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A Fé Que Produz Separação Do Mundo


Ter uma fé consagrada a Deus, capaz de vencer os desejos da carne, os valores do mundo e as tentações do diabo.
Humilhai-vos na presença do Senhor e ele vos exaltará. (Tg 4:10)

Tiago escreve esta epístola, como já vimos, nos artigos anteriores, às doze tribos que se encontravam na Dispersão. O capítulo quatro trata de um assunto de relevância tal que não podemos deixar de mencioná-lo nesta série. A palavra-chave é “mundanismo”, e o texto alerta quanto ao desgaste causado pelos desejos mundanos numa vida que se dedica ao Senhor, mas que tem dificuldade de separar-se completamente de tudo o que não se relaciona com abnegação, submissão ou compromisso cristão.

Como cristãos renascidos, somos raça escolhida, sacerdotes do Rei, nação completamente dedicada a Deus, povo que lhe pertence (I Pe 2:9). Fomos escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que nos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz (I Pe 2:9b). Essa é a razão por que não podemos nos abrir para o mundanismo, que tenta nos conformar aos seus padrões pecaminosos e diabólicos. A fé que produz separação do mundo conhece e obedece Rm 12:2: Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês (NTLH).

I - ENTENDENDO A MENSAGEM

Quando se fala na igreja do primeiro século, muita gente imagina uma igreja sem imperfeições, sem impiedades, sem desajustes, sem complicações. Alguns crentes inconformados e decepcionados com a igreja de hoje, chegam a dizer: como seria bom fazer parte da igreja do tempo de Paulo, Pedro e Tiago. Aquilo que era igreja! Que bom se a igreja de hoje, que é tão vacilante, tão imperfeita, fosse igual! Vale dizer, porém, que esta visão da igreja do início é profundamente equivocada e fantasiosa. Nunca houve, em tempo e lugar algum, uma igreja perfeita.

Basta atentar para as epístolas dos apóstolos, dirigidas a cristãos. Todas elas foram escritas com o propósito de resolver problemas nas igrejas. Até a igreja dos filipenses, que recebeu a mais afetuosa das epístolas paulinas, sofria por causa de competição (Fp 1:15), de partidarismo (Fp 1:20) e de rivalidade (Fp 4:2). E o que dizer dos crentes da carta de Tiago? Vamos notar, ao longo deste estudo, que é espantoso e assustador o que se diz deles! O leitor desta carta quase chega a pensar que Tiago está se referindo a gente do mundo, que não tem nada a ver com a igreja de Deus e com o Deus da igreja.

No texto de Tiago 4:1-10, vemos o pavoroso estado de depravação moral daqueles irmãos da diáspora: um povo dotado de uma herança maligna, cheio de contenda, auto-indulgência, concupiscência, assassínio, cobiça, adultério, inveja, orgulho e calúnias que o tornou insatisfeito, competitivo, desobediente vivendo em constantes guerras e conflitos, deixando-se levar pelas coisas mundanas a ponto de se esquecer da fé que transforma pessoa e a separa do mundo.

De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? (Tg 4:1a). Sem rodeios, Tiago aponta a fonte: De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? (Tg 4:1b). Por causa de seus desejos ilícitos, os crentes estavam se agredindo verbalmente e fisicamente. Não se trata de guerras com armamentos bélicos, de nação contra nação. A guerra, aqui, não é de ímpio contra ímpio; é de irmão contra irmão! Atente para o que crentes que se deixam levar pela carne podem fazer com outros crentes – eles se devoram mutuamente com impressionante animosidade e agressividade (Gl 5:14).

A seguir, Tiago mostra que, por não conseguirem satisfazer os seus desejos cobiçosos e invejosos, os crentes reagiam com extrema violência, a ponto de brigarem e matarem: Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras (Tg 4:2). Por trás de muitos homicídios, escondem-se desejos frustrados. Um pecado, a inveja, sempre desperta outro pecado, o homicídio. Por inveja, o Senhor da Igreja foi assassinado (Mc 15:10) e a Igreja do Senhor foi perseguida (At 5:17). Agasalhar a inveja no coração é perigosíssimo: ... nós não devemos (...) ter inveja uns dos outros (Gl 5:26 – NTLH).

Antes de usarem a briga para conseguir a satisfação dos seus desejos, os crentes tentaram a oração, mas não foram atendidos por Deus: ... pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tg 4:3). Eles pediam bens, valores, destaque social e dinheiro para gastar em seus prazeres, em forma banalizada, sem escrúpulos, sem preconceitos ou regras. Essa era uma maneira de fomentar a ganância. As suas orações visavam apenas ao seu próprio bem-estar. Queriam usar Deus para satisfazer seus próprios prazeres e vontades. Isto é pedir mal! Deus não atende orações egoístas. Deus só atende orações de pessoas que pedem segundo a sua vontade (I Jo 5:14).

As suas orações eram egocêntricas e materialistas porque estavam emocionalmente encantados e envolvidos com os valores mundanos. Não eram mais fiéis a Deus, com quem tinham feito uma aliança de amor. Mundanismo é adultério espiritual: Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4). Tiago mostra que o afeto do cristão não pode estar dividido entre Deus e o mundo. O Senhor exige exclusividade: Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? (Tg 4:5).

Conquanto, eles estivessem em profundo adultério espiritual, Tiago lhes mostra que o Deus amoroso e bondoso ainda estava interessado em restaurar a relação. Mas, para haver restauração do relacionamento de intimidade, Tiago requer uma profunda e sincera tristeza pelo pecado. O arrependimento teria de ser radical interno e externo, eles teriam de se despojar das impurezas e das incertezas abrigadas no coração: Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza (Tg 4:8-9). Se eles se sujeitassem (Tg 4:7) e se humilhassem, diante do Senhor (Tg 4:10), seriam exaltados, ou seja, venceriam as forças da carne, do mundo e do diabo.

