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Não há mudança de atitude, quando não há arrependimento e confissão.


Ao sermos confrontados e iluminados pela palavra de Deus, deixamos de nos justificar e, logo, reconhecemos nossos pecados. Então, não há outra saída, senão a confissão sincera. Este é o maior sinal do arrependimento. O povo que voltou do cativeiro babilônico viveu essa maravilhosa experiência. Em Neemias 9, encontramos uma das mais belas orações de confissão de toda Bíblia. Israel fez uma retrospectiva de sua história e viu o quanto pecara, mas também viu o quanto Deus é bom. Numa atitude de contrição e quebrantamento, o povo olhou para o passado, a fim de ver onde tinha caído e de não repetir mais os mesmos erros.

O capítulo 8 de Neemias termina com o povo celebrando a Festa dos Tabernáculos. Já o capítulo 9 trata de um momento em que a festa já havia terminado, mas o povo ainda permanecia na cidade e desejava ouvir mais a palavra de Deus. Os banquetes transformaram-se em jejum e as vestes festivas trocadas por pano de saco (Ne 9:1). À medida que a palavra os convencia da culpa, os judeus sentiam cada vez mais a necessidade de se confessar a Deus. Por isso, aquele culto, que aconteceu no dia 24 daquele mês [1], foi diferente e especial: houve três horas de pregação e três horas de oração, E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do SENHOR seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao SENHOR seu Deus. (Ne 9:3). O texto informa que os descendentes de Israel se separaram de todos os estrangeiros. Eles colocaram-se em pé, confessaram os seus pecados e a maldade dos seus antepassados (Ne 9:2– NBV). Aos reconhecer e confessar seus pecados Israel cresceu.

Os que eram de ascendência israelita tinham se separado de todos os estrangeiros. Levantaram-se nos seus lugares, confessaram os seus pecados e a maldade dos seus antepassados. (Ne 9:2)

Reconhecendo a grandeza do Criador:

Sob a liderança dos levitas, possivelmente, tendo Esdras como porta voz, [2] o povo de Deus orava com fervor. Assim como muitas outras orações da Bíblia, essa oração começou com adoração. Israel reconheceu a majestade de Deus. É impressionante a consciência que os levitas e o povo tinham a respeito da grandeza de Deus. Eles oravam dizendo: Bendito seja o teu nome glorioso! A tua grandeza está acima de toda expressão de louvor (Ne 9:5b). Essa consciência era resultado da exposição do livro da Lei. De fato, “a adoração envolve a palavra de Deus, pois a palavra de Deus revela o Deus da palavra”. [3] Eles continuaram recordando a grandeza de Deus: Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos (Ne 9:6). Que profunda teologia! Aqui, em primeiro lugar, Israel reconhece que Deus é o Criador do universo. Em segundo lugar, declara que Deus é o mantenedor da vida. O Todo-Poderoso não apenas criou, mas sustenta todas as coisas. E, em terceiro lugar, confessa que Deus é o soberano da criação. Ele está na cabine de comando do universo. O Senhor é quem dirige a história da humanidade. É ele quem conduz a história do seu povo.

Fazendo lembrança da história de Israel:

Na oração de confissão, após recordar e louvar a grandeza do Criador, os levitas recordaram a história de seu povo. Fizeram uma retrospectiva, desde o chamado de Abrão até a posse da terra prometida (Ne 9:7-15). Lembraram como Deus chamou Abrão da terra de Ur; recordaram as promessas que lhe fez e como cumpriu essas promessas; trouxeram à memória também como Deus mudou o nome e a vida de Abrão e como multiplicou a sua descendência. Não esqueceram que Deus foi sensível ao sofrimento de seu povo no Egito e lhe proveu um libertador. Recordaram os milagres que fez diante do Faraó, como demonstração de que ele é o único Deus poderoso. Não foram esquecidos também quanto aos prodígios que o Senhor realizou em benefício do povo, desde o início de sua caminhada no deserto até sua entrada em Canaã: a abertura do Mar Vermelho, a nuvem e a coluna de fogo; a provisão de água e pão, e, acima de tudo, o concerto que fizera com esse povo, no Monte Sinai, quando lhe deu a Lei. Fazendo lembrança de sua história, Israel tinha a melhor de todas as oportunidades para crescer espiritualmente. Essa é uma das vantagens que temos toda vez que revemos o nosso passado em busca de lições que nos sirvam de orientação para o presente e para o futuro.

