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A Família e a Igreja

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mateus 5:16)

Por Rubem Amorese em Click Familia

Sociólogos, psicólogos, educadores, terapeutas, filósofos e até teólogos têm voltado seu olhar para a família, à procura das causas da violência nas escolas e nos estádios de futebol, da pedofilia, de abusos nos lares, de delinquências de todo tipo; da juvenil à dos políticos. E por que vão procurar as causas na família? Porque sabem que ela é a célula matriz da sociedade. Sabem que é ali que se forma o caráter da pessoa.

Se as coisas são assim, gostaria de contribuir com quatro pressupostos bíblicos sobre a participação da família cristã nos planos de Deus para o nosso tempo. Vamos diretamente a eles.

1. A família cristã revela o amor de Deus

É nela que se manifestam e desenvolvem as mais profundas e íntimas relações de amor voluntário, de lealdade, de fidelidade, de respeito, de eqüidade, de igualdade e de unidade de que o homem é capaz. É nela que se manifestam, portanto, com maior intensidade, os padrões de relacionamento idealizados pelo Criador. É no seu ambiente de trabalho e solidariedade que desabrocham e se desenvolvem os dons, as aptidões, as vocações, os sonhos e projetos de vida, os alvos, os desafios etc. É nesse ambiente de amor e respeito que surgem as condições de formação de uma psiquê saudável, e uma auto-estima equilibrada e de emoções bem estruturadas. É nesse ambiente de aconchego, de amor desinteressado, de respeito e compreensão, que se refugiam os “guerreiros”, esfolados pela luta da vida; onde eles recompõem suas forças, suas energias, suas emoções. É nesse ambiente de identidades bem definidas, de funções e papéis bem explicitados (ainda que não exclusivos e estanques), que se desenvolvem os referenciais saudáveis de masculinidade e feminilidade; onde os valores morais são apreendidos, onde os padrões de conduta, obediência e disciplina são assimilados.

Na medida em que a família falha em espelhar o modelo original de relacionamento com Deus, comprometem-se todas as posteriores associações que o indivíduo desenvolverá em sua vida. Todas elas trarão, inapelavelmente, as marcas profundas — saudáveis ou deletérias — do grupo-matriz. Enfim, se o amor de Deus não se revelar, em suas múltiplas facetas, na família, pouca ou nenhuma chance terá de se revelar alhures.

2. A família Cristã é uma “maquete” do reino de Deus

O que Deus pode fazer pelo homem é testemunhado na família que o invoca como Senhor. Ela é, por isso, uma agência do Reino neste mundo. Como tal, ela não se pertence a si mesma; é um “consulado” do Reino, credenciado para representá-lo. “Acaso… não sabeis que não sois de vós mesmos… fostes comprados por preço…”, diz Paulo aos coríntios.

Na condição de subsistema, guarda, em relação ao sistema maior, profunda identidade de natureza e propósitos, e afina-se necessariamente com seus objetivos e métodos, ainda que possua funções distintas, próprias e complementares. Ali se reproduzem, de forma simplificada, os padrões de relacionamento, de perdão, de sucesso, de autoridade e submissão, de liderança etc. que caracterizam o sistema maior, chamado Reino de Deus.

Ao falhar em reproduzir essa dimensão maior, a família cristã deixa o mundo sem um modelo, sem uma maquete, sem uma amostra do que seja o ideal pretendido por Deus para todos os homens. Neste momento, todas as palavras, todos os sermões, todos os testemunhos serão vãos e inócuos. Por outro lado, não há ideologia, não há modernismo, não há “nova concepção de vida” que possa chamar de “quadrada” a família onde o amor de Deus se torna concreto e visível. É irresistivelmente bela a comunhão provinda do Espírito de Deus. E visivelmente sobrenatural.

Enquanto houver “maquetes do Reino” no mundo, haverá juízo sobre os homens, porque terão debaixo das vistas uma amostra do que poderiam ser. Mais que isso: enquanto houver essas amostras, haverá esperança para todas as famílias da terra. Mas acima de tudo, estará sendo afirmado a todos os ventos que o Senhor Reina.

3. As normas do sistema aplicam-se aos subsistemas

As recomendações bíblicas sobre relacionamento social, em qualquer âmbito (para qualquer sistema social) terão todos os motivos para ser, na sua essência, primariamente aplicáveis ao relacionamento familiar, por ser esta uma sociedade voluntária, inaugurada sob o signo do amor, respeito e reciprocidade; e por guardar identidade sistêmica com todos os sistemas maiores aos quais pertença.

Um exemplo: em sua primeira carta (1Pe 3: 8-12), o apóstolo Pedro apresenta uma série de recomendações sobre como devem ser as relações entre os irmãos. Se este é um padrão de relacionamento para a igreja, não o será ainda mais para o lar? Qualquer padrão de relacionamento para a igreja o será, com maior razão, para o lar cristão.

Desconfie, portanto, da pessoa que consegue ser “boa praça” em sociedade, ao tempo em que apresenta profundos problemas em casa. Pense melhor antes de escolher o líder que tem sua casa desarrumada e desarmoniosa. Não aceite facilmente o pretendente que deixa atrás de si uma esteira de “mal-entendidos” com a esposa e frustrações com os filhos. Cuidado, jovem, com o sorriso fácil e alegre da moça que não pode ouvir falar de seus familiares, por serem todos quadrados e superados. Certamente, todos esses casos se apresentarão como vítimas, colocando a culpa nos demais. Pode ser, mas cuidado!

4. Na família cristã vivencia-se a redenção

Dentro da estrutura da família cristã são mantidas e reproduzidas as condições a que Cristo nos elevou: dignidade (1Pe 3: 7), igualdade e unidade. Toda vez que surgem, na família, estruturas de relacionamento que dão abrigo à opressão; que convivem com condições indignas de vida; que produzem sujeição pela força; que desembocam em tortura psicológica, em menosprezo, ou geram, de alguma forma consentida, desânimo e amargura; todas as vezes em que o inferno se instala numa relação familiar, o que está acontecendo é que essa família está atestando a ineficiência da redenção que ela professa. Se na família cristã não for possível experimentar a redenção, o resgate das trevas para a luz, onde mais será?

Existe um padrão de relacionamento proposto para nós, que emana da própria personalidade do Criador: um relacionamento que se apóia e se sustenta em bases consideradas por muitos de nós como muito frágeis. Esse relacionamento se apóia sobre a necessidade e capacidade de dar-se; de oferecer-se aos outros, com vistas ao seu aprimoramento. Chamamos essa atitude de “serviço”. Toda estrutura de poder do reino de Deus se apóia, de alguma forma, sobre esta base. Não se edifica sobre o poder, mas sobre o amor. Porque a força subjuga, mas o amor conquista. A busca do poder é egocêntrica e destrutiva, mas o amor é altruísta. O poder destrói; o amor constrói.


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