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Quantos quilos pesa o sentimento de culpa?

Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo. (1 João 2:1-2)

Publicado originalmente em Revista Ultimato

É quase a mesma coisa: o sentimento de culpa, o mal-estar gerado pelo pecado, a tristeza pelo pecado, a vergonha de ter pecado, o remorso que o pecado causa. Quando verdadeiro, preciso e sensato, o sentimento de culpa é positivo. Sem ele são impossíveis a confissão, o perdão e a restauração. Um dos mais preciosos ministérios do Espírito Santo é convencer o pecador de seu pecado.

É possível imaginar a força do sentimento de culpa que tomou conta, por exemplo, de Davi, depois do escândalo de seu adultério com a mulher de Urias, e de Pedro, depois de ter negado publicamente a Jesus Cristo, num ambiente hostil e num momento mais do que impróprio. Contudo, a mais dramática descrição de sentimento de culpa talvez seja a que se encontra em Lamentações de Jeremias 1.14: “Ele tomou nota dos meus pecados, amarrou-os todos juntos, pendurou-os no meu pescoço, e o peso deles acabou com as minhas forças”.

Certamente uma pessoa acometida por esse quase insuportável mal-estar faz algumas perguntas: como sair dessa situação? desse confronto? dessa pena mental e emocional? dessa complicação em que me encontro? Antes de se apropriar do perdão gracioso e completo da parte de Deus, essa pessoa, como que desesperada, pode fazer as mesmas perguntas de forma mais dramática e direta: quantos quilos pesa o sentimento de culpa?

Para ser aliviada, precisa conhecer ou reconhecer o anúncio das boas novas. Jesus Cristo tem de ser apresentado numa perspectiva salvífica – ou soteriológica –, a mais relevante de todas, pois ele é “o Cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Usando as mesmas palavras de Jeremias, diz-se que Jesus remove aquela lista de pecados, um amarrado no outro, todos pendurados no pescoço da pessoa culpada e cujo peso a está estrangulando.

Para ser completamente aliviada, a pessoa, visivelmente transtornada, deve ficar por dentro daquela cerimônia do Antigo Testamento que acontecia uma vez por ano, no chamado Dia da Expiação, ou Dia do Perdão, quando a culpa do pecado era simbolicamente transferida para o bode emissário, o qual era então levado para o deserto. O momento mais solene é quando o sumo sacerdote põe as mãos na cabeça do animal e confessa todas as culpas e faltas e todos os pecados dos israelitas (Lv 16.21).

Esse cerimonial não é mais necessário porque Jesus, na cruz do Calvário, concretizou aquilo que era a esperança de todo o povo, tomando sobre si mesmo o pecado e a culpa do que estava envergado pelo peso de seu próprio pecado. Paulo explica que Deus nos perdoou todos os pecados e destruiu (ou cancelou, ou removeu, ou apagou) a lista de pecados (Lm 1.14), “pregando-a na cruz de Cristo” (Cl 2.13-14)!

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