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Ver não depende só de olhos


Por Tim Carriker em Ultimato

Lucas 18.31-43

…Os discípulos não entenderam nada do que Jesus disse. O que essas palavras queriam dizer estava escondido deles, e eles não sabiam do que Jesus estava falando (v.34)…

..Senhor, eu quero ver de novo! — respondeu ele. Então Jesus disse:— Veja! Você está curado porque teve fé. No mesmo instante o homem começou a ver e, dando glória a Deus, foi seguindo Jesus…(vv.41b-43a NTLH)

Em Lucas 18.31-43, doze discípulos, seguidores há três anos e íntimos de Jesus, mesmo com boa visão, não “enxergaram” o que Jesus estava dizendo. Por outro lado, um desconhecido de Jesus, mesmo cego, enxergou direitinho, e pela fé, foi curado. Vamos ver estes dois casos mais de perto…


Os doze discípulos de boa visão que não enxergavam. Por um lado, é fácil culpar os discípulos pela sua falta de compreensão. Digo “fácil” porque nós estamos do lado de cá da crucificação onde já enxergamos como já acontecido tudo que Jesus previa nesta passagem. E imaginamos, “porque os discípulos não entenderam, depois de três anos, o propósito pelo qual aquele que eles seguiam, veio?” Ou a gente simplesmente pode concluir do versículo 34 que espiritualmente Deus não permitia que os discípulos entendessem.

Por outro lado, diante da expectativa popular daquela época, dificilmente os discípulos poderiam entender o que Jesus estava falando quando previa os seu sofrimento e morte. Por exemplo, Jesus se referia a si mesmo como o “Filho do Homem”, uma figura conhecida pelos judeus especialmente do Livro de Daniel. Em Daniel, o Filho do Homem era uma figura sobrenatural ao lado de Deus que era vitorioso e não sofria. Logo, a previsão do sofrimento e morte de Jesus como o Filho do Homem simplesmente não batia com o ensino das Escrituras mais conhecida pelos judeus. Interesse que Lucas não registra nenhuma reação de Jesus a respeito desta falta de compreensão pelos discípulos. Ao invés disto, passa logo a nos contar a história da cura do cego.

O cego que “enxergava” antes do sua cura. O cego não foi abordado por Jesus na primeira instância, como era o caso dos discípulos. Foi o cego que procurou saber de todo o tumulto que passava ao seu redor e foi informado que Jesus estava passando por perto. Sem mais e sem menos o cego se dirigiu a Jesus não como o Filho o Homem mas como o Filho e Davi, que para os judeus, era uma figura bem humana, mas especialmente ungido (messias) por Deus. Mesmo se referindo a uma figura humana, o cego gritou e pediu a Jesus, misericórdia. Quando Jesus perguntou o que ele queria, o cego respondeu, “quero ver de novo”. Fascinante é que ao falar isto, o cego demonstrou que já estava “enxergando” no sentido de reconhecer que Jesus tinha a capacidade de curar por ser o prometido de Deus. E assim, chegou a ver com os olhos físicos também.

Agora, quem somos nós nesta história? Afinal, os Evangelistas relatam estes acontecimentos para que os leitores se identifiquem de alguma forma com eles. Quem somos nós? Discípulos ou um cego? Somos gente que já passou um bocado de tempo com Jesus e ainda não entendeu ou somos como o simples cego que não perdeu tempo com debates e gritou, já afirmando a sua fé, e pedindo o “impossível”?

Oração

Bondoso Deus. Abra os nossos olhos para enxergarmos os Teus propósitos e Te adorar na simplicidade do cego. Em nome de Jesus. Amém.

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