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O alicerce do perdão


A ideia de um sacrifício vicário para remover a culpa do pecado está ligeiramente presente em algumas culturas e religiões remotas. Mas, no cristianismo, ela se acha profundamente enraizada, tanto nas Escrituras como na história da igreja.

A cólera de Deus acalmada

Chama-se de expiação o “ato pelo qual Deus restaura o relacionamento de harmonia e unidade entre ele e os seres humanos”. É também aquele sacrifício que “torna agradável a Deus um ser que antes lhe era desagradável” ou a oferta que “acalma a cólera de Deus e o torna propício e agradável ao homem”.

A expiação é necessária por causa de três fatores: a universalidade do pecado, a seriedade do pecado e a incapacidade humana em resolver o problema da culpa do pecado (L. L. Morris). A Bíblia deixa claro que se o pecador tiver de depender de si mesmo para obter o perdão de Deus, ele nunca será perdoado. Essa preciosa graça só pode ser conseguida por meio do sacrifício de uma vítima qualificada -- sem qualquer pecado, mancha ou defeito.

No Antigo Testamento, todos os que quebrassem, propositadamente ou não, uma das leis de Deus e fizessem o que é proibido teriam de oferecer um sacrifício pelo pecado. Não importava se o transgressor fosse um cidadão ou o próprio sacerdote, não importava se fosse um indivíduo ou o povo todo -- ninguém era dispensado do sacrifício. Os ricos teriam de oferecer um bovino de grande porte; os de classe média, um caprino de pequeno porte; os pobres, duas rolinhas ou dois pombinhos; os que estivessem debaixo da linha de pobreza, apenas um quilo da melhor farinha (Lv 5.7-13).

Os sacrifícios serviam para tirar o pecado e a culpa e proporcionar o completo e perfeito perdão de Deus. As expressões “tirar pecados” e “tirar a culpa do pecado cometido” aparecem dezenas de vezes em Levítico e em Números. Esta última tem alguns sinônimos significativos: “Conseguir o perdão”, “ficar livre da culpa” ou “pagar a dívida” (Lv 4-6).

O grande dia do perdão

Além dos sacrifícios comuns, havia a cerimônia anual no décimo dia do sétimo mês no calendário judaico, conhecido como o Dia da Expiação ou o Dia do Perdão, que cumpria um ritual solene e bem elaborado. Primeiro, fazia-se a purificação do altar, do sacerdote e de sua família e do povo. Em seguida, dois bodes eram trazidos à presença do sacerdote. Um deles era sacrificado pelos pecados do povo. Sobre a cabeça do outro, o sacerdote colocava as mãos, confessava todas as culpas de todo mundo e as transferia para o bode vivo, despachando-o depois para bem longe, onde não morava ninguém, e ali o abandonava juntamente com a imundícia que ele carregava (Lv 16.5-10). O processo representava a transferência da culpa do povo de Israel, a remoção completa de tudo que feria a santidade de Deus e a promulgação do completo e perfeito perdão divino. Na noite daquele dia, o povo poderia dormir em perfeita paz, sem encharcar o travesseiro de lágrimas (como aconteceu com Davi antes de ser perdoado), absolutamente convicto da remoção do pecado e da culpa (Sl 6.6).

Sangue de Cristo e não de bodes

Porém, os sacrifícios diários e o sacrifício anual eram meramente simbólicos e apontavam para um sacrifício futuro e definitivo, único e suficiente, perfeito e divino. A Epístola aos Hebreus explica:

O sangue de touros e de bodes não pode, de modo nenhum, tirar os pecados de ninguém. Por isso Cristo, ao entrar no mundo, disse: ‘Tu, ó Deus, não queres animais oferecidos em sacrifícios nem ofertas de cereais [...] Depois ele disse: “Estou aqui, ó Deus, para fazer a tua vontade”. Assim Deus acabou com todos os antigos sacrifícios e pôs no lugar deles o sacrifício de Cristo. E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis, nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez, uma vez por todas, do seu próprio corpo (Hb 10.4-10).

O sacrifício de Jesus, feito na cruz, foi anunciado com setecentos anos de antecedência. No tempo certo, Jesus tomou sobre si as nossas culpas e, por este motivo, foi contado com os transgressores e condenado em nosso lugar. Foi também preso, torturado, condenado à morte. Mas levou para o deserto todo o nosso pecado e toda a nossa culpa (Is 53).

Por causa da cruz

Só por causa da cruz, o pecador arrependido e contrito que crê em Cristo como único perdoador, pode declarar sem qualquer dúvida:

Os meus pecados estão perdoados!

A minha dívida está paga!

A lista de minhas faltas está queimada!

A ordem de minha prisão está cancelada!

Jesus remove e prega tudo na cruz!.

E ponto final!

Na noite do grande dia da expiação, o povo poderia dormir em perfeita paz, sem encharcar o travesseiro de lágrimas, absolutamente convicto da remoção do pecado e da culpa.


Fonte:
Ultimato


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