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Grave acidente de percurso




Publicado em Revista Ultimato

Acidente de percurso é algum imprevisto acontecido durante o curso de alguma ação, mas que não chega a impedir sua conclusão. Pode ser provocado por um equívoco, por uma intromissão, por um descuido, por um pecado, por uma intervenção maligna.

Um dos casos mais sinistros de acidente de percurso aconteceu pouco depois da posse de Davi como rei de todo o Israel, por volta do ano 1010 antes de Cristo. O rei reuniu os melhores soldados do exército dele, num total de 30 mil homens, e os levou à cidade de Baalá , em Judá, com a nobre missão de levarem a famosa Arca da Aliança para a capital do país. Trata-se daquela caixa de madeira forrada de ouro construída na época do Êxodo, que ficava no lugar mais santo do Tabernáculo -- o templo móvel. Dentro da arca estavam objetos históricos de grande valor: a vasilha de ouro com um pouco de maná, o bastão de Arão, do qual tinham saído brotos, e as duas placas de pedra nas quais estavam gravados os Dez Mandamentos (Hb 9.4). Era um empreendimento de grande solenidade.

A arca foi colocada em um carro de boi novinho em folha. Até então, ela estava na casa de Abinadabe. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro. Aiô caminhava à frente e Davi e uma multidão de israelitas acompanhavam a procissão dançando e cantando com todas as forças em louvor a Deus. Alguns tocavam harpas, liras, tambores, castanholas e pratos. Todos estavam extremamente alegres.

De repente, quando chegaram ao campo de descascar cereais que pertencia a um certo Nacom, aconteceu o tal acidente de percurso: os bois tropeçaram, Uzá estendeu a mão e segurou a arca que tem o nome do Senhor Todo-Poderoso, que se assenta no seu trono, entre os querubins. O Senhor ficou irado com Uzá por sua falta de respeito para com a arca e o matou ali mesmo, naquele momento. Davi não entendeu e ficou furioso porque Deus havia castigado Uzá e estragado a tão bonita festa.

O medo tomou conta de todo mundo. O rei exclamou: “E agora como é que eu poderei levar comigo a Arca da Aliança?”. Assim, Davi resolveu não levar a arca para a cidade de Jerusalém; em vez disso, ele mudou de direção e a conduziu para a casa de Obede-Edom, na cidade de Gate. A arca ficou ali por três meses e o Senhor abençoou o dono da casa e sua família.

O que provocou o trágico acidente de percurso foi uma grave falha de Davi, do povo e do próprio Uzá. Em meio a tanta euforia, esqueceram-se todos da santidade da arca e das normas levíticas de 1.500 anos atrás. Todos cometeram o pecado da imprudência, irreverência, leviandade, negligência, presunção, profanação e provocação. Por ordem expressa do Senhor, mão humana nenhuma poderia tocar na arca. Para ser levada de algum lugar para outro -- só os levitas poderiam fazer isso -- deveria ser por meio de dois varais enfiados em argolas de um lado e do outro da arca. Davi estava fazendo tudo errado. Daí, a dura manifestação da santidade de Deus.

Três meses depois, a arca foi finalmente levada para Jerusalém e colocada no lugar certo. Houve tempo suficiente para Davi se lembrar das normas e fazer tudo direitinho. Sacerdotes e levitas se purificaram. Os levitas carregaram a arca nos ombros, pelos cabos. Depois que os homens que carregavam a arca deram seis passos, o rei ofereceu a Deus em sacrifício um touro e um bezerro gordo. Vestido de um manto sacerdotal de linho, Davi dançou diante do Senhor com todo o entusiasmo. E assim, ele e todos os israelitas levaram a arca para Jerusalém, entre gritos de alegria e sons de trombeta. Para encerrar a cerimônia, Davi ofereceu sacrifício e ofertas de paz, além de abençoar o povo e oferecer um pão, um pedaço de carne assada e passas a cada homem e a cada mulher de Israel. Em seguida, todos foram para casa.

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