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As Tendências Do Cristianismo Popular Brasileiro

Além das duas reportagens que considerei interessantes, e publiquei anteriormente, sobre fé e religião, “Em nome de Deus” e “Deus é Pop”, faltou publicar este artigo do Marcos Sampaio do blog Idéias Protestantes, que, agora, vocês podem ler na sequência. Um excelente artigo e que completa bem esta série de post sobre a igreja cristã do século XXI.

Nas últimas décadas temos acompanhado um aumento sem precedentes no evangelicalismo brasileiro com uma explosão da radiodifusão cristã, publicações de uma série de excelentes novas traduções da Bíblia, a proliferação de livros teológicos e devocionais e um enorme crescimento de congregações evangélicas espalhadas por boa parte do Brasil.

No meio de tudo isso, sinto um sincero desejo de exaltar o Senhor, o amor pela Palavra de Deus, uma fome de entender e, dentro da igreja pelo menos, um interesse renovado em santidade e uma luta contra a deterioração constante da moral que vem aumentando pelo menos nos últimos 40 anos. Esses fenômenos poderiam ter sido precursores do reavivamento espiritual genuíno em nosso Brasil.

Mas os anos 80 foram uma década de declínio. Não declínio numérico na maioria de nossas igrejas [embora esteja preocupado que isso possa acontecer ainda], mas um declínio espiritual. A realidade é que a igreja tem caminhado a passos largos para longe do verdadeiro avivamento espiritual indo em direção a uma popularização perigosa do cristianismo. E esse moderno cristianismo popular, amigável e adaptado ao humanismo e pragmatismo está em toda parte. É talvez mais evidente na televisão com seus programas religiosos, onde acontecem shows e pregações com celebridades gospel e outras formas de entretenimento obscurecendo a verdadeira profundidade e transcendência da mensagem cristã e ao mesmo tempo enfraquecendo tanto a adoração congregacional como o culto pessoal. E essa tendência de cristianismo tão simplista está ganhando rapidamente uma posição crescente em rádios e TV, em shows e movimentos emergentes como também em muitas igrejas brasileiras conservadoras no passado substituindo o ensino fiel das Escrituras.

A verdade que essa nova tendência no meio evangélico tem devastado as igrejas locais, transformando-as em pouco mais de clubes sociais e centros de entretenimento com sermões com raio lazer e fumaça, vídeo clips e teatro, onde o foco está nas necessidades do indivíduo, nutrindo pessoas centralizadas em seu próprio bem-estar.

Penso que essa avalanche toda tem perigos mais sutis do que o liberalismo que ameaçou a igreja na primeira metade do nosso século passado. Isso porque em vez de atacar a ortodoxia, a Igreja em nome da aceitação e com uma pregação sensível aos interessados, silenciosamente mina os fundamentos da doutrina cristã. Vale lembrar que a igreja popular não é um único movimento ou organização visível. As tendências em relação à religião popular podem ser encontradas até mesmo em algumas das melhores igrejas e organizações cristãs tradicionais do nosso país. Diante desta realidade, precisamos considerar algumas dificuldades desse tipo de evangelicalismo que tem afligido a igreja brasileira:

1- O cristianismo popular tem a tendência de apoiar a fé em algo que não seja somente a Palavra de Deus.

A experiência, a emoção, a moda e a opinião popular, na realidade, são muitas vezes mais autoritárias do que a Bíblia para determinar o que muitos cristãos acreditam e praticam. A psicologia secular, por exemplo, está praticamente superando a Palavra de Deus no currículo de alguns dos nossos seminários mais conservadores. Aconselhamento cristão reflete esta tendência, muitas vezes não oferecendo mais do que experiências de auto-ajuda terapêutica, em vez de respostas sólidas a partir da Bíblia. Isso é verdade entre as igrejas locais. Tornou-se modismo renunciar a proclamação e ensino da Palavra de Deus nos cultos. Em vez disso, as igrejas investem em teatros com seus dramas e novelas, músicas barulhentas e outras formas de entretenimento. Já a Escritura é destronada, perde a sua autoridade como a base da nossa fé e pratica produzindo uma congregação tão fraca e indiferente à glória de Deus quanto o seu pastor.

