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Quando o Povo de Deus se Reúne para Pregar o Evangelho


Ó Senhor Deus, na reunião de todo o teu povo, eu contei a boa notícia de que tu nos salvas. Tu sabes que nunca vou parar de anunciá-la. (Sl 40:9)

 Pense: 

Quando queremos saber o conteúdo de um livro, sem ter de lê-lo por completo, o que fazemos? Geralmente, checamos o índice, lemos o prefácio, damos uma folheada, etc. Mas o que se fazia, dois mil anos atrás, na época dos escritores da Bíblia, quando os livros eram escritos em forma de rolo? Como folhear um pergaminho enrolado? Como saber do que iria tratar o autor, sem ter de ler todo o livro? Simples: bastava ler as primeiras palavras. No geral, elas revelavam o conteúdo da obra. [1] Pois bem, você já leu as primeiras palavras do evangelho de Marcos? Leia: Aqui começa a boa notícia de Jesus Cristo, o Filho de Deus (1:1 – NBV).

Então, do que Marcos vai tratar? Os que se reuniriam para lê-lo achariam exatamente a boa notícia sobre Jesus! A expressão “boa notícia”, em Marcos 1:1, citado na introdução, deriva- se da palavra grega euangelion (evangelho). Esta palavra era usada para se referir: 1) à “recompensa” que se pagava ao mensageiro que trazia uma mensagem de vitória que causasse alegria (as pessoas recebiam alívio por causa da mensagem; por isso, ele era recompensado), 2) e também à própria “mensagem” em si. No Novo Testamento, a palavra “evangelho” é usada para se referir à ação de Deus por meio de Jesus. A “boa notícia” é Jesus: o que ele fez, o que ele é, o que ele promete e o que exige. Essa “boa notícia” precisa ser contada.

O que Jesus fez: 

Quando nos reunirmos para contar as boas novas, este deve ser o primeiro item da nossa proclamação: falar dos feitos de Jesus. Contar o que ele fez fazia parte da proclamação das boas novas dos primeiros cristãos. Os evangelistas sempre se lembravam dos fatos que se realizaram entre eles (Lc 1:1 cf. 24:14,18). Os evangelhos são, na verdade, a narração destes fatos. São as boas notícias sobre Jesus, para que as pessoas cressem nele. Em Atos, Pedro, em seu discurso para uma audiência internacional, logo após ser batizado no Espírito Santo, conta a boa nova sobre Jesus, partindo do que ele havia feito: Como bem sabeis, disse o apóstolo (2:22). Ele estava evocando o testemunho dos próprios ouvintes.

Mas o que Jesus fez que, quando contado, traz alegria e pode ser chamado de “boa notícia”? Em primeiro lugar, Jesus morreu por nós. O principal objetivo de Cristo ter vindo a este mundo, como homem, não foi dar um exemplo de vida santa, mas morrer pelos nossos pecados (1 Co 15:3). A morte de Jesus faz parte da boa notícia do evangelho. Por causa dela, podemos receber a vida eterna e ter comunhão com Deus. Por causa dela, nossos pecados são perdoados. Estávamos condenados e merecíamos a morte, mas, através da morte de Jesus, quem o recebe como Senhor, ganha vida.

Em segundo lugar, Jesus ressurgiu e está vivo! Diante de uma multidão de pessoas, no dia do Pentecostes, Pedro afirmou: Deus o ressuscitou quebrando as algemas da morte, pois não era possível que fosse detido por ela (At 2:24). Aquele que morreu para nos salvar, hoje vive exaltado à direita de Deus (v. 32). “A ressurreição de Jesus é dom de Deus e prova que sua morte obteve sucesso total em apagar os pecados de seu povo”. [2] Jesus triunfou sobre a morte, ressuscitando. Ele tem as chaves desta. Pode abrir a porta para todos aqueles que se achegarem a ele com fé. Por isso, pôde dizer: Eu sou o que vive; fui morto, mas agora estou aqui, vivo para todo o sempre e tenho as chaves da morte e do inferno (Ap 1:8). Esta boa notícia precisa ser contada.