Reconhecendo o pecado do povo:

Nesta viagem ao seu passado histórico, os israelitas se depararam com uma realidade triste: constataram que não foram gratos e fiéis a Deus quanto deveriam ter sido, a despeito de todos os benefícios que receberam dele (Ne 9:16-18). Reconheceram que tinham pecado contra Deus e precisavam de arrependimento e conversão. A descoberta que fizeram foi descrita pelos levitas com as seguintes palavras: E recusaram ouvir-te, e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste; e endureceram a sua cerviz, e na sua rebelião levantaram um chefe, a fim de voltarem para a sua servidão (Ne 9:17). O reconhecimento da culpa e a consequente confissão, no entanto, só se tornaram possíveis depois que ouviram e refletiram sobre a palavra de Deus. Esta tem sido ao longo do tempo, a responsável pelos mais notáveis despertamentos espirituais. Se quisermos experimentar um verdadeiro reavivamento espiritual, precisamos começar por dar lugar à palavra de Deus em nossa igreja, em nossa família e em nossa vida. “O conhecimento das Escrituras provocou um claro entendimento da ação de Deus na História. Deus está ativo na história do seu povo e na história das nações”. [4]

Exaltando a bondade do Senhor:

É impossível relatar a história do povo de Israel, sem enfatizar a bondade e o cuidado do Senhor manifestados para com esse povo (Ne 9:19-29). Em nenhum momento Deus o abandonou no deserto, onde o povo peregrinou por quarenta anos. Durante o dia, ele o fez andar à sombra de uma nuvem, e, à noite, ao clarão de uma coluna de fogo que o guiava por onde tinha de andar. Seus vestidos não envelheceram, seus sapatos não apresentaram roturas e seus pés não incharam. Subjugou reinos; multiplicou-se como as estrelas do céu; tomou posse da terra que fora prometida a seus pais; conquistou cidades fortes, e possuiu casas cheias de mantimentos, poços já escavados e olivais produzindo. Tudo isso foi conseguido não por seus próprios esforços, mas pela bondade do Senhor. A despeito disso, porém, os filhos de Israel se rebelaram contra ele e lançaram a sua Lei para trás de suas costas (Ne 9:26). Isto fez com que Deus os entregasse nas mãos dos seus inimigos, a fim de que os angustiassem. Mas, estando eles angustiados, voltavam-se para o Senhor, pedindo-lhe misericórdia, e o Senhor os ouvia, enviando-lhes libertadores: Porém, em tendo repouso, tornavam a fazer o mal (...) e convertendo-se eles, e clamando a ti, tu os ouvistes desde os céus, e segundo a tua misericórdia, os livraste muitas vezes (Ne 9:27-28).

“Deus foi bom para seu povo quando seu povo não foi bom para ele”

Recordando a misericórdia de Deus:

O povo, em sua confissão lembra o quanto Deus lhe fora gracioso (Ne 9:30-38). Aos que imaginam que a graça é um favor divino que só veio a existir a partir do Novo Testamento, lembramos que essa bênção divina sempre existiu e se manifestou na história dos hebreus. Os salmos 78, 106 e 107 mostram exatamente isso. Esses salmos registram, até de maneira repetitiva, os altos e baixos da história desse povo, destacando-se, neles, a graça e a misericórdia do Senhor. Sua narrativa é muito parecida com a do livro de Neemias, em que os próprios judeus reconheciam: Tu és justo em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu fielmente procedeste, e nós, perversamente (Ne 9:33). A história era clara e evidente: “Deus foi bom para seu povo quando seu povo não foi bom para ele”. [5] Sem que houvesse mérito algum em Israel, o Senhor foi longânimo e misericordioso com ele. Enviou os profetas para ensinar, conduzir e advertir, mas a nação não quis ouvir (Ne 9:30). A expressão “pela tua grande misericórdia”, que os levitas citam no versículo 31, é semelhante ao que o profeta Jeremias havia dito, algumas décadas antes, recordando a graça de Deus: Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis (Lm 3:21-22 - NVI). Por causa do seu pecado, Israel havia passado por muitas privações. Mas até nisso os levitas viram a graça de Deus manifesta, pois, na aflição, o povo se arrependia e clamava por socorro, e Deus sempre o socorria (Ne 9:32-37). Havia uma promessa: Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra (2 Cr 7:14). O Deus de toda misericórdia estava sempre pronto a mostrar sua graça a este povo que não o merecia. Assim, Neemias, Esdras, os levitas e todo o povo fizeram aquela belíssima oração de confissão, de maneira peculiar: recordando sua história e reconhecendo o agir de Deus nela.

