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A mulher briguenta somos nós


Se você perguntar a qualquer pessoa se ela é a favor da violência, a tendência é que ela negue, que se mostre favorável à paz. Mas, então, vem a realidade dos fatos e o que vemos diante de nossos olhos é que muitas dessas mesmas pessoas gostam de assistir a uma boa luta de UFC (afinal, é só um esporte…), acham que “bandido bom é bandido morto”, vivem entrando em tretas e discussões ofensivas pela internet e por aí vai. Pacíficos na fachada, briguentos na prática: eis o incoerente perfil de muitos de nós. Será que você é assim? Será que, embora saúde os irmãos com “a paz do Senhor”, “paz e bem” ou “graça e paz”, na prática deixa essa tão falada a paz de lado com frequência em favor de uma “boa briga”, um bom bate-boca supostamente apologético, uma boa treta nas redes sociais? Em português claro: você é briguento? Vamos pensar sobre isso, mas à luz da Palavra.

A Bíblia é clara ao condenar a mulher briguenta: “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 21.9; 25.24), “É melhor viver sozinho no deserto que morar com uma esposa briguenta que só sabe reclamar” (Pv 21.19), “A esposa briguenta é irritante como a goteira num dia de chuva. Tentar contê-la é como deter o vento ou agarrar o óleo com a mão” (Pv 27.15-16).

Preste atenção a um detalhe: o fato de a Palavra de Deus ser tão incisiva ao condenar a mulher briguenta certamente não se deve ao fato de ela ser mulher. O problema aqui é ela ser briguenta! Portanto, fica mais do que evidente que viver comprando briga é um comportamento biblicamente condenável, seja para a mulher briguenta, seja para o homem briguento. Pois o problema é ser briguento.

Preste atenção a outro detalhe: o contexto também deixa claro que a Palavra de Deus não está se referindo a brigas físicas. Não é uma alusão a sair no tapa. Portanto, as brigas condenadas biblicamente são as verbais, as posturas agressivas, os bate-bocas cheios de ofensas, o falar de modo rude, um estilo de vida de reclamações, rusgas, ataques e atritos. Você sabe do que estou falando.

Briga não tem a ver somente com o que se diz, mas com a forma como se diz. 

Dizer “vá carpir um lote” com voz mansa e um sorriso nos lábios ou dizer “você é muito inteligente” com um tom de fúria ou de sarcasmo na voz são duas atitudes que têm o mesmo efeito: promovem brigas. Logo, um cristão de verdade, que ama a Palavra de Deus e quer viver como ela ensina, não pode utilizar argumentos que levem à briga (conteúdo) nem uma forma de falar que leve à briga (forma). Ambos são antibíblicos.

Conclusão: devemos sempre dialogar (mesmo e especialmente com quem se opõe ou discorda de nós) com argumentos lógicos e racionais em vez de ofensas e ataques e com um tom de voz (ou de escrita) que seja cortês, educado e encharcado de mansidão. Qualquer postura fora dessa é biblicamente condenável.

Aí eu olho para a forma como muitos cristãos têm se comportado nos debates públicos e o que enxergo não são pacificadores bem-aventurados: são indivíduos desagradavelmente briguentos. Tenho amigos no facebook cuja foto vejo na timeline e já sei que o que estará escrito embaixo serão ataques, piadas de mau gosto, ironias, aqueles textos pesados e despidos de qualquer graça. Em outras palavras: briguentos. Você também tem pessoas assim na sua timeline? Mais ainda: será que você é uma delas?

A pessoa briguenta vive de modo oposto ao que o evangelho propõe. 

Claro que a pessoa briguenta tem sempre uma “boa desculpa”, uma justificativa aparentemente bíblica para ser briguenta. Natural, as grandes heresias da história da Igreja sempre tiveram “boas desculpas” e bases aparentemente bíblicas. Mas não é por isso que deixaram de ser heresias. Assim como não é por brigar “em nome de Jesus” que alguém seja menos briguento. Pois briga é briga e gente briguenta é gente briguenta.

