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Por que é importante afirmar que a Bíblia é inerrante?


Desde o seu início e por toda a sua história, a Igreja tem sofrido com os ataques à autoridade das Escrituras Sagradas como sua regra inerrante e infalível de fé e de prática.

Por exemplo, já no segundo século, Marcião – um dos primeiros e principais hereges do período patrístico – afirmou que o Antigo e o Novo Testamento revelavam dois deuses distintos: o primeiro, um “deus” tirânico, sanguinário e implacável ante o pecado da raça humana e, o segundo, um “deus” benigno, compassivo e amoroso que agia com misericórdia para com a mesma raça. Como era de se esperar, Marcião optou pelo segundo “deus” que dizia ter encontrado somente em algumas porções do Novo Testamento e acabou rechaçando as demais partes com todo o corpo do Antigo Testamento.

Com o advento da Reforma Protestante no século dezesseis, foi a vez do magistério da Igreja Católica Romana defender que somente estes pretensos herdeiros da tradição apostólica eram capacitados para interpretar as Escrituras Sagradas de maneira infalível. Por mais que não tivesse rechaçado o cânon da Bíblia como regra de fé e prática, ao equiparar a autoridade dos mestres de Roma à das Escrituras, o Concílio de Trento ratificou que a autoridade da Escrituras por si só é insuficiente para reger a vida da Igreja e, por fim, a submeteu à chancela do Papa. Ou seja, entre a autoridade final das Escrituras e a autoridade final do magistério, optou-se pela segunda em vez da primeira.

A partir do Iluminismo no século dezoito, chegou a vez dos críticos das Escrituras Sagradas defenderem que a Bíblia deveria ser estudada como mais um documento histórico e um artefato religioso dentre tantos, sendo despida dos seus elementos milagrosos e sobrenaturais. Tudo, desde a própria natureza inspirada das Escrituras até a Encarnação do Filho de Deus na pessoa de Jesus Cristo, seu nascimento virginal e sua ressurreição, bem como os milagres atestados na Bíblia deveriam ser submetidos à autoridade final da razão humana. Novamente, o enredo se repete: entre a autoridade final do raciocínio bíblico e do raciocínio humano, deu-se preferência à voz humana acima da divina.

Como não há nada novo debaixo do sol, como disse o Pregador de Eclesiastes, em nosso tempo temos visto um desprezo crescente pela autoridade final e infalível das Escrituras Sagradas – desta vez, porém, não só dos críticos de fora da Igreja, mas até mesmo dos líderes e crentes da própria Igreja! “Todos sabem que a Bíblia está repleta de erros!” “Todos sabem que a Bíblia é um relato cheio de preconceitos morais, culturais e sociais!” “Todos sabem que Deus não habita num livro, mas somente em Jesus! Cremos na pessoa de Jesus, não nas proposições da Bíblia!”

Curioso. A Bíblia está repleta de erros – mas seus críticos, não. A Bíblia está repleta de preconceitos morais, culturais e sociais – mas seus críticos, não. Todos querem crer em Jesus – mas não segundo as proposições dos autores bíblicos que o viram e, sim, segundo as suas próprias proposições a respeito de Jesus, a quem jamais viram.

Os próprios autores das Escrituras Sagradas reconheceram que eram homens passíveis de erro. Moisés, o grande líder de Israel no Êxodo, não escondeu as suas falhas que lhe privaram da entrada na Terra Prometida em seu registro no Pentateuco. Davi, o grande rei de Israel, não ocultou suas graves falhas morais e espirituais no incidente com Bate-seba que lhe tornaram condenável de morte perante a Lei do Senhor. Pedro, o grande pregador de Pentecostes, antes é retratado como um discípulo amedrontado diante de uma serva na casa do sumo sacerdote e, depois, como um apóstolo receoso de ser visto pelo seus irmãos judeus na companhia de irmãos gentios. E Paulo, o grande apóstolo aos gentios, não teve receio de chamar-se de “o maior dentre os pecadores”.

Contudo, apesar de estarem plenamente cientes das suas falhas e pecados, nenhum deles duvidou da Palavra infalível e inerrante de Deus. Moisés disse a Israel que as palavras de Deus não eram inúteis, antes, eram a vida do povo (Dt 32.47). Davi exaltou a Lei como sendo “perfeita”, “pura” e inteiramente “digna de confiança” (Sl 19.7-9). Pedro chamou a Palavra de Deus de imperecível, viva e permanente (1Pe 1.23). Paulo a considerava inteiramente inspirada por Deus e, por isso, plenamente útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça (2Tm 3.16-17). E Cristo, o único homem sem pecado, como os demais, resumiu assim: “tua palavra é a verdade.” (Jo 17.17).

Posto da maneira mais simples, a Palavra de Deus é inerrante e infalível simplesmente porque ela é a Palavra de Deus, não de homens. Os homens que Deus usou para registrar sua Palavra eram passíveis de erro; porém, enquanto inspirados por Deus para registrar sua Palavra, eram impassíveis de erro, conforme o testemunho da própria Palavra (2Pe 1.20-21; 2Tm 3.16-17). A infalibilidade da Palavra é resultante do próprio Deus que a revelou e inspirou o seu registro. Um Deus santo e verdadeiro jamais poderia errar ou falhar ao comunicar a sua verdade aos homens por intermédio dos agentes que Ele escolheu, e é isso que nos dá confiança plena nas Escrituras.

Consequentemente, somente a Palavra de Deus é inerrante e infalível em todas as matérias de fé e de prática da Igreja. Tal verdade só pode ser contestada às custas da própria autoridade soberana e final do Senhor das Escrituras e mediante a promoção de uma autoridade alternativa e inferior – seja a tradição da Igreja, a razão humana ou alguma pretensa revelação adicional e superior às Escrituras.

Muito antes do início da história da Igreja, desde o início de tudo, já se ouvia a voz da Serpente questionando a inerrância da Palavra de Deus: “Foi isso mesmo que Deus disse…?” (Gn 3.1). Seu eco tem-se feito ouvir pelas sucessivas gerações da História. E a resposta contundente do Senhor Jesus Cristo à Serpente ainda permanece como nossa melhor resposta: “Está escrito!” (Mt 4.4,7,10). A igreja que assim confiar na Palavra inerrante de Deus certamente prevalecerá!


Fonte:
Abertos para Reforma

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