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A Lei de Deus e o Próximo

Não matarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. (Êxodo 20:13-15,16)


Respeito é o segredo para se viver bem. Deus deu mandamentos para fortalecer os vínculos relacionais na sociedade. É propósito do criador que as pessoas sejam responsáveis e contribuam para a manutenção e o fortalecimento dessa sociedade. Essa contribuição, que todos são chamados a dar, pode ser resumida numa palavra: respeito. Esta palavra pode parecer fora de moda, mas é o que se espera de cada cidadão, em especial, dos cristãos.

Deus sabe o quanto a humanidade se desviou e se aprofundou na lama do pecado. O desrespeito, a violência e o derramamento de sangue têm sido praticados com terrível e assustadora naturalidade. Diante dessa horrível realidade, Deus quer mostrar a esta sociedade que é possível viver e fazer a diferença. Ele convoca seu exército de pessoas salvas dizendo lhes: ... para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros (Fp 2:15).

Respeito à vida: Qual o valor da vida humana? O ser humano foi formado do pó e, na morte, torna ao pó (Gn 2:7, 3:19; Ec 3:20). Sua existência é tão frágil que chega a ser comparada, na Bíblia, à erva do campo (Is 40:6-7). Contudo, ele foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que lhe confere um valor incalculável. Respeitar esse valor é viver em paz em sociedade; desrespeitá-lo é insultar o criador. A falta de compreensão do valor que Deus dá à vida tem levado muitos a desrespeitarem este dom especial concedido por Deus. O criador estabeleceu leis para tornar possível a convivência do ser humano em sociedade, e uma destas leis é: Não matarás (Ex. 20:13).

O desrespeito para com a vida pode ser expresso através do homicídio (que inclui o aborto), da eutanásia ou do suicídio. O sexto mandamento proíbe o ato de matar. Toda pessoa é chamada a amar o próximo. Matar é o oposto de amar. Mas é possível também tirar a vida de uma pessoa e mantê-la viva fisicamente, através do rebaixamento de seu valor, com atitudes ou palavras. Mata-se uma pessoa ofendendo-a verbalmente (Mt 5:21-22); negando-lhe a liberdade de se expressar, de conhecer e crescer como indivíduo; roubando-lhe o amor próprio; tirando-lhe a esperança. Quem mata a fé ou os ideais do outro comete assassinato. Não matarás diz respeito a não tirar das pessoas a alegria e o sentido da vida, com palavras ou ações.

Com relação ao aborto, trata-se de tirar a vida de um ser que ainda não nasceu, mas que também foi criado à imagem e semelhança de Deus e precisa ser amado e protegido. A concepção marca o início da existência do ser humano. Interrompê-la é quebrar o mandamento que ordena respeito à vida. O mesmo pode ser dito da eutanásia, palavra derivada do grego eu (boa) e thanatos (morte) – boa morte, ou morte tranquila, serena, sem sofrimento [1]. É quando alguém decide “que a vida de uma pessoa não tem mais valor e que algo deve ser feito para pôr-lhe um fim”. [2]

Não matarás refere-se também ao suicídio, uma vez que o fato “de estarmos vivos traz, em si, a obrigação de vivermos”. [3] Suicídio não é apenas enforcar-se, envenenar-se, tomar uma superdose de remédio intencionalmente, pegar uma arma e atirar contra a cabeça etc.; é também não observar as regras de saúde; é entregar-se aos vícios, expor-se a riscos desnecessários. Na segunda guerra mundial, os kamikazes japoneses entravam nos aviões explosivos que eram lançados contra alvos militares e morriam. Isso é chamado de suicídio heroico. Uma pessoa endividada que dá um tiro na própria cabeça comete suicídio por desespero. Ambas são situações sem apoio bíblico.

Respeito aos bens alheios: Não furtarás é o mandamento que tem como finalidade o respeito ao patrimônio do outro. É mais abrangente que arrombar uma casa e apossar-se do que lá encontrar ou pegar algo escondido, ou, ainda, usar uma arma para forçar as pessoas a entregarem seus pertences. Pode acontecer em pequena ou em larga escala. Tanto as pessoas que dão grandes golpes financeiros quanto as que subtraem pequenas quantias, não informando à pessoa do caixa que ela deu alguns centavos a mais, estão erradas. Suas atitudes são condenadas por Deus.

O empregado, que, durante o expediente de trabalho, usa o tempo para fazer qualquer outra coisa, que não o seu trabalho, está furtando. Até mesmo ler a Bíblia enquanto deveria trabalhar é errado. Ele é pago para trabalhar e não para ler a Bíblia. Chegar mais tarde ao trabalho e sair mais cedo; prolongar o horário do almoço, enrolar para não fazer determinadas atividades, são maneiras sutis de desrespeito a quem lhe paga o salário para trabalhar. Você precisa lembrar “que a maneira como você trabalha será uma das mais contundentes expressões de sua fé”. [4]

O texto de Tg 5:4 expressa a triste realidade dos trabalhadores que honestamente produziram e seus patrões não os recompensaram devidamente: Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Eles clamaram ao Senhor apresentando sentimento de frustração, e ele os ouviu. Salários injustos ou atraso proposital no pagamento é roubo (Cl 4:1; Lv 19:13). Empregadores cristãos prestarão contas a Deus sobre o tratamento aos seus empregados.

Pedir algo emprestado (dinheiro ou outro bem) e não devolver, alegando que o credor não precisa, é errado. Se ele precisa ou não, não é problema do devedor. A responsabilidade deste é pagar o que deve e devolver o que pediu emprestado. Existem pessoas que pedem emprestado sabendo que não vão pagar. Essa é outra forma de roubar. “Vender gato por lebre” é uma expressão que indica falta de escrúpulo no comércio. Fornecer produtos ou serviços em quantidade ou qualidade inferior ao combinado é roubo (Dt 25:13-15; Lv 19:35-37; Pv 20:10, 23). Bens adquiridos deslealmente não garantem felicidade e a desobediência ao mandamento divino custará caríssimo.