Como anda o seu coração? Porque ser briguento é nada mais, nada menos, do que resultado de ter um coração briguento, “Pois a boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12.34). O grande problema é que um coração briguento é um coração sem Cristo. O salmista percebeu a necessidade de ter pureza de coração: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova dentro de mim um espírito firme” (Sl 51.10). Esse é o padrão de quem deseja viver o evangelho genuíno: pureza de coração. O Mestre afirmou: “Felizes os que têm coração puro, pois verão a Deus” (Mt 5.8). À vezes leio postagens de pessoas que alimentam o fogo das brigas pelas redes sociais ou vídeos no YouTube e lembro das palavras do Senhor aos habitantes de Judá: “E vocês são ainda piores que seus antepassados! Seguem os desejos teimosos de seu coração perverso e não querem me ouvir” (Jr 16.12).

Os briguentos acreditam, tristemente, que Deus apoia sua forma briguenta de ser. 

Não percebem que o Senhor não simpatiza nada com essa maneira de ser e que isso terá consequências: “Eu, o Senhor, examino o coração e provo os pensamentos. Dou a cada pessoa a devida recompensa, de acordo com suas ações” (Jr 17.10). Ler isso deveria atemorizar profundamente cada um de nós.

Ser um cristão autêntico exclui totalmente o prazer de promover contendas. 

Paulo admoesta que devemos fazer tudo “sem queixas nem discussões, de modo que ninguém possa acusá-los. Levem uma vida pura e inculpável como filhos de Deus, brilhando como luzes resplandecentes num mundo cheio de gente corrompida e perversa” (Fp 2.14-15), logo, viver estimulando discussões contraria a vontade divina. Provérbios 10.12 diz que “O ódio provoca brigas, mas o amor cobre todas as ofensas”, portanto, as brigas são fruto do ódio e, por sua vez, o ódio é contrário à natureza de Cristo, como deixam claro as Escrituras: “Se alguém afirma: ‘Estou na luz’, mas odeia seu irmão, ainda está na escuridão” (1Jo 2.9); “Quem odeia seu irmão já é assassino. E vocês sabem que nenhum assassino tem dentro de si a vida eterna” (1Jo 3.15). Por outro lado, o amor é a essência de Deus: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1Jo 4.16).

Uma pessoa briguenta faz exatamente o contrário do que a Bíblia estipula como o comportamento ideal de um filho de Deus. 

Paulo condena as contendas em passagens como 2Timóteo 2.23, Romanos 13.13 e Tito 3.9. O apóstolo associa diretamente as brigas à carnalidade: “Irmãos, quando estive com vocês, não pude lhes falar como a pessoas espirituais, mas como se pertencessem a este mundo ou fossem criancinhas em Cristo. Tive de alimentá-los com leite, e não com alimento sólido, pois não estavam aptos para recebê-lo. E ainda não estão, porque ainda são controlados por sua natureza humana. Têm ciúme uns dos outros, discutem e brigam entre si. Acaso isso não mostra que são controlados por sua natureza humana e que vivem como pessoas do mundo?” (1Co 3.1-3). Isso é totalmente corroborado por Tiago, quando o irmão de Jesus diz: “De onde vêm as discussões e brigas em seu meio? Acaso não procedem dos prazeres que guerreiam dentro de vocês?” (Tg 4.1). Mais claro, impossível: ser briguento é ser carnal – logo, é viver distante de Deus.

Seu coração anda briguento? Suas palavras são briguentas? Sua postura nas redes sociais é briguenta? Sua forma de combater o erro alheio é briguento? Seu jeito de dialogar com quem pensa diferente é briguento? Sua maneira de combater heresias é briguenta? Se é o caso, saiba que a única coisa que isso demonstra é que você é briguento. E a Bíblia condena as brigas, as contendas, as rixas. Portanto, se posso dar um conselho amoroso é: mude. Transforme-se, urgentemente. Renove a sua mente. Fora da paz; da gentileza; da graça no pensar, no falar e no agir não há Cristo: só há trevas.

Não viva em trevas; viva na luz. Abandone as brigas. Abrace a paz. Afinal, como diz a Palavra de Deus, “Evitar contendas é sinal de honra; apenas o insensato insiste em brigar” (Pv 20.3).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Fonte:
Apenas - Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >


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