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O Pecado


Podemos partir da seguinte definição: pecado é deixar de se conformar à lei moral de Deus, seja em ato, seja em atitude, seja em natureza. O pecado é aqui definido em relação a Deus e sua lei moral. Inclui não só atos individuais, como roubar, mentir ou cometer homicídio, mas também atitudes contrárias àquilo que Deus exige de nós.

Percebemos isso já nos Dez Mandamentos, que não só proíbem ações pecaminosas, mas também atitudes errôneas: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma que pertença ao teu próximo" (Êx 20.17; Cf. Mt 5:22; Gl 5:20 ). Aqui Deus especifica que o desejo de roubar ou cometer adultério é também pecado aos olhos dele.

Todas as pessoas são pecadoras perante Deus.

As Escrituras em muitas passagens dão testemunho da pecaminosidade universal da humanidade. "Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer" (Sl 14.3). Diz Davi: "À tua vista não há justo nenhum vivente" (Sl 143.2). E diz Salomão: "Não há homem que não peque" (1Rs 8.46; cf. Pv 20.9).

No Novo Testamento, Paulo tece uma extensa argumentação em Romanos 1.18-3.20, mostrando que todas as pessoas, tanto judeus como gregos, apresentam-se culpados perante Deus. Diz ele: "Todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer" (Rm 3.9-10). Ele está certo de que todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). Tiago, o irmão do Senhor, admite: "Todos tropeçamos em muitas coisas" (Tg 3.2), e se ele, que era apóstolo e líder da igreja primitiva, admitiu que cometia muitos erros, então também nós devemos nos dispor a admiti-lo.

João, o discípulo amado, que era especialmente íntimo de Jesus, disse: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1Jo 1.8-10).

Será que nossa capacidade limita a nossa responsabilidade?

Pelágio da Bretanha, popular mestre cristão que pregou em Roma por volta de 383-410 d.C., e mais tarde (até 424 d.C.) na Palestina, ensinava que Deus responsabiliza o homem só pelas coisas que este é capaz de fazer. Logo, como Deus nos exorta a fazer o bem, temos necessariamente a capacidade de fazer o bem que Deus exige. A posição pelagiana rejeita a doutrina do “pecado herdado” (ou “pecado original”) e sustenta que o pecado consiste somente em atos pecaminosos isolados.

Contudo, essa idéia de que somos responsáveis perante Deus somente por aquilo que podemos fazer contraria o testemunho bíblico, que afirma tanto que estávamos "“mortos nos [...] delitos e pecados” nos quais andávamos antes" (Ef 2.1) quanto que somos incapazes de fazer qualquer bem espiritual, e também que somos todos culpados diante de Deus. Além do mais, se nossa responsabilidade perante Deus se limitasse à nossa capacidade, então pecadores extremamente empedernidos, sob pesado jugo do pecado, poderiam ser menos culpados diante de Deus do que cristãos maduros que se esforçam diariamente por obedecer-lhe. E o próprio Satanás, que eternamente só é capaz de fazer o mal, estaria completamente livre de culpa — sem dúvida nenhuma uma conclusão equivocada.

A verdadeira medida da nossa responsabilidade e da nossa culpa não é a nossa capacidade de obedecer a Deus, mas antes a perfeição absoluta da lei moral de Deus e a sua própria santidade (que se reflete nessa lei). "Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste" (Mt 5.48).

O que acontece quando um cristão peca?

Nossa posição legal perante Deus fica inalterada.

Quando o cristão peca, (quero deixar claro que estamos falando de pessoas convertidas genuinamente, que amam à Deus, e fazem à Sua vontade e que não se deleitam em desobedecê-lo), sua posição legal perante Deus permanece inalterada. Ele ainda assim é perdoado, "pois já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). A salvação não se baseia nos nossos méritos, mas é dádiva gratuita de Deus (Rm 6.23), e a morte de Cristo sem dúvida nenhuma expiou todos os nossos pecados — passados, presentes e futuros; Cristo morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3), sem distinção. Em termos teológicos, conservamos assim nossa “justificação” e nossa “filiação” (I Jo 3:2).

Nossa comunhão com Deus se interrompe e nossa vida cristã se prejudica.

Quando pecamos, ainda que Deus não deixe de nos amar, ele se desgosta conosco. (Mesmo o homem pode amar alguém e ao mesmo tempo se desgostar com esse alguém, como qualquer pai pode confirmar, ou qualquer esposa, ou qualquer marido.). Paulo nos diz que os cristãos podem entristecer o Espírito de Deus (Ef 4.30); quando pecamos, lhe causamos pesar e ele se desgosta conosco. O autor de Hebreus nos lembra que "o Senhor corrige a quem ama" (Hb 12.6, citando Pv 3.11-12) e que "o Pai espiritual [...] nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade" (Hb 12.9-10).
Nossas ações pecaminosas interferem no nosso nível de recompensa futuro (II Co 5:10; I Co 3:12-15).

O perigo dos “evangélicos não convertidos”.

Embora o cristão genuíno que peca não perca a sua justificação ou adoção perante Deus (ver acima), convém deixar bem claro que a mera associação a uma igreja evangélica, a mera conformidade exterior aos parâmetros “cristãos” de conduta esperados, não garante a salvação. Especialmente em sociedades e culturas em que para as pessoas é fácil (ou mesmo natural) ser cristão, existe a possibilidade real de que alguns que na verdade não nasceram de novo entrem na igreja. Se essas pessoas acabam cada vez mais revelando desobediência a Cristo na sua conduta, não devem se deixar iludir acreditando que ainda contam com justificação ou adoção na família de Deus. É possível uma pessoa estar na igreja e não ser genuinamente cristã (Gl 5:19-23; Mt 7:23; I Jo 2:4).

Pense nisso, reflita e volte-se imediatamente para Deus.


Extraído do livro Teologia Sistemática – Wayne Grudem – Editora Vida Nova


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