Respeito à imagem do outro: “Onde há fumaça há fogo!” Será que essa afirmação é verdadeira? É fácil arruinar a imagem de uma pessoa divulgando boatos. Depois de feito o estrago, consertar a situação pode ser humanamente impossível. Shakespeare disse: “Aquele que rouba meu bom nome, tira-me algo que não o enriquecerá e que realmente me empobrece”. [5] O nono mandamento impõe regras para que a imagem do outro seja respeitada. Cumprir o nono mandamento é falar sempre a verdade, é ser digno de confiança, sempre que disser algo.

Difama-se pessoas com sutileza, quando, por exemplo, alguém interroga: “É verdade que fulano fez aquilo?” Este é um dos métodos do diabo. Explicitamente, ele não fez nenhuma acusação ao questionar: Porventura, Jó debalde teme a Deus? (Jó 1:9). A pergunta traz insinuações maldosas, e, infelizmente, muita gente está seguindo esse método. Existem pessoas viciadas em destilar seu veneno contra os outros, e veneno sempre faz mal (Tg 3:8). Tiago trata do poder incendiário e destruidor da língua, quando usada de forma errada (Tg 3:5-6). Esses são pequenos incêndios que causam estragos terríveis.

O nono mandamento tem por objetivo proteger a honra, que “talvez seja a parte mais sensível do ser humano”.6 Ninguém quer ver seu nome ou o da sua família lançado na lama. Deus, cuidadoso como é, deixou este mandamento para manter limpa a reputação de toda pessoa. Em geral, as pessoas entendem que nunca transgrediram o mandamento, que diz: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Arranjam desculpas para suas falhas, afirmando que foi um mal entendido, que não queriam ofender ninguém. Infelizmente, é tarde demais; o estrago já está feito. Quem dá ouvidos à calúnia é tão responsável quanto quem a faz. Em 1994, uma mãe denunciou que seu filho tinha sido molestado sexualmente na escola infantil, com consentimento da direção da escola e do motorista. O delegado acolheu a denúncia, sem apurar os fatos. A imprensa divulgou a denúncia como verdadeira. Os responsáveis pela escola foram presos e a escola, depredada. Meses depois, os proprietários foram soltos, pois eram inocentes, mas sua reputação estava arruinada. [7]

Quem errou? Todos que, de alguma maneira, ajudaram a divulgar a informação. Todos quebraram o nono mandamento. O contraste entre o mundo e a igreja de Cristo precisa ficar cada dia mais marcante. O crente e o ímpio podem até frequentar os mesmos lugares, trabalhar nas mesmas empresas, ter os mesmos tipos de negócios; porém, um é luz e o outro é trevas. Esse contraste precisa ficar cada vez mais acentuado. A convocação do Senhor dos exércitos é para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo (Fp 2:15). A santidade dos salvos causará impacto na sociedade.

APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA

1. A lei de Deus nos ensina a escolher o melhor. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37), encontramos três filosofias de vida. A primeira é: Tudo que é teu é meu; vou tomá-lo. É a filosofia do ladrão. A segunda é: Tudo que é meu é meu; vou guardá-lo. É a filosofia do sacerdote e do levita. A terceira é: Tudo que é meu é teu; vou repartir. É a filosofia do samaritano. Esta é a conduta que Deus nos aponta como a única excelente. Só ele pode nos ajudar a escolhê-la, em lugar de uma conduta egoísta. Oremos para que ele nos transforme de maneira que, com nossas ações, glorifiquemos seu nome em nossa geração, que precisa ver a graça de Deus manifesta através dos salvos.

2. A lei de Deus nos ensina a fazer o melhor. Espalhadas por todos os cantos estão pessoas magoadas por terem sido caluniadas. São pessoas sem fé, porque foram traídas e humilhadas. A lei nos leva até a graça, e, na graça, existe restauração e cura para todos. O desejo de Deus é que nossas palavras sejam de aconselhamento, de ânimo e de benção, que resultem em cura, equilíbrio e antídoto contra o veneno das más línguas (Pv 16:24). Declarar amor às pessoas não é o suficiente. É preciso ajudá-las a entender e crer que, em Deus, existe solução; existe a saída certa; existe vida.

CONCLUSÃO

Respeitar a vida reconhecendo que esta é um dom de Deus e que só a ele compete dar-lhe fim; respeitar os bens do próximo, entendendo que respeitar o patrimônio do outro é também uma atitude de compromisso com este; respeitar a imagem do outro, não o difamando, são posturas de quem atendeu o chamado de Deus para ser “luzeiro” no mundo de trevas. Quando respeitamos a vida, promovemos a paz; quando respeitamos os bens alheios, promovemos equilíbrio social; quando respeitamos a imagem do outro, promovemos equilíbrio emocional, e, em tudo isso, Jesus é glorificado.



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Bibliografia

1. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 125
2. SMITH, C. S. As maiores lutas da vida. Tradução de Jair A. Rechia. São Paulo: Vida, 2007. pág. 82
3. ALLEN, C. L. A psiquiatria de Deus. Tradução de Myrian Talitha Lins. 5 ed. Belo Horizonte: Betânia, 1981. pág. 66
5. Apud ALLEN, C. L. A psiquiatria de Deus. Tradução de Myrian Talitha Lins. 5 ed. Belo Horizonte: Betânia, 1981. pág. 76
6. REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992. pág. 219
7. PORTELA, S. A lei de Deus hoje. São Paulo: Os puritanos, 2000. págs. 149-150

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DEC - Pcamaral

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