Aplicando a Palavra de Deus em nossa vida

1. Recordar nos faz crescer, quando vemos a bênção de Deus em nossa história.

Toda murmuração é pecado, porque é fruto de nossa ingratidão para com Deus (1Co 10:10). O melhor remédio para o murmurador é a recordação. Quando os israelitas faziam esse exercício, percebiam o quanto eram abençoados e logo diziam: Grandes coisas fez o Senhor por nós (Sl 126:3). Voltando a seu passado, o povo tinha a oportunidade de relembrar todas as obras que o Senhor realizara em seu benefício, ao longo de sua história. Em pouco tempo, percebia o quanto havia sido ingrato com Deus. Assim, pedia perdão, louvava e glorificava o nome do Senhor. Se, como aquele povo, trouxermos à lembrança tudo o que o Senhor tem feito em nosso favor, descobriremos que são inúmeros os motivos que temos para lhe rendermos graças. Você tem feito isto?

2. Recordar nos faz crescer, quando vemos a graça de Deus em nossa história.

Nem sempre recordar nos faz crescer, pois, em alguns momentos, as recordações só nos deixam mais tristes e trazem à tona traumas adormecidos. Contudo, quando olhamos para o passado e conseguimos ver a graça de Deus em nossa história, crescemos espiritualmente. Jeremias mostrou que sabia disso, quando disse: Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança (Lm 3:21). Quando você pensa em como era sua vida, antes de conhecer o nosso Senhor, pode até perguntar a si mesmo: “O que Jesus viu em mim para me salvar?”. Na verdade, não há mérito algum em nós. Tudo que ele fez em nossa história foi por amor. É a graça do Deus misericordioso o motivo que não somos consumidos (Lm 3:22) e o seu amor por nós, a razão de ainda estarmos aqui. Então, podemos cantar aquele hino: “Oh! por que Jesus me ama? Eu não posso te explicar! Mas a ti também te chama, pois deseja te salvar!”.

3. Recordar nos faz crescer, quando vemos a direção de Deus em nossa história.

O caminho percorrido por muitos cristãos, a partir do momento em que aceitam o evangelho, não poucas vezes, é cheio de percalços, cheio de obstáculos. Porém, se esses mesmos cristãos têm a convicção de que Deus está na direção de suas vidas, nada devem temer. Deus é o mesmo. Portanto, a exemplo do que ele fez com Israel, no passado, fará com aqueles que o amam e obedecem a sua palavra, no tempo presente. Os levitas recordaram a história do seu povo, em sua confissão, e notaram a direção bondosa de Deus em cada momento dessa história: corrigindo, protegendo e salvando Israel. Temos sentido a direção de Deus em nossa história? Se pararmos para analisar a nossa caminhada, certamente, veremos a mão de Deus nela e poderemos dizer como disse Samuel: Até aqui nos ajudou o Senhor (1 Sm 7:12).

Concluindo

São muitas as lições que podemos aprender com este estudo, que tem como base uma parte da história do povo de Israel. Uma delas consiste em saber que não há mudança de atitude, quando não há arrependimento e confissão. Na oração de confissão e contrição feita no capitulo 9 de Neemias, Israel faz uma retrospectiva de sua história e descobre que respondeu à bondade e misericórdia de Deus com ingratidão e rebeldia. Esse exercício de memória fez Israel crescer espiritualmente. Aquele que não recorda o erro do passado está condenado a revivê-lo. [6] Portanto, querido irmão em Cristo, sempre relembre a sua história e a história do povo de Deus, para aprimorar os acertos e não repetir os erros.


Bibliografia

1. Era o mês de Etanim ou Tisri, o sétimo mês do calendário sagrado, e o primeiro do ano civil  - BOYER, O. S. Pequena enciclopédia Bíblica. São Paulo: Editora Vida, 1989. pág. 55

2. HARPER, A. F. (et all).
Comentário Bíblico Beacon: Josué a Ester. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. pág. 526

3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 661

4. LOPES, Hernandes Dias. Neemias: O líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2006. pág. 163

5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 665


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