O que Jesus é: 

O anúncio das boas novas não deve conter somente o que Cristo fez por nós, mas o que ele é para nós, hoje. “Elas dizem respeito não simplesmente ao que ele fez há mais de dezenove séculos, mas ao que ele é hoje, em consequência daquilo”. [3] E o que ele é hoje? Em primeiro lugar, Jesus é salvador. O texto de Atos 4:12 diz: E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. A morte e a ressurreição de Jesus, sua exaltação e autoridade fazem dele o único Salvador. Fora de Jesus, não há salvação. Ninguém mais, dentre os homens, possui tais qualificações. Somente ele tem autoridade para concedê-la.

Em segundo lugar, Jesus é Senhor. A epístola aos romanos, de forma muito clara, diz: Porque foi com este propósito que Cristo morreu e tornou a viver: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos (14:9). Cristo morreu e ressurgiu para ser Senhor! Em Filipenses, lemos que Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu um nome que está cima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho (2:8b-10a – NVI). O senhorio de Jesus sobre vivos e mortos é consequência direta da sua morte. Podemos enxergar isto no uso da expressão “Por isso”. Por causa da sua humilhação, Deus o exaltou.

E para que tudo aconteceu? Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho! Jesus é Senhor! Deus o fez Senhor (At 2:36). Fez para que toda a língua confesse esta sublime verdade (Fp 2:11). E, aquele que confessa com seus próprios lábios que Jesus Cristo é o seu Senhor, (...) será salvo (Rm 10:9, BV). Ninguém pode fazer essa afirmação, a não ser pelo Espírito Santo (1 Co 12:3). Este é o grande convite do evangelho! Baseado em tudo o que Cristo fez, homens e mulheres devem submeter sua vida, em todos os aspectos, ao senhorio absoluto de Jesus: Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2 Co 5:15). Quando nos reunirmos para adorar, contemos esta boa notícia.

O que Jesus oferece: 

Além de mostrar o que Jesus fez e o que ele é, a proclamação das boas novas deve conter o que ele oferece para aqueles que o recebem como Senhor e Salvador. São muitos os benefícios que adquirimos, ao entregarmos a nossa vida a Cristo. Analisemos dois. Em primeiro lugar, o perdão dos pecados. A Bíblia garante que todo ser humano é pecador (Rm 3:23); afirma também que quem diz não ter pecado, engana-se a si mesmo e é mentiroso (1 Jo 5:8, 10). Não há como florear essa verdade. Todos os que estão longe de Deus, estão mortos em suas transgressões (Ef 2:1); são guiados pelo príncipe deste mundo (Ef 2:2); dominados pelos desejos carnais (Ef 2:3); são, por natureza, filhos da ira (Ef 2:3).

A Bíblia também garante que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23a). Contudo, essa mesma Bíblia afirma, de maneira inegável, que Deus é rico em misericórdia (Ef 2:4), e prova seu amor para conosco, por ter Cristo morrido por nós (Rm 5:8). A Escritura ainda diz: ... o sangue de Jesus, nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1:5). ... convertei-vos para que os vossos pecados sejam apagados (At 3:19); e: ... todo o que nele crê receberá o perdão dos pecados (At 10:43).

A pregação da boa notícia tem que trazer essa verdade gloriosa! Mas não só essa: em segundo lugar, quem recebe a Cristo, além do perdão, recebe uma nova vida. Não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8:1). A “condenação” que o texto menciona se refere à libertação não apenas da culpa, mas também do poder escravizante do pecado. [4] Quando alguém está em Cristo, torna-se uma pessoa totalmente nova (2 Co 5:17 – NBV). “Cristo oferece mais do que o perdão de nosso passado. Ele oferece também uma nova vida no presente por meio do novo nascimento e da habitação do Espírito Santo”. [5] Quando nos reunirmos para adorar, lembremo-nos sempre disto: estamos ao lado de pessoas transformadas, que não vivem mais para si mesmas, mas para Cristo (Gl 2:20). Deixemos sempre viva essa boa notícia entre nós.