II - APLICANDO O CONHECIMENTO EM NOSSA VIDA

A fé consagrada somente a Deus não se deixar levar pelos valores do mundo - Os leitores de Tiago se deixaram levar pelos valores do mundo e se tornaram soberbos e invejosos. Quem quer manter a sua amizade com Deus, não deve se enamorar pelos valores do mundo (I Jo 2:15), porque nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo (I Jo 2:16). Uma fé consagrada somente a Deus não vive mais de acordo com o curso deste mundo, cujos valores são temporários e passageiros: ... e o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre (I Jo 2:17).

Além de estar poluído ecologicamente, o mundo está poluído espiritualmente: ... o mundo inteiro jaz no Maligno (I Jo 5:19). A cultura no meio da qual todos os seres humanos nascem vive e morre é influenciada e governada não por santos, mas por ímpios, que vivem em função do prazer carnal. O cristão verdadeiro não pertence mais a este mundo. Seus interesses e seus desejos não são mais os de outrora. A nossa pátria, agora, está em outro lugar: está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3:20). Se você quer agradar apenas ao Pai, não seja nem amigo nem amante do mundo. Paulo ensina que, para vencer o mundo, o crente tem de se voltar para a cruz de Cristo: ... por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo (Gl 6:14).

A fé consagrada somente a Deus não se deixar levar pelos desejos da carne - Embora o crente nascido de novo receba a nova vida do Espírito Santo, tem, em si, a natureza pecaminosa, com suas perversas inclinações e seus impulsos. De acordo com Paulo, é ela que gera desejos contrários à vontade de Deus: Porque o que a nossa natureza humana quer é contra o que o Espírito quer, e o que o Espírito quer é contra o que a natureza humana quer. Os dois são inimigos, e por isso vocês não podem fazer o que vocês querem. (Gl 5:17, NTLH) Nesta mesma linha, Tiago ensina que as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte (Tg 1:15).

Mas a fé consagrada somente a Deus se esforça e se empenha para não viver debaixo da ditadura do pecado (Rm 6:12), por que sabe que, se viver de acordo com os desejos natureza humana, ela morrerá espiritualmente; mas, se pelo Espírito de Deus matar as suas ações pecaminosas, ela viverá espiritualmente (Rm 8:13). Este esforço inclui negar-se a si mesmo diariamente (Mt 16:24; Rm 8:13; Tt 2:11,12), deixar todo impedimento ou pecado (Hb 12.1) e resistir a todas as inclinações pecaminosas (Rm 13.14; Gl 5:16; I Pe 2:11). Este esforço deve persistir até a volta de Cristo, quando, então, seremos salvos da presença do pecado, por meio do novo corpo (I Co 15:49-53). A vitória sobre a carne está na cruz de Cristo: E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências (Gl 5:24).

A fé consagrada somente a Deus não se deixa levar pelas tentações do diabo - Os crentes do tempo de Tiago estavam se “sujeitando ao diabo’ e “resistindo a Deus”. Tiago lhes ordenou o contrário: Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tg 4:7). O diabo a ser resistido diz respeito a um ser espiritual, superior e anterior ao ser humano, inimigo de Deus. Trata-se de uma pessoa inteligente, perspicaz e insistente, que usa e abusa da mentira para fazer grandes estragos nos seres humanos. O tempo todo se prepara e se empenha para matar, roubar e destruir. Ao contrário do que muita gente pensa, a sua liberdade é controlada pela soberania de Deus (Jó 1:12, 2:6; Lc 22:31). A fé consagrada somente a Deus não se deixar levar pelas tentações malignas, pois vive em sujeição a Deus. Ela reconhece que, sujeitando seus desejos e suas vontades ao senhorio de Deus, torna-se capaz de resistir a satanás.

Com nossas próprias forças, não temos condições de prevalecer contra um inimigo tão poderoso e astucioso, e Deus não nos dará a sua graça, enquanto estivermos nos opondo a ele. Para vencer as tentações diabólicas, temos de deixar de lado o orgulho e a altivez e fortalecer-nos no Senhor e na força do seu poder (Ef 6:10). Assim, quando chegar o dia de enfrentarmos as forças do mal, poderemos resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutar até o fim, continuaremos firmes, sem recuar (Ef 6:13).

CONCLUSÃO

Cristo amou as pessoas do mundo, mas não amou os valores do mundo. Ele mesmo disse: o meu reino não é deste mundo (Jo 18:36). Ao viver entre o seu povo, o seu único desejo era fazer e cumprir a vontade do Pai. Certa vez, disse que sua comida consistia em fazer a vontade daquele que o enviara e realizar a sua obra (Jo 4:34). Por causa da sua fidelidade ao Pai, o Senhor pôde dizer no seu discurso de despedida aos discípulos: Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16:33).

Querido leitor, você quer ter uma fé que produz separação do mundo? Então viva pela fé no Filho de Deus, que se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai (Gl 1.4). Vencemos os valores do mundo, os desejos da carne e as tentações do diabo, quando conservamos firmemente os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio Dele [Jesus] que a nossa fé começa, e é Ele quem a aperfeiçoa (Hb 12:2, NTLH). Em Cristo, somos mais que vencedores!

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Fonte: Texto de autoria da Dsa Eunice Laplaca - Estudo sobre a fé baseado na epístola de Tiago - Reproduzido e divulgado no PC@maral

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