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“E se eu…” – Vivendo com remorso

E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. (Jeremias 31:34)

Por Edward T. Welch

Parece tão certo – tão espiritual – viver com alguns arrependimentos. Significa que você se sente mal pelas coisas erradas que fez ou pensa que fez, e isso soa bem. Se você esquece esses erros, você estaria agindo como se não fosse importante.

Quantos “e se?” você tem na sua vida?

Se você tem uma consciência meticulosa, você já perdeu a conta há muito tempo. Para o resto de nós, há algumas categorias básicas de arrependimentos:

1 - Coisas que você fez que foram especialmente embaraçosas, o que significa que vieram a público e o público não as aprovou. Talvez você tenha sido reprovado na faculdade ou tenha sido repreendido no trabalho, teve problemas com a lei ou fez algo imoral.

2 - Coisas que você fez que, com intenção ou não (o que é mais freqüente), machucaram alguém. Acidentes de carro, doenças sexualmente transmissíveis, falhas na criação dos filhos ou passar dos limites por estar sob influência de álcool. “Se eu tivesse saído 5 minutos mais cedo, não teria batido naquela pessoa”. “Se eu não tivesse ido àquela festa…”, etc.

3 - Coisas que você poderia ter feito para evitar uma catástrofe. Se houve na sua vida um momento específico em que o curso dela tomou um rumo irreparável para o pior, então você é capaz de pensar em dezenas de coisas que você poderia ter feito diferente. Casamento fracassado? Você vai revisar toda a lista das promessas matrimoniais e se perguntar o porquê de não ter cumprido todas elas. Quase todas as pessoas que conheciam alguém que cometeu suicídio são carregadas de remorso. “Se eu apenas tivesse telefonado”. A maior parte das mulher que já foram abusadas sexualmente se questionam, “Se eu tivesse (gritado, confiado em meus instintos, ido com os meus amigos)”.

Eu conheci uma mulher que tinha tantos arrependimentos que o fardo de carregá-los parecia normal. Os primeiros “e se” foram pesos acrescentados à sua alma, mas assim como andar carregando pesos de 5 kg amarrados nos pulsos e nos tornozelos, após algum tempo, você não os nota mais. Você se sente lento e cansado o tempo todo, e todos parecem estar sob um ritmo emocional mais acelerado, mas, de alguma forma, isso parece normal.

Aqui está o paradoxo:

- Vivemos com remorso porque pensamos ser isso o correto – pensamos que isso é o nosso dever perante Deus, mas…

- O Reino dos Céus é livre de remorsos. A verdade é que o Deus triuno nos liberta dos arrependimentos do passado. A vontade dele está sendo feita. Pode ter certeza. Nem as suas limitações humanas nem os seus pecados afetam os bons planos do nosso Pai soberano.

Vamos um passo importante adiante. É a vontade de Deus que você se livre dos remorsos do passado. Eles só fazem você se sentir desqualificado e, mais ainda, infrutífero.

Agora vamos fazer uma lista. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Jonas, Pedro e Paulo, para começar. Todos tinham boas razões para ter um caso sério de “e se”. O rei Davi é o exemplo mais claro. Seu pecado com Bate-Seba resultou na morte de seu filho, e sua conspiração para encobrir o adultério resultou na morte de Urias (2 Samuel 12). Pior ainda, seu pecado de realizar o censo levou à morte de 70 mil israelitas (2 Samuel 24). Seu remorso era grande, e seu arrependimento era sincero, mas você não o vê remoendo o passado. Ao contrário, há um relacionamento com o Senhor que perdoa pecados graciosamente.

Pense em Jonas. Um personagem enigmático cuja fuga do Senhor quase resultou na morte de toda uma tripulação e de fato resultou em ser engolido por um peixe. O interior de um peixe é o lugar ideal para remorso, especialmente quando você sabe que a culpa foi sua – “se ao menos eu tivesse ido para Nínive” – mas ao invés disso, se tornou um lugar santo, onde Jonas retomou os sentidos e proclamou “a Salvação pertence ao Senhor” (Jonas 2.9).

Remorsos? E Paulo? Ele assistiu com aprovação o apedrejamento de Estevão (Atos 7.59 – 8.1). Ele perseguiu cristãos, os enviou à prisão e aprovava quando foram executados (Atos 26.9-11). Ainda assim, após sua conversão, apesar de claramente desaprovar esses atos, ele não se apegou aos pecados do passado, mas escreveu: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.13-14). A ironia aqui é que Paulo não estava nem falando de seus próprios pecados, porque ele confia totalmente que o Senhor está no controle e que seus pecados foram totalmente perdoados. Ele está falando das coisas “boas” do seu currículo.

Mas na era pós-ressurreição, é Pedro o nosso mentor de como lidar com remorso. Afinal de contas, ele conhecia Jesus desde o começo, e assumiu que seu pecado de negar isso na noite da prisão de Jesus o levou de volta ao posto de mero pescador. Não que haja algo errado com a pescaria, mas Jesus havia mudado a vocação de Pedro para pescador de homens (Mateus 4.19) e, para Pedro, a pescaria comum significava sua própria convicção de que seus pecados o desqualificavam para o serviço do Reino. Pedro pensava que seu chamado não era mais válido. Mas um café da manhã com Jesus e uma caminhada na praia mudou tudo (João 21).

Tente achar alguma pontinha de remorso ou de “e se” nas duas cartas de Pedro. Ao invés disso, seguindo o rumo do Rei Davi, Pedro começa com o que talvez seja a mais espetacular e eloqüente afirmação de esperança do Novo Testamento, que se encerra com essa exortação: “Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir; estejam alertas e coloquem toda a esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado”. Ele está nos lembrando que a vida em Cristo está baseada no que Jesus já fez e mira naquilo que ele fará. Somos visionários. Olhamos para frente. Esperamos. Buscamos ser atraídos pela beleza que está quase ao alcance, ao invés de sermos presos pelos arrependimentos do passado.

Você percebe algo aqui? Uma esperança crescente? Caso não, talvez você creia que o Reino de Cristo é onde você paga pelos erros e indiscrições do passado, ou apenas por ser um ser humano que não é onisciente e onipresente. Você talvez creia que se acumular remorso e arrependimento o suficiente, você finalmente se livrará do purgatório auto imposto – apesar de você já saber que, não importa o quando você acumule, você sempre sentirá que dá para acrescentar mais um pouco. Isso não é o Reino onde Jesus reina.

Talvez você acredite que seus arrependimentos serão seu talismã de proteção para evitar cometer os mesmos pecados do passado. Isso faz sentido, e soa espiritual, mas é um evangelho falsificado. São as doces misericórdias de Deus que nos compelem a combater o pecado. Uma forma de identificar a terrível natureza dos remorsos é que eles não dão à misericórdia o lugar mais importante da mesa. Esses remorsos são tão teimosos que talvez só saiam por meio de arrependimento sincero e perdão. E enquanto você está arrependido das coisas que fez no passado, a real razão para se arrepender está muito mais perto do presente: você está dizendo “Senhor, eu não acredito que você pode cobrir o meu passado, apesar de você provavelmente cobrir o passado das outras pessoas, e eu certamente não creio que e a confiança em sua bondade e a esperança do futuro são mesmo permitidas a mim”. Chame isso de descrença. Se quiser descer mais, chame de orgulho, quando você acredita mais em si mesmo do que no Senhor. De qualquer forma, se arrependa e peça perdão.

Eu tenho meus remorsos – você tem os seus. A misericórdias de Deus se acumulam mais alto que todos esses juntos.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui | ompartilhado no PCamaral

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