O que Jesus exige: 

Vimos, até aqui, que a mensagem das boas novas deve conter o que Jesus fez, o que Jesus é, e o que Jesus oferece. Por fim, para ser completa, essa proclamação também deve conter o que Jesus exige. O que Jesus requer de nós, hoje? No dia de Pentecostes, após ouvirem Pedro mostrar brilhantemente o que Jesus é e fez, as pessoas quiseram saber o que fazer: Irmãos, que devemos fazer? (At 2:37 – BV). Em resposta a esta pergunta, Pedro diz: Arrependei-vos (At 2:38). Em outro sermão do apóstolo, também registrado no livro de Atos, ele disse: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos (At 3:19).

O arrependimento era parte das exigências na proclamação das boas novas. Arrepender-se é “mudar de opinião”; neste caso, mudar de opinião com respeito a Jesus Cristo. Aqueles que, antes, o rejeitavam, devem recebê-lo e aceitá-lo como Senhor de suas vidas. Essa mudança impõe um novo estilo de vida: é “a re-orientação total da vida no mundo – entre os homens em resposta à obra de Deus por meio de Jesus Cristo”. [6] Essa reorientação da vida, esse arrependimento, inclui fé. Os quase três mil que se arrependeram e foram batizados, no dia do Pentecostes, foram citados como todos os que creram (At 2:44).

Mais adiante, ainda no livro de Atos, Paulo apresentou esta exigência ao carcereiro de Filipos: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa (At 16:31). Crer em Jesus é depositar a nossa confiança nele. É mais do que conceitual. Significa colocar a fé naquele que é capaz de nos salvar. Significa eleger Cristo como Senhor sobre os nossos planos atuais e sobre o nosso destino eterno. É entender que ele tem todo o direito de governar a nossa vida e deixar que ele a governe através de sua Palavra. Era “inconcebível para os apóstolos que qualquer pessoa pudesse crer em Jesus como Salvador sem submeter-se a ele como Senhor”. [7] Assim, as exigências do evangelho são o arrependimento e a fé.

Praticando a Palavra de Deus

1. Expalhe a boa notícia por meio do louvor.

Nós passamos grande parte do nosso culto a Deus cantando louvores. E isso é bom. O louvor é parte fundamental do nosso culto. A Bíblia diz: Todo ser que respira louve ao Senhor (Sl 119:6). O momento do louvor é de alegria, reflexão, adoração a Deus por quem ele é, pelo que ele faz, etc. Mas a pergunta que gostaríamos de levantar é: o que estamos cantando? Qual é o conteúdo dos nossos hinos e louvores? Levantamos essa pergunta por acreditarmos que o momento de louvor é excelente para contarmos as boas notícias e, muitos de nós não estamos sabendo aproveitar essa oportunidade. Muitas pessoas são atraídas, inicialmente, aos nossos cultos, pelos cânticos. Podemos pregar o evangelho, também, quando cantamos. Por isso, aproveitemos também esse momento para contar o que Jesus fez por nós. Infelizmente, Jesus sumiu das letras dos cânticos de muitos grupos e bandas cristãs da atualidade. Já não se canta mais a Escritura. Para que isso não aconteça conosco, cantemos que Jesus morreu para que nós tivéssemos vida! Cantemos que ele é o nosso Salvador e Senhor! Cantemos que ele concede nova vida! Cantemos que ele exige arrependimento e fé! Cantemos que ele voltará! Incluamos Cristo nos nossos cânticos!

