autismo.”

Mariana Barbosa, jornalista: “O Brasil já possui a segunda maior frota de aeronaves particulares, atrás dos Estados Unidos. Nos últimos anos, porém, o aumento da frota, em especial de jatinhos -- cujos preços variam de 2 a 60 milhões de dólares --, tem dado dor de cabeça aos proprietários: faltam lugares para estacionar e horário para pouso e decolagem nos aeroportos.”

Adriane Fugh-Berman, médica e professora da Universidade Georgetown: “A falta de drogas novas e eficazes não afeta o lucro da indústria [farmacêutica] porque ela tem muito sucesso com o “marketing” de drogas que não têm vantagem sobre as mais antigas [14,8% dos novos remédios trouxeram mais riscos do que benefícios].”

Contardo Calligaris, psicanalista: “Os elogios incondicionais dos pais e dos adultos não produzem ‘autoconfiança’, mas dependência: os filhos se tornam cronicamente dependentes da aprovação dos pais e, mais tarde, dos outros. ‘Treinados’ dessa forma, eles passam a vida se esforçando, não para alcançar o que desejam, mas para ganhar um aplauso.”

Peter Jones, teólogo: “A legalização [do casamento gay] abre as portas para uma civilização que nega Deus e que apagará dois milênios de cristianismo baseado na dualidade. O passado será rotulado de ‘homofóbico’. As rimas infantis, a literatura e a arte que consideram a homossexualidade anormal (e isso inclui o evangelho) serão consideradas ilegais e obsoletas. O cristão será considerado um fora da lei. Quinze grupos de cristãos católicos e protestantes já foram expulsos do “campus” da Vanderbilt University, no Tennessee, por se recusarem, em princípio, a permitirem “gays” em sua liderança. Trata-se de uma antevisão típica daquilo que o futuro reserva.”

Geoffrey Blainey, historiador, em “Uma Breve História do Século XX”: “[No início do século 20], igrejas, mesquitas, templos, pagodes e sinagogas tinham importância vital para a vida cotidiana, ainda que ocasionalmente estivessem sob ataque. Praticamente a cada segundo, em algum lugar, queimava-se incenso, acendiam-se velas ou tocavam-se sinos [...]. Em praticamente todos os países ocidentais, os adultos se casavam e as crianças eram batizadas -- recebendo quase sempre um nome cristão -- em igrejas. Na época não se imaginava que as novelas iriam competir com a Bíblia como fonte de inspiração para a escolha dos nomes dos bebês [...]. A maior parte das pessoas acreditava, profunda ou superficialmente, que a morte não era o fim da vida e que a vida após a morte poderia ser, para muitos, infinitamente mais gratificante [...]. [Mas] as religiões mais importantes tiveram de enfrentar inimigos poderosos. Um deles foi a ciência, quase uma religião rival, capaz de empreender os próprios milagres [...]. Muitos cristãos mais instruídos sentiram a fé vacilar. Queriam continuar crendo, mas seu intelecto dizia não. William Ewart Gladstone, estudioso da Bíblia e durante muito tempo primeiro-ministro britânico, declarou que essa perda da fé religiosa era ‘a mais indizível calamidade que poderia abater-se sobre um homem ou sobre uma nação’. A tal calamidade, chamada por alguns de ‘a morte de Deus’, tornava-se frequente nos círculos do mais alto nível de instrução.”

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