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A carne e o Espírito



Há quarenta anos, o Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, ocupava o lugar central nas palestras em congressos, nos debates das igrejas e em grande parte da literatura. Eram frequentes as discussões sobre o batismo com o Espírito Santo e a “segunda bênção”, a contemporaneidade dos dons espirituais, com destaques para o falar em outras línguas (ou línguas estranhas), interpretá-las, profetizar (afirmações sobre o futuro), curar, realizar milagres. Igrejas se dividiram, mas muita coisa bonita aconteceu naquele tempo.

Atualmente, não só não se fala mais nisso, como também não se vê preocupação alguma ou consciência para com a pessoa e obra do Espírito Santo. A terceira pessoa da Trindade saiu do centro do palco para o ostracismo em poucas décadas. Parece-me que temos dificuldade em reconhecer o papel fundamental do Espírito Santo no discipulado cristão nos dias de hoje.

Paralelamente, a civilização ocidental recebeu, nestas últimas décadas, duas grandes influências. A primeira foi de um avanço científico ainda mais acelerado, que intensificou a confiança nos recursos e nas ferramentas tecnológicas. Assim, em vez de buscar o poder do Espírito Santo para realizar a missão de Deus, os cristãos passaram a buscar a excelência funcional. A segunda foi da cultura psicológica e terapêutica que intensificou a confiança no “self” -- autoconfiança -- e, em vez de buscar a santidade, os cristãos passaram a buscar a saúde mental e emocional.

Uma das grandes contribuições do apóstolo Paulo para o discipulado cristão é sua afirmação na Carta aos Gálatas: “Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”. Um mandamento e uma promessa libertadora. Mandamento: vivam pelo Espírito. Promessa: vocês não vão satisfazer os desejos da carne. Imagino que muitos cristãos modernos sentem um certo constrangimento e dificuldade em afirmar que “vivem pelo Espírito”. Contudo, essa afirmação é central. Ser discípulo de Jesus é viver pelo Espírito Santo.

Viver pela “carne” não é apenas viver em devassidão e promiscuidade, é viver uma vida autocentrada, autoconfiante, autossuficiente. O que importa é a minha vida, minha felicidade, minha realização, minhas opiniões, meu ministério, meu jeito e por aí vai. A vida no Espírito é a vida centrada em Cristo. Nossa confiança é depositada nele. O que mais importa é o seu reino e sua justiça, seus mandamentos e sua palavra, sua vida e seu exemplo. O que nos torna adúlteros ou idólatras, ciumentos ou invejosos é a forma voluntariosa e autocentrada como vivemos.

Quando vivemos pelo Espírito nos tornamos pessoas mais livres e verdadeiras. Aprendemos a amar, não qualquer forma de amor, mas o amor de Jesus Cristo. Experimentamos a alegria, não qualquer forma barata e passageira de alegria, mas a alegria de Jesus. O Espírito Santo toma aquilo que é de Cristo e o torna nosso. A mesma comunhão (participação) que o Espírito realiza entre o Pai e o Filho, ele realiza entre os discípulos e o Filho, e, por meio do Filho, entre os discípulos e o Pai.

A experiência espiritual cristã é viver a vida de Cristo pelo poder do Espírito Santo -- andar no Espírito. A vida autoconfiante da carne se opõe à vida autoentregue do Espírito. O esforço humano jamais alcançará a liberdade da vida em Cristo. No entanto, Paulo reconhece que podemos participar da obra do Espírito. Ele diz: “Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”. Semear para o Espírito é o caminho do discípulo de Cristo.

Fonte:
Ultimato - Ricardo Barbosa de Sousa

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