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Conhecendo a Deus no cicio, como Elias.



Por Rodolfo Garcia Montosa em Instituto Jetro

Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? (1 Reis 19.11-13)

Certa vez, fui convidado para falar a um grupo de adolescentes. Quando me posicionei para iniciar a palavra percebi que havia uma grande agitação no auditório. Quer seja pela idade, ou por ser aquele o dia de reinício das aulas, pareceu-me que tinham muitos assuntos para colocar em dia. O barulho era intenso e, mesmo com o microfone nas mãos, percebi que poucos prestariam atenção. Parei de falar ao microfone e comecei a falar em voz baixa. Descobri um fenômeno: quanta mais baixo eu falava, mais rapidamente todo o ruído do auditório baixava também. Uns falavam aos outros para ficarem quietos. Em pouco tempo, houve silêncio, pois ficaram sem graça de só sua voz ser ouvida em meio ao silêncio. Pude, finalmente deixar minha mensagem.

Em certo sentido, nossas vidas funcionam assim também. Muito barulho ao redor dificulta nossa capacidade de ouvir. Por isso, Deus fala no cicio, no sussurro, no silêncio. O profeta Elias experimentou isso na prática. O texto indica três tipos de movimentos (barulhos) que nos inspiram a identificar barulhos que devem ser silenciados.

Vento me inspira a pensar em coisas dos céus, do mundo espiritual - o barulho do império das trevas. Elias tinha acabado de combater os profetas de Baal. Baal (baalins)- deus (deuses - 1 Reis 18.18) a quem era atribuído o controle da fertilidade da agricultura, do gado e da humanidade. Para assegurar seu favor, prestavam oferendas que chegavam a formas extremas de culto com rituais de prostituição (Juízes 2.17; Jeremias 7.9; Amós 2.7) e sacrifício de crianças (Jeremias 19.5).

Essa mistura do mundo das trevas tinha entrado no meio do culto que o povo de Israel prestava a Deus. De igual forma, em nossos dias, muito barulho estranho tem entrado em nosso meio. Alguns que se convertem trazem estranhos hábitos do tempo do "culto a Baal". Precisamos fazer silenciar esse ruído do inferno.

Terremoto me inspira a pensar nas coisas dessa terra, do mundo dos homens - o barulho do império dos homens. Furiosa logo que soube da derrocada dos falsários, Jezabel ameaçou o profeta Elias que o mataria ao fio da espada. Jezabel casou-se com o rei Acabe, levando-o a adorar a Baal (1 Reis 16.31), matando profetas de Deus (1 Reis 18.4), sustentando os profetas de Baal (1 Reis 18.19).

Ela representa todo o poder instalado para sustentar os sistemas que nos afastam de Deus. E como geram barulho, ameaças, perversão de toda sorte. Não despreze seus efeitos. Fez o profeta fugir, desistir, sair correndo. Precisamos discernir e fazer emudecer esse barulho dos sistemas deste mundo.

Fogo me inspira a pensar nas coisas de dentro, do mundo dos pensamentos e sentimentos - o barulho da alma. Os acontecimentos exteriores foram tão intensos que botaram fogo na alma do profeta. Cheio de medo, fugiu do Monte Carmelo até o Monte Horebe, cerca de 400 km, escondendo-se em uma caverna. Entrou em uma profunda crise existencial, pedindo para si a morte (1 Reis 19.4).

Sua estima foi para o chão. Entrou em profundo desânimo. Tinha vontade somente de dormir. Não tinha mais forças para levantar. Seus valores, crenças, condutas ficaram sem sentido. Sua vida ficou vazia de propósito. Talvez esse seja o pior barulho de todos. Fugimos dos barulhos externos, mas os barulhos internos nos acompanham. Oh alma cruel.

Mas o poder do Senhor operou sobre ele. Ele aquietou-se para os barulhos externos e, principalmente para os ruídos de sua alma. Quando novamente ouviu a voz doce e amável voz do Senhor falada no cicio, de maneira sussurrada, envolveu o rosto no seu manto e saiu da caverna. Reanimou-se, levantou-se e seguiu.

Assim também acontece em nossas vidas. A voz de Deus nos é vida. Vamos nos aquietar e conhecer a Deus que se manifesta no cicio.

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