2- O cristianismo popular tem a tendência de deslocar a fé para longe do Filho de Deus.

Essa evidencia é bastante clara ao assistirmos alguns programas religiosos na TV. O que chama mais atenção nessas programações são os evangelistas celebridades, a campanha de angariação de fundos ou os milagres e as curas - qualquer coisa, mas o Senhor Jesus e a genuína fé nas Escrituras são normalmente nesses canais surrealistas. O evangelho da riqueza, saúde e prosperidade defendida por muitos televangelistas é o melhor exemplo desse tipo de fé fantasia. Apelando descaradamente para a carne, este falso evangelho corrompe todas as promessas das Escrituras e encoraja a ganância. Incentiva as pessoas buscarem as bênçãos materiais, e não a Jesus Cristo, como o centro do desejo do cristão. Essa fácil crença processa a mensagem de maneira diferente, mas o efeito é o mesmo. Um cristianismo com promessa de perdão, mas que não exige vida santa dos seus ouvintes e que pouco provoca a fé sincera.

Cristo não é mais o foco da mensagem nesse tipo de evangelho popularizado. Podemos até ouvir seu Nome mencionado ao longo do tempo, mas o foco real são as coisas da terra, e as que são de cima. As pessoas são incitadas a olhar para dentro, para tentar se entender, para vir a enfrentar seus problemas, suas dores, seus desapontamentos, ter suas necessidades atendidas, os seus anseios concedidos, os seus desejos cumpridos. Quase que todas as versões desse tipo de cristianismo pop são incentivar e legitimar uma perspectiva de auto-satisfação pessoal e nada mais do que isso. Essa ênfase distorce a mensagem genuína do evangelho e muda o foco para longe de Cristo.

3- O cristianismo popular é infectado com uma tendência de ver o resultado da fé como algo menos do que o padrão de Deus de uma vida santa.

Pensei nisso recentemente quando líderes de uma igreja denominada evangélica foram presos por lavagem de dinheiro. Vários de seus fiéis se manifestaram contra a sua condenação e prisão. É verdade que devemos perdoar as dificuldades dos nossos semelhantes, mas o perdão não é o fim e o objetivo da fé cristã; Santidade ao Senhor é (2 Coríntios. 7:1, Ef. 1:4; 5:25-27).

Pense nisso: O que poderia fazer Satanás mais eficaz para tentar destruir a igreja do que distorcer a Palavra de Deus e minimizar a vida santa de seus membros? Todas essas coisas estão acontecendo sutilmente dentro da igreja hoje. Tragicamente, muitos cristãos parecem ignorar esses problemas, satisfeitos com esse tipo de cristianismo que está na moda e que sido altamente divulgado em nossa época.

Ora, a verdadeira igreja não deve ignorar estas ameaças. Se nós lutamos para manter a igreja pura, podemos até enfrentar ataques externos facilmente. Mas se deixarmos o erro dentro da igreja, teremos maiores dificuldade de reconquistar a pureza, sem entrar em guerra contra as heresias e os próprios sabotadores do evangelho dentro da cristandade.

Receio que possa estar acontecendo isso agora mesmo. Pois, a igreja do século XXI tornou-se tão ampla e abrangente que muitos cristãos de outro modo evitam falar a verdade por medo de serem divisionistas. No entanto, não podemos ter paz, se isso significa que devemos evitar passagens inteiras das Escrituras! Jesus orou por unidade, entretanto, por uma unidade com base no compromisso comum com a verdade. É uma unidade possível porque temos sido santificados na verdade (João 17:19-21), e não numa falsa unidade com pessoas descompromissadas com o antigo evangelho das Escrituras e que pervertem o Cristianismo histórico da fé cristã.

O povo não precisa de nossas opiniões; necessitam ouvir o que Deus tem a dizer. Portanto, se pregarmos como a Escritura nos ordena, não será difícil saber de quem é a mensagem que vem do púlpito.

Pense nisso!


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Fonte: Idéias Protestantes

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