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Síndrome de Constantino: Nominalismo

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7:21-23)

Por Alessandro Francisco da Silva em Instituto Jetro

Viver a vida cristã sempre foi um grande desafio, mas o prazer da comunhão com Cristo supera qualquer vento contrário. Todo cristão engajado com os princípios apostólicos tem satisfação em congregar bem como externar sua fé. O Mundo contemporâneo esta vivendo uma época de grandes mobilidades no que se refere a espiritualidade brasileira, hoje nascem várias manifestações religiosas que nos surpreende pela sua criatividade de nomes e de filosofias "pseudo-teológicas".

O aumento dessa pluralidade religiosa, entre outras coisas, tem produzido o aumento do retrato sócio espiritual, ou seja, o aumento de cristãos (evangélicos nominais), no qual eu denomino como a Síndrome de Constantino. Uma síndrome significa a reunião de alguns sintomas ou comportamentos que caracterizam uma patologia não específica e sem causa determinada. Dados da revista Isto É citando o IBGE declara que: "evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram em seis anos de insignificantes 0,7% para 2,9%".

Em números absolutos são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição. O espirito de Nominalismo vem de longe e tem como seu precursor o imperador Constantino. Segundo Gene Edwards o Imperador Constantino foi o primeiro cristão medieval: "noventa por cento cristão de nome e noventa por cento pagão de pensamento".

O termo Cristão nominal é usado para qualificar o indivíduo que professa uma determinada fé sem, contudo ser praticante. Esta expressão foi utilizada pela primeira vez por William Wilberforce (1759-1833). Winston Churchill citando Wilberforce dizia que o mesmo foi um cristão crítico, que rejeitava o cristianismo acomodado. Wilberforce dizia: "que não bastava professar o Cristianismo, levar uma vida decente e ir à Igreja nos dias de culto, mas que o Cristianismo atravessa cada aspecto, cada canto da vida cristã". A sua abordagem do Cristianismo era essencialmente prática.

Dentro da visao de Wilberforce "os interesses do cristão nominal concentram-se nas coisas temporais, os interesses do cristão autêntico concentram-se em coisas eternas. O dicionário catequético da Igreja Presbiteriana do Brasil descreve "cristão nominal" como aqueles que usam a igreja para "um ponto de encontro para rever os amigos, parentes e para ter uma "terapia espiritual", sem, contudo, ter "o novo nascimento".

Segundo o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne em 1974, o cristão "nominal" é aquele que "intitula-se cristão, mas não tem um relacionamento autêntico com Cristo com base na fé pessoal. Neste congresso foi levantado o perfil do cristão nominal:

1) Frequenta a igreja, sem relacionamento pessoal com Cristo.
2) Vai à igreja, mas por motivos culturais e não espirituais.
3) Frequenta a igreja, mas só nas festividades e cerimônias especiais.
4) O que não frequenta a igreja nem é membro dela, mas se considera verdadeiro cristão.

Verdades que os cristãos nominais devem saber:

1) Devemos "mostrar" que a verdaderia Espiritualidade é evidenciada na prática diária. Tiago 1: 27 A religião pura e imaculada com nosso Deus e Pai é esta : Visitar os orfãos e as viúvas nas suas aflições ,e guardar-se incontaminado do mundo. Quando Tiago escreve a respeito do cuidado com orfãos e viúvas, ele tem em mente, evidenciar que a vida cristã tem seu lado prático. Pois fé e obras (prática) caminham juntas e são indeléveis. Tiago declara que a espiritualidade saudável é acompanhada de uma vida prática, e todo cristão autêntico se esforça para viver os ensinos do evangelho em seu cotidiano.

2) Devemos "conscientizá-los" que uma vida cristã plena redunda em bem-estar espiritual. Tiago 1: 25 ... Aquele, porém que atenta bem para lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, nao sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será BEM-AVENTURADO NO QUE REALIZAR. Um dos maiores prazeres que o cristão pode ter é viver as bençãos contidas na palavra, e isso só é possível quando nos entregamos cabalmente a vontade de Deus, o evangélico que oferta apenas porções de sua vida terá dificuldade em desfrutar dessa riqueza, pois a vida cristã se torna impraticável quando vivida pela metade.

3) Devemos mostrar que o evangelho é vivo. Hb 4:12 Pois a palavra de Deus é viva e eficaz,e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Como líderes devemos nos esforçar para mostrar aos cristãos nominais que a palavra de Deus é viva, Deus é dinâmico e pode transformar a vida descompromissada de qualquer pessoa.

4) Devemos "levá-los" á uma experiência impactante. At 9: 3 Aproximando-se ele de Damasco, na sua viagem, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. I Cor 4:20 Pois o reino de Deus, não consiste em palavras, mas em poder. O cristão nominal muitas vezes é perito em textos bíblicos, porém como ministros da palavra é de vital importância que sejamos um canal de Deus levando-os à uma experiência com Deus.

O apóstolo Paulo era douto da lei judaica, porém só teve uma mudança radical quando teve um impactante encontro com Cristo. Segundo o adágio popular "contra fatos não há argumentos." Algumas ferremantas podem ser utilizadas como: campanhas de oração, retiros espirituais, busca de plenitude do Espírito Santo, entre outras.

5) Devemos tratá-los com intervenções de longo prazo. Rm 10: 17 De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. É necessário que o líder e a igreja tenham paciência pois é um tratamento de longo prazo.O cristão nominal é um ser dotado de fé, pois ainda está no meio da congregação, porém o que lhe falta é o engajamento com os valores do reino, saindo de um anonimato insípido e cinzento para uma vida rica e de prática no âmbito espiritual.

Mudanças no âmbito psico-espiritual levam tempo, e para não haver frustração pessoal é necessário que o líder não desanime em seu minstério de ensino e cuidado pastoral.


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