2. Expalhe a boa notícia por meio do exemplo.

O nosso testemunho é um dos meios mais eficazes para transmitirmos o evangelho. As palavras, faladas ou escritas, podem ser rebatidas, mas uma vida santa, não! Somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16). São muitos os testemunhos de pessoas que se tornaram crentes em Jesus por causa do exemplo de um cristão comprometido com Cristo. Pessoas que olharam para a vida de um seguidor de Jesus foram contagiadas pelo seu testemunho pessoal e desejaram segui-lo também. O testemunho pessoal pode abrir portas para proclamarmos as boas novas. O que os não cristãos têm visto em nossa vida? O que eles têm dito, quando participam dos nossos cultos a Deus? Aliás, como nós temos recebido os ouvintes das boas novas, quando vamos à casa do Senhor? Quando estão em nosso meio, eles afirmam que, de fato, Deus está entre nós, ou ouvem que estamos nos devorando uns aos outros, nos destruindo mutuamente (Gl 3:15)? Cuidemos! Como um perfume que se espalha por todos os lugares, deixemo-nos ser usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas (2 Co 2:14 – NTLH). Contemos as boas novas, quando nos reunirmos para adorar, através do nosso exemplo.

3. Expalhe a boa notícia por meio do anúncio.

Você ainda se lembra do texto do inicio? Leia-o novamente: Ó Senhor Deus, na reunião de todo o teu povo, eu contei a boa notícia de que tu nos salvas. Tu sabes que nunca vou parar de anunciá-la (Sl 40:9). O Salmo 40 é um salmo de Davi. É um louvor de Davi que expressa sua gratidão a Deus. “Não se sabe, ao certo, qual é o seu contexto histórico, mas é possível que Davi o tenha escrito durante os anos difíceis de exílio ou, talvez, nos primeiros anos de seu reinado”. [8] O que sabemos, de certo, é que Deus o ajudou e supriu as suas necessidades em tempos de dificuldades. Deus o tirou de um “poço de destruição” (v. 2). Podemos observar, no verso 9, o entusiasmo, a alegria e a confiança de Davi para contar aos outros aquilo que Deus fez por ele. Na reunião do povo de Deus, ele disse que não se calaria: anunciaria a boa notícia! Que excelente exemplo! O que Jesus fez por nós é muito grandioso para guardarmos conosco. Como não espalhar esta boa nova?! Sem Jesus, estaríamos perdidos, acabados. Nosso fim, fatalmente, seria a morte. Mas ele nos deu vida! Anunciemos essa boa notícia. Ele continua dando vida. Ainda hoje, ele continua concedendo a salvação! Em nossas reuniões, não cansemos de anunciar essas coisas, seja por meio da pregação, seja em nossas Escolas Bíblicas: contemos a boa notícia!

Conclusão

Que a boa notícia sobre Jesus continue sendo espalhada por todos os lugares. Quando nos reunirmos para cultuá-lo, contemos o que ele fez, o que ele é, o que ele promete e o que ele exige, com toda a alegria e entusiasmo. Nunca paremos de anunciar tão gloriosa notícia.

Bibliografia:

1. WATTS, Rikk. Jesus, o modelo pastoral. Rio de Janeiro: Danprewan, 2004. pág.18
2. PIPER, John. A paixão de Cristo. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. pág.114
3. STOTT, John. A missão cristã no mundo moderno. Viçosa: Ultimato, 2010. pág.60
4. LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo: Hagnos, 2010. Murray apud Lopes (2010: pág279).
5. STOTT, John. A missão cristã no mundo moderno. Viçosa: Ultimato, 2010. pág.63
6. STOTT, John. A missão cristã no mundo moderno. Viçosa: Ultimato, 2010. pág.65
7. STOTT, John. A missão cristã no mundo moderno. Viçosa: Ultimato, 2010. pág.66
8. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006.___________________. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica, 2006. pág.165

Fonte:
Departamento de Educação Cristã
Paulo Cesar Amaral

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